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Espanha envelhece sobre rodas: metade dos automóveis já tem mais de 15 anos

9 de ago.
6 min de leitura
Espanha envelhece sobre rodas: metade dos automóveis já tem mais de 15 anos

O parque automóvel espanhol continua a envelhecer apesar da recuperação das vendas e do forte crescimento dos veículos eletrificados. A idade média dos turismos atingiu 14,6 anos em 2025 e cerca de metade dos automóveis em circulação já ultrapassa os 15 anos, revelando um mercado que consegue colocar mais tecnologia nas estradas, mas ainda não consegue retirar os veículos mais antigos ao mesmo ritmo.


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A renovação do parque automóvel tornou-se num dos grandes paradoxos do mercado espanhol. Em 2025 foram matriculados 1.148.650 turismos novos, mais 12,9% do que no ano anterior, e os elétricos e híbridos plug-in praticamente duplicaram as vendas. Ainda assim, quando olhamos para os automóveis que efetivamente circulam nas estradas, encontramos uma realidade bastante diferente: a idade média voltou a aumentar e chegou aos 14,6 anos.


Os dados constam do Informe Anual 2025 da ANFAC, publicado em julho, e do levantamento ANFAC-IDEAUTO sobre o parque automóvel, construído a partir de dados da Dirección General de Tráfico. O retrato é particularmente expressivo: Espanha terminou 2025 com 26.787.436 turismos em circulação, mais 1,2% do que anteriormente.


Quase metade dos automóveis ultrapassa os 15 anos

O problema não está apenas na média. Dos cerca de 26,8 milhões de turismos que circulam no país, aproximadamente 12,9 milhões têm mais de 15 anos, ou seja, praticamente metade do parque.


Quando baixamos a fasquia para os dez anos, a dimensão do envelhecimento torna-se ainda mais evidente. Cerca de dois em cada três turismos já ultrapassaram essa idade.


Há outro indicador particularmente revelador: os veículos com mais de 20 anos constituem o maior grupo etário dentro do parque automóvel espanhol. São cerca de 9,28 milhões de veículos, um crescimento de 7,2%, correspondendo a 29,3% do parque total de veículos. Em sentido contrário, os veículos com menos de cinco anos representam apenas 17,3%.


Não estamos, portanto, perante um envelhecimento circunstancial provocado por um único ano de vendas mais fracas. A tendência vem de longe. Em 2010, a idade média dos turismos espanhóis era de 9,2 anos. Em 2015 tinha chegado aos 11,7 anos, ultrapassou os 13 anos em 2018, alcançou 14,2 anos em 2022 e chegou aos atuais 14,6 anos em 2025.


Espanha envelhece sobre rodas: metade dos automóveis já tem mais de 15 anos

Espanha circula a duas velocidades

A média nacional também esconde enormes diferenças territoriais. Apenas quatro comunidades apresentam um parque de turismos mais jovem do que os 14,6 anos registados no conjunto do país.


Madrid lidera destacadamente, com uma idade média de apenas 11,3 anos, seguida pela Comunidade Valenciana, com 14,1 anos, Catalunha, com 14,2, e Baleares, com 14,3 anos.

No extremo oposto encontram-se Ceuta e Melilla, com 17,9 anos de média, seguidas por Castilla y León, com 16,9 anos, Galicia, com 16,7, e Extremadura, com 16,6 anos.


A diferença entre Madrid e os territórios com o parque mais envelhecido aproxima-se, portanto, dos sete anos, demonstrando que a capacidade de substituir automóveis antigos está longe de ser uniforme em Espanha.


A mesma divisão aparece quando observamos os veículos com mais de uma década. Em oito comunidades autónomas, 70% ou mais dos turismos já ultrapassaram os dez anos. Ceuta e Melilla encabeçam este grupo, acompanhadas por Castilla y León, Extremadura, Galicia, Asturias, La Rioja, Castilla-La Mancha e Navarra.


Madrid volta a surgir no outro extremo, sendo a única onde menos de metade dos turismos ultrapassa os dez anos.


Segurança é uma das questões por trás da idade do parque

A discussão em torno do envelhecimento automóvel é frequentemente reduzida às emissões, mas existe uma segunda questão igualmente importante: a segurança.


Um automóvel com 15 ou 20 anos pode continuar perfeitamente funcional e seguro quando corretamente mantido. A idade, isoladamente, não transforma automaticamente um veículo num risco. A diferença está sobretudo na tecnologia disponível quando foi projetado.


Os automóveis novos incorporam sistemas de assistência à condução e segurança ativa que simplesmente não existiam — ou estavam reservados a segmentos superiores — há década e meia. Travagem automática de emergência, deteção de peões e ciclistas, manutenção na faixa de rodagem e sistemas mais sofisticados de controlo de estabilidade são hoje parte integrante da evolução do automóvel.


A própria ANFAC chama a atenção para este ponto, relacionando a renovação do parque não apenas com emissões, mas também com a disseminação de ADAS capazes de evitar ou mitigar acidentes.


Por isso, o problema não deve ser apresentado simplesmente como “carros velhos são perigosos”. A questão é que quanto mais lentamente o parque se renova, mais lentamente as tecnologias modernas de segurança chegam à totalidade dos condutores.


Eletrificados crescem 51%, mas ainda representam uma pequena parte das estradas

Existe ainda outro contraste particularmente interessante. Enquanto o parque envelhece, a eletrificação avança a um ritmo elevado — mas parte de uma base ainda muito pequena.


No final de 2025 circulavam em Espanha 746.367 veículos eletrificados, considerando elétricos a bateria e híbridos plug-in, segundo os números apresentados pela ANFAC no seu relatório anual. Isso representa um crescimento de cerca de 51% num único ano.


Apesar deste avanço, correspondem a apenas 2,4% do parque total, que atingiu 31.708.927 veículos quando incluímos turismos, comerciais, industriais e autocarros. O levantamento específico ANFAC-IDEAUTO aponta, de forma praticamente coincidente, 746.510 eletrificados.


A diferença entre vendas novas e parque circulante é fundamental para compreender estes números. Em 2025, elétricos e híbridos plug-in atingiram 225.616 matriculações de turismos e 19,6% do mercado de veículos novos.


Ou seja, praticamente um em cada cinco turismos novos matriculados já era eletrificado, mas estes veículos ainda representam uma pequena fração de tudo aquilo que efetivamente circula nas estradas.


É uma demonstração clara de como uma transformação tecnológica aparentemente rápida nas vendas demora muitos anos a alterar profundamente um parque composto por dezenas de milhões de veículos.


Espanha envelhece sobre rodas: metade dos automóveis já tem mais de 15 anos

Madrid concentra quatro em cada dez eletrificados

Também na eletrificação existe uma Espanha a várias velocidades. Madrid concentra cerca de quatro em cada dez veículos eletrificados existentes no país, enquanto elétricos e híbridos plug-in já representam 5,7% do seu parque.


A Catalunha surge depois, com uma penetração de 2,5%, seguida pelas Baleares, com 2,3%.

No extremo oposto estão Ceuta e Melilla, onde os eletrificados representam apenas 0,6% do parque, e Extremadura, com 0,8%.


Há aqui uma coincidência difícil de ignorar: algumas das regiões com maior dificuldade em renovar o parque são também aquelas onde a eletrificação tem menor presença. A transição tecnológica espanhola está, portanto, a ocorrer simultaneamente com uma desigualdade territorial na capacidade de substituição dos automóveis existentes.


O verdadeiro desafio não é apenas vender elétricos

Os números ajudam igualmente a colocar a discussão da descarbonização numa perspetiva mais ampla. Substituir progressivamente motores de combustão por veículos eletrificados é parte da transformação, mas existe um problema mais imediato: milhões de automóveis de gerações anteriores continuam em circulação.


Mesmo com mais de 1,14 milhões de turismos novos vendidos em 2025, a idade média não caiu. Pelo contrário, aumentou.


É talvez o número mais importante de todo o relatório.


Significa que a entrada de veículos novos ainda não é suficiente para compensar o envelhecimento da enorme base existente.


E é precisamente neste ponto que renovação e eletrificação deixam de ser sinónimos. Retirar de circulação um automóvel com 15 ou 20 anos e substituí-lo por um veículo moderno pode introduzir ganhos relevantes em segurança, eficiência e emissões mesmo quando o novo automóvel não é exclusivamente elétrico.


Um parque que cresce, mas não rejuvenesce

A fotografia deixada por 2025 mostra assim duas realidades aparentemente contraditórias. De um lado, Espanha vende mais automóveis, quase duplicou as matriculações de turismos eletrificados e colocou mais veículos tecnologicamente avançados nas estradas. Do outro, a idade média continua a subir e quase metade dos turismos já ultrapassa os 15 anos.


O problema espanhol deixou, portanto, de ser simplesmente vender mais carros. É conseguir que a entrada dos novos corresponda efetivamente à retirada dos mais antigos.


Enquanto isso não acontecer, continuará a existir uma diferença considerável entre aquilo que vemos nos números mensais de matriculações — cada vez mais híbridos, elétricos, sistemas ADAS e tecnologias modernas — e aquilo que encontramos diariamente nas estradas.


Espanha está a modernizar o automóvel novo muito mais depressa do que está a renovar o automóvel que já circula. É nessa diferença que estão os 14,6 anos de idade média do parque.


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