
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.










Portugal prepara o regresso da produção ferroviária em larga escala. A construção de uma nova unidade industrial em Guifões permitirá fabricar mais de metade dos novos comboios adquiridos pela CP, num investimento que integra o maior programa de renovação de material circulante alguma vez realizado pela empresa pública.
A CP – Comboios de Portugal assinalou o início da construção de uma nova fábrica de material circulante ferroviário em Guifões, no concelho de Matosinhos. A unidade será desenvolvida no âmbito do contrato celebrado com a Alstom para o fornecimento de 153 novas automotoras destinadas aos serviços Urbanos e Regionais, representando um passo significativo no reforço da capacidade industrial ferroviária em Portugal.
Com uma área superior a 20 mil metros quadrados, a nova fábrica será equipada com tecnologias de produção de última geração e permitirá que 81 dos 153 novos comboios sejam construídos em território nacional, reforçando a componente industrial do projeto e reduzindo a dependência da produção externa.
Segundo a Alstom, a unidade deverá criar cerca de 300 postos de trabalho diretos e mais de 1.000 empregos indiretos, contribuindo para o desenvolvimento de competências técnicas especializadas numa área que tem vindo a recuperar importância estratégica em Portugal.
A construção da fábrica surge integrada no maior investimento alguma vez realizado pela CP em material circulante.
Após a ativação da opção de compra de mais 36 automotoras, o contrato inicialmente celebrado com a Alstom passou a abranger 153 unidades, num investimento superior a mil milhões de euros.
Do total previsto, 98 automotoras destinam-se aos serviços Urbanos e 55 aos serviços Regionais. As primeiras entregas estão previstas para 2029, tendo sido antecipada em 17 meses a conclusão do fornecimento após o aditamento contratual assinado em março deste ano.

As novas automotoras terão três carruagens e capacidade para transportar até 450 passageiros.
Entre as principais características encontram-se acessos ao nível da plataforma, eliminando degraus de entrada, zonas dedicadas para cadeiras de rodas e bicicletas, ligação Wi-Fi e novos equipamentos destinados a melhorar o conforto e a acessibilidade durante a viagem.
A renovação da frota procura responder ao crescimento sustentado da procura pelo transporte ferroviário em Portugal, permitindo aumentar a oferta de lugares e substituir material circulante mais antigo.
O projeto representa também uma nova etapa para o Complexo Oficinal de Guifões, uma infraestrutura com forte tradição na manutenção ferroviária nacional.
Inaugurada em 1990, a oficina tornou-se um dos principais centros de manutenção e recuperação de material circulante da CP. Após o encerramento parcial de algumas instalações em 2012, parte da unidade voltou a ser reativada em 2020, retomando trabalhos de recuperação de carruagens e revisões gerais de diversas frotas.
Atualmente, Guifões acolhe igualmente a montagem do denominado Comboio Português, desenvolvido no âmbito do projeto TrainSolutions Portugal, financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Segundo a CP, quando terminar a produção das novas automotoras, a fábrica agora em construção será adaptada para funcionar como oficina de manutenção, assegurando a continuidade da atividade industrial no complexo.
A renovação da frota da CP não se limita ao contrato com a Alstom.
A empresa já iniciou a receção das 22 automotoras adquiridas à Stadler, enquanto decorre igualmente o concurso internacional para a aquisição de 12 comboios de Alta Velocidade, existindo ainda opção para mais oito unidades.
No conjunto, estes investimentos pretendem modernizar significativamente o parque ferroviário nacional, aumentar a capacidade de transporte e contribuir para uma mobilidade mais sustentável, num momento em que a ferrovia assume um papel cada vez mais relevante na estratégia nacional de descarbonização.

Indicador | Valor |
Área da nova fábrica | 20.000 m² |
Comboios do contrato Alstom | 153 |
Produção prevista em Portugal | 81 unidades |
Automotoras Urbanas | 98 |
Automotoras Regionais | 55 |
Investimento global | Mais de 1.000 milhões de euros |
Empregos diretos previstos | 300 |
Empregos indiretos previstos | Mais de 1.000 |
Capacidade de cada comboio | Até 450 passageiros |
Início das entregas | 2029 |
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