
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 7 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










Vendas de comerciais ligeiros, camiões e autocarros encerraram o semestre em alta na União Europeia, enquanto Portugal registou um dos maiores crescimentos nos segmentos de camiões e autocarros
O mercado europeu de veículos comerciais terminou o primeiro semestre de 2026 em terreno positivo, contrariando um contexto marcado por desafios geopolíticos e económicos. Segundo os mais recentes dados divulgados pela Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis (ACEA), as matrículas de comerciais ligeiros cresceram 1,9%, os camiões registaram uma subida de 9,8% e os autocarros avançaram expressivos 22,7%. Apesar da evolução positiva, a associação alerta que a adoção de veículos eletrificados continua abaixo do ritmo necessário, sobretudo nos segmentos mais pesados, devido à insuficiência de infraestruturas e de condições de apoio à transição energética.
O segmento dos comerciais ligeiros manteve-se como o maior mercado europeu, totalizando 742.759 unidades matriculadas, mais 1,9% do que no primeiro semestre de 2025. No entanto, a evolução foi desigual entre os principais mercados. Espanha destacou-se com um crescimento de 7,9%, enquanto Alemanha (-4,6%), Itália (-4,7%) e França (-2,1%) registaram recuos nas novas matrículas.
Nos veículos pesados, o cenário revelou-se mais robusto. As matrículas de camiões aumentaram 9,8%, atingindo 171.933 unidades, impulsionadas sobretudo pelos pesados de mais de 16 toneladas, que cresceram 11,1%, enquanto os camiões médios registaram uma subida de 2,8%. Entre os maiores mercados europeus, a Polónia liderou a expansão com um crescimento de 25,9%, seguida por Espanha (+13,2%) e Alemanha (+7,1%). França manteve praticamente os mesmos níveis do ano anterior.
O maior crescimento percentual pertenceu ao segmento dos autocarros. As vendas aumentaram 22,7%, alcançando 22.590 unidades, com Itália a liderar entre os principais mercados europeus graças a um aumento de 51,6%. Alemanha e França registaram ambas crescimentos de 21,6%, enquanto a Polónia surpreendeu ao tornar-se o quarto maior mercado europeu, depois de um impressionante aumento de 78% nas matrículas. Espanha foi a única grande economia a apresentar uma contração neste segmento, com uma descida de 8,5%.
A eletrificação manteve uma trajetória de crescimento em praticamente todos os segmentos, embora a ACEA considere que a evolução continua insuficiente para cumprir os objetivos de descarbonização.
Nos comerciais ligeiros, as carrinhas elétricas e híbridas plug-in cresceram 41,6%, passando a representar 13,2% do mercado europeu, enquanto o Diesel continua dominante com 79,1%, apesar de perder quota face ao ano anterior. As versões híbridas também registaram uma evolução significativa, aumentando 31,7%, embora representem ainda apenas 3,3% das vendas.
Nos camiões, os modelos eletrificados cresceram 47,7%, alcançando uma quota de mercado de 4,8%. Ainda assim, o Diesel continua praticamente incontestado, representando 92,1% das novas matrículas. Alemanha, Países Baixos e França concentraram quase três quartos das vendas de camiões elétricos na União Europeia durante o primeiro semestre.
Também os autocarros aceleraram a eletrificação. As matrículas de modelos elétricos aumentaram 56,8%, elevando a sua quota para 27,7% do mercado europeu. Apesar disso, o Diesel continua a representar a maioria das vendas, com 58,2%, enquanto os autocarros híbridos cresceram 10,7%, passando a deter 6,1% da quota de mercado.
Portugal apresentou resultados particularmente positivos em vários segmentos do mercado de veículos comerciais.
Nas carrinhas até 3,5 toneladas, foram matriculadas 16.669 unidades, um crescimento de 5,8%, acima da média da União Europeia. O destaque vai para as versões eletrificadas, que mais do que duplicaram face ao mesmo período de 2025, registando uma subida superior a 111%.
O desempenho foi ainda mais expressivo nos camiões. Considerando os veículos acima das 3,5 toneladas, Portugal registou 3.278 novas matrículas, um aumento de 25,6%, um dos maiores crescimentos entre os mercados europeus.
Nos autocarros, o mercado nacional também evidenciou uma forte recuperação. As matrículas cresceram 49,7%, passando de 612 para 916 unidades, com um aumento particularmente expressivo dos modelos elétricos, que passaram de apenas 33 para 515 unidades, refletindo a aceleração da renovação das frotas de transporte público em Portugal.
Apesar dos resultados positivos, a ACEA sublinha que o crescimento da eletrificação continua condicionado por fatores estruturais, como a escassez de infraestruturas de carregamento, o elevado custo de aquisição dos veículos pesados elétricos e a necessidade de políticas públicas que acelerem a renovação das frotas profissionais. Para a associação, sem estas condições de base, a transição para uma mobilidade comercial de emissões reduzidas continuará a evoluir a um ritmo inferior ao exigido pelos objetivos climáticos europeus.
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