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Mercedes-Benz lidera agosto e Peugeot mantém o comando do ano no mercado automóvel português

2 de set.
7 min de leitura

Mercedes-Benz lidera agosto e Peugeot mantém o comando do ano e mercado automóvel português

O mercado automóvel português manteve uma trajetória positiva em agosto, com 17.209 veículos matriculados, mais 11,3% do que no mesmo mês de 2025, elevando o acumulado dos primeiros oito meses para 197.632 unidades, uma progressão de 10,3%, em dados já analizados e publicados no artigo aqui. Nos ligeiros de passageiros, a Mercedes-Benz foi a marca mais vendida em agosto, à frente de Dacia e BMW, enquanto a Peugeot conserva uma vantagem confortável na liderança do ano. Mas é fora do topo que surgem algumas das alterações mais expressivas: MG, XPeng, CUPRA, BYD e Tesla avançam fortemente no acumulado, enquanto Mitsubishi, Ford, Renault e Nissan perdem terreno.


Os dados da ACAP relativos a agosto confirmam que o crescimento do mercado português não está concentrado num único segmento. Os ligeiros de passageiros aumentaram 8,4%, para 14.086 unidades, os comerciais ligeiros avançaram 21,8%, para 2.449, e os pesados dispararam 45,9%, alcançando 674 matrículas. No acumulado entre janeiro e agosto, foram matriculados 169.323 ligeiros de passageiros (+9,5%), 22.299 comerciais ligeiros (+9,8%) e 6.010 pesados (+39,6%), levando o mercado total às referidas 197.632 unidades.

Mercado automóvel

Agosto 2026

Var. 2025

Jan.-ago. 2026

Var. 2025

Ligeiros de passageiros

14.086

+8,4%

169.323

+9,5%

Comerciais ligeiros

2.449

+21,8%

22.299

+9,8%

Total ligeiros

16.535

+10,2%

191.622

+9,6%

Pesados

674

+45,9%

6.010

+39,6%

Total do mercado

17.209

+11,3%

197.632

+10,3%

Mercedes-Benz vence agosto, mas Peugeot continua isolada na liderança do ano

Olhando especificamente para os ligeiros de passageiros, que representam a maior parcela do mercado e constituem a referência mais direta para analisar as escolhas dos consumidores, agosto trouxe uma alteração importante na hierarquia habitual. A Mercedes-Benz foi a marca mais matriculada do mês, com 1.279 automóveis, apesar de ter recuado 2,3% relativamente às 1.309 unidades de agosto de 2025.


A Dacia ficou muito próxima, com 1.232 unidades, aumentando 10,1%, enquanto a BMW completou o pódio mensal com 1.113 matrículas e uma subida de 3%. A Toyota foi quarta, com 910 unidades (+8,1%), e a Peugeot, apesar de liderar confortavelmente o acumulado do ano, ficou apenas na quinta posição em agosto, com 807 automóveis e uma quebra homóloga de 15,1%.



Citroën, Volkswagen, Renault, BYD e Kia completaram as dez marcas mais matriculadas no mês.

Marca

Agosto 2026

Agosto 2025

Variação

Mercedes-Benz

1.279

1.309

-2,3%

Dacia

1.232

1.119

+10,1%

BMW

1.113

1.081

+3,0%

Toyota

910

842

+8,1%

Peugeot

807

950

-15,1%

Renault

735

730

+0,7%

Citroën

720

518

+39,0%

Volkswagen

708

807

-12,3%

BYD

474

467

+1,5%

Kia

468

409

+14,4%

A fotografia do acumulado é bastante diferente. A Peugeot mantém-se como a marca de ligeiros de passageiros mais vendida em Portugal em 2026, com 15.682 unidades entre janeiro e agosto. Mesmo praticamente estabilizada face às 15.745 do ano passado (-0,4%), conserva uma vantagem de quase três mil automóveis sobre a segunda classificada.


A Mercedes-Benz ocupa essa posição com 12.716 unidades e um crescimento de 4,5%, seguida pela Dacia, com 11.075 matrículas. A marca romena, porém, está a perder terreno face a 2025, recuando 6,7%. BMW e Volkswagen fecham as cinco primeiras posições, ambas em crescimento.

Marca

Jan.-ago. 2026

Jan.-ago. 2025

Variação

Peugeot

15.682

15.745

-0,4%

Mercedes-Benz

12.716

12.173

+4,5%

Dacia

11.075

11.872

-6,7%

BMW

10.558

9.775

+8,0%

Volkswagen

10.015

9.092

+10,2%

Renault

9.563

11.112

-13,9%

Toyota

9.052

8.249

+9,7%

Citroën

8.843

7.264

+21,7%

Tesla

6.512

4.605

+41,4%

Opel

6.112

5.310

+15,1%

A Peugeot continua, portanto, a liderar o ano, mas sem crescer em volume, enquanto várias das marcas imediatamente atrás estão a aproximar-se. A Volkswagen, por exemplo, aumenta 10,2%, a Toyota 9,7% e a BMW 8%. Mais expressiva é a evolução da Citroën, que ganha 1.579 matrículas e cresce 21,7%, passando de 7.264 para 8.843 unidades.


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XPeng, MG e CUPRA entre as marcas que mais crescem

Quando se abandona a classificação absoluta e se observa a evolução homóloga, a transformação do mercado torna-se ainda mais evidente. Entre marcas com uma base comparável relevante, a XPeng apresenta uma das maiores progressões percentuais, passando de 545 automóveis nos primeiros oito meses de 2025 para 1.398 este ano, um crescimento de 156,5%.


A MG apresenta simultaneamente uma forte progressão percentual e um volume já significativo: passa de 2.734 para 4.823 automóveis, uma subida de 76,4%. São mais 2.089 unidades num ano, tornando a evolução da marca particularmente relevante para a estrutura do mercado.


A CUPRA cresce 59,2%, de 1.521 para 2.422 unidades, enquanto a Tesla aumenta 41,4%, de 4.605 para 6.512 automóveis. A BYD apresenta uma trajetória semelhante em termos absolutos, passando de 3.732 para 5.249 unidades, mais 40,6%.


Entre outras progressões importantes encontram-se a MINI (+37,9%), Mazda (+27,3%), Citroën (+21,7%), Polestar (+16,2%), Jeep (+16,0%) e Opel (+15,1%).


Agosto, isoladamente, também deixou movimentos expressivos. A Mazda saltou de 27 para 70 unidades, +159,3%, e a XPeng passou de 83 para 201, +142,2%. A MG cresceu 56,7%, com 340 matrículas, a CUPRA avançou 49,4%, para 378, e a Citroën aumentou 39%, alcançando 720 unidades.


É importante, contudo, interpretar percentagens muito elevadas em função da dimensão inicial de cada marca. Crescer 100% a partir de algumas dezenas ou centenas de unidades tem um significado comercial diferente de aumentar 20% quando já se vendem vários milhares de automóveis. Por isso, a progressão da MG, BYD, Tesla ou Citroën assume particular relevância, uma vez que combina crescimento elevado com volumes já expressivos.


Mitsubishi tem a maior queda entre marcas com volume relevante

No sentido inverso, a Mitsubishi apresenta a retração mais acentuada entre marcas com um volume comparável significativo. As matrículas de ligeiros de passageiros passaram de 2.356 entre janeiro e agosto de 2025 para 1.057 no mesmo período deste ano, correspondendo a uma queda de 55,1% e à perda de 1.299 unidades.


A Alfa Romeo recua 44,4%, de 493 para 274 automóveis, embora sobre uma base substancialmente menor. A Land Rover cai 21,4%, a DS 21,2% e a Ford perde 20,6%, passando de 3.932 para 3.123 unidades.


Entre as marcas de maior volume, a Renault apresenta uma das perdas absolutas mais importantes. Foram 9.563 matrículas até agosto, contra 11.112 no período homólogo, uma diferença de 1.549 automóveis e uma quebra de 13,9%. A Nissan também recua 13,5%, de 5.660 para 4.896 unidades.


Agosto acentuou algumas destas tendências. A Mitsubishi caiu 44,8%, a Nissan 39,1%, a Tesla 36,5%, a Hyundai 36,1% e a Ford 35,5%. No caso da Tesla, porém, o resultado mensal deve ser analisado com especial cautela: apesar da quebra em agosto, a marca cresce 41,4% no acumulado do ano, mostrando como um único mês pode ser pouco representativo numa marca cujas matrículas podem apresentar oscilações significativas ao longo do trimestre.


Comerciais ligeiros aceleram mais de 20%

O crescimento do mercado em agosto não ficou limitado aos automóveis de passageiros. Os comerciais ligeiros avançaram 21,8%, passando de 2.011 para 2.449 unidades, enquanto no acumulado do ano registam 22.299 matrículas, mais 9,8%.


A Renault lidera claramente este segmento tanto em agosto como no acumulado. Foram 351 unidades no mês, +28,6%, e 3.098 desde janeiro, +17,9%. A Toyota ocupa a segunda posição anual, com 2.585 unidades (+7,7%), seguida pela Citroën, com 2.078 (-1,8%).


Neste mercado há igualmente mudanças importantes. A KGM passa de 176 para 386 unidades no acumulado, crescendo 119,3%, enquanto a Maxus sobe de 163 para 328, +101,2%, e a Isuzu avança 53,5%, para 666 unidades. A Opel segue o caminho contrário: cai de 2.127 para 1.383 comerciais ligeiros, uma redução de 35%.


Pesados crescem quase 46% em agosto

É nos veículos pesados que surge a maior taxa de crescimento do mercado. Foram matriculadas 674 unidades em agosto, mais 45,9%, enquanto o acumulado atingiu 6.010 veículos, uma progressão de 39,6%.


Nos pesados de mercadorias, a Volvo assume uma posição particularmente forte, com 237 matrículas apenas em agosto e 1.287 desde janeiro, enquanto a Mercedes-Benz regista 154 no mês e 785 no acumulado. Considerando a tabela global de veículos pesados, que agrega diferentes categorias, a Mercedes-Benz aparece com 156 unidades em agosto e 888 no acumulado.


O crescimento deste mercado também exige alguma prudência na leitura das percentagens, porque os volumes são muito inferiores aos dos ligeiros e determinadas entregas de frotas podem provocar variações mensais muito acentuadas.


Um mercado que cresce, mas com mudanças profundas entre as marcas

Os dados até agosto mostram um mercado português globalmente mais forte do que em 2025: mais 18.462 veículos foram matriculados nos primeiros oito meses, fazendo o total avançar de 179.170 para 197.632 unidades. Nos ligeiros de passageiros, o aumento é de 14.758 automóveis.


Mas o crescimento agregado esconde uma redistribuição relevante. A Peugeot continua a comandar o mercado de passageiros, embora praticamente sem crescer; Mercedes-Benz, BMW, Volkswagen e Toyota avançam, enquanto Dacia e Renault perdem volume. Ao mesmo tempo, MG, Tesla, BYD, CUPRA e XPeng estão a crescer a ritmos muito superiores à média, alterando progressivamente a composição de um mercado durante muitos anos dominado quase exclusivamente pelas marcas europeias e japonesas tradicionais.


Agosto reforça essa leitura. A Mercedes-Benz conseguiu liderar o mês, a Dacia ficou a apenas 47 unidades e a BMW ultrapassou as 1.100 matrículas, mas algumas das maiores movimentações aconteceram mais abaixo na classificação. Num mercado de passageiros que cresce 9,5% desde o início do ano, já não basta saber quem ocupa o primeiro lugar: a verdadeira mudança está na velocidade com que algumas marcas estão a ganhar espaço e outras a perdê-lo.


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