Polestar 4 ganha versão SUV com até 630 km de autonomia e 1665 litros de bagageira

A Polestar alarga a família 4 com uma nova variante SUV que troca parte da silhueta coupé por maior versatilidade, recupera o vidro traseiro convencional e aumenta o espaço disponível para passageiros e bagagem. Construído sobre a mesma arquitetura SEA, o novo Polestar 4 SUV mantém a bateria de 100 kWh e oferece versões de 272 e 544 cv, até 630 quilómetros de autonomia WLTP, carregamento DC a 200 kW e função V2L. A produção já arrancou na Coreia do Sul e as primeiras entregas estão previstas para o quarto trimestre de 2026.
O Polestar 4 passa a ser uma família com duas interpretações distintas de uma mesma base técnica. A nova variante SUV não substitui o Polestar 4 de perfil coupé, mas procura responder aos clientes que valorizam mais espaço e funcionalidade sem obrigar a marca a desenvolver um automóvel inteiramente novo. A diferença está sobretudo na traseira, redesenhada com uma linha de tejadilho mais direita e uma porta da bagageira mais vertical, solução que altera as proporções e permite aproveitar melhor o volume interior. A produção começou em Busan, na Coreia do Sul, durante o segundo trimestre deste ano.

Uma traseira diferente muda bastante o Polestar 4
Visualmente, a dianteira mantém os elementos já conhecidos do Polestar 4, incluindo a assinatura luminosa dividida, mas da secção central para trás o SUV procura assumir uma identidade mais funcional. As barras longitudinais de tejadilho percorrem toda a cobertura e permitem uma carga dinâmica máxima de 100 kg, enquanto a paleta exterior passa a contar com oito cores.
Mais significativa é uma decisão que distingue imediatamente as duas carroçarias: o Polestar 4 SUV volta a ter vidro traseiro e espelho retrovisor interior convencional de série. É uma alteração importante relativamente ao Polestar 4 coupé, cuja ausência de óculo traseiro levou a marca a utilizar uma câmara exterior associada a um retrovisor digital. No SUV, este sistema digital continua disponível, mas passa a ser opcional para quem pretenda manter um campo de visão traseiro desimpedido mesmo com a bagageira carregada.
A nova geometria traseira também beneficia os passageiros da segunda fila, que ganham 2,5 centímetros de espaço em altura. O tejadilho panorâmico de série é maior e prolonga-se praticamente até à porta da bagageira, oferecendo proteção UV anunciada de 99,5%. Opcionalmente, pode receber tecnologia eletrocrómica, permitindo controlar através do ecrã central a passagem de luz e escolher entre transparência total, escurecimento completo ou apenas de determinadas secções.
É, porém, na capacidade de carga que a transformação para SUV ganha maior sentido. A Polestar anuncia 530 litros na bagageira traseira medidos até aos encostos dos bancos e 655 litros até ao tejadilho. Rebatendo os bancos posteriores na proporção 60/40, o volume pode chegar aos 1665 litros. Considerando também os diferentes compartimentos dianteiros e traseiros, a marca refere 1680 litros de capacidade total de arrumação, embora sejam medições distintas e, por isso, não devam ser interpretadas como o volume convencional de uma única bagageira.

272 ou 544 cv e até 630 km de autonomia
A base técnica permanece próxima da versão coupé. O Polestar 4 SUV utiliza a arquitetura SEA e será comercializado com duas motorizações, ambas alimentadas por uma bateria de 100 kWh. A versão Rear motor utiliza um único motor no eixo traseiro, com 200 kW (272 cv) e 343 Nm, acelera dos 0 aos 100 km/h em 7,3 segundos e apresenta a maior autonomia da gama, com até 630 km segundo o ciclo WLTP.
No topo surge o Dual motor, com tração integral, 400 kW (544 cv) e 686 Nm. A aceleração dos 0 aos 100 km/h desce para 3,9 segundos, enquanto a autonomia máxima anunciada fica nos 600 km WLTP. Em ambos os casos, o carregamento rápido em corrente contínua pode atingir 200 kW e o carregamento AC chega aos 22 kW em mercados selecionados — no Reino Unido, Irlanda, Coreia do Sul e Canadá está limitado a 11 kW.
Polestar 4 SUV | Rear motor | Dual motor |
Potência | 200 kW / 272 cv | 400 kW / 544 cv |
Binário | 343 Nm | 686 Nm |
Tração | Traseira | Integral |
0-100 km/h | 7,3 s | 3,9 s |
Bateria | 100 kWh | 100 kWh |
Autonomia WLTP | Até 630 km | Até 600 km |
Carregamento DC | Até 200 kW | Até 200 kW |
Carregamento AC | Até 22 kW* | Até 22 kW* |
*Dependente do mercado.
O chassis segue igualmente a especificação utilizada na recente atualização do Polestar 4 coupé. Para quem procurar uma configuração mais orientada para o comportamento dinâmico haverá um Performance Pack, que acrescenta amortecedores ativos ZF recalibrados, travões Brembo e jantes de 22 polegadas com pneus Pirelli P Zero. São componentes relevantes, embora as afirmações da marca sobre precisão, conforto e envolvimento ao volante só possam ser devidamente avaliadas num teste dinâmico independente como o que faremos futuramente.


V2L transforma a bateria numa fonte de energia
Outra novidade importante é a introdução da função Vehicle-to-Load (V2L), que não ficará exclusiva do SUV: a Polestar prevê disponibilizá-la em todos os Polestar 4 através de uma futura atualização de software. O sistema permite retirar energia da bateria de alta tensão para alimentar equipamentos externos, desde ferramentas a equipamentos de campismo e aparelhos eletrónicos.
A potência máxima é de 3,3 kW, a 230 V e 16 A monofásicos, através de um adaptador certificado vendido separadamente. O utilizador poderá ainda definir no ecrã central um nível mínimo de bateria, abaixo do qual o automóvel deixa de fornecer energia.
A funcionalidade está relacionada com outro elemento estreado pelo SUV, o Camping Mode, que permite manter climatização, entretenimento, iluminação ambiente e determinados controlos ativos quando o automóvel está estacionado. O sistema combina a energia disponibilizada pelo V2L com ligações USB-C e tomada de 12 V, procurando explorar a maior versatilidade proporcionada pela nova carroçaria. Tanto o V2L como o Camping Mode chegarão através de uma atualização futura de software, não estando necessariamente disponíveis desde o primeiro dia de utilização dos automóveis.

Gemini entra no sistema Google built-in
No interior mantém-se a abordagem digital do Polestar 4, com ecrã central horizontal e painel dedicado ao condutor. A interface passa a permitir nove atalhos através de widgets no ecrã principal, em vez dos seis anteriormente disponibilizados. Entre os opcionais está um sistema Harman Kardon com 12 altifalantes e amplificação anunciada de 1400 watts.
O Google Gemini passa também a integrar a experiência digital através do Google built-in. O objetivo é substituir a lógica tradicional de comandos de voz por interações capazes de interpretar contexto e manter conversas com várias etapas. A Polestar refere funções como planeamento de viagens, tradução em tempo real e Gemini Live. A disponibilidade, contudo, depende do país, idioma, aplicações e respetiva compatibilidade; segundo a informação divulgada, o lançamento abrange inicialmente, 22 países e 16 idiomas.
A marca destaca ainda a utilização de materiais reciclados ou de origem controlada. A pegada de carbono calculada pela Polestar entre a extração de matérias-primas e a saída da fábrica — cradle-to-gate — é de 20,2 toneladas de CO₂ equivalente na versão Rear motor e 21,1 toneladas no Dual motor. São valores calculados segundo a metodologia da própria fabricante para esta fase do ciclo de vida e, portanto, não correspondem às emissões totais do automóvel ao longo de toda a sua utilização e posterior.

Preços em Portugal começam nos 55.600 euros
Em Portugal, o Polestar 4 SUV tem preços a partir de 55.600 euros na versão Rear motor, enquanto as versões Dual motor começam nos 58.600 euros. Para quem optar pelo Performance Pack, que acrescenta uma configuração de chassis mais orientada para o desempenho, amortecedores ativos ZF recalibrados, travões Brembo e jantes de 22 polegadas, o preço começa nos 67.400 euros. Os valores divulgados para o mercado português correspondem a PVP e já incluem as despesas de legalização e transporte, colocando assim a nova variante SUV abaixo dos preços-base inicialmente comunicados para o mercado alemão.
A produção arrancou em Busan no segundo trimestre de 2026 e as primeiras entregas estão previstas para o quarto trimestre. O novo Polestar 4 SUV surge, assim, menos como um modelo completamente diferente e mais como uma resposta a uma das principais limitações práticas inerentes à proposta original: mantém a plataforma, bateria e níveis de desempenho conhecidos, mas acrescenta uma traseira mais convencional, maior capacidade de carga, mais espaço em altura e funcionalidades como V2L. A questão decisiva será perceber se essa maior versatilidade será suficiente para diferenciar as duas variantes sem retirar identidade ao Polestar 4 original — e, sobretudo, a que preço chegará efetivamente ao mercado português.
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