
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
14 de fev.










A Volvo Cars registou uma queda de 10% nas vendas globais entre fevereiro e abril de 2026, refletindo um contexto internacional adverso. Ainda assim, os modelos 100% elétricos mantêm uma trajetória de crescimento e reforçam a transição da marca para a eletrificação.
A Volvo Cars atravessa um período de ajustamento num mercado automóvel global cada vez mais pressionado. Entre fevereiro e abril de 2026, a marca sueca registou vendas de 162.864 unidades, uma queda de 10% face ao mesmo período de 2025, evidenciando o impacto de um contexto económico e competitivo mais exigente.
A descida nas vendas não é isolada e acompanha a tendência geral da indústria, particularmente em mercados-chave. Na China, a marca enfrenta uma quebra acentuada, influenciada pelo crescimento agressivo de fabricantes locais e por um ambiente macroeconómico mais desafiante. Já nos Estados Unidos, o cenário é marcado por uma combinação de fatores: confiança do consumidor em níveis baixos, menor dinamismo nas vendas de elétricos e híbridos plug-in após a retirada de incentivos, e pressão nos preços no competitivo segmento SUV.
Apesar deste enquadramento, a Volvo destaca sinais positivos na sua estratégia de eletrificação. Os modelos eletrificados — que incluem veículos 100% elétricos e híbridos plug-in — representaram 48% das vendas totais no período analisado, um valor que confirma a crescente importância desta tecnologia no portefólio da marca.
Dentro deste universo, os veículos totalmente elétricos registaram um crescimento de 14% em termos homólogos, atingindo 39.235 unidades. Trata-se de um dos indicadores mais relevantes, já que contrasta com a tendência global negativa e demonstra a procura crescente por soluções de mobilidade sem emissões.
Em sentido inverso, os híbridos plug-in recuaram 12%, totalizando 38.551 unidades, enquanto os modelos com motorização convencional e híbridos ligeiros sofreram uma quebra mais acentuada de 16%. Este desequilíbrio reforça a ideia de que o mercado está a acelerar a transição diretamente para o elétrico puro, encurtando o ciclo de vida das soluções intermédias.
Na Europa, principal mercado da Volvo, o ritmo de encomendas mantém-se estável, com destaque para os modelos elétricos, impulsionados sobretudo pelos EX30 e EX40. A marca aponta ainda para o lançamento do EX60 como um potencial motor de crescimento na segunda metade do ano, numa fase em que a oferta elétrica continua a expandir-se.
Os dados agora divulgados revelam um cenário de transição: enquanto a Volvo enfrenta dificuldades conjunturais em mercados globais, a aposta na eletrificação continua a ganhar tração e a moldar o futuro da marca.
Num setor em transformação acelerada, a capacidade de adaptação ao novo equilíbrio entre volume, preço e tecnologia será determinante para definir os próximos capítulos da indústria automóvel — e a Volvo parece posicionar-se para essa mudança, ainda que num percurso marcado por desafios no curto prazo.
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