
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 7 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










Grupo beneficia da recuperação na América do Norte e da expansão dos novos modelos na Europa, enquanto a quebra do mercado argentino penaliza a operação sul-americana
A Stellantis registou um crescimento homólogo de 10% nas expedições consolidadas de veículos durante o segundo trimestre de 2026, totalizando cerca de 1,6 milhões de unidades entregues a concessionários e clientes finais. Os números refletem uma recuperação significativa face ao mesmo período de 2025, impulsionada sobretudo pela forte evolução da América do Norte e pelo crescimento na Europa alargada. No entanto, o desempenho na América do Sul e no Médio Oriente e África continuou condicionado por fatores económicos e geopolíticos, evidenciando que a recuperação do grupo permanece desigual entre regiões.
O principal motor do crescimento da Stellantis foi o mercado norte-americano, onde as expedições aumentaram 38%, correspondendo a mais 122 mil veículos face ao segundo trimestre de 2025. O resultado surge após um período de ajustamento da oferta e foi sustentado pelo lançamento e renovação de vários modelos estratégicos, entre os quais a Ram 1500 HEMI V8, a nova Ram 1500 TRX SRT, os renovados Jeep Grand Cherokee, Grand Wagoneer e Chrysler Pacifica, bem como pela progressiva introdução dos novos Jeep Cherokee e Dodge Charger SIXPACK, de duas e quatro portas.
Esta recuperação demonstra que o grupo começa a beneficiar da renovação do portefólio, num mercado onde vinha perdendo competitividade nos últimos anos.
Na Europa alargada, as expedições cresceram 5%, correspondendo a mais 39 mil unidades. O aumento foi suportado por uma maior procura do mercado europeu e, sobretudo, pelo sucesso das plataformas mais recentes da Stellantis.
Entre os principais responsáveis pelo crescimento destacam-se os novos Citroën C3, Citroën C3 Aircross, Opel/Vauxhall Frontera e Fiat Grande Panda, que juntos acrescentaram cerca de 41 mil unidades, um aumento de 51% relativamente ao período homólogo. Também o novo Jeep Compass contribuiu positivamente com cerca de oito mil unidades expedidas.
Em sentido contrário, verificou-se uma quebra significativa dos modelos B-SUV da geração anterior, como Jeep Avenger, Fiat 600, Opel Mokka e Peugeot 2008, cujas expedições diminuíram aproximadamente 28 mil unidades. A evolução confirma uma transição natural para uma nova geração de produtos, mas evidencia igualmente a pressão existente num dos segmentos mais concorridos do mercado europeu.
Outro fator relevante foi o crescimento da Leapmotor International, empresa controlada pela Stellantis, que passou de aproximadamente oito mil para 33 mil veículos expedidos, impulsionada pelos modelos elétricos T03 e B10, reforçando a estratégia do grupo na mobilidade elétrica de entrada de gama.
Na América do Sul, o desempenho ficou aquém das restantes regiões, registando uma descida de 3% nas expedições.
Embora o Brasil tenha aumentado cerca de 21 mil unidades, beneficiando de um mercado interno mais dinâmico, esse crescimento foi mais do que anulado pela forte contração da Argentina, onde as expedições caíram aproximadamente 25 mil veículos, refletindo o atual contexto económico do país.
Esta realidade demonstra a elevada dependência que a operação sul-americana continua a ter do mercado argentino, cuja volatilidade continua a influenciar significativamente os resultados da região.
Também o Médio Oriente e África registaram uma quebra de 3%, muito influenciada pelos conflitos geopolíticos que continuam a afetar diversos mercados.
A Argélia foi uma exceção positiva, graças ao aumento da produção do Fiat Doblò, enquanto Marrocos beneficiou da recuperação do mercado local. Em sentido contrário, a Turquia apresentou uma redução significativa e os países do Conselho de Cooperação do Golfo sofreram uma diminuição próxima dos 50% nas expedições.
Na região Ásia-Pacífico, a Stellantis manteve praticamente inalterado o volume de expedições, com cerca de 16 mil unidades, refletindo um mercado relativamente estável durante o trimestre.
Região | Q2 2026 | Q2 2025 | Variação |
Stellantis (Global) | 1.597.000 | 1.447.000 | +10% |
América do Norte | 445.000 | 323.000 | +38% |
Europa Alargada | 762.000 | 723.000 | +5% |
Médio Oriente e África | 121.000 | 125.000 | -3% |
América do Sul | 253.000 | 260.000 | -3% |
Ásia-Pacífico | 16.000 | 16.000 | 0% |
*Fonte: Stellantis. Valores estimados de expedições consolidadas do segundo trimestre de 2026.
Os números do segundo trimestre revelam sinais claros de recuperação operacional da Stellantis, sobretudo na América do Norte, onde a renovação da gama começa finalmente a traduzir-se em volumes. Na Europa, o crescimento confirma que os novos modelos compactos e elétricos estão a assumir o protagonismo da estratégia comercial, enquanto a parceria com a Leapmotor ganha dimensão.
Em sentido inverso, a América do Sul continua demasiado dependente da evolução da Argentina, apesar da boa prestação do mercado brasileiro, e o Médio Oriente permanece condicionado pela instabilidade geopolítica. O resultado global é positivo, mas também evidencia que o crescimento do grupo continua assente em realidades regionais muito distintas, tornando essencial manter o ritmo de renovação da gama e adaptar a oferta às diferentes dinâmicas de cada mercado.
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