Carris Metropolitana reforça frota com 37 novos autocarros elétricos e aproxima-se dos 15% de eletrificação na Área 2

A Rodoviária de Lisboa colocou em circulação 37 novos autocarros 100% elétricos na rede da Carris Metropolitana, elevando para 77 o número de veículos com esta tecnologia ao serviço de Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira. As novas unidades oferecem autonomias estimadas até 400 quilómetros e representam mais um passo na renovação de uma operação que transportou 63,4 milhões de passageiros em 2025.
A Carris Metropolitana continua a avançar com a eletrificação da sua frota na Área Metropolitana de Lisboa. A mais recente etapa foi apresentada a 15 de outubro, com a integração de 37 novos autocarros elétricos na Área 2, cuja operação está a cargo da Rodoviária de Lisboa.
Com este reforço, o operador passa a dispor de 77 autocarros totalmente elétricos, correspondentes a 14,5% da frota afeta à Área 2. Trata-se da segunda fase do processo de eletrificação da Rodoviária de Lisboa, iniciado em 2023, quando os veículos classificados como ambientalmente mais eficientes representavam cerca de 5% da operação, segundo os dados divulgados pela Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML).
A renovação assume particular relevância pela dimensão da rede abrangida, que serve quatro municípios com diferentes necessidades de mobilidade, desde percursos urbanos de elevada frequência até ligações intermunicipais mais extensas.
Autonomias até 400 quilómetros para diferentes necessidades de operação
Os 37 novos autocarros apresentam duas configurações com autonomias estimadas distintas: uma até 400 quilómetros e outra até 300 quilómetros. Esta diferenciação permite distribuir os veículos de acordo com as características dos percursos, a distância diária percorrida e as necessidades de exploração de cada linha.
A autonomia é um dos fatores determinantes na eletrificação dos transportes públicos, particularmente em redes que combinam trajetos urbanos, circulação em vias rápidas e ligações entre municípios.
Menos ruído e recuperação de energia nas travagens
Além da ausência de emissões de escape durante a circulação, os novos autocarros apresentam vantagens associadas ao funcionamento dos sistemas de propulsão elétrica.
Uma das principais características é a travagem regenerativa, que permite recuperar parte da energia cinética durante as desacelerações e convertê-la em eletricidade, posteriormente armazenada na bateria.
Esta tecnologia contribui para melhorar a eficiência energética, sobretudo em percursos urbanos com paragens frequentes, podendo também reduzir o desgaste dos componentes do sistema de travagem convencional.
A menor complexidade mecânica dos motores elétricos, comparativamente aos sistemas de combustão interna, elimina algumas operações de manutenção associadas ao motor térmico e à transmissão. No entanto, os veículos continuam a exigir intervenções específicas nos sistemas de alta tensão, baterias, gestão térmica e restantes componentes.
Outro benefício é a redução do ruído de propulsão, particularmente percetível nas operações de arranque, aceleração e circulação a baixa velocidade. Esta característica pode melhorar o conforto dos passageiros e diminuir o impacto sonoro do transporte público nas zonas residenciais.

Uma rede que transportou 63,4 milhões de passageiros em 2025
A dimensão da operação constitui um dos principais desafios à transição energética da frota. Segundo a TML, a Área 2 da Carris Metropolitana transportou 63,4 milhões de passageiros em 2025.
Carlos Humberto de Carvalho, presidente da Transportes Metropolitanos de Lisboa, considera que a evolução registada desde 2023 demonstra a possibilidade de introduzir progressivamente veículos elétricos numa rede com esta dimensão.
O responsável sublinha que a percentagem de veículos ambientalmente mais eficientes passou de aproximadamente 5%, em 2023, para um valor próximo dos 15%, em 2026, permitindo adaptar a renovação da frota às exigências do serviço.
A eletrificação de uma operação desta escala implica, além da aquisição dos autocarros, a existência de infraestruturas de carregamento, capacidade de fornecimento de energia e planeamento dos períodos de imobilização das viaturas.
Estes elementos são particularmente importantes para assegurar a disponibilidade diária dos veículos e evitar que os tempos de carregamento condicionem a regularidade das ligações.
Eletrificação avança, mas os veículos elétricos ainda são minoritários
Apesar da entrada das 37 novas unidades, os autocarros totalmente elétricos continuam a representar menos de um sexto da frota da Área 2. A percentagem de 14,5% evidencia uma evolução face ao início do processo, mas demonstra também a dimensão da transformação ainda necessária para reduzir a dependência de veículos com motores de combustão.
A renovação gradual permite incorporar novas tecnologias sem substituir simultaneamente toda a frota, embora o ritmo futuro de eletrificação dependa dos investimentos em veículos, instalações e infraestrutura energética. A integração dos novos autocarros insere-se na estratégia de renovação da Carris Metropolitana, que procura aumentar a presença de veículos energeticamente eficientes na rede de transporte público da região de Lisboa.
Para os passageiros de Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira, a alteração mais imediata será a presença crescente de autocarros elétricos nas ligações diárias. Para a operação, o desafio passa por conciliar a redução das emissões locais e do ruído com a autonomia, a disponibilidade e a fiabilidade exigidas a uma rede de transporte coletivo desta dimensão.
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