Portugal celebra 170 anos de caminho de ferro com viagens históricas, música e visitas ao património ferroviário

A 28 de outubro de 1856, a primeira viagem ferroviária entre Lisboa e o Carregado marcou o início de uma transformação profunda na mobilidade portuguesa. Cento e setenta anos depois, o Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento, assinala a data com seis dias de atividades, entre 27 de outubro e 1 de novembro, incluindo visitas ao Comboio Real Português, acesso às oficinas de restauro, um espetáculo musical e entrada gratuita em dois dos dias da programação.
O caminho de ferro português completa 170 anos a 28 de outubro de 2026. A efeméride assinala a inauguração da primeira ligação ferroviária do país, entre Lisboa e o Carregado, em 1856, um acontecimento que abriu caminho à expansão de uma rede de transportes determinante para a circulação de pessoas e mercadorias.
Para assinalar a data, o Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento, preparou um programa de atividades que decorre de 27 de outubro a 1 de novembro, reunindo iniciativas dedicadas à história, à conservação do património e à evolução tecnológica dos transportes ferroviários.
O programa inclui visitas temáticas, atividades educativas, acesso a material circulante histórico, um concerto concebido para a ocasião e a apresentação de uma emissão filatélica comemorativa.
Nos dias 28 e 31 de outubro, a entrada no Museu é gratuita, em regime de visita livre.
De Lisboa ao Carregado: a viagem que mudou os transportes em Portugal
A inauguração do caminho de ferro, a 28 de outubro de 1856, representou um momento decisivo na modernização das infraestruturas portuguesas.
A primeira ligação ferroviária estabeleceu um novo meio de transporte terrestre, capaz de movimentar passageiros e mercadorias com características de velocidade e capacidade diferentes das oferecidas pelos sistemas tradicionais da época.
Nas décadas seguintes, a expansão da rede ferroviária contribuiu para aproximar regiões, facilitar as deslocações e estabelecer novas ligações entre centros urbanos, zonas industriais e áreas agrícolas.
A ferrovia teve também um papel importante no desenvolvimento das atividades comerciais, ao permitir o transporte de maiores quantidades de mercadorias e reduzir a dependência dos meios de circulação anteriormente disponíveis.
Ao longo de 170 anos, os caminhos de ferro portugueses atravessaram diferentes fases tecnológicas, desde as locomotivas a vapor até à eletrificação de linhas e à introdução de material circulante mais moderno.
É esta evolução que o Museu Nacional Ferroviário pretende apresentar durante a semana comemorativa.

Comboio Real Português abre as portas aos visitantes
Um dos principais momentos da programação é a visita especial «A Bordo do Comboio Real Português», marcada para 28 de outubro e 1 de novembro.
A atividade será orientada pela responsável de Conservação e Restauro do Museu e permitirá aos participantes conhecer o interior de uma composição histórica associada às deslocações da família real portuguesa.
O percurso evoca, em particular, as viagens realizadas entre o Barreiro e Vila Viçosa.
A visita proporciona uma aproximação à organização dos espaços interiores e às condições de transporte utilizadas pela monarquia portuguesa, permitindo observar uma dimensão da história ferroviária que ultrapassa a evolução das locomotivas e das infraestruturas.
A sessão de 1 de novembro contará com interpretação simultânea em Língua Gestual Portuguesa.
Oficinas de restauro mostram como se preservam locomotivas centenárias
A conservação de material ferroviário histórico é outra das áreas em destaque.
No dia 29 de outubro, às 11h30, realiza-se uma visita à Oficina de Conservação e Restauro do Museu Nacional Ferroviário.
A iniciativa pretende mostrar os processos utilizados na recuperação e preservação de componentes ferroviários, desde pequenas peças até locomotivas a vapor.
A manutenção deste património exige conhecimentos específicos de mecânica, metalurgia, materiais e técnicas de restauro.
Ao contrário do que acontece com equipamentos contemporâneos, muitas peças utilizadas em veículos ferroviários históricos deixaram de ser produzidas há décadas.
A recuperação pode, por isso, envolver intervenções especializadas, documentação técnica e processos destinados a preservar as características originais dos equipamentos.
A visita permitirá conhecer parte desse trabalho, normalmente menos visível para o público.

"POUCA TERRA": a primeira viagem ferroviária transformada em espetáculo musical
A programação cultural inclui a estreia do espetáculo "POUCA TERRA", no sábado, 31 de outubro, às 16h30.
A obra foi encomendada especificamente para assinalar os 170 anos do caminho de ferro em Portugal.
Com música de César Viana, o espetáculo foi concebido para um conjunto instrumental e quatro vozes, combinando música, palavra e projeção de vídeo.
A narrativa recupera a viagem inaugural entre Lisboa e o Carregado, recorrendo a textos de Almeida Garrett, Eça de Queirós e Fernando Pessoa.
A produção é da MUSICAMERA Produções e integra o ciclo Música no Museu, que decorre aos sábados entre setembro e novembro.
O concerto terá interpretação simultânea em Língua Gestual Portuguesa e acesso livre ao público.
Uma viagem educativa do vapor à eletricidade
As famílias e os grupos escolares terão também atividades próprias durante as comemorações.
A visita encenada «As viagens de Gaspar» utiliza uma personagem e um bilhete simbólico para conduzir os participantes através da exposição permanente do Museu.
O percurso aborda a evolução dos transportes ferroviários, desde a tração a vapor até à eletricidade.
A atividade termina na denominada «Estação do Futuro», onde são introduzidos temas relacionados com a sustentabilidade e o papel dos transportes ferroviários na mobilidade.
A iniciativa destina-se a grupos escolares no dia 30 de outubro e às famílias no domingo, 1 de novembro.
O Museu promove ainda a visita temática «170 Anos a Bordo», com sessões diárias às 10h30 e às 14h30, de terça-feira a domingo.
Esta atividade permite conhecer material circulante histórico e compreender diferentes etapas da evolução ferroviária portuguesa.
A sessão da manhã de 1 de novembro terá interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

Ambulância Postal integra a exposição permanente
No sábado, 31 de outubro, às 15h00, está prevista a incorporação de uma Ambulância Postal na exposição permanente do Museu Nacional Ferroviário.
A designação refere-se a veículos ferroviários destinados ao serviço postal, utilizados para transportar e tratar correspondência durante as viagens.
Estes equipamentos recordam uma função importante dos caminhos de ferro, que durante décadas asseguraram não apenas o transporte de passageiros e mercadorias, mas também a circulação de correio entre diferentes regiões.
A incorporação será acompanhada pela apresentação de uma emissão filatélica comemorativa dos 170 anos da ferrovia portuguesa.
A iniciativa resulta de uma parceria entre a Fundação Museu Nacional Ferroviário, os CTT e a Comissão para as Comemorações dos 170 Anos do Caminho de Ferro em Portugal.
Os selos representam diferentes momentos da evolução dos comboios e das formas de viajar.
A apresentação da emissão filatélica será de acesso livre.
Programa das comemorações: datas e horários
Data | Atividade | Horário |
27 de outubro a 1 de novembro | Visita «170 Anos a Bordo» | 10h30 e 14h30 |
28 de outubro | Visita especial ao Comboio Real Português | Horário a consultar |
29 de outubro | Visita à Oficina de Conservação e Restauro | 11h30 |
30 de outubro | «As viagens de Gaspar» — grupos escolares | Horário a consultar |
30 de outubro | Assinatura de protocolo com a Escola Profissional Gustave Eiffel | 16h00 |
31 de outubro | Incorporação da Ambulância Postal e apresentação dos selos comemorativos | 15h00 |
31 de outubro | Estreia do espetáculo «POUCA TERRA» | 16h30 |
1 de novembro | Visita especial ao Comboio Real Português | Horário a consultar |
1 de novembro | «As viagens de Gaspar» — famílias | Horário a consultar |
Além destas iniciativas, haverá passeios no minicomboio pelos espaços exteriores do Museu, diariamente, entre as 10h30 e as 17h30.
Entrada gratuita nos dias 28 e 31 de outubro
O Museu Nacional Ferroviário terá entrada gratuita em regime de visita livre nos dias 28 e 31 de outubro.
O concerto «POUCA TERRA» e a apresentação da emissão filatélica comemorativa também serão de acesso livre.
As restantes atividades são pagas, de acordo com as condições estabelecidas pelo Museu.
Algumas visitas têm características específicas e poderão estar sujeitas a regras de participação, pelo que se recomenda a consulta prévia dos horários, preços e eventuais necessidades de inscrição.
Informações para visitantes
Local: Museu Nacional Ferroviário, Rua Engenheiro Ferreira de Mesquita, 1 A, Entroncamento
Datas: 27 de outubro a 1 de novembro de 2026
Entrada gratuita: 28 e 31 de outubro, em regime de visita livre
Programa e condições de participação: www.fmnf.pt
O património ferroviário como testemunho da transformação do país
As comemorações no Entroncamento integram a programação nacional dos 170 anos do caminho de ferro em Portugal, organizada no âmbito da comissão criada pelo Despacho n.º 3788/2026.
A iniciativa conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e procura assinalar a importância histórica da ferrovia na organização territorial, económica e social do país.
Mais do que recordar a primeira viagem de 1856, o aniversário permite revisitar a evolução de um sistema de transportes que acompanhou a industrialização, a expansão das cidades e as mudanças nos hábitos de deslocação dos portugueses.
O património preservado pelo Museu Nacional Ferroviário constitui um testemunho material dessa evolução, reunindo veículos, equipamentos e documentação associados a diferentes períodos da história ferroviária.
Cento e setenta anos depois da ligação inaugural entre Lisboa e o Carregado, a ferrovia continua a ocupar um lugar central no debate sobre a mobilidade em Portugal. As comemorações oferecem uma oportunidade para conhecer o percurso tecnológico e histórico do caminho de ferro, mas também para refletir sobre o papel que este modo de transporte poderá desempenhar nas próximas décadas.
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