Jaecoo 7 lidera setembro no Reino Unido, Ford Puma domina o ano e Tesla Model 3 destaca-se entre os elétricos

O mercado automóvel britânico registou em setembro o maior volume mensal de automóveis 100% elétricos da sua história. Foram matriculados 99.201 BEV, mais 36,3% do que há um ano, suficientes para alcançar 28,3% do mercado. O resultado ajudou as vendas totais de automóveis novos a crescerem 12%, para 350.536 unidades, no melhor setembro desde 2017. Mas há um contraste importante: apesar do recorde, a quota dos elétricos no acumulado de 2026 está nos 26,2%, ainda distante dos 33% previstos para este ano.
Os dados finais divulgados pela Society of Motor Manufacturers and Traders (SMMT) mostram que setembro prolongou para dez meses consecutivos o crescimento do mercado britânico. O mês é tradicionalmente um dos mais fortes do calendário devido à mudança das matrículas no Reino Unido e representa habitualmente cerca de um em cada sete automóveis novos matriculados durante o ano. Desta vez, o crescimento ocorreu em todos os canais: as frotas avançaram 9,6%, para 190.998 unidades, enquanto as compras de particulares aumentaram 13,9%, atingindo 149.166 automóveis. O canal empresarial, substancialmente menor, cresceu 37,3%, para 10.372 unidades.
Jaecoo 7 vence setembro e Tesla Model 3 coloca um elétrico no segundo lugar
A leitura por modelos mostra também algumas mudanças importantes no mercado britânico. O Jaecoo 7 foi o automóvel mais vendido em setembro, com 10.814 unidades, superando inclusivamente o Tesla Model 3, segundo classificado com 9.929 matrículas. O Ford Puma ficou em terceiro, com 6.958 unidades, mas continua a liderar confortavelmente o acumulado de 2026, com 42.926 automóveis, seguido pelo Jaecoo 7, com 39.474, e pelo Kia Sportage, com 37.085.
Entre os 100% elétricos, a Tesla ocupou os dois primeiros lugares em setembro: Model 3, com 9.929 unidades, e Model Y, com 5.946. Seguiram-se dois BYD, o Sealion 7, com 3.191, e o Seal, com 3.184, praticamente empatados, enquanto o Kia EV3 completou os cinco primeiros com 3.026 unidades. A presença de BYD, Kia, Škoda, Volvo, Mercedes-Benz e Leapmotor no Top 10 elétrico evidencia também uma oferta cada vez mais diversificada, num mês em que os BEV atingiram um máximo histórico de 99.201 matrículas.

Eletrificados já representam 58,4% do mercado
Mais de metade dos automóveis novos matriculados em setembro possuía algum tipo de eletrificação. Em conjunto, elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais atingiram uma quota recorde de 58,4%.
A evolução, contudo, foi muito diferente entre tecnologias. Os híbridos convencionais (HEV) recuaram 4,3% e ficaram com 13,1% do mercado. Em sentido contrário, os híbridos plug-in (PHEV) cresceram 55,5%, alcançando uma quota recorde de 17%.
Foram, porém, os automóveis exclusivamente elétricos que atingiram o valor mais expressivo. As 99.201 unidades matriculadas representam um crescimento de 36,3%, elevando a quota dos BEV em cinco pontos percentuais face a setembro do ano anterior, para 28,3%.
Colocado noutra perspetiva, durante o mês foram matriculados no Reino Unido quase cinco automóveis elétricos por minuto, mais do dobro do ritmo registado há três anos.
Segundo a SMMT, o crescimento resulta de uma combinação entre maior oferta, descontos praticados pelos fabricantes e os incentivos públicos disponíveis através do Electric Car Grant. A subida dos preços dos combustíveis é apontada pela associação como outro fator que estará a levar mais consumidores a considerar a transição para a propulsão elétrica.

Oferta de elétricos mais do que duplicou desde 2023
A variedade disponível no mercado britânico também mudou substancialmente. Em 2023, a oferta de BEV correspondia a menos de metade dos atuais 178 modelos 100% elétricos disponíveis.
A estes juntam-se mais de 110 modelos híbridos plug-in e cerca de 50 híbridos convencionais. Segundo a SMMT, mais de três quartos dos automóveis novos atualmente disponíveis no Reino Unido oferecem, assim, algum nível de eletrificação.
A expansão para segmentos de menor dimensão tem sido particularmente importante. A oferta elétrica deixou de estar concentrada sobretudo em modelos de segmentos superiores, aumentando o número de alternativas disponíveis para compradores com diferentes níveis de orçamento.
A forte concorrência também está a alterar o mercado britânico. A SMMT refere expressamente o peso dos novos fabricantes que estão a entrar no país e a pressão comercial daí resultante. Preços promocionais e incentivos dos próprios construtores estarão inclusivamente a convencer consumidores que, noutras circunstâncias, poderiam optar pelo mercado de usados.
Recorde não é suficiente para cumprir o mandato
É precisamente aqui que surge a principal contradição dos números de setembro.
Nos primeiros nove meses de 2026 foram matriculados 454.947 automóveis elétricos, correspondentes a 26,2% do mercado. Apesar do crescimento e do recorde alcançado em setembro, esta quota permanece abaixo dos 33% estabelecidos para 2026 no âmbito do mandato britânico para veículos de emissões zero.
Está inclusivamente abaixo dos 28% definidos como objetivo para o ano anterior.
Com base na previsão mais recente da indústria, que aponta para um mercado anual de aproximadamente 2,183 milhões de automóveis, atingir uma quota de 33% implicaria matricular cerca de 265 mil BEV adicionais apenas durante o último trimestre.
Ou seja, mesmo que outubro, novembro e dezembro repetissem exatamente o recorde de setembro — cerca de 99 mil elétricos por mês — o esforço necessário continuaria a ser muito elevado.
É também necessário distinguir a meta regulamentar da quota efetivamente alcançada no mercado. O mandato dispõe de mecanismos de flexibilidade que podem influenciar a forma como os fabricantes cumprem as obrigações, pelo que a diferença entre os 26,2% registados e os 33% estabelecidos não significa automaticamente incumprimento individual por parte das marcas.
Frotas continuam a representar mais de metade das matrículas
O mercado britânico mantém ainda uma característica importante na análise da transição elétrica: o peso das frotas.
Em setembro foram matriculados 190.998 automóveis através deste canal, correspondentes a 54,5% de todas as matrículas. Os particulares representaram 42,6%, com 149.166 unidades.
A procura privada, porém, cresceu mais rapidamente do que as frotas — 13,9% contra 9,6% — um indicador relevante num mercado em que a adoção dos elétricos pelos consumidores particulares tem sido uma das questões centrais do debate sobre o ritmo da transição.
A própria SMMT considera que o recorde de setembro demonstra uma maior aceitação dos BEV, mas defende simultaneamente uma revisão da relação entre as exigências regulamentares e a evolução real da procura.
Um mercado que acelera, mas ainda não ao ritmo exigido
Setembro deixa, portanto, duas leituras distintas sobre a eletrificação britânica.
Por um lado, nunca tinham sido matriculados tantos automóveis elétricos num único mês no Reino Unido. Os BEV aproximaram-se das 100 mil unidades, conquistaram mais de um quarto do mercado e, juntamente com PHEV e HEV, fizeram com que os modelos eletrificados representassem quase seis em cada dez automóveis novos.
Por outro, os números acumulados mostram que a procura ainda não acompanha o ritmo estabelecido pela regulamentação. Com 26,2% de quota após nove meses, os elétricos necessitam de um último trimestre particularmente forte para aproximar o mercado dos 33% previstos para 2026.
É precisamente esta diferença entre o crescimento real e a velocidade exigida pela legislação que deverá manter o mandato ZEV no centro do debate automóvel britânico: os elétricos nunca venderam tanto, mas nem um mês recorde foi suficiente para eliminar a distância em relação às metas estabelecidas para o mercado.
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