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Lancia Gamma regressa 50 anos depois com versões híbridas e elétricas até 375 cv e autonomia superior a 740 km

há 2 minutos
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Lancia Gamma regressa 50 anos depois com versões híbridas e elétricas até 375 cv e autonomia superior a 740 km

A Lancia recupera um dos nomes mais marcantes da sua história para regressar ao segmento dos automóveis familiares de maiores dimensões. Apresentada no Salão Automóvel de Paris de 2026, o novo Gamma assume uma carroçaria crossover fastback de 4,67 metros, combina motorizações híbridas e totalmente elétricas e anuncia autonomias superiores a 740 quilómetros. No topo da gama estará a HF Integrale, com 375 cv e tração integral elétrica, numa referência direta ao passado desportivo da marca italiana. Produzido em Melfi, o novo modelo representa uma etapa importante na estratégia de recuperação europeia da Lancia.


Cinquenta anos depois da apresentação do primeiro Gamma, em 1976, a Lancia recupera uma designação que marcou uma das fases mais particulares da sua história. O regresso acontece num contexto industrial e comercial bastante diferente daquele que deu origem ao modelo original, numa altura em que a marca, integrada no grupo Stellantis, procura reconstruir a sua presença no mercado europeu. Depois do lançamento da nova geração do Ypsilon, o Gamma passa a assumir o papel de modelo de topo, alargando a oferta a um segmento onde a Lancia esteve ausente durante vários anos. A escolha do Salão Automóvel de Paris para a apresentação internacional não é indiferente: a marca procura recuperar visibilidade num mercado europeu cada vez mais competitivo, no qual a eletrificação, a eficiência e o posicionamento comercial passaram a ser fatores determinantes.


Lancia Gamma regressa 50 anos depois com versões híbridas e elétricas até 375 cv e autonomia superior a 740 km

O novo Gamma será concebido, desenvolvido e produzido em Itália, na fábrica da Stellantis em Melfi, reforçando a ligação entre a identidade da marca e a indústria automóvel italiana. Ao contrário da primeira geração, que ficou conhecida pelas carroçarias berlina e coupé e por uma abordagem estética muito própria da década de 1970, o novo modelo acompanha a transformação das preferências dos consumidores europeus, adotando uma configuração crossover fastback. A Lancia procura, desta forma, conciliar a posição de condução e a versatilidade associadas aos SUV com uma silhueta mais próxima dos automóveis tradicionais, apostando também na eficiência aerodinâmica para melhorar o desempenho energético das versões elétricas.


Lancia Gamma regressa 50 anos depois com versões híbridas e elétricas até 375 cv e autonomia superior a 740 km

Design e aerodinâmica: uma abordagem diferente ao conceito de SUV

Com 4,67 metros de comprimento e 2,79 metros de distância entre eixos, a nova Gamma apresenta dimensões adequadas a uma utilização familiar, mas procura distinguir-se através de proporções que privilegiam uma carroçaria relativamente baixa e uma linha de tejadilho descendente. A solução afasta-se da configuração mais vertical de muitos SUV e aproxima-se do conceito fastback, uma opção que pode oferecer vantagens aerodinâmicas, embora obrigue a um compromisso entre desenho exterior e aproveitamento do espaço interior. A Lancia anuncia uma bagageira com 560 litros de capacidade e destaca a habitabilidade dos lugares traseiros, dois argumentos relevantes para um automóvel que pretende responder tanto às deslocações quotidianas como às viagens de maior distância.


O trabalho aerodinâmico constitui uma das principais características técnicas divulgadas pela marca. O Gamma apresenta um coeficiente de resistência aerodinâmica (Cx) de 0,25, resultado obtido através da combinação de uma frente com grelha ativa, jantes de desenho otimizado e um spoiler traseiro dividido em duas secções. Estes elementos procuram controlar os fluxos de ar em torno da carroçaria, reduzindo a resistência ao avanço e contribuindo para limitar o consumo energético, sobretudo a velocidades de autoestrada. Importa, contudo, distinguir o coeficiente Cx da resistência aerodinâmica total, que também depende da área frontal do veículo. Ainda assim, o valor anunciado revela a importância atribuída à eficiência no desenvolvimento de um modelo que terá versões elétricas com autonomias particularmente elevadas.


Lancia Gamma regressa 50 anos depois com versões híbridas e elétricas até 375 cv e autonomia superior a 740 km

Motores híbridos e elétricos com autonomias superiores a 740 quilómetros

A gama da nova Lancia Gamma será composta por diferentes motorizações, procurando responder a condutores com necessidades distintas. A versão Hybrid utiliza um motor 1.2 com 145 cv e anuncia uma autonomia total superior a 1000 quilómetros, posicionando-se como alternativa para quem percorre regularmente longas distâncias e pretende manter a flexibilidade de abastecimento de um automóvel com motor de combustão.


Nas variantes totalmente elétricas, a oferta começa com uma versão de 230 cv, para a qual a marca anuncia mais de 540 quilómetros de autonomia. Acima desta surge o Gamma Long Range, com 245 cv e uma autonomia declarada superior a 740 quilómetros, um valor que coloca a eficiência energética e a capacidade de utilização em viagem entre os principais argumentos do modelo. A versão mais potente será a HF Integrale, equipada com dois motores elétricos, um por eixo, que desenvolvem uma potência combinada de 375 cv e asseguram tração integral. Apesar da maior potência, a Lancia anuncia para esta configuração uma autonomia até 675 quilómetros, procurando conciliar prestações elevadas com uma capacidade de deslocação adequada a percursos prolongados.


Interior aposta no conforto, nos materiais e na integração digital

No habitáculo, a Lancia prolonga a linguagem de design introduzida no Ypsilon, procurando criar um ambiente menos convencional do que aquele que habitualmente encontramos nos automóveis deste segmento. A inspiração em espaços domésticos, identificada pela marca como Italian Home Feeling, traduz-se na utilização de cores, texturas e elementos decorativos que procuram aproximar o interior de uma sala de estar. Entre os detalhes mais característicos encontra-se uma pequena mesa central, acompanhada pelo sistema de iluminação ambiente Lancia Glow e por uma organização que privilegia a sensação de espaço. Segundo o fabricante, mais de 60% das superfícies de acabamento visíveis recorrem a materiais classificados como sustentáveis, embora não sejam apresentados dados suficientes para avaliar a origem e a composição de todos esses elementos.


A componente tecnológica é dominada por um ecrã central de 16 polegadas, associado ao sistema S.A.L.A. (Sound Air Light Augmentation), que concentra a gestão do áudio, da climatização e da iluminação ambiente. A interface permite interação através do ecrã tátil e de comandos de voz, numa solução que pretende simplificar a utilização das principais funções do veículo. A eficácia desta abordagem dependerá, contudo, da rapidez de resposta do sistema, da organização dos menus e da facilidade com que o condutor consegue aceder às funções essenciais sem desviar a atenção da estrada. Num automóvel orientado para o conforto e para as viagens, a ergonomia, o isolamento acústico e a qualidade efetiva dos materiais serão tão importantes como a dimensão dos ecrãs ou a quantidade de funcionalidades disponíveis.


Lancia Gamma regressa 50 anos depois com versões híbridas e elétricas até 375 cv e autonomia superior a 740 km

HF Integrale: o regresso de uma designação histórica numa interpretação elétrica

A recuperação da designação HF Integrale é um dos aspetos mais significativos do novo Gamma, sobretudo pelo peso que este nome representa na história desportiva da Lancia. Associado ao Delta Integrale e a uma das épocas mais bem-sucedidas do Campeonato do Mundo de Ralis, o emblema regressa agora num contexto tecnológico completamente diferente. Em vez de um motor de combustão associado a um sistema mecânico de tração integral, a nova Gamma utiliza dois motores elétricos independentes, distribuídos pelos eixos dianteiro e traseiro, permitindo gerir a entrega de potência sem uma ligação mecânica convencional entre ambos.


A utilização da designação Integrale num crossover elétrico representa também uma mudança de posicionamento face aos modelos que construíram a reputação desportiva da marca. O Delta Integrale nasceu de uma relação direta com a competição e tornou-se uma referência pela eficácia dinâmica, enquanto o novo Gamma HF Integrale surge num segmento orientado para a utilização familiar, o conforto e a eletrificação. A ligação histórica é evidente, mas será necessário avaliar o comportamento em estrada para perceber até que ponto a nova interpretação consegue acrescentar uma verdadeira dimensão desportiva ao modelo, para além da potência disponível e da presença de tração às quatro rodas.


Lancia Gamma regressa 50 anos depois com versões híbridas e elétricas até 375 cv e autonomia superior a 740 km

O regresso aos ralis acompanha a recuperação da gama

A presença da Lancia no Salão Automóvel de Paris inclui cinco veículos, três dos quais correspondem a diferentes interpretações do novo Gamma. A versão LX Ibrida representa a oferta híbrida de 145 cv, enquanto a LX Elettrica apresenta a proposta totalmente elétrica. A HF Integrale completa o conjunto com a motorização de 375 cv e tração integral. Ao lado destas versões encontram-se o Ypsilon HF elétrico, com 280 cv, e o Ypsilon Rally2 HF Integrale, desenvolvido para o programa de competição da marca, numa demonstração da importância atribuída ao desporto automóvel na reconstrução da identidade Lancia.


O regresso oficial ao Campeonato do Mundo de Ralis em 2026 constitui uma das decisões mais relevantes desta nova fase. A Lancia mantém um património difícil de igualar na modalidade, com dez títulos mundiais de construtores, incluindo seis consecutivos entre 1987 e 1992, continuando a ser a marca mais titulada da história do campeonato. Segundo a informação divulgada pelo fabricante, o programa desenvolvido em torno do Ypsilon Rally2 HF Integrale permitiu conquistar o título de equipas do WRC2 em 2026, no primeiro ano do regresso oficial à competição. Paralelamente, a marca desenvolve atividades nas categorias ERC4 e Junior ERC, procurando criar uma estrutura de formação que permita acompanhar a evolução de novos pilotos até níveis superiores do desporto automóvel.


Lancia Gamma regressa 50 anos depois com versões híbridas e elétricas até 375 cv e autonomia superior a 740 km

Esta aposta desportiva tem igualmente uma dimensão comercial, numa altura em que a Lancia procura recuperar reconhecimento junto de consumidores que conhecem a marca sobretudo pelos seus modelos históricos. A associação entre os novos automóveis de estrada e a competição pretende estabelecer uma continuidade de identidade, mas a sustentabilidade desta estratégia dependerá da evolução da gama, da capacidade de distribuição nos mercados europeus e da competitividade dos produtos face a fabricantes que mantiveram uma presença comercial mais consistente durante as últimas décadas.


A marca prevê divulgar novos detalhes sobre a estratégia de produto e os próximos lançamentos num evento dedicado à Lancia durante os primeiros meses de 2027.


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