Novo Hyundai Tucson cresce, chega aos 292 cv e aposta num interior mais digital sem abandonar os botões físicos

O Hyundai Tucson prepara uma renovação profunda para 2027, com maiores dimensões, uma nova linguagem de design e uma gama que continuará a combinar gasolina, mild hybrid, híbrido e híbrido plug-in. A versão HEV sobe aos 245 cv, enquanto o PHEV chega aos 292 cv e anuncia até 81 quilómetros de autonomia elétrica. Por dentro, estreia o Pleos Connect baseado em Android Automotive, mas mantém comandos físicos para as funções mais utilizadas — uma opção que contrasta com a tendência de concentrar quase tudo no ecrã.
O Tucson vai mudar consideravelmente na próxima geração. A Hyundai revelou os primeiros detalhes do novo SUV do segmento C, cuja chegada ao mercado português está prevista para 2027, embora preços, versões e configuração específica para Portugal ainda não tenham sido divulgados. A própria marca alerta que motorizações, equipamentos e sistemas de assistência poderão variar consoante o mercado.
Não se trata apenas de uma alteração estética. O novo modelo cresce em todas as dimensões, recebe uma arquitetura interior redesenhada, uma nova geração de conectividade e uma evolução das motorizações eletrificadas.
O peso do Tucson na estratégia europeia ajuda a explicar a dimensão da renovação. Lançado originalmente em 2004, o SUV ultrapassou dois milhões de unidades vendidas na Europa e, segundo os dados citados pela Hyundai, foi em 2025 o modelo mais escolhido pelos clientes particulares do segmento C-SUV europeu. A produção das unidades destinadas à Europa continuará a decorrer na fábrica da Hyundai Motor Manufacturing Czech, na República Checa.
Maior em todas as dimensões
A linguagem estilística passa a seguir o conceito “Art of Steel”, com uma carroçaria de formas mais musculadas e guarda-lamas bastante marcados. A Hyundai utiliza a expressão “The Boldest SUV” para definir esta orientação, mas para lá da terminologia de design existem alterações objetivas nas proporções.
O novo Tucson mede 4560 mm de comprimento, 1900 mm de largura e 1670 mm de altura. Face ao antecessor, são mais 35 mm no comprimento, 35 mm na largura e 20 mm na altura.
A projeção dianteira aumentou 20 mm, uma alteração relacionada também com os requisitos de proteção de peões. O ângulo máximo de abertura das portas passa, por sua vez, de 73 para 83 graus, facilitando o acesso aos lugares.

A dianteira adota a assinatura luminosa H-Edge, formada por iluminação central indireta e elementos nos contornos. Atrás surgem os novos farolins Prism Rear Lamp, com uma estrutura tridimensional.
Dependendo da versão, haverá ainda tecnologia Micro Pixel Lighting, constituída por 25.600 píxeis LED controláveis individualmente. Os farolins traseiros LED serão de série em toda a gama europeia.
Uma variante com uma interpretação estilística mais dinâmica será revelada no Salão Automóvel de Paris, a 12 de outubro, pelo que a Hyundai ainda não mostrou todas as configurações previstas para a gama.

Interior muda de filosofia e mantém botões físicos
É no habitáculo que a mudança poderá ser mais percetível no quotidiano.
A Hyundai chama-lhe “Furnished Space”, procurando aproximar o ambiente interior do conforto e das formas encontradas no mobiliário doméstico. O painel passa a ter uma construção horizontal em dois níveis, com uma zona superior visualmente mais limpa e uma área inferior aberta para arrumação.
Há também uma decisão que merece destaque numa altura em que muitos fabricantes transferiram praticamente todas as funções para interfaces digitais: o Tucson continua a utilizar comandos físicos abaixo do ecrã central para as funções principais.
O painel de instrumentos digital tem 9,9 polegadas e fica colocado acima do volante. Consoante o nível de equipamento, poderá ser complementado por Head-Up Display.
O seletor da transmissão passa para a coluna de direção, libertando espaço na consola central. Nesta surgem duas bases de carregamento sem fios de 15 W e existem ainda quatro ligações USB-C capazes de fornecer até 100 W, potência suficiente para carregar dispositivos como computadores portáteis compatíveis.

Pleos Connect estreia Android Automotive e inteligência artificial
A digitalização é assegurada pela nova plataforma Pleos Connect, baseada no Android Automotive OS.
Dependendo da versão, o ecrã central terá 12,9 ou 17 polegadas, funcionando em conjunto com o painel de instrumentos de 9,9 polegadas.
A novidade inclui o Gleo AI, assistente de voz com inteligência artificial que, segundo a Hyundai, consegue compreender o contexto das solicitações e aceder a informação em tempo real através da Internet.
O sistema operativo permite também utilizar aplicações e serviços conectados compatíveis diretamente no automóvel, enquanto as atualizações OTA possibilitam atualizar remotamente determinados sistemas e funcionalidades.
Entre os restantes equipamentos previstos estão sistema de som Bang & Olufsen com 12 altifalantes, iluminação ambiente Smart Mood Lamp e Digital Key 2, permitindo utilizar smartphones e smartwatches compatíveis para destrancar e ligar o automóvel.

Mais espaço e até 695 litros de bagageira
O aumento das dimensões exteriores tem correspondência no habitáculo. A Hyundai anuncia 1038 mm de altura ao teto nos lugares dianteiros, 1002 mm de espaço para as pernas atrás e 1470 mm de largura ao nível dos ombros dianteiros.
A bagageira poderá chegar aos 695 litros, dependendo da motorização e configuração, um valor particularmente importante num SUV familiar deste segmento. A capacidade de reboque também é elevada: até 1910 kg no híbrido e 1810 kg no PHEV, neste último caso considerando uma inclinação de 12%.
O equipamento disponível poderá incluir bancos Ergo Motion Seat, com sete células pneumáticas e funções de apoio lombar, lateral e massagem, além dos Relaxation Comfort Seat com reclinação acionada por um único comando.
A climatização pode ter três zonas e recebe o sistema Multi-Air Mode, que distribui o fluxo por diferentes saídas para evitar uma incidência excessivamente direta sobre os ocupantes.
Outro elemento tecnicamente interessante é o para-brisas 13.5V Metal-Coated Heated Glass. Em vez dos tradicionais filamentos visíveis, utiliza mais de 20 camadas de materiais metálicos, dielétricos e cerâmicos. Segundo a Hyundai, permite uma descongelação completa em 15 minutos em condições severas e rejeita 60% da energia solar, podendo reduzir em 2 ºC a temperatura do habitáculo no verão.

Gasolina, mild hybrid, HEV e PHEV
A Hyundai não abandona a diversidade de motorizações nesta geração.
Na entrada da gama estará o conhecido 1.6 T-GDI a gasolina com 150 cv, disponível com caixa manual de seis velocidades. Existirá igualmente uma configuração mild hybrid de 48 V associada à transmissão de dupla embraiagem 7DCT.
A versão híbrida convencional passa a disponibilizar 245 cv e 380 Nm, enquanto o Tucson PHEV combina o 1.6 turbo com o sistema elétrico para atingir até 292 cv e 380 Nm.
Motorização | Potência | Binário | Transmissão/eletrificação |
1.6 T-GDI | 150 cv | — | Manual 6 velocidades |
1.6 T-GDI MHEV | 150 cv | — | 48 V / 7DCT |
HEV | 245 cv | 380 Nm | Híbrido |
PHEV | até 292 cv | 380 Nm | Híbrido plug-in |
No PHEV, a bateria passa a ter 17,1 kWh e permite uma autonomia exclusivamente elétrica estimada em até 81 km, quando equipado com jantes de 17 polegadas. Este valor ainda está sujeito à homologação final.
O carregador de bordo trabalha a 7,2 kW em corrente alternada. O comunicado não indica carregamento DC para o PHEV.
HEV Stay Mode permite permanecer no carro sem ligar o motor térmico
Uma das funcionalidades menos habituais surge precisamente no híbrido convencional.
O novo HEV Stay Mode permite utilizar climatização, sistema de áudio e carregamento de dispositivos com o automóvel estacionado e sem manter o motor de combustão permanentemente em funcionamento, recorrendo ao sistema híbrido para proporcionar uma experiência mais próxima da utilização estacionária de um elétrico.
A Hyundai apresenta-o como uma estreia no segmento.
É uma solução particularmente interessante para períodos de espera ou descanso dentro do veículo, embora a marca ainda não detalhe no comunicado durante quanto tempo estas funções poderão permanecer disponíveis apenas com a energia armazenada na bateria híbrida.

Sete airbags e SmartSense reforçado
Na segurança, o novo Tucson terá sete airbags: frontais para condutor e passageiro, laterais dianteiros, airbag central lateral e airbags de cortina ao longo do habitáculo.
A estrutura utiliza aço de alta resistência estampado a quente e pilares B reforçados para melhorar a gestão das forças numa colisão.
Entre os ADAS anunciados encontram-se Forward Collision-Avoidance Assist 2, Highway Driving Assist 2, Intelligent Speed Limit Assist e Navigation-based Smart Cruise Control. Este último utiliza os dados da navegação para ajustar a velocidade a determinadas características da estrada.
Há ainda uma In-Cabin Monitoring Unit, baseada em câmaras, capaz de acompanhar a direção do olhar e identificar sinais de sonolência do condutor, além de Child Presence Detection e Rear Occupant Alert para reduzir o risco de um ocupante permanecer inadvertidamente no interior.
A Hyundai não indica neste documento uma classificação Euro NCAP para esta nova geração. Tratando-se de um modelo ainda antes do lançamento europeu, não é possível atribuir-lhe a classificação obtida pela geração anterior.
O Tucson também passa a memorizar a marcha-atrás
O pacote tecnológico vai além dos sistemas tradicionais de assistência.
O Memory Reverse Assist consegue memorizar até 50 metros de um percurso realizado em frente, a velocidades até 30 km/h, e posteriormente auxiliar a marcha-atrás controlando a direção ao longo do trajeto registado.
Nas versões 4WD, o Ground View Monitor apresenta uma imagem da área imediatamente em redor e sob o veículo. Existem também Remote Smart Parking Assist, Parking Collision-Avoidance Assist e um espelho retrovisor central digital.
Para quem utiliza reboque, o Trailer Reverse Assist pode controlar a direção durante as manobras em marcha-atrás, procurando simplificar uma operação que normalmente exige alguma experiência.

Chega em 2027, mas Portugal ainda aguarda preços e gama definitiva
A Hyundai revelou bastante sobre o novo Tucson, mas deixou algumas informações essenciais para mais tarde.
Ainda não existem preços para Portugal, nem foi comunicada a estrutura definitiva de versões e equipamentos destinada ao nosso mercado. A autonomia de 81 km do PHEV permanece igualmente sujeita à homologação final.
A configuração nacional será anunciada no momento do lançamento, previsto para 2027.
Até lá, o que já se conhece mostra uma evolução que vai além de uma simples mudança geracional. O Tucson cresce fisicamente, reforça a vertente familiar, aumenta a potência das versões eletrificadas e dá um salto na arquitetura digital. Ao mesmo tempo, conserva soluções aparentemente simples — como os comandos físicos — que podem ter tanta influência na utilização diária como um ecrã de 17 polegadas ou um novo assistente de inteligência artificial.
E há ainda uma peça por revelar: a 12 de outubro, no Salão Automóvel de Paris, a Hyundai apresentará uma nova versão do Tucson com uma abordagem estética mais dinâmica.
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