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Peugeot RCZ Vision: o regresso do coupé desportivo agora com 500 cv, bateria de estado sólido e arquitetura de 1000 volts

há 3 minutos
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Peugeot RCZ Vision: o regresso do coupé desportivo agora com 500 cv, bateria de estado sólido e arquitetura de 1000 volts


A Peugeot recupera um dos modelos mais distintos da sua história recente para antecipar o futuro tecnológico e estético da marca. O RCZ Vision é um concept car elétrico de 500 cv que combina uma bateria de estado sólido com apenas 110 milímetros de espessura, arquitetura elétrica de 1000 volts e uma autonomia anunciada de até 600 quilómetros. A fabricante aponta ainda para carregamentos de 10% a 80% em apenas dez minutos e um consumo de 11,5 kWh/100 km. Para além das especificações, ainda por validar num automóvel de produção, o protótipo introduz uma nova geração do i-Cockpit, direção e travagem controladas eletronicamente e uma linguagem de desenho que deverá influenciar os próximos Peugeot.


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A Peugeot apresentou o RCZ Vision, um estudo de desenho e engenharia que recupera a identidade do coupé comercializado entre 2009 e 2015 e a utiliza como ponto de partida para demonstrar tecnologias destinadas aos seus futuros automóveis. A proposta surge numa fase em que a indústria procura aumentar a eficiência dos veículos elétricos, reduzir os tempos de carregamento e desenvolver soluções de condução capazes de estabelecer uma relação diferente entre o condutor e a máquina.


Embora o nome RCZ evoque um desportivo que marcou a história recente da fabricante francesa, o novo conceito não constitui, pelo menos para já, o anúncio de uma segunda geração destinada à comercialização. A Peugeot apresenta-o como um manifesto tecnológico e de desenho, sem divulgar um calendário de produção, preço ou planos de lançamento para os mercados europeus.


O projeto reúne, contudo, elementos particularmente relevantes para perceber a direção que a marca pretende seguir. A combinação de uma bateria de estado sólido, uma arquitetura de 1000 volts, sistemas de direção e travagem sem ligação mecânica convencional e um habitáculo com ecrãs transparentes aponta para alterações que poderão ultrapassar o segmento dos desportivos.


Peugeot RCZ Vision: o regresso do coupé desportivo agora com 500 cv, bateria de estado sólido e arquitetura de 1000 volts

O regresso do RCZ e a evolução da identidade Peugeot

O Peugeot RCZ original surgiu em 2009 e destacou-se por uma carroçaria coupé de proporções compactas, uma linha de tejadilho particularmente característica e os arcos laterais que se tornaram uma das suas principais assinaturas visuais. A produção terminou em 2015, mas o modelo preservou uma identidade própria, distinta da restante gama da marca.


No RCZ Vision, a Peugeot recupera precisamente alguns desses elementos, reinterpretando-os através de uma linguagem de desenho denominada Feline Future. A nova orientação estética assenta em cinco princípios definidos pela fabricante: liberdade, coragem, elegância, força interior e instinto.


A carroçaria apresenta uma silhueta baixa, superfícies esculpidas e guarda-lamas pronunciados, enquanto a zona envidraçada procura transmitir uma sensação de leveza. A frente introduz uma nova interpretação da assinatura luminosa das três garras, agora dispostas horizontalmente e acompanhadas por faróis LED de dimensões reduzidas.


Na traseira, a iluminação mantém a mesma orientação gráfica, integrada numa superfície que procura preservar a continuidade das linhas. O spoiler ativo permanece recolhido quando o veículo está parado e é acionado durante a condução para contribuir para o desempenho aerodinâmico, recuperando uma solução associada ao RCZ original.


Um dos elementos mais reconhecíveis continua a ser o tejadilho de dupla bolha. No novo conceito, a Peugeot amplia a superfície envidraçada e desenvolve uma estrutura que se prolonga visualmente desde o capô até à traseira. A configuração procura também melhorar o aproveitamento do espaço para os passageiros posteriores.


Os arcos do tejadilho, anteriormente associados a acabamentos metálicos, surgem reinterpretados com recurso a uma pintura produzida a partir de alumínio reciclado. A escolha integra a preocupação com a utilização de materiais alternativos, embora a marca não apresente uma avaliação ambiental completa que permita quantificar o benefício desta solução.


O RCZ Vision utiliza ainda jantes de alumínio forjado de 21 polegadas à frente e 22 polegadas atrás, com um desenho que procura reduzir a quantidade de material utilizado. Pequenos elementos triangulares estabelecem uma ligação visual às jantes do primeiro RCZ.


Peugeot RCZ Vision: o regresso do coupé desportivo agora com 500 cv, bateria de estado sólido e arquitetura de 1000 volts

Bateria de estado sólido com apenas 110 milímetros de espessura

A componente tecnológica mais relevante do RCZ Vision poderá estar na bateria desenvolvida em colaboração com a Factorial Energy. A Peugeot anuncia a utilização de células de estado sólido, uma tecnologia que procura superar algumas das limitações das baterias convencionais de iões de lítio, nomeadamente ao nível da densidade energética, da segurança e da capacidade de carregamento.


Uma das características anunciadas é a espessura de apenas 110 milímetros do conjunto da bateria, dimensão que permite desenvolver uma carroçaria particularmente baixa sem comprometer totalmente o espaço disponível para os ocupantes.


A redução da altura da bateria é especialmente importante num automóvel desportivo elétrico. As baterias instaladas no piso condicionam a posição dos bancos, a altura da carroçaria e a distribuição do espaço interior. Um conjunto mais compacto pode permitir uma posição de condução mais próxima daquela encontrada nos desportivos tradicionais.


A Peugeot não divulga, no entanto, a capacidade energética da bateria em kWh, o seu peso, a composição detalhada das células ou os parâmetros de durabilidade. Estes dados serão fundamentais para avaliar a viabilidade industrial da solução e estabelecer comparações com as tecnologias atualmente disponíveis no mercado.


O RCZ Vision foi desenvolvido sobre uma arquitetura baseada na plataforma modular STLA One, concebida para acomodar diferentes soluções tecnológicas e facilitar a integração de sistemas eletrónicos avançados. A marca destaca igualmente a modularidade da estrutura, que poderá contribuir para simplificar o desenvolvimento de futuros veículos e facilitar a reutilização e reciclagem de componentes.


Peugeot RCZ Vision: o regresso do coupé desportivo agora com 500 cv, bateria de estado sólido e arquitetura de 1000 volts

Arquitetura de 1000 volts e carregamento de 10% a 80% em dez minutos

A arquitetura elétrica de 1000 volts constitui outra das características que distinguem o RCZ Vision. A utilização de tensões mais elevadas pode permitir transferir grandes quantidades de energia com correntes inferiores para a mesma potência, reduzindo determinadas perdas elétricas e facilitando a gestão térmica dos componentes.


Segundo a Peugeot, o sistema desenvolvido para o protótipo permite elevar o estado de carga da bateria de 10% para 80% em apenas dez minutos. Trata-se de um objetivo particularmente ambicioso, que colocaria o modelo entre as propostas de carregamento mais rápido anunciadas pela indústria automóvel.


Contudo, a fabricante não especifica a potência máxima de carregamento, a capacidade total da bateria ou as condições necessárias para alcançar esse resultado. Sem estes elementos, não é possível determinar a energia efetivamente transferida durante os dez minutos nem comparar diretamente o desempenho com o de automóveis elétricos já comercializados.


A Peugeot anuncia também uma autonomia de até 600 quilómetros e um consumo energético de 11,5 kWh/100 km em ciclo combinado WLTP, valor que a própria marca identifica como ainda sujeito a confirmação.


A relação entre a potência de 500 cv, a autonomia anunciada e o consumo previsto merece particular atenção. Num automóvel desportivo elétrico, a eficiência depende de fatores como a aerodinâmica, a massa total, a gestão térmica, os pneus e a estratégia de funcionamento dos motores. O RCZ Vision procura demonstrar que o desempenho elevado não tem necessariamente de estar associado a consumos excessivos, mas os valores apresentados continuam a ser objetivos de desenvolvimento e não resultados de homologação de um veículo de produção.


A Peugeot também não divulgou os tempos de aceleração, a velocidade máxima ou a configuração dos motores elétricos. Por isso, os 500 cv anunciados constituem, nesta fase, a principal referência ao potencial de desempenho do protótipo.


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Hypersquare e direção Steer-by-Wire: o volante deixa de estar ligado mecanicamente às rodas

O habitáculo do RCZ Vision antecipa uma evolução significativa do Peugeot i-Cockpit, conceito introduzido pela fabricante há quase 15 anos e caracterizado pela posição elevada da instrumentação e por um volante de dimensões reduzidas.


A nova interpretação utiliza o comando de direção Hypersquare, cuja configuração abandona a forma circular tradicional e concentra várias funções em quatro elementos de controlo integrados na estrutura.


A principal alteração, porém, encontra-se no sistema Steer-by-Wire. Ao contrário de uma direção convencional, em que existe uma ligação mecânica entre o volante e as rodas direcionais, esta tecnologia transmite eletronicamente os comandos do condutor.


A ausência de uma ligação mecânica direta permite modificar a relação de direção em função da velocidade. Em manobras e deslocações a baixa velocidade, o sistema pode tornar a resposta mais rápida, reduzindo o movimento necessário para orientar as rodas. Segundo a Peugeot, o Hypersquare necessita de uma rotação máxima ligeiramente inferior a uma volta completa, enquanto um volante convencional pode exigir aproximadamente três voltas entre os extremos.


A velocidades mais elevadas, a relação de direção é adaptada para proporcionar uma resposta mais progressiva. O sistema também permite filtrar determinadas vibrações provenientes das irregularidades do pavimento, alterando a informação transmitida às mãos do condutor.


Esta abordagem introduz novas possibilidades de afinação, mas levanta igualmente questões importantes sobre a qualidade do retorno de informação, a naturalidade das reações e a capacidade de reproduzir as sensações de uma direção mecânica. A avaliação destas características dependerá de ensaios dinâmicos, não sendo possível retirar conclusões apenas a partir da descrição técnica do protótipo.


A Peugeot indica que o RCZ Vision utiliza a mesma versão de produção do Hypersquare prevista para a próxima geração do Peugeot E-208, o que demonstra que esta tecnologia não está limitada ao desenvolvimento de um coupé desportivo.


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Brake-by-Wire: a travagem também passa a ser controlada eletronicamente

O RCZ Vision é apresentado como o primeiro Peugeot a integrar a tecnologia Brake-by-Wire, na qual o comando do pedal de travão é transmitido eletronicamente, substituindo a ligação hidráulica convencional entre o pedal e o sistema de travagem.


A solução procura permitir uma gestão mais precisa da desaceleração e melhorar a integração entre a travagem regenerativa e a travagem por fricção.


Nos automóveis elétricos, a recuperação de energia durante a desaceleração constitui um dos elementos fundamentais para a eficiência energética. Um sistema de travagem controlado eletronicamente pode facilitar a distribuição da força de travagem entre os motores elétricos e os travões convencionais, procurando manter uma resposta consistente no pedal.


A aplicação deste tipo de tecnologia exige, naturalmente, sistemas de segurança e redundância adequados, capazes de assegurar o funcionamento da travagem perante eventuais falhas eletrónicas. O comunicado da Peugeot não detalha a arquitetura de segurança utilizada no protótipo, pelo que não é possível avaliar os mecanismos específicos de proteção ou a sua eventual homologação para produção em série.


O RCZ Vision inclui ainda funções de condução assistida que a marca classifica como nível 2++, com possibilidade de utilização sem as mãos no volante em determinadas condições, tanto em ambiente urbano como em estrada.


Importa sublinhar que a designação 2++ não corresponde a um nível autónomo adicional na classificação internacional SAE. Trata-se de uma terminologia comercial utilizada para descrever sistemas avançados de assistência, nos quais o condutor continua responsável pela supervisão da condução e pela intervenção quando necessário.


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Um i-Cockpit com ecrãs transparentes e menos informação visual

A Peugeot pretende também alterar a forma como os ocupantes interagem com a tecnologia a bordo. Em vez de aumentar simplesmente o número ou a dimensão dos ecrãs, o RCZ Vision apresenta superfícies transparentes com tecnologia Micro LED, integradas numa configuração que procura reduzir a presença visual dos sistemas digitais.


A instrumentação está posicionada acima do Hypersquare, dentro do campo de visão do condutor, mantendo a arquitetura característica do i-Cockpit. O ecrã central, disposto verticalmente e ligeiramente orientado para quem conduz, concentra funções de navegação e infoentretenimento.

A particularidade está na possibilidade de desligar completamente o ecrã central, fazendo com que a sua estrutura transparente se torne visualmente discreta. A intenção é reduzir distrações e permitir que apenas a informação essencial permaneça visível durante a condução.


O sistema admite diferentes níveis de personalização, permitindo ao condutor selecionar a informação apresentada de acordo com as suas preferências e necessidades.


Apesar da forte componente digital, a Peugeot preserva alguns comandos físicos na consola central. Os modos de condução e determinadas funções de climatização são controlados através de elementos em alumínio, integrados numa superfície de vidro fosco.


Esta combinação revela uma abordagem que procura conciliar inovação tecnológica com ergonomia, num momento em que a indústria automóvel tem vindo a discutir os limites da concentração excessiva de funções nos ecrãs táteis.


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Quatro lugares e um habitáculo pensado para viagens

Embora recupere a silhueta de um coupé desportivo, o RCZ Vision apresenta uma configuração interior com quatro lugares. A Peugeot procura aproximar o conceito da tradição dos automóveis Grand Touring, combinando desempenho com capacidade para transportar passageiros em viagens mais longas.


A fabricante afirma que o espaço posterior foi desenvolvido para acomodar dois adultos, beneficiando da configuração do tejadilho e da organização do habitáculo. Os encostos dos bancos traseiros podem ser rebatidos para aumentar a capacidade de transporte de bagagem.


Os bancos dianteiros apresentam uma estrutura assimétrica, concebida para reforçar o apoio lateral na zona interior e melhorar a integração com o ecrã central suspenso. Os encostos incluem aberturas destinadas a reduzir o peso, sem abandonar a preocupação com o conforto.


Entre os materiais utilizados encontram-se Alcantara e PELINOVA, um material produzido a partir de aparas de couro provenientes da indústria de artigos em pele. A Peugeot refere que a utilização destes resíduos permite aproveitar matéria-prima que poderia ser descartada, embora não apresente dados quantitativos sobre a redução do impacto ambiental.


O interior utiliza tonalidades claras, com predominância do azul, contrastando com elementos de alumínio maquinado. O painel de bordo foi desenvolvido para ocupar o menor volume possível, integrando saídas de ventilação móveis que podem recolher quando não estão a ser utilizadas.


Entre os pormenores encontra-se ainda um relógio desenvolvido em colaboração com a relojoeira francesa SERICA, cuja presença física é acompanhada por uma representação digital no sistema de instrumentação.



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