Teste: Changan Deepal S05, a eficiência convence, tecnologia e conforto surpreendem e mecânica tem margem para evoluir

O Changan Deepal S05 Max chega ao mercado português por 39.990 euros com 272 cv, tração traseira, bateria LFP de 68,8 kWh, 485 km de autonomia WLTP e um nível de equipamento difícil de ignorar. No nosso ensaio confirmou algumas das qualidades que explicam a crescente pressão das marcas chinesas sobre o mercado europeu, incluindo um consumo médio de 16,7 kWh/100 km. Mas também encontrámos margem para evolução: a relação entre suspensão dianteira, direção e chassis ainda não tem a consistência que o restante produto merece, e a excelente central multimédia, rápida e tecnologicamente convincente, precisa de uma organização mais intuitiva.
A velocidade a que a indústria automóvel chinesa está a evoluir começa a tornar desatualizada uma pergunta que ainda ouvimos com frequência: será que estes automóveis já conseguem competir com os europeus? Depois de vários ensaios recentes, parece-nos mais útil perguntar em que áreas já estão ao mesmo nível, onde já conseguem oferecer mais pelo mesmo dinheiro e em que pontos ainda precisam de afinação.
O Changan Deepal S05 é um bom exemplo desta nova realidade. Não chega a Portugal como um elétrico barato que compensa limitações através do preço. A versão Max de tração traseira que ensaiámos custa 39.990 euros, apenas 3.000 euros acima do RWD Pro, e apresenta uma ficha técnica que inclui 272 cv, bateria LFP de 68,8 kWh, 485 km WLTP, carregamento rápido que atinge 200 kW durante parte da curva, bomba de calor, V2L e suspensão traseira independente multilink. A Changan oferece ainda uma versão AWD Max de 435 cv por 42.990 euros.
Mas uma ficha técnica não diz como um automóvel se comporta no asfalto, se a direção trabalha em sintonia com a suspensão, se o software é fácil de utilizar depois de passada a novidade ou quanto consome realmente. Foi aí que encontrámos um S05 muito convincente, mas ainda com algumas arestas que gostaríamos de ver corrigidas.

Um SUV elétrico desenhado na Europa, mas sem tentar esconder a sua identidade
A Deepal é uma das marcas através das quais a Changan está a desenvolver a sua ofensiva internacional na eletrificação. No caso do S05, há uma ligação europeia relevante: o desenho nasceu no centro de design da Changan em Turim e recebeu um iF Design Award. A marca anuncia ainda um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,25, valor bastante interessante para um SUV desta dimensão.
E dimensão é a palavra certa, porque o S05 não é pequeno. A ficha portuguesa indica 4.580 mm de comprimento, 1.900 mm de largura e 1.600 mm de altura, com uma generosa distância entre eixos de 2.880 mm. Existe aqui uma pequena discrepância documental que importa assinalar: as especificações europeias da Changan indicam 4.598 mm de comprimento, enquanto a ficha oficial portuguesa publica 4.580 mm. Utilizamos neste ensaio os dados da Changan Portugal, por corresponderem à configuração comercializada no nosso mercado.
As proporções ajudam a disfarçar o volume. A frente é baixa para um SUV, os faróis são muito estreitos, a superfície frontal está praticamente fechada e as linhas laterais são limpas. Os puxadores elétricos ficam embutidos na carroçaria e os vidros das portas não têm moldura, dois elementos que reforçam a aparência sofisticada. Na versão Max surgem jantes de 20 polegadas com pneus Continental 245/45 R20, bastante mais expressivas do que as 18" do Pro.
Não há aqui uma acumulação gratuita de elementos decorativos para fazer o automóvel parecer mais caro. Nota-se uma preocupação evidente com superfícies limpas, aerodinâmica e proporções, e a traseira mantém identidade própria graças à assinatura luminosa contínua e ao tratamento do spoiler.
Gostámos sobretudo da forma como os 2,88 metros entre eixos foram integrados numa carroçaria que permanece visualmente compacta. O S05 tem presença sem recorrer a uma imagem excessivamente agressiva.

Por dentro, uma das melhores surpresas do S05
Se o exterior é convincente, o habitáculo é provavelmente a área onde o Deepal S05 mais facilmente desmonta os preconceitos associados à origem da marca.

A primeira impressão é de amplitude. O painel é horizontal, a consola central não cria uma separação excessiva entre os ocupantes e há uma utilização cuidada de diferentes materiais e texturas. Não vamos chamar premium a tudo o que tem uma superfície macia — o termo perdeu grande parte do significado na indústria —, mas a qualidade percebida está claramente acima do que o preço faria antecipar.
Os bancos dianteiros da versão Max têm regulação elétrica, aquecimento e ventilação; o do condutor acrescenta apoio lombar e memória, enquanto o do passageiro dispõe de apoio elétrico para as pernas. O volante é aquecido, há iluminação ambiente dinâmica com 64 cores, carregamento sem fios de 50 W, portão traseiro elétrico e um sistema de áudio com 14 altifalantes. São equipamentos que, há poucos anos, estavam reservados a segmentos de preço substancialmente superiores.
Mais relevante ainda é que a apresentação não depende apenas deles. Os bancos são confortáveis, a posição de condução permite uma boa relação entre volante e pedais e o ambiente consegue ser tecnológico sem parecer um catálogo de ecrãs colocados ao acaso.
Há, contudo, uma decisão invulgar: não existe painel de instrumentos convencional diante do condutor.

Um enorme head-up display assume o lugar da instrumentação
Em vez de colocar mais um ecrã atrás do volante, a Changan concentra a informação essencial num head-up display com realidade aumentada, que projeta velocidade, navegação e outras indicações diretamente no campo de visão.
Passado o período inicial de adaptação, a solução faz sentido. Sentimos menos falta de um painel tradicional do que imaginávamos antes do ensaio, porque a informação necessária fica numa posição natural relativamente à estrada.
Ao centro está o elemento dominante do habitáculo: um ecrã tátil de 15,4 polegadas, com resolução 2.5K e processador Qualcomm 8155. Na versão Max, o ecrã pode inclinar-se até 15 graus em direção ao condutor ou ao passageiro. Apple CarPlay e Android Auto funcionam sem fios e há navegação online, controlo por voz e atualizações OTA.
Tecnicamente, é uma central muito boa. A definição é excelente, as animações são fluidas e a rapidez de processamento foi um dos aspetos que mais apreciámos. O problema não está no hardware nem na velocidade, mas na organização.

Durante os dias de utilização, percebemos que algumas funções exigem mais passos do que seria desejável e que a lógica de certos menus não é imediatamente evidente. Depois de aprendermos onde está cada coisa, tudo se torna mais fácil, mas uma boa interface não deveria exigir aprendizagem desnecessária para operações frequentes.
Não vemos aqui um problema estrutural. É, aliás, o tipo de área que pode melhorar bastante através de software e atualizações OTA. A base tecnológica é excelente; falta simplificar a experiência.
É um ponto importante na evolução dos automóveis atuais: um sistema multimédia não é melhor apenas porque responde depressa. Também tem de permitir que o condutor encontre depressa o que procura.
Os 2,88 metros entre eixos notam-se sobretudo na segunda fila
O aproveitamento interior é outro argumento forte. A distância entre eixos de 2.880 mm deixa muito espaço para pernas atrás, e o piso plano beneficia o passageiro central. Os 1,90 metros de largura dão também melhores condições a três ocupantes do que as que encontramos em SUV compactos mais estreitos.

Para quatro adultos, é um automóvel genuinamente confortável em viagens longas. O espaço para a cabeça continua adequado apesar da linha exterior relativamente baixa e há saídas de climatização traseiras.
A capacidade de carga também é interessante. A Changan anuncia 492 litros na bagageira traseira, que sobem a 1.250 litros com os bancos rebatidos, segundo as especificações europeias. Mas a versão RWD tem ainda um raro frunk de 159 litros — suficientemente grande para deixar de ser o habitual compartimento para cabos de carregamento e passar a ter utilidade real.
Somando os dois compartimentos com os bancos em utilização, temos 651 litros distribuídos entre a frente e a traseira. Não substitui, evidentemente, uma bagageira única desse volume para objetos grandes, mas aumenta bastante a versatilidade no quotidiano.
A capacidade de reboque de 1.600 kg é outro dado pouco habitual em elétricos desta faixa de preço e poderá ser decisiva para alguns utilizadores.

272 cv no eixo traseiro: a configuração que escolheríamos
O S05 Max RWD utiliza um motor síncrono de ímanes permanentes instalado no eixo traseiro, com 200 kW (272 cv) e 290 Nm. A aceleração dos 0 aos 100 km/h demora 7,5 segundos e a velocidade máxima está limitada a 180 km/h.
O tempo de aceleração pode parecer conservador para 272 cv, mas convém lembrar que se trata de um SUV elétrico com cerca de 1.940 kg. E, sinceramente, não sentimos falta de mais potência durante o ensaio.

Há uma característica de que gostámos em especial: a tração traseira.
Num mercado em que muitos elétricos mais acessíveis concentram motor e tração no eixo dianteiro, colocar o motor atrás liberta as rodas da frente da tarefa de transmitir binário e permite separar melhor as funções de direção e propulsão. Em teoria, isto oferece uma base interessante para o comportamento dinâmico e evita reações no volante quando aceleramos com intensidade.
A resposta ao acelerador é rápida, como esperamos de um elétrico, mas não excessivamente brusca. Os 290 Nm chegam de forma progressiva e os 272 cv tornam as recuperações muito fáceis. Não há aquela tentativa de impressionar os passageiros a cada toque no pedal, algo que consideramos positivo num SUV de utilização familiar.
Olhando apenas para motor e transmissão, a versão RWD parece-nos, por isso, bastante equilibrada. O AWD Max sobe para 435 cv e faz 0–100 km/h em 5,5 segundos, mas pesa mais, consome oficialmente 17,5 kWh/100 km e reduz a autonomia WLTP para 445 km. Para quem não precisa de tração integral ou de mais desempenho, os 272 cv traseiros são mais coerentes com a missão do S05 e por isso dizemos que é a versão mais equilibrada e coerente do modelo.

Bateria LFP de 68,8 kWh e 485 km WLTP
A bateria utiliza química LFP — lítio-ferro-fosfato — e tem 68,8 kWh de capacidade anunciada.
A autonomia homologada do RWD Max é de 485 km WLTP, com consumo oficial português arredondado para 16,0 kWh/100 km; outras páginas europeias apresentam 15,9 kWh/100 km, o que corresponde à mesma homologação com arredondamento diferente.
A bomba de calor é de série, o que ajuda a reduzir a penalização energética da climatização em temperaturas baixas.
Mas, como fazemos sempre nos nossos ensaios, o número que mais nos interessa é o que encontrámos na utilização real.
16,7 kWh/100 km no nosso ensaio: muito próximo da homologação
Terminámos o contacto com o Deepal S05 Max RWD com uma média de 16,7 kWh/100 km.
É um resultado muito positivo. O valor oficial ronda os 16 kWh/100 km e ficámos apenas 0,7 kWh/100 km acima da referência homologada, uma diferença pequena para utilização real, sujeita a variações de velocidade, trânsito, temperatura, climatização, relevo e estilo de condução.
Note-se ainda que falamos de um SUV com 1,90 metros de largura, jantes de 20 polegadas, pneus 245/45, cerca de 1,94 toneladas e 272 cv. Obter 16,7 kWh/100 km neste conjunto demonstra que a eficiência não foi sacrificada em nome do desempenho ou do equipamento.
Numa projeção puramente matemática — que não deve ser confundida com autonomia medida de 100 a 0% —, dividir os 68,8 kWh anunciados pela média de 16,7 kWh/100 km resultaria em cerca de 412 km. O cálculo serve apenas como referência, porque nenhuma viagem mantém exatamente as mesmas condições até esgotar a carga.
O que podemos afirmar com base no ensaio é mais simples: o consumo mostrou-se consistente com o que esperamos de um elétrico eficiente deste tamanho. E isso coloca os 485 km WLTP numa perspetiva razoável. Em utilização urbana, com velocidades médias inferiores e maior aproveitamento da regeneração, será possível aproximar-se mais da homologação e até superar; sendo o resultado muito próximo da realidade prática já que nosso teste já incluiu parte da condução em autoestrada com velocidade estabilizada a 120 km/h, além, claro, de condução em estrada Nacional/IP e em circuito citadino.

Carregamento rápido é um dos argumentos técnicos mais fortes
Se a bateria não impressiona pela capacidade absoluta, a velocidade de carregamento merece atenção.
A documentação europeia especifica 200 kW entre aproximadamente 5 e 10% de carga, passando a uma referência de 168 kW no intervalo de 10 a 80%. A Changan anuncia 23 minutos para passar de 10 a 80%, 26 minutos entre 5 e 80% e apenas 15 minutos de 30 a 80%. Em corrente alternada, aceita 11 kW.
A distinção é importante, porque anunciar simplesmente "200 kW" poderia criar uma expectativa errada. O pico existe numa janela reduzida; o dado mais relevante numa viagem é a capacidade de manter potência elevada durante uma parte significativa da sessão.
Os 23 minutos entre 10 e 80% colocam o S05 numa posição competitiva para viagens longas, sobretudo por se tratar de uma arquitetura de 400 V e não de 800 V.
Há ainda V2L até 6 kW, segundo a especificação europeia, para alimentar equipamentos externos a partir da bateria de tração. É uma potência suficientemente elevada para tornar a funcionalidade realmente útil e não apenas mais uma linha na ficha técnica.

É no chassis que encontramos a principal margem para evolução
Chegamos ao ponto em que o ensaio revelou a maior diferença entre o que a ficha técnica promete e o que sentimos ao volante.
No papel, a arquitetura parece muito bem resolvida: McPherson à frente, suspensão independente multilink atrás, direção elétrica sensível à velocidade, discos ventilados à frente e discos atrás. O motor no eixo posterior cria ainda uma base teoricamente favorável para separar direção e tração, e entregando um resultado dinâmico.
A traseira transmite, em geral, uma boa sensação de controlo. O automóvel tem aderência, os 272 cv são colocados no chão sem dificuldade e, numa estrada de curvas, a propulsão traseira ajuda a criar um comportamento natural quando aumentamos progressivamente o ritmo.
Não encontrámos, porém, a mesma consistência na relação entre o eixo dianteiro, a direção e os movimentos do chassis.
Em certos momentos, a frente pode tornar-se algo inquieta. Não se trata de falta de segurança nem de um comportamento imprevisível; o ponto é mais subtil. A suspensão dianteira nem sempre controla o movimento da carroçaria com a mesma precisão com que a direção pede uma alteração de trajetória, o que gera a necessidade de pequenas correções e movimentos que retiram serenidade ao conjunto.
A direção é suficientemente rápida, mas rapidez e precisão não são a mesma coisa. A sensação geral é positiva, mas percebe-se que direção, amortecimento dianteiro e chassis poderiam entender-se melhor.
As jantes de 20 polegadas e os pneus 245/45 também influenciam esta leitura. A versão Pro, com 18 polegadas e maior flanco, poderá ter outra resposta, mas seria incorreto extrapolar sem a testar. A nossa avaliação refere-se apenas ao Max RWD na configuração que conduzimos. Para tentar corrigir estas sensações, chegámos a alterar a pressão dos pneus, o que melhorou o resultado, ainda asim com margem de evolução para o conjunto.
Fazemos esta crítica porque a base do modelo tem potencial. Não nos parece faltar rigidez estrutural ou aderência, e a suspensão traseira multilink trabalha de forma convincente. O que sentimos foi sobretudo necessidade de afinação: amortecimento dianteiro, resposta inicial da direção e controlo dos movimentos poderiam ser revistos para criar uma condução mais homogénea.

Confortável, mas não completamente isolado da dimensão das jantes
Apesar da crítica dinâmica, não concluímos que o S05 seja desconfortável. Não é.
A afinação absorve razoavelmente bem as irregularidades comuns e a qualidade dos bancos ajuda bastante em viagens prolongadas. O silêncio mecânico típico da propulsão elétrica deixa mais expostos os restantes ruídos, e aqui o isolamento aerodinâmico e de rolamento revelou-se competente.
Ainda assim, o equilíbrio geral é de muito conforto. A nossa crítica não incide sobre a dureza, mas sobre o controlo dos movimentos da frente. Foi essa a sensação que tivemos.
Travagem e regeneração: competência acima do espetáculo
O sistema combina discos ventilados à frente, discos atrás e travagem regenerativa. A regeneração pode ser ajustada no sistema do automóvel e existe uma gestão inteligente destinada a recuperar energia nas desacelerações.
No quotidiano, o mais importante é a transição entre regeneração e travagem mecânica, e o S05 consegue evitar uma resposta artificial do pedal. A massa próxima das duas toneladas nota-se, naturalmente, numa travagem mais exigente, mas o conjunto transmite segurança.
Também aqui preferimos a abordagem progressiva. Não é preciso um pedal agressivo nem uma regeneração extrema para criar uma falsa sensação de desportividade: num SUV familiar, importam mais a previsibilidade e a capacidade de modular a desaceleração.

Segurança: cinco estrelas Euro NCAP
O Deepal S05 foi avaliado pelo Euro NCAP em dezembro de 2025, ainda segundo o protocolo de 2025, e conquistou a classificação máxima de cinco estrelas. Convém indicar o ano, porque o Euro NCAP introduziu um novo protocolo em 2026 e estas cinco estrelas não são diretamente comparáveis a uma classificação obtida já sob os critérios atuais.
Os resultados foram fortes: 94% na proteção de adultos, 87% na proteção de crianças, 78% na proteção de utilizadores vulneráveis da estrada e 76% nos sistemas de assistência à segurança.
Nos impactos laterais contra barreira e poste, a proteção das áreas críticas foi considerada boa e o S05 obteve a pontuação máxima nessa parte da avaliação. O Euro NCAP confirmou ainda a existência de uma medida de proteção contra o contacto entre os ocupantes dianteiros em impactos laterais — o airbag central —, que funcionou bem nos testes.
Na contagem convencional, o conjunto corresponde a sete airbags: dois frontais, dois laterais dianteiros, duas cortinas e um central.
Há ainda ISOFIX/i-Size, deteção direta da presença de crianças, pré-tensores e limitadores de força, eCall e um sistema destinado a evitar impactos secundários depois de uma colisão. O Euro NCAP destacou também que portas e vidros permanecem operáveis em cenário de submersão, um parâmetro que tem ganho importância nas avaliações recentes.

ADAS muito completo — e, como sempre, a calibração interessa tanto quanto a quantidade
A cobertura de sistemas de assistência é extensa. O equipamento oficial português inclui cruise control adaptativo integrado, função stop-and-go, aviso de colisão frontal, assistência à manutenção na faixa, assistência em engarrafamentos, travagem automática de emergência, deteção de ângulo morto, assistência à mudança de faixa, aviso de colisão traseira, alerta e travagem perante tráfego cruzado traseiro, aviso de abertura de porta, monitorização da fadiga e limite inteligente de velocidade. Há ainda câmara de 360 graus com visualização do chassis transparente.
Quantidade de ADAS não é o mesmo que qualidade de condução. Um sistema demasiado interventivo torna-se cansativo e leva o condutor a procurar formas de o desligar, anulando parte do benefício de segurança. No S05, a cobertura tecnológica é inquestionavelmente elevada para o preço, embora continue a ser importante que a evolução do software torne as intervenções tão naturais quanto possível.
Há também uma nuance revelada pelo Euro NCAP: o sistema direto de monitorização do estado do condutor está instalado de série e identifica fadiga e alguns tipos de distração, mas não cumpriu integralmente os requisitos do organismo e não recebeu pontuação nessa área específica. É um bom exemplo de por que razão preferimos analisar o funcionamento e os resultados independentes em vez de contar sistemas numa ficha de equipamento.

Max por 39.990 euros: é aqui que a equação começa a ficar complicada para os concorrentes
O S05 elétrico começa em Portugal nos 36.990 euros, no RWD Pro. O RWD Max que testámos custa 39.990 euros, e o AWD Max de 435 cv sobe para 42.990 euros.
Por mais 3.000 euros face ao Pro, o Max acrescenta elementos com peso real na utilização: jantes de 20", head-up display com realidade aumentada, ecrã central inclinável, carregador sem fios de 50 W, sistema de áudio de 14 altifalantes, iluminação ambiente, bancos dianteiros aquecidos e ventilados, volante aquecido, memória, portão elétrico, puxadores elétricos e outros equipamentos de conforto.
O S05 entra numa zona muito disputada do mercado, onde encontramos propostas como Kia EV3, Škoda Elroq, Leapmotor C10 e várias configurações do BYD Atto 3, além de alternativas que podem aproximar-se através de campanhas comerciais. Não são automóveis rigorosamente equivalentes — variam em dimensões, bateria, potência, arquitetura e posicionamento —, mas disputam um cliente semelhante: alguém que procura um elétrico familiar entre 35 e 45 mil euros e que já tem escolha suficiente para não decidir apenas pela autonomia.
Neste contexto, o Deepal apresenta argumentos objetivos fortes: 272 cv e tração traseira, 68,8 kWh LFP, 485 km WLTP, 10–80% em 23 minutos, 159 litros de frunk, 492 litros de bagageira, 1.600 kg de capacidade de reboque e muito equipamento por 39.990 euros.
O preço já não serve apenas para compensar uma marca desconhecida. Passa a ser mais um elemento dentro de um produto que, em várias áreas, é competitivo por mérito próprio.
A garantia também entra na discussão
Uma marca que ainda está a construir reconhecimento na Europa tem de responder a uma pergunta inevitável: o que acontece depois da compra?
A Changan oferece em Portugal sete anos ou 160.000 km de garantia geral, enquanto a bateria de alta tensão e a unidade motriz têm cobertura de oito anos ou 200.000 km. A garantia da bateria prevê uma referência de estado de saúde e há condições específicas para componentes e utilização, pelo que recomendamos, como sempre, a consulta integral dos termos contratuais.
A marca afirmou recentemente ter uma rede portuguesa de 20 entidades, quando celebrou o primeiro ano no mercado nacional e ultrapassou as mil unidades comercializadas. Isto não elimina a diferença de maturidade face a fabricantes instalados há décadas, mas mostra que a infraestrutura comercial e de pós-venda está a ser construída.
Valor residual, disponibilidade de peças a longo prazo e experiência efetiva de assistência só poderão ser avaliados com o tempo. Nenhum ensaio de uma semana responde honestamente a estas questões.

RESUMO FINAL — O produto já convence; agora é a afinação que precisa de acompanhar
Depois de vários dias com o Changan Deepal S05 Max RWD, a conclusão é menos simples — e mais interessante — do que dizer que estamos perante mais um SUV elétrico chinês com muito equipamento e preço competitivo. O S05 já ultrapassou essa fase.
Há áreas em que encontramos um produto muito amadurecido. O habitáculo tem ótima qualidade percebida, é espaçoso e apresenta um nível de equipamento que, por 39.990 euros, coloca pressão real sobre propostas estabelecidas. Os 2,88 metros entre eixos traduzem-se em espaço efetivamente utilizável, a bagageira de 492 litros é complementada por um excelente frunk de 159 litros e o conforto dos bancos torna o automóvel uma proposta familiar bastante convincente.
A tecnologia também está longe de ser apenas decorativa. O head-up display com realidade aumentada funciona como verdadeira instrumentação, o ecrã central de 15,4" tem excelente qualidade e o processador Qualcomm 8155 garante uma rapidez que muitos sistemas de marcas estabelecidas ainda não conseguem oferecer. Mas rápido não é necessariamente intuitivo: a arquitetura dos menus precisa de simplificação, algumas funções poderiam estar mais acessíveis e a experiência beneficiaria de uma hierarquia mais clara. Ajustes para coisas simples são ainda necessários, como seguir viagem ouvindo a mesma rádio sem ter que atualizar a frequencia. Felizmente, é uma área onde atualizações de software podem fazer uma enorme diferença sem alterar uma única peça do automóvel.
O conjunto elétrico foi outro ponto positivo. 272 cv e 290 Nm no eixo traseiro são mais do que suficientes para a utilização real e tornam esta versão uma proposta mais racional do que perseguir os 435 cv do AWD. A resposta é forte quando precisamos, progressiva quando queremos conduzir com tranquilidade, e a tração traseira cria uma arquitetura que, à partida, nos agrada.
O consumo confirmou a boa impressão: terminámos o ensaio com 16,7 kWh/100 km, muito próximo dos cerca de 16 kWh/100 km homologados. Num SUV com 1,90 metros de largura, aproximadamente 1.940 kg, jantes de 20" e 272 cv, é um resultado bastante competente. A estratégia de carregamento também convence: a possibilidade de atingir 200 kW numa janela inicial e, sobretudo, os 23 minutos dos 10 aos 80% permitem usar a bateria de 68,8 kWh em viagem sem esperas demoradas. O V2L de 6 kW e a bomba de calor completam um pacote elétrico bem pensado.
Por tudo isto, somos mais exigentes com a dinâmica.
Há uma tendência para pequenos movimentos e necessárias correções que tornam o eixo dianteiro mais inquieto do que gostaríamos, e a direção poderia oferecer maior consistência em torno do centro e uma progressão mais natural.
Não classificamos isto como problema de segurança nem como deficiência estrutural. Pode até ser algo especifico da unidade testada. O eixo traseiro multilink, a aderência disponível e a própria arquitetura de tração traseira mostram que existe uma ótima base; o que falta é terminar o trabalho de calibração. E num mercado europeu onde o acerto do chassis continua a distinguir os produtos mais maduros, esse detalhe conta.
O S05 chega ainda com uma credencial importante em segurança: cinco estrelas Euro NCAP em 2025, 94% de proteção de adultos, sete airbags incluindo o central, deteção de presença de crianças e uma cobertura ADAS extensa.
No final, talvez a maior qualidade do Deepal S05 seja mostrar como a discussão em torno dos novos fabricantes chineses está a mudar. Já não perguntamos se conseguem fabricar um automóvel com muito equipamento por pouco dinheiro. Discutimos calibração da direção, controlo de amortecimento, ergonomia de software e refinamento de interface porque, em espaço, tecnologia, eficiência, segurança, carregamento e qualidade percebida, o produto já nos obriga a um nível de análise muito mais exigente. Isso diz bastante sobre o ponto a que a Changan chegou.

Artur Semedo
Editor de Veículos | Jornalista Especializado em Produto e Engenharia Automóvel
Com mais de 15 anos de experiência em ensaios a automóveis em Portugal e no Brasil, alia a prática de centenas de testes à formação técnica da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, através de diversos cursos e atualizações em áreas como combustíveis, motores de combustão, baterias, sistemas híbridos e veículos elétricos, proporcionando uma análise aprofundada do comportamento, engenharia e tecnologia de cada automóvel.
FICHA TÉCNICA — CHANGAN DEEPAL S05 MAX RWD
Característica | Deepal S05 Max RWD |
Tipo | SUV 100% elétrico, 5 portas, 5 lugares |
Tração | Traseira (RWD) |
Motor | Síncrono de ímanes permanentes (PMSM) |
Potência máxima | 200 kW / 272 cv |
Binário máximo | 290 Nm |
0–100 km/h | 7,5 s |
Velocidade máxima | 180 km/h |
Bateria | LFP |
Capacidade anunciada | 68,8 kWh |
Arquitetura elétrica | 400 V |
Autonomia WLTP | 485 km |
Consumo oficial | 16,0 kWh/100 km em Portugal (15,9 em especificação europeia) |
Consumo real Publiracing | 16,7 kWh/100 km |
Carregamento AC | 11 kW |
Carregamento DC máximo | até 200 kW numa janela inicial de SOC |
Potência indicada 10–80% | 168 kW |
DC 10–80% | 23 minutos |
DC 30–80% | 15 minutos |
V2L | Sim, até 6 kW |
Bomba de calor | Sim |
Comprimento | 4.580 mm — ficha Portugal |
Largura | 1.900 mm |
Altura | 1.600 mm |
Distância entre eixos | 2.880 mm |
Peso em vazio | aprox. 1.940 kg |
Bagageira traseira | 492 litros |
Bagageira com bancos rebatidos | 1.250 litros |
Frunk | 159 litros |
Capacidade de reboque | 1.600 kg |
Jantes Max | 20 polegadas |
Pneus | Continental 245/45 R20 |
Suspensão dianteira | McPherson |
Suspensão traseira | Independente multilink |
Travões dianteiros | Discos ventilados |
Travões traseiros | Discos |
Direção | Elétrica, assistência variável com a velocidade |
Ecrã central | 15,4", 2.5K, inclinável até 15° |
Processador | Qualcomm 8155 |
Instrumentação | AR Head-Up Display, sem painel convencional |
Conectividade | Apple CarPlay e Android Auto sem fios, Bluetooth, navegação online, OTA, controlo por voz |
Sistema de áudio | 14 altifalantes |
Carregamento smartphone | Wireless 50 W |
Airbags | 7 na contagem convencional, incluindo central dianteiro |
Euro NCAP | 5 estrelas — protocolo 2025 |
Proteção adultos | 94% |
Proteção crianças | 87% |
Utilizadores vulneráveis | 78% |
Safety Assist | 76% |
Principais ADAS | IACC, stop-and-go, AEB, FCW, manutenção na faixa, assistência em congestionamento, ângulo morto, assistência à mudança de faixa, alerta de colisão traseira, RCTA/RCTB, aviso de abertura de porta, monitorização do condutor e limitador inteligente |
Câmara | 360° com visualização transparente do chassis |
Garantia veículo | 7 anos / 160.000 km |
Garantia bateria | 8 anos / 200.000 km |
Preço RWD Pro | 36.990 € |
Preço RWD Max ensaiado | 39.990 € |
Preço AWD Max | 42.990 € |

Pontos-Chave para Avaliação de Veículos
Motorização e Desempenho
Potência, binário, aceleração, resposta em diferentes cenários (cidade, estrada, ultrapassagens).
Consumo / Eficiência Energética
Média de consumo (l/100 km) ou eficiência elétrica (kWh/100 km).
Autonomia
Fundamental em elétricos e híbridos plug-in, mas também importante em combustão (tamanho do tanque, consumo real).
Conforto e Ergonomia
Qualidade dos bancos, espaço interno, nível de ruído, suspensão, facilidade de acesso e posição de condução.
Tecnologia e Conectividade
Infotainment, integração com smartphone, atualizações OTA, assistentes virtuais, personalização digital.
Segurança
Sistemas ADAS (travagem automática, ACC, manutenção de faixa, monitorização de fadiga), número de airbags, estrutura e testes de colisão.
Travagem e Estabilidade
Qualidade dos travões, distância de travagem, comportamento em curvas, controle de tração e estabilidade.
Espaço e Funcionalidade
Porta-malas, espaço para ocupantes, modularidade dos bancos, porta-objetos e usabilidade no dia a dia.
Design e Acabamento
Estilo exterior, qualidade de materiais no interior, atenção ao detalhe e percepção de valor.
Custo-Benefício
Preço em relação ao que oferece, garantia, custo de manutenção, valor de revenda.
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