Teste: Leapmotor B10 com 218 cv, equipamento completo e um preço que desafia o mercado

Com 218 cv, tração traseira, bateria de 67,1 kWh e um habitáculo onde a tecnologia e o conforto têm grande peso, o Leapmotor B10 Design ProMax chegou ao mercado português no final de 2025 com argumentos sólidos. No nosso ensaio, registámos um consumo médio de 17,8 kWh/100 km. Analisámos a engenharia, o espaço interior, a segurança, a eficiência e a relação entre preço e produto de um SUV elétrico que vem conquistando clientes num dos segmentos mais competitivos da Europa.
A chegada de novos fabricantes ao mercado europeu está a mudar a forma como avaliamos o posicionamento dos automóveis elétricos. Há poucos anos, um SUV com mais de 200 cv, bateria superior a 60 kWh, tração traseira, suspensão independente nas quatro rodas e uma dotação tecnológica abrangente implicava, em regra, um investimento considerável. Hoje, marcas como a Leapmotor procuram alterar essa realidade e obrigam os fabricantes estabelecidos a rever a relação entre equipamento, tecnologia e preço.
O B10 é um passo importante nesta estratégia. Posicionado abaixo do C10, procura espaço entre os SUV elétricos compactos e familiares, numa categoria onde o consumidor europeu tem uma oferta cada vez mais diversificada. Não basta um preço competitivo: é preciso oferecer habitabilidade, autonomia, segurança, qualidade de construção e uma experiência de condução à altura das exigências diárias de uma família.
A Leapmotor conta com uma estrutura comercial europeia assente na Leapmotor International, empresa constituída em parceria com a Stellantis. Esta ligação é relevante para a distribuição, a assistência e a expansão comercial, mas não faz do B10 um modelo de engenharia Stellantis nem implica o uso de uma das plataformas STLA do grupo. A arquitetura do automóvel é da própria Leapmotor, embora o desenvolvimento e a afinação do chassis tenham contado com colaboração técnica anunciada entre as duas organizações.
A unidade analisada pela Publiracing é a Design ProMax, a mais completa da gama B10 apresentada em Portugal, que junta o nível superior de equipamento à bateria de maior capacidade. É nesta versão que melhor se avalia até que ponto um preço competitivo pode coexistir com um interior bem equipado e uma arquitetura mecânica tecnicamente consistente.

Design exterior: proporções familiares e uma identidade visual sem excessos
O Leapmotor B10 segue uma linguagem visual discreta, com superfícies limpas, volumes arredondados e uma dianteira onde a ausência de grelha convencional reforça a identidade elétrica. Os grupos óticos estreitos dão-lhe uma imagem moderna e as linhas horizontais acentuam a largura da carroçaria. Não há aqui a agressividade estilística de alguns concorrentes, com entradas de ar exageradas, vincos muito marcados ou elementos decorativos que sugerem uma desportividade que a mecânica nem sempre confirma.
A abordagem parece-nos adequada ao posicionamento do modelo. O B10 não pretende ser um SUV desportivo, mas um familiar contemporâneo, com dimensões equilibradas e uma imagem suficientemente distinta para afirmar a marca. O perfil lateral procura transmitir robustez através da altura da carroçaria e da relação entre a superfície envidraçada e os painéis exteriores, e a assinatura luminosa horizontal na traseira reforça a perceção de largura e aproxima o desenho das tendências do segmento.
Com 4.515 mm de comprimento, 1.885 mm de largura, 1.655 mm de altura e 2.735 mm de distância entre eixos, o B10 situa-se no centro do segmento dos C-SUV. O comprimento concilia habitabilidade familiar com uma utilização urbana ainda razoável, embora a largura, próxima dos 1,89 metros sem retrovisores, exija atenção em alguns cenários urbanos bem tipicamente portugueses.
A distância entre eixos é um dos elementos mais relevantes do projeto: os 2,735 metros aproveitam melhor o comprimento da carroçaria, criam espaço para os ocupantes e reduzem as limitações dos automóveis desenvolvidos originalmente para motores de combustão. A distância ao solo, anunciada em cerca de 180 mm, chega para lombas, rampas e acessos irregulares, mas não faz do B10 um veículo para fora de estrada.
As jantes de liga leve de 18 polegadas são uma boa escolha. Num mercado onde o tamanho das rodas é muitas vezes um argumento visual, a Leapmotor mantém uma medida que equilibra apresentação, conforto e eficiência, e um pneu de perfil menos reduzido tende a absorver melhor as irregularidades, trazer melhores resultados no consumo e a custar menos a substituir.
O conjunto transmite uma imagem atual, mas sem grande exuberância, e isso não nos parece um problema.

Interior: o Design ProMax acrescenta conforto a uma proposta fortemente digital
É no interior que o B10 Design ProMax mostra alguns dos seus argumentos mais evidentes. O habitáculo segue uma filosofia minimalista, com linhas horizontais, um tablier simples, uma consola central flutuante e praticamente ausência de comandos convencionais. O objetivo é criar um ambiente limpo, com forte presença tecnológica e uma sensação de amplitude reforçada pela plataforma elétrica.
A versão Design acrescenta revestimentos em pele sintética e acabamentos específicos que elevam a perceção de qualidade. A escolha dos materiais, a consistência das uniões entre painéis, a resistência dos revestimentos nas zonas de contacto frequente e a facilidade de limpeza são aspetos importantes num automóvel familiar. A apresentação pode impressionar ao primeiro contacto, mas a qualidade de um habitáculo mede-se também pela forma como envelhece ao fim de milhares de quilómetros, pela ausência de ruídos parasitas e pela resistência dos comandos ao uso diário.
À frente do condutor está um ecrã digital de 8,8 polegadas com as informações essenciais: velocidade, autonomia, estado de carga da bateria, consumos e indicações dos sistemas de assistência. Ter um quadro independente é uma vantagem face a alguns elétricos que concentram toda a instrumentação no ecrã central, porque permite consultar os dados fundamentais com menos movimento dos olhos.
Ao centro do tablier destaca-se o ecrã multimédia tátil de 14,6 polegadas, com resolução 2,5K, o principal elemento tecnológico do habitáculo. O sistema LEAP OS 4.0 Plus concentra a navegação, o entretenimento, as definições de condução, a climatização e numerosas configurações do automóvel. A interface tem uma apresentação gráfica moderna e permite personalizar algumas funções, enquanto as atualizações remotas de software procuram mantê-lo atualizado ao longo da vida do veículo.

A conectividade também tem peso. A integração com dispositivos móveis e a gestão de funções do automóvel através de uma aplicação respondem a expectativas cada vez mais comuns nos utilizadores de elétricos.
Um dos elementos mais interessantes do habitáculo é o tejadilho panorâmico de vidro, com cerca de 1,8 m² e cortina de ocultação elétrica. A área envidraçada aumenta a luminosidade e dá uma sensação de espaço agradável na segunda fila, e a cortina é importante em Portugal, onde a exposição solar intensa pode aumentar muito a temperatura interior.
No Design ProMax há ainda bancos dianteiros com regulação elétrica, aquecimento e ventilação, uma diferença relevante face às configurações de entrada. A ventilação é especialmente útil nos meses quentes, e o aquecimento melhora o conforto no inverno sem depender apenas da climatização geral. O volante aquecido acrescenta outra função útil, sobretudo em percursos curtos com temperaturas baixas.
A dotação inclui também iluminação ambiente e um sistema de som com 12 altifalantes. A abertura elétrica da bagageira pode parecer secundária na ficha técnica, mas revela-se conveniente quando transportamos compras, bagagem ou objetos volumosos. É esta combinação de funcionalidades que justifica a escolha da versão Design para quem valoriza uma experiência mais completa.
A ergonomia merece, porém, uma apreciação crítica. Concentrar muitas funções no ecrã central reduz o número de comandos e deixa o tablier visualmente limpo, mas nem sempre facilita a utilização. Ajustar certos parâmetros através de menus exige mais atenção do que usar botões físicos bem identificados. A qualidade de uma interface não se mede apenas pela resolução do ecrã ou pela rapidez do processador, mas também pelo número de operações necessárias para executar uma tarefa enquanto se conduz.
É um tema que temos vindo a valorizar nos nossos ensaios. A digitalização trouxe vantagens evidentes em navegação, conectividade, personalização e atualização de funcionalidades, mas a eliminação indiscriminada de comandos físicos pode ser um retrocesso na interação entre condutor e veículo. No B10, esta filosofia minimalista deve ser avaliada pela facilidade de acesso às funções mais usadas e pela possibilidade de as executar sem desviar demasiado a atenção da estrada.

A habitabilidade é outro argumento. Os 2,735 metros entre eixos dão bom espaço longitudinal e a configuração elétrica favorece um piso praticamente plano. Os ocupantes traseiros dispõem de uma área para as pernas adequada a uma utilização familiar, e a ausência de um túnel central volumoso facilita a acomodação de um terceiro passageiro. Três adultos continuam, claro, limitados pela largura da carroçaria, pelo que o lugar central será mais confortável em percursos curtos.
A altura para a cabeça, a posição do banco traseiro e o acesso pelas portas também contam para um resultado muito positivo na avaliação ao interior que conta ainda, como já comentado, com o tejadilho panorâmico reforçando a sensação de amplitude.
A bagageira tem 430 litros e chega aos 1.700 litros com os bancos traseiros rebatidos. Há ainda um compartimento dianteiro de 25 litros, útil para os cabos de carregamento ou pequenos objetos. O volume principal não é uma referência no segmento, mas a configuração da área de carga e a possibilidade de a ampliar rebatendo os bancos dão a versatilidade necessária para viagens e para o dia a dia.
O interior do B10 Design ProMax procura, assim, oferecer bastante equipamento pelo preço pedido, e, sem dúvida, consegue esse objetivo já que não falta praticamente nada do que, não muito tempo atrás, só encontrávamos em veiculos de segmentos bem superiores.

Engenharia e motorização: 218 cv e uma arquitetura de tração traseira
O B10 Design ProMax utiliza um motor elétrico síncrono de ímanes permanentes no eixo traseiro, com 160 kW (218 cv) e 240 Nm. A transmissão tem relação fixa e a tração é exclusivamente traseira, uma configuração que se destaca num segmento onde ainda abundam as propostas com tração dianteira.
Com o motor atrás, as funções de direção e propulsão ficam separadas: as rodas dianteiras orientam o automóvel e as traseiras transmitem o binário ao piso. Isto reduz as interferências da tração na direção e favorece a motricidade durante a aceleração, quando há transferência dinâmica de carga para o eixo traseiro.
Não significa que todos os automóveis de tração traseira sejam mais desportivos ou mais eficientes. A eficácia do conjunto depende de tantos outros fatores como a geometria da suspensão, os pneus, a distribuição de massas, a calibração da direção e os sistemas de estabilidade e tração que auxiliam o condutor. No B10, a arquitetura parece escolhida sobretudo para equilibrar o conforto com a estabilidade e o resultado técnico é bem interesssante e adequado à proposta.
A plataforma elétrica LEAP3.5 integra os principais componentes de propulsão e eletrónica numa arquitetura específica. A bateria fica sob o piso, o que baixa o centro de gravidade face a uma configuração convencional.
A suspensão dianteira é independente do tipo MacPherson e o eixo traseiro é multibraços. Esta última solução é elogiável porque permite mais ajustes e num SUV elétrico com quase 1,85 toneladas, a afinação do eixo traseiro é importante tanto para o conforto como para a estabilidade em curva.

A marca anuncia uma distribuição de massas próxima de 50:50 e refere que ouve colaboração técnica com a engenharia europeia na afinação do chassis. Estes dados ajudam a perceber as intenções, e por isso foi com particular interesse que sentimos a rigidez das molas, do amortecimento, da geometria da suspensão e dos pneus, ficando evidente a qualidade do conjunto, a afinação com foco no conforto, mas sem deixar de demostrar eficácia e estabilidade em curva.
O B10 Design ProMax usa pneus 225/50 R18 à frente e 235/50 R18 atrás. A maior largura traseira é coerente com a presença do motor e da tração nesse eixo, e a medida dianteira pode favorecer um compromisso entre resistência ao rolamento, precisão de direção e conforto.
A aceleração dos 0 aos 100 km/h é anunciada em 8,0 segundos, com velocidade máxima de 170 km/h. Não são números exuberantes no universo dos elétricos, mas chegam para a utilização familiar, incluindo ultrapassagens e recuperações em estrada. A entrega imediata de binário facilita a resposta ao acelerador a velocidades baixas e intermédias, sem reduções de caixa nem mudanças de regime e a afinação da relação motor e pedal é aquilo que se espera de uma proposta familiar, com entrega suave e progressiva de potência, beneficiando também a economia de energia.
Com 1.845 kg anunciados, nesta versão o modelo está dentro do esperado para um SUV elétrico desta dimensão e capacidade de bateria, o que trás consequências inevitáveis: influencia a energia necessária para acelerar, a transferência de carga em curva, o esforço e, com isso, o desgaste dos pneus. A recuperação de energia ainda aproveita parte da energia cinética nas desacelerações e poupa os nossos travões.

Comportamento dinâmico: o equilíbrio deve prevalecer sobre a procura de desportividade
Num SUV elétrico familiar, a qualidade da condução não se avalia apenas pela aceleração ou pela potência máxima. O controlo dos movimentos da carroçaria pela suspensão, a progressividade da direção, a resposta dos travões e o isolamento acústico pesam muito mais no dia a dia do que algumas décimas de segundo nos 0 aos 100 km/h.
O motor de 218 cv oferece uma relação entre potência e massa adequada ao posicionamento do automóvel. Em cidade, a resposta imediata do sistema elétrico permite arrancar e acompanhar o trânsito sem esforço aparente. Em estrada, a ausência de interrupções na entrega de potência favorece a fluidez, e a velocidade máxima de 170 km/h mostra que a prioridade não foi criar um SUV de altas prestações.
Os modos de condução alteram a resposta do acelerador e algumas características da assistência da direção e o B10 ainda entrega discos ventilados à frente e discos atrás com recuperação elétrica de energia.

A recuperação de energia é uma vantagem na circulação urbana, onde as desacelerações frequentes devolvem parte da energia à bateria. Mas a condução eficiente depende sobretudo da antecipação do trânsito e da gestão da velocidade: a regeneração recupera apenas parte da energia gasta a acelerar, pelo que evitar desacelerações desnecessárias pode compensar mais do que recorrer a níveis elevados de recuperação quando, particularmente, circulamos em estrada.
O conforto acústico é outro capítulo relevante. A ausência de motor de combustão elimina uma fonte importante de vibrações e ruído, mas torna mais percetíveis os sons dos pneus, da suspensão e do ar em torno da carroçaria. Em autoestrada, a qualidade dos vedantes, do isolamento e do desenho aerodinâmico ganha peso e para o território em que o B10 busca seu espaço, ele está bem resolvido.
Os pneus de 18 polegadas são uma escolha equilibrada para um familiar: a maior altura de flanco, face a pneus de perfil muito baixo, favorece a absorção das pequenas irregularidades e reduz a vulnerabilidade das jantes a impactos, e, como já referimos, o conforto final é também resultado, não só da afinação da suspensão, como também desse componente tão importante que são os pneus e suas características.
Com 1,655 metros de altura e cerca de 1.845 kg, o B10 continua sujeito a movimentos de carroçaria e transferências de carga que exigem calibração cuidada. A bateria baixa ajuda a reduzir o centro de gravidade, mas não elimina os efeitos da massa nas mudanças rápidas de direção. Do ponto de vista da engenharia, o conjunto apresenta soluções adequadas à utilização familiar e onde o conforto é o principal requisito.

Bateria, autonomia e eficiência: 17,8 kWh/100 km registados pela Publiracing
O B10 na versão testada tem uma bateria de 67,1 kWh de fosfato de ferro-lítio, habitualmente designada LFP. Esta tecnologia ganha terreno na indústria pelo custo competitivo, pela estabilidade térmica e pela durabilidade elevada, quando acompanhada por uma boa gestão eletrónica e térmica.
O LFP dispensa níquel e cobalto no cátodo, mas tem densidade energética inferior à de algumas baterias NMC, o que pode obrigar a um conjunto mais volumoso ou pesado para armazenar a mesma energia. Em contrapartida, o custo e a resistência ao envelhecimento em certas condições de utilização são argumentos fortes para veículos de grande volume.
A Leapmotor anuncia uma autonomia combinada WLTP de 434 km para o B10 ProMax e um consumo homologado de 17,3 kWh/100 km. No ensaio da Publiracing, a média foi de 17,8 kWh/100 km, apenas 0,5 kWh/100 km acima do valor oficial, ou seja, cerca de 2,9% a mais.
A proximidade entre os valores é positiva, mas não garante que o automóvel reproduza sempre o consumo homologado: a eficiência de um elétrico é mais sensível a fatores como o tipo de condução, a velocidade, a temperatura exterior, o relevo, a climatização, a carga transportada e o tipo de percurso.
Em cidade, a recuperação de energia nas desacelerações favorece consumos relativamente baixos, sobretudo quando o condutor antecipa o trânsito e evita acelerações desnecessárias. Em autoestrada, pelo contrário, a resistência aerodinâmica ganha peso e o consumo sobe com a velocidade. A diferença entre circular a 100 km/h e a 120 ou 130 km/h pode ser considerável num SUV com carroçaria relativamente alta.
O consumo médio de 17,8 kWh/100 km dá uma autonomia teórica de cerca de 377 km, com base nos 67,1 kWh anunciados para a bateria. Este cálculo não corresponde a uma autonomia efetivamente percorrida entre 100% e 0%: a capacidade anunciada não está identificada como energia integralmente utilizável e o sistema de gestão da bateria define limites de proteção. É apenas uma projeção matemática, podendo ser superior ou inferior.

Carregamento: até 168 kW em corrente contínua e 11 kW em corrente alternada
A capacidade de carregamento é outro dos argumentos técnicos do nosso B10 . A bateria de 67,1 kWh admite uma potência máxima anunciada de 168 kW em corrente contínua, e o carregador de bordo suporta até 11 kW em corrente alternada. A marca anuncia cerca de 19 minutos para recuperar energia entre 30% e 80% num posto rápido compatível.
Os valores devem ser bem interpretados. Os 168 kW são um pico e não significam que a bateria receba essa potência durante toda a sessão, já que a curva de carregamento depende do estado de carga, da temperatura da bateria, da gestão térmica e da potência efetivamente disponibilizada pelo posto.
Em corrente alternada, os 11 kW exigem uma instalação trifásica adequada, seja numa wallbox doméstica ou num posto público AC. Numa habitação com alimentação monofásica, o utilizador poderá não conseguir aproveitar os 11 kW anunciados.
A versão testada inclui ainda a funcionalidade Vehicle-to-Load (V2L), que permite usar a energia da bateria para alimentar equipamentos externos compatíveis, útil em atividades ao ar livre ou quando não há tomada convencional disponível.
Segurança: cinco estrelas Euro NCAP e resultados muito positivos na proteção dos ocupantes
A segurança é uma das áreas em que o B10 apresenta argumentos objetivos para sustentar a sua posição no mercado europeu. O modelo foi avaliado pelo Euro NCAP em 2025 e obteve cinco estrelas, com 93% na proteção dos ocupantes adultos, 93% na proteção das crianças, 84% na proteção dos utilizadores vulneráveis da estrada e 85% nos sistemas de assistência à segurança, segundo os critérios em vigor em 2025.
A avaliação foi feita com um B10 Design de volante à esquerda e a classificação aplica-se à gama abrangida pelo relatório, o que permite relacionar os resultados da entidade independente com a versão de acabamento superior que analisámos.
Na proteção dos adultos, o Euro NCAP verificou que o habitáculo permaneceu estável no ensaio frontal descentrado, com boa proteção dos joelhos e fémures do condutor e do passageiro dianteiro. Nos impactos laterais, contra barreira e contra poste, o automóvel obteve a pontuação máxima, com boa proteção das regiões críticas do corpo. A proteção contra lesões cervicais em colisões traseiras também foi positiva.
Na proteção infantil, um resultado importante num SUV familiar, os ensaios com manequins de seis e dez anos mostraram boa proteção nos impactos frontais e laterais. O automóvel tem fixações adequadas para sistemas de retenção infantil e permite desativar o airbag do passageiro dianteiro para instalar uma cadeira homologada virada para trás.
O B10 dispõe de sete airbags: frontais, laterais dianteiros, de cortina e um central entre os ocupantes da frente, que reduz o risco de contacto entre condutor e passageiro em certas colisões laterais. A estrutura usa aços de elevada resistência, e os sistemas de retenção trabalham em conjunto com a deformação programada da carroçaria para controlar as forças transmitidas aos ocupantes.
Na proteção de peões e ciclistas, o B10 alcançou 84%, um desempenho globalmente positivo, embora a avaliação tenha identificado limitações em determinados cenários. Uma classificação elevada não significa que os sistemas evitem todos os acidentes ou identifiquem corretamente todos os obstáculos.
A segurança ativa inclui 17 funcionalidades de assistência à condução, entre as quais travagem automática de emergência, controlo de velocidade de cruzeiro adaptativo, assistência à manutenção na faixa, aviso de saída involuntária da via, monitorização do ângulo morto, alerta de tráfego transversal traseiro e sistemas de acompanhamento da atenção do condutor. A câmara de 360 graus é especialmente útil nas manobras, dada a largura da carroçaria.

A avaliação dos ADAS deve, contudo, ir além da contagem de funções. A qualidade de um sistema depende de reconhecer corretamente o ambiente, intervir de forma proporcional e comunicar com o condutor sem avisos desnecessários, e sistemas demasiado intrusivos que levam, muitas vezes, o utilizador a desativá-los, o que reduz a sua eficácia.
Os 85% atribuídos pelo Euro NCAP à assistência à segurança confirmam um desempenho consistente nos cenários avaliados e as cinco estrelas são um argumento importante para a Leapmotor.
Preço e concorrência: a versão Design ProMax reforça o argumento do equipamento
O B10 Design ProMax posiciona-se num dos segmentos mais disputados do mercado europeu. Entre os concorrentes a considerar estão, entre muitos outros, MG S5 EV, o BYD Atto 3, o Kia EV3, o Hyundai Kauai Electric ou o Škoda Elroq, embora haja diferenças relevantes nas dimensões, na arquitetura de tração, na capacidade das baterias, nas prestações e até mesmo no equipamento oferecido por cada uma destas propostas.
A estratégia comercial da Leapmotor explora essas diferenças. Em vez de oferecer apenas um preço de entrada reduzido, a marca apresenta um SUV de 4,5 metros com 218 cv, tração traseira, suspensão traseira multibraços e um habitáculo que, no acabamento Design, inclui equipamentos de conforto habitualmente associados a segmentos superiores.
Na tabela oficial no momento do nosso teste, o B10 Design ProMax tinha um preço recomendado de 32.785 euros, sem despesas de legalização e transporte. Este valor é o preço de referência e não confirma o preço comercial atualmente praticado, já que a marca tem apresentado campanhas promocionais.

O que podemos dizer é que a diferença de 1.500 euros face ao Life ProMax merece uma análise particular. A motorização, a capacidade da bateria e a autonomia homologada são as mesmas, mas o Design acrescenta equipamentos com impacto direto no conforto: revestimentos em pele sintética, bancos dianteiros com regulação elétrica, aquecimento e ventilação, volante aquecido, iluminação ambiente, sistema de som com 12 altifalantes e abertura elétrica da bagageira.
Esta diferença de equipamento é um dos argumentos mais fortes da versão ensaiada. Não se trata de justificar o preço superior com elementos decorativos, mas com funcionalidades que melhoram a utilização diária e a experiência dos ocupantes.
O preço de aquisição é, no entanto, só uma parte do custo total de propriedade. O seguro, a substituição de pneus, a manutenção regular e preventiva, as condições de garantia, a disponibilidade de peças e a evolução do valor residual pesam também, sobretudo numa marca ainda em consolidação no mercado português.
A parceria comercial com a Stellantis oferece uma estrutura de distribuição e assistência que pode reforçar a confiança dos consumidores. Ainda assim, a experiência efetiva de pós-venda, os prazos de reparação e a disponibilidade de componentes terão de ser avaliados com o tempo: uma rede estabelecida é uma vantagem, mas não garante, por si só, que todos os processos de assistência funcionem com a mesma rapidez e eficácia.
A desvalorização também merece atenção. O mercado de elétricos continua sujeito a alterações rápidas de preços, evolução tecnológica e lançamento frequente de novos modelos, e num fabricante recente a formação de um mercado de usados consistente depende da reputação, onde entram a fiabilidade demonstrada e a confiança dos compradores na continuidade do suporte técnico.
É neste contexto que o B10 Design ProMax deve ser comparado com os concorrentes. O equipamento é extenso e a relação entre preço, potência e dimensões é competitiva, mas a decisão de compra deve ter em conta a qualidade global do produto e a previsibilidade dos custos ao longo de vários anos de propriedade.

RESUMO FINAL — Um SUV elétrico que procura convencer pelo conjunto
O Leapmotor B10 Design ProMax é uma proposta interessante num mercado em que o preço continua a ser um dos principais obstáculos à adoção dos elétricos. A marca chinesa reuniu num SUV de dimensões familiares soluções técnicas, equipamento e tecnologia que, até há pouco tempo, seriam difíceis de encontrar neste escalão de preço.
Os 218 cv, a tração traseira e a suspensão independente nas quatro rodas mostram que o projeto não foi desenvolvido apenas para reduzir custos. A arquitetura mecânica é tecnicamente consistente, e a bateria de 67,1 kWh permite anunciar 434 km de autonomia homologada.
A eficiência é um dos resultados mais relevantes do ensaio. A média de 17,8 kWh/100 km registada pela Publiracing ficou apenas 2,9% acima do consumo combinado WLTP, uma diferença pequena, que consideramos positiva tendo em conta as dimensões, a potência e a massa do automóvel. Não significa que o B10 reproduza sempre esta média, mas dá uma referência concreta das suas necessidades energéticas e qualidade técnica.
O interior é outro dos argumentos fortes da versão Design ProMax. O painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas, o ecrã multimédia de 14,6 polegadas, o tejadilho panorâmico com cortina elétrica, os bancos dianteiros aquecidos e ventilados, o volante aquecido e o sistema de som com 12 altifalantes formam uma dotação abrangente. A habitabilidade beneficia da plataforma elétrica, e a bagageira de 430 litros responde às exigências de uma utilização familiar.
A dependência do ecrã central para muitas funções é, em contrapartida, um aspeto a considerar. A modernidade tecnológica não deve comprometer a facilidade de utilização, sobretudo num automóvel que quer conquistar consumidores com hábitos e expectativas muito diferentes. A visão de um interior totalmente limpo de botões, pode não ser agradável para muitos condutores.
Na segurança, as cinco estrelas Euro NCAP obtidas em 2025, com 93% na proteção de adultos e de crianças, mostram um desempenho consistente em termos credibilidade técnica, e os sete airbags e o conjunto abrangente de assistências reforçam esta componente.
Há, naturalmente, questões que só o tempo esclarecerá: a fiabilidade a longo prazo, a qualidade da assistência pós-venda, a disponibilidade de peças, a evolução do software e a desvalorização após a chegada no mercado de usados.
Artur Semedo
Editor de Veículos | Jornalista Especializado em Produto e Engenharia Automóvel
Com mais de 16 anos de experiência em ensaios a automóveis em Portugal e no Brasil, alia a prática de centenas de testes à formação técnica da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, através de diversos cursos e atualizações em áreas como combustíveis, motores de combustão, baterias, sistemas híbridos e veículos elétricos, proporcionando uma análise aprofundada do comportamento, engenharia e tecnologia de cada automóvel.
Ficha técnica — Leapmotor B10 Design ProMax
Característica | Especificação |
Segmento | SUV elétrico do segmento C |
Plataforma | LEAP3.5 |
Motorização | 100% elétrica |
Motor | Síncrono de ímanes permanentes |
Número de motores | 1 |
Localização do motor | Eixo traseiro |
Tração | Traseira (RWD) |
Potência máxima | 160 kW / 218 cv |
Binário máximo | 240 Nm |
Transmissão | Relação fixa |
Aceleração 0–100 km/h | 8,0 segundos |
Velocidade máxima | 170 km/h |
Química da bateria | LFP |
Capacidade anunciada da bateria | 67,1 kWh |
Autonomia WLTP | 434 km |
Consumo combinado WLTP | 17,3 kWh/100 km |
Consumo médio Publiracing | 17,8 kWh/100 km |
Autonomia calculada com o consumo Publiracing | Cerca de 377 km, projeção sobre a capacidade anunciada |
Carregamento AC | Até 11 kW |
Carregamento DC | Até 168 kW |
Carregamento rápido 30–80% | Aproximadamente 19 minutos, segundo a marca |
Função V2L | Sim |
Suspensão dianteira | Independente MacPherson |
Suspensão traseira | Independente multibraços |
Travões dianteiros | Discos ventilados |
Travões traseiros | Discos |
Jantes | Liga leve de 18 polegadas |
Pneus dianteiros | 225/50 R18 |
Pneus traseiros | 235/50 R18 |
Comprimento | 4.515 mm |
Largura sem retrovisores | 1.885 mm |
Altura | 1.655 mm |
Distância entre eixos | 2.735 mm |
Altura livre ao solo | 180 mm |
Peso anunciado | 1.845 kg |
Lotação | 5 ocupantes |
Bagageira | 430 litros |
Bagageira com bancos rebatidos | Até 1.700 litros |
Compartimento dianteiro | 25 litros |
Quadro de instrumentos | Digital, 8,8 polegadas |
Ecrã multimédia | Tátil, 14,6 polegadas, resolução 2,5K |
Sistema operativo | LEAP OS 4.0 Plus |
Tejadilho panorâmico | Aproximadamente 1,8 m², com cortina elétrica |
Bancos dianteiros | Regulação elétrica, aquecimento e ventilação |
Volante | Aquecido |
Sistema de som | 12 altifalantes |
Iluminação ambiente | Sim |
Abertura elétrica da bagageira | Sim |
Airbags | 7 |
Euro NCAP | 5 estrelas, 2025 |
Proteção de adultos | 93% |
Proteção de crianças | 93% |
Utilizadores vulneráveis | 84% |
Assistência à segurança | 85% |
Preço Design ProMax no momento do teste | 32.785 €, sem DLTP |

Pontos-Chave para Avaliação de Veículos
Motorização e Desempenho
Potência, binário, aceleração, resposta em diferentes cenários (cidade, estrada, ultrapassagens).
Consumo / Eficiência Energética
Média de consumo (l/100 km) ou eficiência elétrica (kWh/100 km).
Autonomia
Fundamental em elétricos e híbridos plug-in, mas também importante em combustão (tamanho do tanque, consumo real).
Conforto e Ergonomia
Qualidade dos bancos, espaço interno, nível de ruído, suspensão, facilidade de acesso e posição de condução.
Tecnologia e Conectividade
Infotainment, integração com smartphone, atualizações OTA, assistentes virtuais, personalização digital.
Segurança
Sistemas ADAS (travagem automática, ACC, manutenção de faixa, monitorização de fadiga), número de airbags, estrutura e testes de colisão.
Travagem e Estabilidade
Qualidade dos travões, distância de travagem, comportamento em curvas, controle de tração e estabilidade.
Espaço e Funcionalidade
Porta-malas, espaço para ocupantes, modularidade dos bancos, porta-objetos e usabilidade no dia a dia.
Design e Acabamento
Estilo exterior, qualidade de materiais no interior, atenção ao detalhe e percepção de valor.
Custo-Benefício
Preço em relação ao que oferece, garantia, custo de manutenção, valor de revenda.
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