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Teste: Peugeot E-2008 GT, será que um dos SUV mais vendidos em Portugal continua competitivo na versão elétrica?

há 4 minutos
18 min de leitura
Teste: Peugeot E-2008 GT, será que um dos SUV mais vendidos em Portugal continua competitivo na versão elétrica?

O Peugeot 2008 mantém-se como um dos automóveis mais importantes do mercado português e continua a liderar as vendas acumuladas em 2026. Na versão 100% elétrica E-2008 GT, a proposta combina um motor de 156 cv, tração dianteira, bateria de 54 kWh e o conhecido habitáculo i-Cockpit. No ensaio da Publiracing, registámos um consumo médio de 16,8 kWh/100 km. Neste ensaio mostramos se a versão elétrica conserva as qualidades que fizeram do 2008 um sucesso comercial e se oferece autonomia, conforto e competitividade suficientes perante uma concorrência cada vez mais carregada de argumentos.


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O Peugeot 2008 ocupa uma posição singular no mercado português. Não é apenas mais um SUV compacto entre dezenas de propostas: é um dos modelos que melhor traduzem a preferência dos consumidores nacionais por automóveis com posição de condução elevada, dimensões contidas e versatilidade para uso familiar. A presença continuada nos primeiros lugares das tabelas de vendas mostra a sua importância comercial, mas também aumenta a exigência sobre cada motorização.


Com o E-2008, a Peugeot procura transportar essa fórmula para a mobilidade elétrica, mantendo a carroçaria, a organização interior e a identidade visual do 2008 e substituindo a propulsão convencional por um conjunto inteiramente elétrico. O consumidor pode assim escolher a tecnologia sem abandonar o modelo de que gosta, ainda que isso imponha os compromissos próprios de uma plataforma concebida para várias motorizações.


A unidade ensaiada é o E-2008 GT com motor de 156 cv e bateria de 54 kWh, a configuração elétrica mais potente da gama tradicional do modelo. O acabamento GT acrescenta uma apresentação exterior e interior mais elaborada, reforçando a imagem de um SUV que quer combinar uso quotidiano com identidade visual distintiva.


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O Peugeot 2008 continua a liderar as vendas, mas perde algum terreno em 2026

A relevância comercial do 2008 ajuda a perceber a importância da versão elétrica na estratégia da marca. Em 2025, o modelo vendeu 7.463 unidades em Portugal, o Peugeot mais procurado no mercado nacional. No mesmo ano, a marca comercializou 21.664 ligeiros de passageiros e manteve a liderança do mercado.


Os números de 2026 mostram, contudo, que a liderança não dispensa pressão concorrencial. Segundo a análise da Publiracing aos dados da ACAP, entre janeiro e agosto o 2008 registou 5.442 matrículas, contra 5.748 no período homólogo de 2025, uma redução de 5,3%. Mesmo assim, manteve o primeiro lugar entre os ligeiros de passageiros mais vendidos, com 3,21% de quota de mercado.


Estes valores dizem respeito ao 2008 no conjunto das motorizações, e não apenas ao E-2008.

O contexto da eletrificação é, ainda assim, relevante. Em 2025, a Peugeot anunciou 4.742 veículos 100% elétricos comercializados em Portugal, entre ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros, um crescimento de 138% face ao ano anterior. Num mercado em que os elétricos já representavam 23,2% das matrículas de ligeiros de passageiros novos em 2025, a eletrificação deixou de ser residual, e o E-2008 compete agora com uma oferta crescente de elétricos desenvolvidos de raiz para esta tecnologia.


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Design exterior: identidade Peugeot e proporções de um SUV compacto

O E-2008 GT conserva uma das características que mais contribuíram para o reconhecimento do modelo: uma identidade visual forte, com superfícies bem definidas, elementos luminosos próprios e uma carroçaria que transmite robustez sem dimensões excessivas.


A dianteira exibe a assinatura luminosa de três elementos verticais, inspirada na linguagem que a Peugeot tem vindo a desenvolver nos modelos mais recentes. A grelha integra-se no desenho frontal e os grupos óticos estreitos dão-lhe uma expressão mais determinada. Na versão elétrica, as diferenças exteriores face às restantes motorizações são discretas, por opção de manter uma identidade comum a toda a gama.


Já o acabamento GT acrescenta elementos exteriores específicos, jantes de liga leve e detalhes que o distinguem das versões de entrada. Privilegia a perceção de qualidade e a diferenciação estética, sem tornar o 2008 verdadeiramente desportivo.


Com 4.304 mm de comprimento e 1.815 mm de largura sem retrovisores, o E-2008 tem dimensões adequadas ao uso urbano frequente. O comprimento inferior a 4,31 metros facilita o estacionamento face a SUV familiares maiores, e a altura da carroçaria permite uma posição de condução elevada e acessos confortáveis.


O perfil lateral mantém uma linha de cintura elevada, cavas de roda pronunciadas e uma superfície envidraçada que equilibra luminosidade interior e identidade estética. A traseira tem grupos óticos horizontais, que reforçam a largura aparente, e uma tampa da bagageira de desenho vertical, favorável ao aproveitamento do espaço.


O E-2008 mantém uma identidade exterior suficientemente própria para se distinguir num segmento onde muitos SUV adotam proporções e soluções semelhantes. O desenho não esconde as origens do modelo nem apresenta a versão elétrica como um automóvel diferente, o que reforça a continuidade dentro da gama. É o mesmo 2008, só que 100% elétrico.


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Interior e ergonomia: o i-Cockpit continua a ser uma das características mais distintivas da Peugeot

O habitáculo do E-2008 GT mantém uma identidade muito própria, construída em torno do i-Cockpit. Em vez de se ler os instrumentos por cima do aro do volante, como na organização convencional, a Peugeot usa um volante pequeno e coloca o painel de instrumentos numa posição mais elevada do tablier, para que a informação seja consultada por cima do volante, sem baixar o olhar.


É uma solução que divide opiniões, e a sua eficácia depende muito da posição de condução e da constituição física de cada utilizador. A altura do banco, a posição longitudinal do volante e a forma de segurar a direção influenciam a visibilidade dos instrumentos. Por isso, recomendamos que qualquer potencial comprador experimente a posição de condução antes de decidir: o i-Cockpit é agradável para uns e menos intuitivo para outros. Para nós, de estatura média, é uma eficiente e agradável solução, que fica no meio caminho entre um painel de instrumentos e um Head-up display.


Na versão GT, o painel de instrumentos digital i-Cockpit 3D de 10 polegadas apresenta a informação em diferentes planos, dando-lhe profundidade. A velocidade, os dados energéticos, a autonomia e as indicações dos sistemas de assistência podem ser organizados de várias formas. A personalização é útil, mas a legibilidade deve sobrepor-se ao efeito visual.


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O ecrã multimédia central, também de 10 polegadas e em alta definição, integra o sistema Peugeot i-Connect e gere o entretenimento, a conectividade e algumas configurações do automóvel. Consoante o equipamento e os serviços associados, a gama pode incluir navegação conectada, reconhecimento de voz e integração de smartphones por Apple CarPlay e Android Auto.


Uma particularidade do interior são os comandos de acesso rápido sob o ecrã, incluindo as teclas de estilo piano, que distinguem o habitáculo das propostas que concentram quase todas as funções num único ecrã tátil. Parte das operações continua, ainda assim, a depender de menus digitais.


O acabamento GT traz materiais de diferentes texturas, aplicações decorativas e pespontos contrastantes. A arquitetura do tablier, com volumes sobrepostos e linhas angulares, cria um ambiente envolvente e diferente da tendência minimalista de muitos fabricantes de elétricos.


A perceção de qualidade depende da combinação entre apresentação e execução, e isso a Peugeot faz muito bem. As superfícies superiores do tablier, as zonas de contacto frequente, a consistência das uniões entre painéis e o funcionamento dos comandos deixam antecipar um modelo de tranquilidade estrutural para seu proprietário, mesmo neste segmento mais popular. Num automóvel de uso diário, contam também a resistência dos revestimentos ao desgaste e a facilidade de limpeza.


O volante compacto é o elemento mais característico do i-Cockpit. As dimensões reduzidas podem dar uma sensação de resposta mais imediata, mas não alteram a relação de direção nem a precisão do eixo dianteiro, que resultam da geometria, da assistência elétrica, da afinação do chassis e dos pneus.


A posição de condução elevada corresponde ao que se espera de um SUV: boa perspetiva sobre o trânsito e dimensões exteriores contidas, que facilitam a circulação urbana. A visibilidade traseira e nas manobras depende também dos pilares, da superfície envidraçada e dos sensores ou câmaras de estacionamento.


O E-2008 GT não tem Head-Up Display convencional. A Peugeot usa o painel de instrumentos elevado como alternativa conceptual à projeção no para-brisas, mas um quadro digital em posição alta não é tecnicamente equivalente a um verdadeiro Head-Up Display, mas como já referido, é para nós uma solução muito interessante.


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Habitabilidade e bagageira: versatilidade sem alterações radicais face às versões térmicas

A plataforma multienergética do E-2008 preserva grande parte da arquitetura interior das versões a gasolina e híbridas. É uma vantagem para quem valoriza a continuidade entre motorizações, mas revela os limites de uma estrutura que não foi concebida exclusivamente para elétricos.


A distância entre eixos, de cerca de 2,60 metros, condiciona o espaço longitudinal, sobretudo face a elétricos desenvolvidos em plataformas dedicadas, com entre-eixos mais generosos. Ainda assim, o E-2008 oferece habitabilidade adequada a quatro adultos, e o quinto lugar será condicionado pela posição central.


Na segunda fila, a posição dos joelhos face aos bancos dianteiros, o espaço para os pés e a altura para a cabeça são os fatores determinantes. A posição elevada da carroçaria facilita o acesso, mas a bateria sob o piso exige uma gestão cuidada da ergonomia, e a altura do piso pode influenciar o apoio das coxas e o conforto em viagens longas.


Com 1.815 mm de largura exterior, o E-2008 não oferece a habitabilidade transversal de um SUV de segmento superior. A utilização frequente de três lugares traseiros, sobretudo com cadeiras infantis volumosas, deve ser verificada antes da compra.


A bagageira anuncia 434 litros e chega aos 1.467 litros com os bancos traseiros rebatidos, segundo a Peugeot Portugal. São valores interessantes para um SUV compacto e mostram que a eletrificação não elimina a versatilidade de carga, um dos argumentos centrais da família 2008. Dependendo da configuração, o piso ajustável ajuda a organizar a carga e a acomodar os cabos de carregamento. Na utilização real, a regularidade da área de carga, a altura da soleira e a facilidade de rebater os bancos pesam mais do que o volume anunciado, mantendo a versatilidade do 2008.


Ao contrário de alguns elétricos de plataforma dedicada, o E-2008 não tem compartimento dianteiro de arrumação, pelo que os cabos de carregamento ficam na bagageira.


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Engenharia e motorização: 156 cv e uma plataforma desenvolvida para diferentes tecnologias

O E-2008 GT usa a arquitetura e-CMP, uma evolução eletrificada da plataforma modular CMP, concebida para integrar motorizações de combustão e elétricas na mesma família de veículos.


A solução tem vantagens industriais evidentes: permite partilhar componentes estruturais, processos de produção e elementos de carroçaria, reduzindo a complexidade de fabrico. Em contrapartida, uma plataforma multienergética não dá a mesma liberdade de conceção que uma arquitetura exclusivamente elétrica, sobretudo no posicionamento dos componentes, no aproveitamento do espaço e na distribuição de massas.


O motor elétrico síncrono de ímanes permanentes está no eixo dianteiro e desenvolve 115 kW (156 cv) e 280 Nm. A transmissão é de relação fixa e a tração é exclusivamente dianteira. A potência é superior à da anterior motorização de 136 cv, e o binário subiu de 260 para 280 Nm, para melhorar a resposta e as prestações sem prejudicar a eficiência.


O binário chega às rodas dianteiras através de um redutor, sem caixa de várias relações. A entrega de força é contínua e sem interrupções, o que favorece a suavidade, sobretudo em cidade e nas recuperações a velocidades intermédias.


A aceleração dos 0 aos 100 km/h demora 9,1 segundos e a velocidade máxima está limitada a 150 km/h. Apesar da designação GT, o E-2008 não foi pensado para prestações desportivas: privilegia o uso quotidiano, a progressividade e a eficiência.


A suspensão dianteira é independente do tipo MacPherson e o eixo traseiro é semi-independente, de torção. É uma arquitetura comum nos SUV compactos, que controla custos, peso e ocupação de espaço. Não tem a liberdade geométrica de uma suspensão multibraços, mas pode dar bons resultados com uma boa afinação de molas, amortecedores e casquilhos, como é o caso do ajuste conseguido pela engenharia da Peugeot.


A bateria na zona inferior da carroçaria baixa o centro de gravidade face a um SUV de combustão, mas a eletrificação aumenta o peso total e exige mais da suspensão, dos pneus e dos travões. A documentação técnica portuguesa indica uma tara de cerca de 1.663 kg, valor de homologação que pode variar com o equipamento. É uma massa significativa para um automóvel com pouco mais de 4,3 metros, embora comum entre os SUV elétricos compactos.


O sistema de travagem combina discos ventilados à frente com discos atrás e recuperação elétrica de energia. A gestão entre travagem regenerativa e por fricção é decisiva para uma resposta previsível do pedal, sobretudo nas manobras e em cidade.


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Comportamento dinâmico: o GT privilegia a utilização quotidiana

O E-2008 GT deve ser analisado pela sua verdadeira proposta. Apesar do acabamento GT, não é um SUV desportivo, mas um elétrico pensado para combinar conforto, facilidade de condução e prestações adequadas ao dia a dia.


Os 156 cv chegam para cidade, estrada e autoestrada, e a disponibilidade imediata dos 280 Nm permite acelerar sem gerir regimes ou relações de caixa, o que facilita a condução.

Os modos Eco, Normal e Sport adaptam a resposta da propulsão às prioridades do condutor: o Eco limita a potência pedida e otimiza o consumo, o Sport privilegia uma resposta mais imediata ao acelerador e o Normal é a configuração intermédia.


A direção de assistência elétrica, combinada com o volante compacto, pode dar uma sensação de agilidade em cidade. Convém, porém, distinguir a rapidez percebida dos movimentos do volante da precisão efetiva do eixo dianteiro, que depende da geometria, dos pneus e da afinação do chassis.


O eixo traseiro de torção não determina, por si só, um conforto fraco: o resultado depende da rigidez das molas, da calibração dos amortecedores e da capacidade de controlar a carroçaria sem transmitir impactos excessivos aos ocupantes, e como já referido, entrega um resultado bem equilibrado entre conforto e estabilidade, algo que sempre encontramos nos modelos da marca.


O isolamento acústico também conta para a boa nota que demos no final. A ausência de ruído de combustão favorece a suavidade, mas torna mais audíveis os sons dos pneus, da suspensão e do ar em deslocamento, e em autoestrada o isolamento pesa tanto na perceção de conforto como a afinação da suspensão, e, mais uma vez, temos que reiterar o bom trabalho de acabamento de todo o habitáculo.


A recuperação de energia pode ser reforçada na posição B da transmissão, que intensifica a desaceleração quando se retira o pé do acelerador. É útil em cidade e em percursos com desacelerações frequentes, mas não é um sistema de condução com um só pedal até à imobilização em todas as circunstâncias.


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Bateria e autonomia: o consumo Publiracing permite avaliar a eficiência real

O E-2008 GT usa uma bateria de iões de lítio com 54 kWh de capacidade total anunciada, dos quais 48,1 kWh são utilizáveis, segundo a documentação técnica portuguesa. A diferença corresponde à margem de proteção reservada pelo sistema de gestão da bateria, para preservar a sua durabilidade, e é a capacidade útil que serve de base ao cálculo da autonomia a partir do consumo.


A Peugeot anunciou inicialmente uma autonomia combinada WLTP de até 406 km para a motorização de 156 cv, mas o configurador português consultado indica atualmente até 398 km para a versão GT. A diferença pode resultar de atualizações de homologação ou da combinação de equipamento, jantes e pneus, e o valor aplicável à unidade ensaiada é o do respetivo certificado de conformidade.


Mais do que a autonomia anunciada, num elétrico interessa saber quanta energia é necessária para percorrer 100 km e como esse consumo se relaciona com as dimensões, o peso, a aerodinâmica e a propulsão. No ensaio da Publiracing, o E-2008 GT registou uma média de 16,8 kWh/100 km, um resultado coerente com um SUV compacto de tração dianteira, 156 cv e mais de 1,6 toneladas.


Com os 48,1 kWh úteis e esta média, a autonomia teórica é de cerca de 286 km e que agora, relembramos, inclui 200 km de autoestrada. Não é uma distância efetivamente percorrida entre 100% e 0%, e fica abaixo dos valores WLTP, o que não é uma anomalia: o WLTP é um ciclo normalizado, enquanto a utilização real inclui velocidades mais altas, climatização, condições meteorológicas variáveis e percursos menos favoráveis.


Também não seria rigoroso dizer que o E-2008 só faz 286 km em qualquer circunstância. Em cidade e nos arredores, com temperaturas moderadas e condução antecipativa, o consumo pode ser menor. Mas, em autoestrada, sobretudo a velocidades elevadas ou com frio, a autonomia pode cair bastante.


A média da Publiracing mostra que o E-2008 GT tem necessidades energéticas compatíveis com a sua dimensão e potência, mas também que a capacidade útil da bateria é um limite para quem faz viagens longas com frequência. Já existem SUV elétricos compactos com baterias maiores e autonomias homologadas superiores, e este fator pode pesar na decisão de compra.


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Carregamento: 100 kW em corrente contínua e até 11 kW em corrente alternada

O E-2008 GT aceita carregamento rápido em corrente contínua com potência máxima anunciada de 100 kW. A Peugeot indicou cerca de 30 minutos para recuperar a carga entre 20% e 80%, em condições adequadas e com infraestrutura compatível.


Em corrente alternada, a configuração de referência tem um carregador de bordo monofásico de 7,4 kW, com a possibilidade de um trifásico de 11 kW, consoante a especificação e o equipamento contratado. A potência efetiva depende da instalação elétrica e do posto.


Com carregamento doméstico, o E-2008 é prático: uma instalação adequada repõe durante a noite a energia gasta nas deslocações diárias e reduz a necessidade de postos públicos rápidos (e mais caros). Em viagens longas, com uma bateria útil relativamente contida, exige mais planeamento e carregamentos mais frequentes do que concorrentes com baterias maiores, e a duração da viagem depende também da localização dos postos, da sua disponibilidade e da potência realmente fornecida.


A Peugeot anuncia para a bateria uma garantia de oito anos ou 160.000 km, com a manutenção de uma capacidade mínima prevista contratualmente, habitualmente 70%. Convém distingui-la de programas comerciais de cobertura alargada, como o Peugeot Care, que têm condições próprias de elegibilidade e manutenção.


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Segurança: uma avaliação Euro NCAP de 2019 que exige contextualização

O Peugeot 2008 foi avaliado pelo Euro NCAP em 2019, antes da atualização estética e tecnológica que deu origem à configuração atualmente comercializada. A entidade publicou avaliações distintas para as versões com equipamento de série e com o pacote opcional Safety Pack.


Com o Safety Pack, o 2008 obteve cinco estrelas, com 93% na proteção de adultos, 84% na proteção de crianças, 73% na proteção de utilizadores vulneráveis da estrada e 73% na assistência à segurança. A avaliação foi feita com um 2008 Allure 1.2 PureTech 130 equipado com o pacote opcional, e não com a versão elétrica GT agora analisada. Trata-se de resultados históricos, obtidos segundo o protocolo de 2019, e não de uma nova avaliação independente do E-2008 GT.


A classificação de cinco estrelas não deve, por isso, ser apresentada como obtida segundo os critérios de 2026, nem como se todos os equipamentos avaliados estivessem instalados na unidade ensaiada.


No entanto, o relatório de 2019 destacou a estabilidade do habitáculo no impacto frontal descentrado e a boa proteção de várias regiões do corpo dos ocupantes. Nos impactos laterais, os resultados foram globalmente positivos, com limitações em algumas medições. Na proteção infantil, o desempenho foi favorável em vários cenários, mas o ensaio registou uma avaliação desfavorável da proteção do tórax do manequim de dez anos num dos impactos laterais.


O E-2008 tem airbags frontais, laterais dianteiros e de cortina, na configuração habitual da gama. Entre as tecnologias de assistência disponíveis estão a travagem automática de emergência, o reconhecimento de sinais de trânsito, o aviso e a assistência à manutenção na faixa, a monitorização da atenção do condutor e os sistemas de apoio ao estacionamento. Funções mais avançadas, como o controlo de velocidade de cruzeiro adaptativo ou a assistência de condução combinada, dependem da versão e de packs específicos.


Na utilização familiar, contam os pontos ISOFIX nos lugares traseiros exteriores e a possibilidade de instalar sistemas de retenção infantil.


A avaliação de 2019 mostra que a plataforma do 2008 teve um desempenho competitivo à data do ensaio, mas os protocolos evoluíram, e hoje as classificações incorporam exigências mais abrangentes em prevenção de acidentes, monitorização do condutor e proteção em diferentes cenários de colisão.


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Preço e concorrência: um mercado que mudou mais depressa do que o E-2008

O E-2008 GT enfrenta hoje uma concorrência muito mais diversificada do que a que existia quando a segunda geração do modelo chegou ao mercado. O crescimento da oferta elétrica trouxe novos fabricantes, plataformas dedicadas, baterias maiores e propostas comerciais cada vez mais agressivas.


Entre os concorrentes a considerar estão o Kia EV3, o Hyundai Kauai Electric, o Jeep Avenger Electric, o Opel Mokka Electric, o MG4 Electric e o Renault 4 E-Tech elétrico. A comparação exige cautela, porque nem todos pertencem à mesma categoria dimensional, têm o mesmo tipo de carroçaria ou oferecem equipamento equivalente. O MG4, por exemplo, está mais próximo de um compacto tradicional, e o Kia EV3 usa uma arquitetura elétrica própria e oferece maior autonomia em algumas versões.


O argumento do E-2008 está na identidade visual, no i-Cockpit e na versatilidade de um SUV compacto já consolidado em Portugal. O EV3 destaca-se pela plataforma desenvolvida para eletrificação e pelas versões com bateria maior, o Kona Electric concorre diretamente no uso familiar com diferentes capacidades de bateria, e o Renault 4 E-Tech aposta numa interpretação mais funcional do SUV compacto, com atenção ao quotidiano e à versatilidade interior.


Quando a versão de 156 cv foi lançada em Portugal, em 2023, a Peugeot anunciou 44.440 euros para o acabamento GT, um valor que refletia a realidade comercial dos elétricos nessa altura. Desde então, a concorrência intensificou-se e os preços mudaram bastante. O preço completo da versão GT Plus ensaiada tem um valor aproximado de €43,710.00, no entanto campanhas e outros incentivos podem reduzir este preço.


O E-2008 GT tem a seu favor uma identidade interior própria, uma rede comercial estabelecida, uma carroçaria de dimensões adequadas ao mercado português e um conjunto mecânico competente para a maioria das utilizações. Enfrenta, porém, concorrentes que podem oferecer mais autonomia, carregamento mais rápido, mais espaço interior ou preços inferiores, conforme a configuração.


A decisão deve partir da utilização predominante. Para deslocações diárias e carregamento doméstico, a bateria do E-2008 pode chegar. Para quem faz viagens longas em autoestrada com frequência, ganham peso a autonomia efetiva e a frequência das paragens.


O custo total de utilização também conta: pneus, garantia, manutenção programada, seguros, disponibilidade de peças e desvalorização. A Peugeot tem uma presença consolidada em Portugal, mas isso não dispensa a comparação de propostas concretas.


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RESUMO FINAL — Um elétrico competente, mas pressionado pela evolução da concorrência

O E-2008 GT continua a apresentar argumentos relevantes num segmento onde a concorrência cresce em número e diversidade. A sua principal qualidade está na combinação de dimensões compactas, versatilidade familiar, identidade visual forte e um habitáculo que se distingue pelo i-Cockpit.


A versão de 156 cv oferece prestações adequadas ao uso quotidiano, com entrega de binário imediata e transmissão simples. Apesar da designação GT, não pretende ser um SUV desportivo, mas oferecer uma condução progressiva e compatível com diferentes tipos de percurso.


A média de 16,8 kWh/100 km registada pela Publiracing é coerente com as dimensões, a massa e a potência do automóvel, mas mostra também o peso da capacidade útil da bateria. Com 48,1 kWh utilizáveis, a autonomia calculada a partir da nossa média ronda os 286 km, um valor que pede planeamento em viagens mais longas.


O interior continua a ser dos elementos mais característicos do modelo. O quadro digital 3D de 10 polegadas, o ecrã multimédia da mesma dimensão e o volante compacto criam uma experiência diferente da da maioria dos concorrentes. Pode agradar a quem valoriza uma posição de condução envolvente, mas deve ser experimentada antes da compra, porque a visibilidade dos instrumentos depende da posição do condutor.


A habitabilidade e a bagageira de 434 litros respondem a uma utilização familiar, embora a plataforma multienergética não aproveite todas as vantagens de uma arquitetura exclusivamente elétrica. A ausência de compartimento dianteiro e a distância entre eixos relativamente contida ilustram alguns desses compromissos.


Na segurança, os resultados históricos do Euro NCAP são relevantes, mas devem ser lidos com rigor: as cinco estrelas com Safety Pack foram obtidas em 2019 e já expiraram, pelo que não constituem uma avaliação atual segundo os protocolos de 2026.


As vendas mostram que o 2008 continua a ser um produto comercialmente importante. Apesar da redução de 5,3% nas matrículas acumuladas até agosto de 2026, mantém a liderança do mercado, um resultado que reflete a força do modelo no conjunto das motorizações e não permite apurar a evolução da versão elétrica.


Na nossa avaliação, o E-2008 GT é uma proposta válida para quem procura um SUV elétrico compacto, com identidade própria e dimensões adequadas ao quotidiano. A questão decisiva está na relação entre preço, autonomia e equipamento, sobretudo perante concorrentes mais recentes, com baterias maiores e uma utilização elétrica menos condicionada em viagem. Com carregamento regular e percursos sobretudo urbanos e suburbanos, oferece uma combinação equilibrada; para uso intensivo em autoestrada, a capacidade da bateria e a potência de carregamento pedem mais ponderação.


O E-2008 GT mostra que a Peugeot soube adaptar um modelo de sucesso à eletrificação. O desafio agora é continuar a oferecer argumentos suficientes num mercado em que a tecnologia aumenta e os preços descem muito depressa.

Artur Semedo

Editor de Veículos | Jornalista Especializado em Produto e Engenharia Automóvel


Com mais de 16 anos de experiência em ensaios a automóveis em Portugal e no Brasil, alia a prática de centenas de testes à formação técnica da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, através de diversos cursos e atualizações em áreas como combustíveis, motores de combustão, baterias, sistemas híbridos e veículos elétricos, proporcionando uma análise aprofundada do comportamento, engenharia e tecnologia de cada automóvel.


Ficha técnica — Peugeot E-2008 GT 156 cv

Característica

Especificação

Segmento

SUV compacto, segmento B

Plataforma

e-CMP

Motorização

100% elétrica

Motor

Síncrono de ímanes permanentes

Número de motores

1

Localização do motor

Eixo dianteiro

Tração

Dianteira

Potência máxima

115 kW / 156 cv

Binário máximo

280 Nm

Transmissão

Redutor de relação fixa

Aceleração 0–100 km/h

9,1 segundos

Velocidade máxima

150 km/h

Tecnologia da bateria

Iões de lítio

Capacidade total

54 kWh

Capacidade útil

48,1 kWh

Autonomia WLTP

Até 406 km na homologação inicial; até 398 km na referência atual consultada

Consumo médio Publiracing

16,8 kWh/100 km

Autonomia teórica calculada

Aproximadamente 286 km

Carregamento DC

Até 100 kW

Tempo de carregamento rápido

Cerca de 30 minutos, dos 20% aos 80%, segundo referência da marca

Carregador AC de série

7,4 kW

Carregador AC opcional

11 kW

Suspensão dianteira

Independente MacPherson

Suspensão traseira

Eixo de torção

Travões dianteiros

Discos ventilados

Travões traseiros

Discos

Comprimento

4.304 mm

Largura sem retrovisores

1.815 mm

Altura

1.523–1.550 mm, consoante configuração

Distância entre eixos

Aproximadamente 2.605 mm

Tara de referência

Aproximadamente 1.663 kg

Lotação

5 ocupantes

Bagageira

434 litros

Bagageira com bancos rebatidos

Até 1.467 litros

Quadro de instrumentos

Peugeot i-Cockpit 3D, 10 polegadas

Ecrã multimédia

Tátil HD, 10 polegadas

Tejadilho panorâmico

Não

Euro NCAP

Avaliação histórica de 2019, expirada em 2026

Euro NCAP com Safety Pack

5 estrelas

Proteção de adultos

93%

Proteção de crianças

84%

Utilizadores vulneráveis

73%

Assistência à segurança

73%

Garantia da bateria

8 anos ou 160.000 km, segundo condições contratuais

Preço final da unidade Publiracing

43.710 €


Pontos-Chave para Avaliação de Veículos

  1. Motorização e Desempenho

    Potência, binário, aceleração, resposta em diferentes cenários (cidade, estrada, ultrapassagens).

  2. Consumo / Eficiência Energética

    Média de consumo (l/100 km) ou eficiência elétrica (kWh/100 km).

  3. Autonomia

    Fundamental em elétricos e híbridos plug-in, mas também importante em combustão (tamanho do tanque, consumo real).

  4. Conforto e Ergonomia

    Qualidade dos bancos, espaço interno, nível de ruído, suspensão, facilidade de acesso e posição de condução.

  5. Tecnologia e Conectividade

    Infotainment, integração com smartphone, atualizações OTA, assistentes virtuais, personalização digital.

  6. Segurança

    Sistemas ADAS (travagem automática, ACC, manutenção de faixa, monitorização de fadiga), número de airbags, estrutura e testes de colisão.

  7. Travagem e Estabilidade

    Qualidade dos travões, distância de travagem, comportamento em curvas, controle de tração e estabilidade.

  8. Espaço e Funcionalidade

    Porta-malas, espaço para ocupantes, modularidade dos bancos, porta-objetos e usabilidade no dia a dia.

  9. Design e Acabamento

    Estilo exterior, qualidade de materiais no interior, atenção ao detalhe e percepção de valor.

  10. Custo-Benefício

    Preço em relação ao que oferece, garantia, custo de manutenção, valor de revenda.


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OMODA & JAECOO EM PORTUGAL: UMA MARCA, DUAS IDENTIDADES | ENTREVISTA A PEDRO ALVES

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