
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
14 de fev.










Relatório da ACEA revela evolução positiva nas vendas globais, mas alerta para riscos geopolíticos, queda nas exportações e dificuldades na transição energética do setor.
O setor automóvel registou um crescimento moderado em 2025, com as vendas globais a aumentarem 3,5% para 77,6 milhões de unidades, segundo o relatório anual da ACEA. A evolução foi impulsionada sobretudo pela China, que cresceu 5,5% graças a incentivos governamentais e políticas de apoio aos veículos eletrificados, enquanto a Europa registou uma subida mais contida de 1,4% e a América do Norte avançou apenas 1%, refletindo um contexto económico mais incerto.
No plano económico, a União Europeia apresentou um desempenho acima das expectativas, com o PIB a crescer 1,5% em 2025 e previsões de estabilidade para os próximos anos. Ainda assim, o relatório aponta riscos relevantes, nomeadamente as tensões no Médio Oriente, que poderão afetar a evolução macroeconómica e a estabilidade do setor automóvel.
A produção global de automóveis aumentou 4,2%, atingindo 78,7 milhões de unidades, com a Ásia a reforçar a sua liderança ao concentrar mais de 62% do total. A Europa manteve uma participação de 14,6%, mas enfrentou limitações decorrentes dos elevados custos energéticos e do impacto de tarifas comerciais. A China destacou-se novamente, com um crescimento de produção de 10,4%, reforçando a sua posição como principal polo industrial automóvel.
No mercado europeu, a produção continua concentrada em poucos países, com a Alemanha a liderar com 21% dos veículos vendidos na União Europeia, seguida por Espanha, República Checa, França e Eslováquia. Apesar disso, os fabricantes europeus ainda asseguram cerca de 73% do mercado interno, embora a presença de veículos produzidos na China tenha aumentado para 7%, evidenciando a crescente competitividade das marcas asiáticas.
O comércio externo revelou-se um dos pontos mais frágeis do setor. As exportações europeias caíram 6,2% e as importações recuaram 3,2%, reduzindo o excedente comercial para 76 mil milhões de euros. A relação com a China tornou-se particularmente desequilibrada, com as exportações da União Europeia a caírem 43%, enquanto as importações chinesas ultrapassaram, pela primeira vez, um milhão de unidades. Também as exportações para os Estados Unidos recuaram 21,4%, influenciadas por tarifas, enquanto a Turquia se destacou com um crescimento de 27,9%.
No segmento de veículos comerciais, o ano foi mais desafiante. As vendas de furgões e camiões caíram 8,8% e 6,2%, respetivamente, refletindo dificuldades na renovação de frotas e na transição para tecnologias de zero emissões. Apenas o segmento de autocarros registou crescimento, com uma subida de 7,5%. Em termos de produção, a Europa voltou a perder terreno, especialmente no Reino Unido, onde a produção de comerciais ligeiros caiu drasticamente.
O relatório da ACEA evidencia assim um setor em transformação, com crescimento moderado mas pressionado por fatores externos, concorrência internacional crescente e desafios estruturais ligados à transição energética e à competitividade global da indústria europeia.
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