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Editorial: Radares ou Escolas? O erro de achar que a GNR resolve o que a educação falhou

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    Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Editorial: Radares ou Escolas? O erro de achar que a GNR resolve o que a educação falhou

Portugal assiste, com uma mistura de nostalgia e sensação de "mais do mesmo", ao ressurgimento da Unidade Nacional de Trânsito da GNR. Num país onde os indicadores de sinistralidade voltaram a tingir-se de vermelho, a resposta estatal foca-se, uma vez mais, na bota cardada e no radar à espreita. Mas será que o regresso de uma elite de fiscalização é a solução para um problema que nasce, não no pé direito, mas na base da nossa formação cívica?


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A segurança rodoviária em Portugal parece condenada a um ciclo vicioso de estatísticas negras e reações pontuais. A notícia do retorno da Unidade de Trânsito da GNR é apresentada como o "remédio santo" para travar o aumento de mortes nas nossas estradas, e que mais uma vez foram o destaque na Páscoa, mas, a meu ver, não passa de um penso rápido sobre uma ferida profunda que a burocracia insiste em não querer curar. Estamos, novamente, a investir no final da linha — na punição — ignorando o mais básico dos sinais, que o comportamento ao volante é o espelho exato da educação que recebemos em casa e na escola.


Olhemos para os exemplos de sucesso. Países como a Suécia, com a sua "Vision Zero", ou a Holanda, não conseguiram baixar a sinistralidade apenas com multas mais pesadas ou polícias em cada esquina. Conseguiram-no porque entenderam que a segurança rodoviária é uma disciplina que se aprende antes de se saber ler.


Nestas geografias, a criança aprende a partilhar o espaço público (incluindo estradas) no jardim de infância. Mais importante: ela cresce a observar pais que respeitam a passadeira, que usam o pisca-pisca por civismo e não por medo da coima, e que entendem que o automóvel é uma ferramenta de mobilidade, não uma extensão do ego. Em Portugal, permitimo-nos o luxo de ser "educadores de má memória": gritamos com o condutor ao lado à frente dos nossos filhos e depois estranhamos que, aos 18 anos, eles vejam a estrada como um campo de batalha.


É aqui que o debate entra num terreno fértil em outros mitos: a velocidade. O discurso oficial português continua agarrado à ideia simplista de que "a velocidade mata". No entanto, os factos científicos e o exemplo internacional desmentem esta ditadura do radar.


Um exemplo claro, as Autobahnen alemãs, em muitos dos seus troços, continuam a não ter limite de velocidade e apresentam taxas de sinistralidade drasticamente inferiores às nossas estradas nacionais limitadas a 90 km/h. Porquê? Porque o problema não é a velocidade, mas a adequação da mesma, o estado das infraestruturas e, acima de tudo, a disciplina de condução. Na Alemanha, o respeito pela faixa da direita como local onde devemos estar, deixando a da esquerda para quem quer ir mais rápido, e a distância de segurança são dogmas religiosos. Em Portugal, a velocidade é usada como o "bode expiatório" perfeito para ocultar estradas mal desenhadas, uma sinalização caótica e um parque automóvel envelhecido.


Editorial: Radares ou Escolas? O erro de achar que a GNR resolve o que a educação falhou

A repressão que a nova Unidade de Trânsito promete trazer pode, de facto, baixar os números temporariamente pelo efeito do medo. Mas o medo não educa; e não muda hábitos, já que não é consciência. Mais burocracia e mais cartas com pontos no limite não mudam a mentalidade de um povo. O que muda a sinistralidade é uma visão de longo prazo. Precisamos que o código da estrada entre nas escolas como uma disciplina de cidadania. Precisamos que as escolas de condução deixem de ensinar a "passar no exame" para passarem a ensinar a "dominar a máquina". O que se vê de condutores totalmente inaptos e sem a menor noção do que suas ações implicam é algo tão rotineiro que andar na estrada virou um desafio.


O regresso da Unidade de Trânsito é a admissão de um fracasso: o fracasso de um país que não soube educar as suas gerações para o respeito mútuo. Enquanto olharmos para a segurança rodoviária como uma fonte de receita fiscal ou uma questão de policiamento ostensivo, continuaremos a contar mortos. A verdadeira Unidade de Trânsito de que Portugal precisa não conduz motas de alta cilindrada; ela senta-se à mesa do jantar, dando o exemplo aos filhos, e entra nas salas de aula para explicar que a liberdade de conduzir termina onde começa o direito do outro de chegar vivo a casa. Menos radares, mais educação. Menos burocracia, mais exemplo. Esse é o único caminho que continuamos a ignorar.


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