
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.










O Festival de Velocidade de Goodwood foi o palco escolhido pela Alpine para a estreia dinâmica mundial do A110 FUTURE, o protótipo que antecipa a terceira geração do emblemático desportivo francês. Mais do que uma demonstração pública, a marca revelou pela primeira vez detalhes da nova Alpine Performance Platform, uma arquitetura desenvolvida especificamente para veículos desportivos elétricos e concebida para preservar as características que fizeram do A110 uma referência em leveza e agilidade.
A Alpine apresentou oficialmente o A110 FUTURE durante a edição de 2026 do Festival de Velocidade de Goodwood, assinalando a primeira demonstração dinâmica, em público, do protótipo que servirá de base à próxima geração do A110. O modelo percorreu a tradicional rampa britânica conduzido por Pierre Gasly, piloto da equipa BWT Alpine de Fórmula 1, acompanhado pelo Duque de Richmond, fundador do evento, numa apresentação que simboliza o início de uma nova fase para a marca francesa.
Embora ainda se trate de um protótipo de desenvolvimento, o A110 FUTURE representa um passo importante na estratégia de eletrificação da Alpine. A futura terceira geração do A110 abandonará definitivamente a motorização de combustão, tornando-se o primeiro desportivo totalmente elétrico desenvolvido de raiz pela marca, procurando manter os princípios que caracterizaram todas as gerações do modelo: baixo peso, elevada agilidade e forte envolvimento do condutor.
O principal destaque técnico da apresentação foi a divulgação de novos detalhes da Alpine Performance Platform (APP), uma arquitetura modular concebida especificamente para automóveis desportivos elétricos.
Ao contrário de plataformas adaptadas a partir de modelos generalistas, a APP foi desenhada para permitir diferentes configurações de carroçaria e de motorização a partir da mesma base técnica, oferecendo flexibilidade para futuros modelos da marca.
No caso do A110 FUTURE, a plataforma suporta um coupé de dois lugares, mantendo uma altura semelhante à do atual A110 e uma posição de condução particularmente baixa, considerada um dos elementos fundamentais da experiência de condução do modelo.
Uma das soluções técnicas mais relevantes prende-se com a arquitetura das baterias.
Em vez de recorrer a um único conjunto instalado sob o piso, como acontece na maioria dos automóveis elétricos atuais, a Alpine optou por dividir o sistema em dois módulos distintos, posicionados na dianteira e na traseira do veículo.
Segundo a marca, esta solução permite manter um centro de gravidade reduzido, preservar as proporções compactas do habitáculo e garantir uma distribuição de massas mais próxima da filosofia do atual A110.
O sistema elétrico utiliza uma arquitetura de 800 volts, recorrendo à tecnologia cell-to-pack, em que as células são integradas diretamente na estrutura da bateria para aumentar a densidade energética e a rigidez estrutural.
A distribuição energética foi igualmente otimizada, com cerca de 25% da capacidade instalada na frente e 75% na traseira, contribuindo para um comportamento mais equilibrado em condução desportiva.
O novo sistema de propulsão adota uma configuração de dois motores elétricos montados no eixo traseiro, desenvolvidos para funcionar até 21.500 rpm.
Estes motores trabalham em conjunto com a segunda geração do sistema Alpine Active Torque Vectoring, capaz de distribuir instantaneamente o binário entre as rodas traseiras de forma totalmente independente.
O objetivo passa por reduzir fenómenos de subviragem durante a entrada em curva e melhorar a motricidade à saída, através de uma gestão extremamente rápida da entrega de potência.
O sistema integra ainda funções como o Wheel Slip Torque Control, responsável por controlar a transferência de massas durante acelerações e desacelerações, bem como uma gestão integrada da travagem, direção, bateria e sistema térmico.
A Alpine refere que toda esta eletrónica foi concebida para funcionar tanto em versões de tração traseira (RWD) como de tração integral (AWD), permitindo diferentes configurações futuras da plataforma.
Outro dos aspetos revelados diz respeito ao processo de desenvolvimento do novo A110.
Grande parte da afinação dinâmica do automóvel está a ser realizada através do simulador DiM250 Driver-in-the-Loop, instalado no centro técnico da Alpine.
O equipamento reproduz um habitáculo completo do atual A110 e utiliza uma plataforma móvel de seis eixos, combinada com um ecrã panorâmico de nove metros, permitindo simular praticamente todas as condições de condução.
Segundo a Alpine, esta metodologia permitiu já realizar o equivalente a mais de 45.000 quilómetros de desenvolvimento virtual, reduzindo significativamente o recurso a protótipos físicos e acelerando o desenvolvimento do chassis, da suspensão, dos pneus e do sistema de propulsão.

A participação da Alpine em Goodwood foi também a maior de sempre da marca no evento britânico.
Além do A110 FUTURE, os visitantes puderam acompanhar diferentes gerações do A110, os atuais A110, A290 e A390, bem como modelos históricos ligados à competição.
Entre eles destacou-se o Alpine A442B, vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1978, e o monolugar E20 de Fórmula 1, utilizado na temporada de 2012, reforçando a ligação entre a competição e o desenvolvimento dos futuros modelos de estrada.

A transformação do A110 num desportivo totalmente elétrico representa um dos maiores desafios técnicos enfrentados pela Alpine desde o relançamento da marca.
O atual modelo conquistou reconhecimento precisamente pela sua leveza, simplicidade mecânica e comportamento extremamente comunicativo, características tradicionalmente difíceis de reproduzir num veículo elétrico devido ao peso acrescido das baterias.
Com a nova Alpine Performance Platform, a marca procura responder a esse desafio através de soluções específicas de arquitetura, distribuição de massas, gestão eletrónica do binário e otimização estrutural.
Embora ainda não tenham sido divulgados dados sobre potência, autonomia ou desempenho, o A110 FUTURE permite perceber a direção tecnológica escolhida pela Alpine para a próxima década, numa altura em que os desportivos elétricos começam a ganhar maior protagonismo no mercado.
A estreia dinâmica em Goodwood representa assim mais do que uma simples demonstração pública: constitui a primeira oportunidade para observar em movimento o automóvel que irá suceder a um dos modelos mais emblemáticos da indústria automóvel europeia e que terá a responsabilidade de transportar a identidade da Alpine para a era da mobilidade elétrica.
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