
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 6 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.










Num mercado automóvel sitiado pela eletrificação e pela dormência digital, o icónico roadster japonês renova-se no detalhe e mantem a essência. Fomos testar a versão RF e deixamos-lhe o veredicto sobre a máquina que recusa render-se à modernidade.
Há automóveis que se medem por gráficos de potência, tempos de carregamento e polegadas de ecrã tátil. E depois há o Mazda MX-5. Com mais de um milhão de unidades vendidas globalmente e o título incontestável de roadster mais vendido da história da humanidade, o popular Miata continua a ser um farol de resistência para quem ainda vê o ato de conduzir como uma forma de liberdade e não como uma mera tarefa de deslocação de A a B.
Estivemos a testar intensivamente (fizemos cerca de 1400 km) o Mazda MX-5 RF (Retractable Fastback), equipado com o motor 1.5 Skyactiv-G, com jantes de 17 polegadas e o reputado sistema de travagem Brembo. Num ecossistema que parece caminhar a passos largos para a anestesia do condutor, será que esta receita analógica e purista ainda faz sentido ou tornou-se num anacronismo dispendioso? Na nossa opinião, a resposta é clara: nunca fez tanto sentido como agora.

A sigla RF não é apenas um detalhe estético; dita uma filosofia de utilização completamente diferente dentro da gama MX-5. Baseado na aclamada linguagem de design Kodo (A Alma do Movimento), a equipa de estilistas da Mazda conseguiu criar uma silhueta fastback que exala o músculo e a sofisticação de um verdadeiro cupé desportivo quando está fechada. A proporção clássica está lá toda: um capô longo que mergulha em direção ao asfalto, vias largas e uma traseira curta e compacta.
Mas a grande magia desta versão reside na sua coreografia mecânica (veja nossos vídeos na tabela abaixo). Ao toque de um botão no painel central, a secção traseira do tejadilho eleva-se de forma dinamica para permitir que o painel central da capota rígida se dobre e desapareça na estrutura em escassos segundos. O resultado é uma configuração estilo Targa absolutamente arrebatadora.
O melhor de tudo? Este complexo sistema elétrico foi engenhado de tal forma que não rouba um único litro de capacidade à bagageira, mantendo o volume intocado quer viaje a céu aberto ou protegido das intempéries. Para complementar a postura felina desta unidade, as jantes de liga leve escurecidas de 17 polegadas preenchem de forma soberba as cavas das rodas e deixam orgulhosamente à vista as pinças de travão vermelhas da Brembo no eixo dianteiro.

Abrir a porta do MX-5 RF é aceitar um convite ao desapego e ao minimalismo. Esqueça as cabines claustrofóbicas ou as falsas amplitudes dos SUVs modernos. Aqui, o espaço é cirúrgico. A posição de condução é radicalmente baixa, deixando o condutor com o centro de gravidade colado ao asfalto e as pernas posicionadas quase na horizontal. O túnel central elevado abraça-nos e a sensação real é a de que não nos sentamos no carro; nós vestimo-lo.
À nossa frente, a Mazda operou uma lição de bom senso e respeito pela tradição na sua última atualização. Enquanto a indústria se afoga em ecrãs táteis gigantescos, o painel de instrumentos do MX-5 mantém orgulhosamente os mostradores analógicos, colocando um belíssimo conta-rotações físico e mecânico mesmo no centro do campo de visão do condutor.
O volante, com uma pegada absolutamente ótima em termos de diâmetro e espessura, prescinde de botões excessivos, focando a atenção no que realmente importa. Claro que não foi esquecido o tradicional ecrã digital com comando rotativo para as opções para funções que praticamente se tornaram obrigatórias no dia a dia da mobilidade.
A ergonomia dos comandos essenciais é soberba. A alavanca da caixa manual de velocidades está posicionada milimetricamente à altura da nossa mão direita, emanando um tato puramente mecânico de curso curtíssimo que se torna viciante logo nas primeiras passagens.

Muitos potenciais compradores questionam se o isolamento acústico na versão RF é verdadeiramente eficaz. Os nossos testes comprovam que, com a capota fechada, o MX-5 comporta-se como um cupé civilizado, lidando bem com o ruído aerodinâmico em viagens longas. Quando abrimos o tejadilho, a presença dos pilares traseiros e do defletor central cria uma bolha aerodinâmica tão bem calibrada que consegue-se conversar a bordo a velocidades de autoestrada sem necessidade de elevar a voz.
No entanto, a nossa análise criteriosa obriga-nos a apontar os compromissos diários. O espaço para arrumação na cabine é praticamente inexistente: não há bolsas nas portas e o porta-luvas convencional foi substituído por um pequeno compartimento trancável entre as costas dos bancos.
A bagageira oferece uns contidos 127 litros de capacidade — o suficiente para duas malas de cabine numa escapadinha de fim de semana a dois —, e o acesso é feito através de um botão curioso e quase "secreto" estrategicamente escondido junto a matricula no para-choques traseiro. É pouco prático? Sim, mas é o preço a pagar pela pureza das suas proporções.

Se a estética e o interior geram paixão, é em movimento que o MX-5 RF oblitera qualquer réstia de ceticismo. O motor 1.5 Skyactiv-G atmosférico debita 132 cv de potência e 152 Nm de binário. No papel, e para quem está habituado à avalanche de binário dos motores turbo ou elétricos, estes números podem parecer modestos. Na prática, no entanto, são o par perfeito para um chassi que acusa pouco mais de 1.000 kg na balança.
Este bloco atmosférico é um motor à moda antiga: adora fazer subir as rotações. O seu verdadeiro fulgor desperta acima das 4.000 rpm e estica de forma gloriosa e linear até perto das 7.500 rpm, acompanhado por uma nota acústica metálica e viciante. Como a entrega de potência é previsível, o condutor consegue dosear ao milímetro a força que envia para o eixo traseiro através daquela que é, consensual e globalmente, a melhor transmissão manual do mercado. Cada passagem de caixa é um exercício de precisão mecânica, com engates secos, curtos e perfeitamente definidos.

O grande trunfo dinâmico deste modelo é o conceito Jinba Ittai — a simbiose entre o cavaleiro e a sua montada. A frente é incrivelmente ágil e obedece à direção com uma rapidez de reflexos impressionante. Apesar da sua leveza estrutural, o MX-5 RF transmite uma solidez tremenda e rola muito agarrado à estrada, informando o condutor através do assento e das palmas das mãos sobre tudo o que se passa sob os pneus. Um verdadeira ligação viceral entre homem, máquina e asfalto.
O sistema de travagem da Brembo eleva a experiência para outro patamar. Num carro com este peso, a potência de desaceleração e a resistência à fadiga das pinças dianteiras são referenciais, permitindo travar muito tarde e em apoio sem desequilibrar a traseira do veículo.
E a maior surpresa surge na carteira: este motor consegue ser incrivelmente eficiente. Ao longo do nosso ensaio, que agora inclui pelo menos 200 km de autoestrada, 200 km de estrada e 200 km de circuito urbano, o computador de bordo fixou a média final nuns escandalosos 6,2 litros aos 100 km. É um autêntico desportivo de bolso que pode ser conduzido diariamente sem o fantasma dos consumos excessivos.

O Mazda MX-5 RF 1.5 Skyactiv-G não foi feito para ganhar corridas de arranque em linha reta nem para impressionar adeptos da tecnologia digital. É um automóvel feito por e para puristas. Exige concessões óbvias ao nível do espaço habitável, da capacidade de carga e do conforto ao entrar e sair da cabine baixa, mas recompensa o condutor com uma das experiências dinâmicas mais viscerais, comunicativas e recompensadoras do panorama automóvel atual. Numa era dominada pela inteligência artificial e pela condução filtrada, este pequeno roadster japonês é o antídoto perfeito. Um clássico moderno obrigatório na garagem de qualquer verdadeiro entusiasta do verdadeiro prazer de conduzir.
Componente / Característica | Especificação Técnica Oficial |
Motorização | Gasolina, 4 cilindros em linha, atmosférico (Skyactiv-G) |
Cilindrada | 1.496 cm³ |
Potência Máxima | 132 cv às 7.000 rpm |
Binário Máximo | 152 Nm às 4.500 rpm |
Transmissão | Manual de 6 velocidades |
Tração | Traseira (RWD) |
Aceleração (0-100 km/h) | 8,6 segundos |
Velocidade Máxima | 203 km/h |
Consumo Combinado Homologado (WLTP) | 6,3 L / 100 km |
Consumo Médio Testado (Publiracing) | 6,2 L / 100 km |
Comprimento / Largura / Altura | 3.915 mm / 1.735 mm / 1.230 mm |
Distância entre Eixos | 2.310 mm |
Peso em Vazio ( Tara ) | 1.040 kg |
Capacidade da Bagageira | 127 Litros (Inalterada com capota aberta) |
Tipo de Capota | Rígida retrátil com acionamento elétrico automático |
Sistema de Travagem (Dianteiro) | Discos ventilados de alta performance com Pinças Brembo |
Jantes / Pneus | Liga Leve de 17 polegadas / 205/45 R17 |
Painel de Instrumentos | Mostradores Analógicos com ecrã auxiliar TFT de 4,6" |

Pontos-Chave para Avaliação de Veículos
Motorização e Desempenho
Potência, torque, aceleração, resposta em diferentes cenários (cidade, estrada, ultrapassagens).
Consumo / Eficiência Energética
Média de consumo (l/100 km ou km/l) ou eficiência elétrica (kWh/100 km).
Autonomia
Fundamental em elétricos e híbridos plug-in, mas também importante em combustão (tamanho do tanque, consumo real).
Conforto e Ergonomia
Qualidade dos bancos, espaço interno, nível de ruído, suspensão, facilidade de acesso e posição de condução.
Tecnologia e Conectividade
Infotainment, integração com smartphone, atualizações OTA, assistentes virtuais, personalização digital.
Segurança
Sistemas ADAS (travagem automática, ACC, manutenção de faixa, monitorização de fadiga), número de airbags, estrutura e testes de colisão.
Travagem e Estabilidade
Qualidade dos travões, distância de travagem, comportamento em curvas, controle de tração e estabilidade.
Espaço e Funcionalidade
Porta-malas, espaço para ocupantes, modularidade dos bancos, porta-objetos e usabilidade no dia a dia.
Design e Acabamento
Estilo exterior, qualidade de materiais no interior, atenção ao detalhe e percepção de valor.
Custo-Benefício
Preço em relação ao que oferece, garantia, custo de manutenção, valor de revenda.
Veja também os nossos vídeos exclusivos com o Mazda MX-5 RF
Apresentação
Design & Exterior
Interior & Tecnologia
Teste Dinâmico
Resumo e Avaliação Final
Vídeos do teste realizado
(Artur Semedo, editor de Veículos, com participação de Keller Carvalho, editora PUBLIRACING)
Apresentação | |
Design & Exterior | |
Interior & Tecnologia | |
Teste Dinâmico | |
Resumo Final e Notas |






























Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel.
👉 “A Revista Publiracing acredita em jornalismo isento, relevante e de qualidade. Se também valoriza informação independente, considere apoiar o nosso trabalho.”
Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo






























Comentários