Antes de rodar, era preciso dominar a máquina: como se conduzia o primeiro automóvel da Škoda
Redação Europa
há 6 dias
2 min de leitura
Voiturette A, lançada em 1906, marcou a transição da Laurin & Klement para as quatro rodas e revela um tempo em que conduzir exigia técnica, força e conhecimento mecânico
Muito antes da simplicidade dos botões “start” e dos sistemas eletrónicos atuais, conduzir um automóvel era um verdadeiro ritual mecânico. A Voiturette A, o primeiro modelo produzido em Mladá Boleslav pela Laurin & Klement — origem da atual Škoda — não só simbolizou a passagem das duas para as quatro rodas, como também expôs a complexidade de operar um veículo no início do século XX.
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Um automóvel para poucos — e exigente de operar
Homologado para circulação em 1906, o modelo tinha um custo de 3.600 coroas, valor que equivalia a cerca de seis anos de salário médio de um trabalhador da época. Mas mais do que o preço, era a própria utilização que colocava o automóvel fora do alcance da maioria.
Equipado com um motor V2 de quatro tempos, refrigerado a líquido e com apenas sete cavalos de potência, o modelo exigia um conhecimento técnico detalhado para ser colocado em funcionamento — um processo que começava muito antes de girar a chave… porque simplesmente não existia chave.
Um ritual mecânico antes de arrancar
O arranque da Voiturette A era um processo sequencial e manual. Primeiro, o condutor tinha de abrir manualmente uma torneira no depósito para permitir a passagem de combustível para o carburador. De seguida, recorria a uma bomba manual para lubrificar os componentes do motor.
Só depois destas etapas era possível avançar para a frente do veículo, onde o motor era efetivamente colocado em funcionamento através de uma manivela — um gesto que exigia força física e precisão. Antes disso, era ainda necessário ajustar manualmente a mistura e o regime do motor através de uma alavanca no volante.
Conduzir era gerir tudo… ao mesmo tempo
Uma vez em funcionamento, a condução também pouco tinha em comum com os padrões atuais. À direita do condutor encontravam-se duas alavancas: uma para engrenar as mudanças e outra para o travão de mão. Os pedais tinham funções diferentes das atuais — um controlava a embraiagem e outro travava a transmissão.
A aceleração não era feita com o pé, mas sim com uma alavanca no volante, exigindo coordenação constante entre mãos e pés. Ainda assim, nas mãos de um condutor experiente, a Voiturette A podia atingir os 40 km/h — uma velocidade considerável para a época.
O início de uma indústria
Mais do que um simples veículo, a Voiturette A representa o ponto de partida de uma das marcas mais relevantes da indústria automóvel europeia. Foi com este modelo que a Laurin & Klement deu o primeiro passo rumo ao desenvolvimento que viria a transformar-se na atual Škoda.
Hoje, olhando para trás, fica evidente que conduzir não era apenas uma ação — era um processo técnico exigente, onde cada viagem começava com um verdadeiro exercício de engenharia manual.
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