Hispano Suiza leva mais de um século de competição ao Madring, do Alfonso XIII ao elétrico Carmen Sagrera

A história da Hispano Suiza cruza-se este fim de semana com a estreia da Fórmula 1 no MADRING. Nove automóveis da marca espanhola, oito deles históricos, estão expostos no recinto do Grande Prémio de Espanha, formando uma viagem que começa em 1912 e termina no Carmen Sagrera, o hypercar elétrico apresentado em 2024. Competição, engenharia e diferentes épocas do automóvel encontram-se numa das maiores representações de uma única marca nas Fan Zones do novo circuito madrileno.
A Hispano Suiza está presente no ambiente do Grande Prémio de Espanha de Fórmula 1 com uma seleção que percorre mais de um século da sua história. A exposição, organizada pela CarDesign.es em conjunto com a Fever e o Madring, reúne nove veículos da fabricante, oito históricos e o atual Carmen Sagrera.
Os automóveis históricos encontram-se na área Marca España da Fan Zone E2, formando um percurso cronológico entre 1912 e 2002. O Carmen Sagrera, apresentado em 2024, está separado deste conjunto e ocupa a Fan Zone A, dedicada a hypercars e automóveis relacionados com a competição.
No total, a exposição instalada no novo circuito reúne cerca de 60 veículos. Com nove exemplares, a Hispano Suiza assume a representação mais numerosa de uma única marca.


Uma história ligada à competição desde o início do século XX
A presença no Grande Prémio recupera uma vertente menos conhecida da história da Hispano Suiza. Embora o fabricante tenha ficado particularmente associado aos automóveis de luxo das primeiras décadas do século XX, a competição desempenhou também um papel importante no desenvolvimento e afirmação técnica da marca.
Essa relação remonta aos primeiros anos de atividade. A Hispano Suiza apoiou a Copa Catalunya, cuja edição inaugural, em 1908, é considerada a primeira corrida realizada num circuito em Espanha e contou, ao longo dos anos, com diferentes modelos da fabricante.
Em 1909 surgiu um dos primeiros grandes resultados internacionais, com a vitória na subida ao Mont Ventoux, em França. A marca viria posteriormente a alcançar triunfos nas corridas de Boulogne-sur-Mer em 1921, 1922 e 1923, reforçando a ligação entre os seus automóveis de estrada e a utilização em competição.
Madrid também ocupa um lugar nesta história. No Concurso Automobilista do Guadarrama de 1912, o rei Alfonso XIII competiu ao volante de um Hispano Suiza HS 45 HP. Dois anos depois, no Concurso de Navacerrada, Louis Massuger venceu com o T20 bis conhecido como “La Sardina”, enquanto Lluís Carreras terminou em terceiro num T20/21.
Em 1921, Alfonso XIII voltou a conduzir um Hispano Suiza em competição, desta vez na Cuesta de las Perdices, onde estabeleceu um novo registo ao superar os 102 km/h de velocidade média em subida.


Alfonso XIII abre a viagem histórica no MADRING
Entre os automóveis agora presentes em Madrid está o Alfonso XIII de 1912, modelo que ocupa um lugar particular na história da marca e é considerado um dos primeiros automóveis desportivos produzidos em série.
O seu nome resulta precisamente da relação de Alfonso XIII com a Hispano Suiza. O monarca espanhol era um entusiasta do automóvel e cliente da fabricante, numa época em que a combinação de baixo peso e prestações elevadas começava a estabelecer algumas das características fundamentais do automóvel desportivo.
Ao seu lado encontra-se o Rabassada de 1922, exemplar diretamente relacionado com a histórica Subida à Rabassada, em Barcelona. Baseado no Alfonso XIII, recebeu uma preparação mais leve e orientada para a competição em montanha.
Outro dos protagonistas é o H6C Boulogne de 1924, desenvolvido na sequência dos resultados obtidos pela Hispano Suiza nas provas de Boulogne-sur-Mer. O modelo representa uma das expressões mais desportivas da geração H6, numa altura em que a fabricante conciliava automóveis de elevado luxo com soluções de engenharia destinadas às altas prestações.


Do motor de combustão ao Carmen Sagrera elétrico
No extremo oposto desta cronologia está o Carmen Sagrera, apresentado em 2024 para assinalar os 120 anos da Hispano Suiza.
O hypercar representa a fase contemporânea da fabricante e a transição para a propulsão totalmente elétrica. Desenvolvido e construído em Barcelona, integra a família iniciada pelo Carmen em 2019 e continuada pelo Carmen Boulogne em 2020.
A sua presença numa área diferente daquela ocupada pelos automóveis históricos cria também uma separação simbólica entre as duas épocas da empresa: os modelos que construíram a reputação original da Hispano Suiza e a atual tentativa de reinterpretar esse património através de hypercars elétricos de produção limitada.

Uma marca com 122 anos de história
Fundada em Barcelona em 1904 por Damián Mateu, com o engenheiro Marc Birkigt como uma das figuras técnicas determinantes, a Hispano Suiza produziu mais de 12.000 automóveis entre 1904 e 1946, além de cerca de 50.000 motores de aviação.
A atividade automóvel da marca foi recuperada em 2019 por Miguel Suqué Mateu, bisneto do fundador, dando origem à atual geração de modelos elétricos.
A exposição no Madring coloca agora essas duas fases frente a frente. Do Alfonso XIII de 1912 ao Carmen Sagrera de 2024, os nove automóveis presentes no Grande Prémio de Espanha mostram como a Hispano Suiza atravessou diferentes momentos da história do automóvel — e como a competição esteve ligada à marca muito antes da atual era dos hypercars elétricos.
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