
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
14 de fev.










Com 1050 cv, quatro motores elétricos, arquitetura de 800 volts e uma abordagem inédita ao luxo tecnológico, o novo Ferrari Luce marca a entrada histórica da marca de Maranello na era 100% elétrica. Mas mais do que um “Ferrari elétrico”, o Luce surge como um manifesto técnico e conceptual sobre o futuro da performance italiana.
A Ferrari abriu oficialmente um novo capítulo da sua história com a apresentação do Luce, o primeiro modelo totalmente elétrico produzido pela marca de Maranello. Revelado em Roma, num gesto carregado de simbolismo histórico para a construtora italiana, o novo modelo assume-se como um dos projetos mais ambiciosos (e já controversos) alguma vez desenvolvidos pela Ferrari, não apenas pelo facto de abandonar o motor de combustão, mas sobretudo pela forma como procura reinterpretar os pilares da marca numa arquitetura totalmente inédita.
Longe de ser apenas uma adaptação elétrica de um Ferrari tradicional, o Luce nasce sobre uma plataforma específica desenvolvida de raiz para esta motorização, permitindo explorar soluções impossíveis num automóvel de combustão convencional. O resultado é um GT de cinco lugares e quatro portas, com um nível de habitabilidade sem precedentes na Ferrari, combinado com números dignos de um hipercarro: 1050 cv de potência máxima, aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 2,5 segundos e velocidade máxima superior a 310 km/h.
O projeto contou ainda com uma colaboração inédita entre a Ferrari e a LoveFrom, coletivo criativo liderado por Sir Jony Ive e Marc Newson, responsável por introduzir uma nova linguagem estética e tecnológica ao modelo. O objetivo não era apenas desenhar um Ferrari elétrico, mas criar um novo tipo de Ferrari, mais tecnológico, mais confortável e simultaneamente fiel à obsessão da marca pela experiência de condução.

O Ferrari Luce utiliza uma arquitetura elétrica de 800 volts e quatro motores elétricos independentes — um por roda — permitindo um nível de controlo dinâmico praticamente impossível de replicar num modelo convencional. A gestão individual de binário em cada roda, associada à direção traseira independente e à suspensão ativa eletronicamente controlada, cria um dos sistemas de dinâmica veicular mais complexos alguma vez desenvolvidos pela marca italiana.
A Ferrari procurou manter uma identidade própria também na forma como entrega a potência. Em vez da aceleração instantânea e linear típica dos elétricos, o Luce incorpora um sistema patenteado chamado Torque Shift Engagement, que utiliza patilhas atrás do volante para modular progressivamente a entrega de binário e a regeneração. O objetivo é devolver ao condutor uma sensação mais mecânica, emocional e interativa.
O sistema elétrico integra uma bateria estrutural de 122 kWh desenvolvida internamente em Maranello, composta por 210 células distribuídas em 15 módulos. A Ferrari anuncia carregamentos rápidos até 350 kW, permitindo recuperar cerca de 70 kWh em apenas 20 minutos. A autonomia declarada supera os 530 quilómetros.
Visualmente, o Luce rompe radicalmente com a agressividade típica dos Ferrari recentes. A carroçaria aposta em superfícies contínuas e fluidas, sem entradas de ar exageradas ou vincos excessivos, numa abordagem fortemente influenciada pela aerodinâmica e pela eficiência energética. A enorme área vidrada torna-se um dos elementos centrais do design, criando uma silhueta quase monolítica.
As jantes também impressionam pelas dimensões inéditas num Ferrari de produção: 23 polegadas à frente e 24 atrás. Já os grupos óticos traseiros procuram reinterpretar referências históricas como o Ferrari 360 Modena e o 458 Italia através de um desenho circular minimalista.
No interior, o Luce apresenta uma abordagem radicalmente diferente da atual tendência digital excessiva. A Ferrari mistura botões físicos maquinados em alumínio com superfícies OLED desenvolvidas especificamente pela Samsung Display. O volante incorpora múltiplos comandos táteis e físicos, enquanto o painel de instrumentos aposta numa leitura mais técnica e funcional, inspirada no universo aeronáutico.

Uma das maiores polémicas em torno dos desportivos elétricos continua a ser a ausência de emoção sonora. A Ferrari decidiu não recorrer a sons artificiais pré-gravados. Em vez disso, desenvolveu um sistema que capta as vibrações reais dos motores elétricos e dos componentes mecânicos através de acelerómetros instalados nos eixos. O sinal é depois processado e amplificado em tempo real, criando uma assinatura sonora genuinamente ligada ao funcionamento do automóvel.
Segundo a Ferrari, o objetivo não era imitar um motor V8 ou V12, mas criar uma nova identidade sonora coerente com a filosofia da marca. O resultado pode variar consoante o modo de condução escolhido no e-Manettino, passando de uma experiência silenciosa em “Range” para uma sonoridade mais intensa e emocional em “Performance”.

Apesar da performance extrema, o Luce procura também assumir-se como o Ferrari mais confortável de sempre. O modelo utiliza subchassis montados elasticamente, soluções avançadas de isolamento acústico e uma suspensão ativa derivada do Ferrari F80, permitindo reduzir drasticamente ruídos e vibrações.
O sistema multimédia inclui um complexo sistema áudio com 21 altifalantes e 3000 W de potência, além de conectividade avançada integrada com Google Maps, Apple Maps EV Navigation e uma nova aplicação MyFerrari Luce dedicada ao controlo remoto do veículo.
Mais do que lançar apenas um novo modelo, a Ferrari parece utilizar o Luce como uma espécie de laboratório para o futuro da marca. O desafio agora será perceber se os puristas aceitarão esta nova visão elétrica da Ferrari ou se o verdadeiro ADN emocional da marca continuará inevitavelmente associado aos seus motores de combustão.






























Característica | Ferrari Luce |
Motorização | 4 motores elétricos (1 por roda) |
Potência máxima | 772 kW / 1050 cv |
Binário máximo nos motores | 990 Nm |
Binário máximo nas rodas | 11.500 Nm |
Arquitetura elétrica | 800 V |
Bateria | 122 kWh |
Número de células | 210 |
Carregamento rápido DC | Até 350 kW |
Carregamento AC | Até 22 kW |
Autonomia estimada | Superior a 530 km |
0-100 km/h | 2,5 segundos |
0-200 km/h | 6,8 segundos |
Velocidade máxima | Superior a 310 km/h |
Tração | Integral elétrica |
Direção traseira | Sim |
Suspensão | Ativa eletronicamente |
Travões dianteiros | CCM 390 x 34 mm |
Travões traseiros | CCM 372 x 34 mm |
Jantes dianteiras | 23” |
Jantes traseiras | 24” |
Pneus dianteiros | 265/35 R23 |
Pneus traseiros | 315/30 R24 |
Comprimento | 5026 mm |
Largura | 1999 mm |
Altura | 1544 mm |
Distância entre eixos | 2961 mm |
Peso | 2260 kg |
Distribuição de peso | 47% frente / 53% traseira |
Bagageira | 597 litros |
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