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Luce: o já controverso Ferrari elétrico que quer redefinir a própria ideia de superdesportivo

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    Redação Europa
  • há 22 horas
  • 4 min de leitura
Luce: o já controverso Ferrari elétrico que quer redefinir a própria ideia de superdesportivo

Com 1050 cv, quatro motores elétricos, arquitetura de 800 volts e uma abordagem inédita ao luxo tecnológico, o novo Ferrari Luce marca a entrada histórica da marca de Maranello na era 100% elétrica. Mas mais do que um “Ferrari elétrico”, o Luce surge como um manifesto técnico e conceptual sobre o futuro da performance italiana.


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A Ferrari abriu oficialmente um novo capítulo da sua história com a apresentação do Luce, o primeiro modelo totalmente elétrico produzido pela marca de Maranello. Revelado em Roma, num gesto carregado de simbolismo histórico para a construtora italiana, o novo modelo assume-se como um dos projetos mais ambiciosos (e já controversos) alguma vez desenvolvidos pela Ferrari, não apenas pelo facto de abandonar o motor de combustão, mas sobretudo pela forma como procura reinterpretar os pilares da marca numa arquitetura totalmente inédita.


Longe de ser apenas uma adaptação elétrica de um Ferrari tradicional, o Luce nasce sobre uma plataforma específica desenvolvida de raiz para esta motorização, permitindo explorar soluções impossíveis num automóvel de combustão convencional. O resultado é um GT de cinco lugares e quatro portas, com um nível de habitabilidade sem precedentes na Ferrari, combinado com números dignos de um hipercarro: 1050 cv de potência máxima, aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 2,5 segundos e velocidade máxima superior a 310 km/h.


O projeto contou ainda com uma colaboração inédita entre a Ferrari e a LoveFrom, coletivo criativo liderado por Sir Jony Ive e Marc Newson, responsável por introduzir uma nova linguagem estética e tecnológica ao modelo. O objetivo não era apenas desenhar um Ferrari elétrico, mas criar um novo tipo de Ferrari, mais tecnológico, mais confortável e simultaneamente fiel à obsessão da marca pela experiência de condução.


Luce: o já controverso Ferrari elétrico que quer redefinir a própria ideia de superdesportivo

Uma arquitetura elétrica sem precedentes em Maranello

O Ferrari Luce utiliza uma arquitetura elétrica de 800 volts e quatro motores elétricos independentes — um por roda — permitindo um nível de controlo dinâmico praticamente impossível de replicar num modelo convencional. A gestão individual de binário em cada roda, associada à direção traseira independente e à suspensão ativa eletronicamente controlada, cria um dos sistemas de dinâmica veicular mais complexos alguma vez desenvolvidos pela marca italiana.


A Ferrari procurou manter uma identidade própria também na forma como entrega a potência. Em vez da aceleração instantânea e linear típica dos elétricos, o Luce incorpora um sistema patenteado chamado Torque Shift Engagement, que utiliza patilhas atrás do volante para modular progressivamente a entrega de binário e a regeneração. O objetivo é devolver ao condutor uma sensação mais mecânica, emocional e interativa.


O sistema elétrico integra uma bateria estrutural de 122 kWh desenvolvida internamente em Maranello, composta por 210 células distribuídas em 15 módulos. A Ferrari anuncia carregamentos rápidos até 350 kW, permitindo recuperar cerca de 70 kWh em apenas 20 minutos. A autonomia declarada supera os 530 quilómetros.


Design: menos agressividade visual, mais pureza aerodinâmica

Visualmente, o Luce rompe radicalmente com a agressividade típica dos Ferrari recentes. A carroçaria aposta em superfícies contínuas e fluidas, sem entradas de ar exageradas ou vincos excessivos, numa abordagem fortemente influenciada pela aerodinâmica e pela eficiência energética. A enorme área vidrada torna-se um dos elementos centrais do design, criando uma silhueta quase monolítica.


As jantes também impressionam pelas dimensões inéditas num Ferrari de produção: 23 polegadas à frente e 24 atrás. Já os grupos óticos traseiros procuram reinterpretar referências históricas como o Ferrari 360 Modena e o 458 Italia através de um desenho circular minimalista.


No interior, o Luce apresenta uma abordagem radicalmente diferente da atual tendência digital excessiva. A Ferrari mistura botões físicos maquinados em alumínio com superfícies OLED desenvolvidas especificamente pela Samsung Display. O volante incorpora múltiplos comandos táteis e físicos, enquanto o painel de instrumentos aposta numa leitura mais técnica e funcional, inspirada no universo aeronáutico.


Luce: o já controverso Ferrari elétrico que quer redefinir a própria ideia de superdesportivo

Som artificial? Ferrari responde de forma diferente

Uma das maiores polémicas em torno dos desportivos elétricos continua a ser a ausência de emoção sonora. A Ferrari decidiu não recorrer a sons artificiais pré-gravados. Em vez disso, desenvolveu um sistema que capta as vibrações reais dos motores elétricos e dos componentes mecânicos através de acelerómetros instalados nos eixos. O sinal é depois processado e amplificado em tempo real, criando uma assinatura sonora genuinamente ligada ao funcionamento do automóvel.


Segundo a Ferrari, o objetivo não era imitar um motor V8 ou V12, mas criar uma nova identidade sonora coerente com a filosofia da marca. O resultado pode variar consoante o modo de condução escolhido no e-Manettino, passando de uma experiência silenciosa em “Range” para uma sonoridade mais intensa e emocional em “Performance”.


Luce: o já controverso Ferrari elétrico que quer redefinir a própria ideia de superdesportivo

Tecnologia, conforto e um novo posicionamento

Apesar da performance extrema, o Luce procura também assumir-se como o Ferrari mais confortável de sempre. O modelo utiliza subchassis montados elasticamente, soluções avançadas de isolamento acústico e uma suspensão ativa derivada do Ferrari F80, permitindo reduzir drasticamente ruídos e vibrações.


O sistema multimédia inclui um complexo sistema áudio com 21 altifalantes e 3000 W de potência, além de conectividade avançada integrada com Google Maps, Apple Maps EV Navigation e uma nova aplicação MyFerrari Luce dedicada ao controlo remoto do veículo.


Mais do que lançar apenas um novo modelo, a Ferrari parece utilizar o Luce como uma espécie de laboratório para o futuro da marca. O desafio agora será perceber se os puristas aceitarão esta nova visão elétrica da Ferrari ou se o verdadeiro ADN emocional da marca continuará inevitavelmente associado aos seus motores de combustão.


Ficha Técnica — Ferrari Luce

Característica

Ferrari Luce

Motorização

4 motores elétricos (1 por roda)

Potência máxima

772 kW / 1050 cv

Binário máximo nos motores

990 Nm

Binário máximo nas rodas

11.500 Nm

Arquitetura elétrica

800 V

Bateria

122 kWh

Número de células

210

Carregamento rápido DC

Até 350 kW

Carregamento AC

Até 22 kW

Autonomia estimada

Superior a 530 km

0-100 km/h

2,5 segundos

0-200 km/h

6,8 segundos

Velocidade máxima

Superior a 310 km/h

Tração

Integral elétrica

Direção traseira

Sim

Suspensão

Ativa eletronicamente

Travões dianteiros

CCM 390 x 34 mm

Travões traseiros

CCM 372 x 34 mm

Jantes dianteiras

23”

Jantes traseiras

24”

Pneus dianteiros

265/35 R23

Pneus traseiros

315/30 R24

Comprimento

5026 mm

Largura

1999 mm

Altura

1544 mm

Distância entre eixos

2961 mm

Peso

2260 kg

Distribuição de peso

47% frente / 53% traseira

Bagageira

597 litros


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