Mercado das motos cresce 17,2% em Portugal e já supera as 43 mil unidades em 2026

O mercado português de motociclos, ciclomotores e triciclos mantém uma trajetória de crescimento em 2026. Setembro terminou com 5328 novas matrículas, mais 15,6% do que há um ano, elevando o acumulado para 43.128 unidades. Os motociclos continuam a sustentar praticamente todo o volume, com destaque para as cilindradas até 125 cm³, enquanto os elétricos crescem 88% no acumulado. Nos quadriciclos, a progressão é ainda mais expressiva: +50,4% desde janeiro.
O mercado português de veículos da categoria L voltou a apresentar números positivos em setembro, embora com diferenças profundas entre os vários segmentos. Os dados da ACAP mostram que os motociclos continuam a ser o verdadeiro motor do crescimento, enquanto os ciclomotores prolongam uma tendência descendente e os triciclos, apesar das fortes variações percentuais, permanecem residuais em volume.
Entre janeiro e setembro foram matriculados 43.128 veículos novos de duas e três rodas, mais 17,2% do que no mesmo período de 2025. Só os motociclos representam 41.882 unidades, ou seja, cerca de 97% deste universo.
Motociclos crescem 17,6% em setembro
Setembro terminou com 5192 novos motociclos matriculados em Portugal, uma subida de 17,6% face ao mesmo mês de 2025.
O comportamento mantém-se praticamente inalterado quando se alarga a análise aos primeiros nove meses: foram matriculados 41.882 motociclos, mais 17,9% em termos homólogos.
É dentro deste segmento que surge um dos dados mais relevantes do relatório da ACAP: o crescimento está a ser particularmente intenso nas cilindradas até 125 cm³.
Em setembro foram registadas 2628 unidades até 125 cm³, mais 31,3% do que há um ano. Os motociclos acima dos 125 cm³ chegaram às 2505 unidades e cresceram apenas 5,2%.
Isto significa que, no mês, as duas categorias ficaram praticamente equilibradas em volume, mas com ritmos de evolução muito diferentes.
Até 125 cm³ crescem mais do dobro das motos de maior cilindrada
A diferença também é evidente no acumulado.
Entre janeiro e setembro foram matriculados 20.398 motociclos até 125 cm³, um crescimento de 23,7%. Acima dessa cilindrada, o mercado foi ligeiramente superior em números absolutos, com 20.828 unidades, mas avançou 11,4%.
Motociclos | Setembro 2026 | Variação | Jan.-Set. 2026 | Variação |
Total | 5192 | +17,6% | 41.882 | +17,9% |
Até 125 cm³ | 2628 | +31,3% | 20.398 | +23,7% |
Mais de 125 cm³ | 2505 | +5,2% | 20.828 | +11,4% |
Elétricos | 59 | +73,5% | 656 | +88,0% |
Combustão | 5133 | +17,1% | 41.226 | +17,2% |
Os números deixam também evidente que, apesar do crescimento dos modelos elétricos, o mercado das motos em Portugal continua quase inteiramente dependente dos motores de combustão.
Motos elétricas crescem 88%, mas representam apenas 656 unidades
Os motociclos 100% elétricos tiveram um dos maiores crescimentos percentuais do relatório.
Foram matriculadas 59 unidades em setembro, mais 73,5% do que no mesmo mês de 2025. No acumulado, o crescimento é ainda superior: 656 motociclos elétricos, mais 88%.
A taxa de crescimento, contudo, precisa de ser enquadrada pelo volume. Os 656 motociclos elétricos representam aproximadamente 1,6% das 41.882 motos matriculadas desde janeiro.
Os modelos de combustão continuam, portanto, a dominar: 41.226 unidades no acumulado, mais 17,2%. Só em setembro foram 5133.
O mercado português das duas rodas está a crescer e a oferta elétrica também ganha clientes, mas a transição tecnológica encontra-se numa fase muito diferente daquela que já se observa nos automóveis ligeiros de passageiros.
Ciclomotores seguem na direção oposta
Se os motociclos estão em expansão, os ciclomotores apresentam uma realidade completamente diferente.
Foram matriculadas apenas 108 unidades em setembro, uma quebra de 41% relativamente ao mesmo mês do ano passado. Entre janeiro e setembro, o mercado soma 1083 ciclomotores, menos 4,4%.
A queda mensal atinge tanto as versões elétricas como as de combustão.
Os ciclomotores elétricos ficaram reduzidos a 13 matrículas em setembro, menos 63,9%, enquanto os modelos de combustão registaram 95 unidades, recuando 35,4%.
No acumulado, a diferença é menor: os elétricos somam 245 unidades (-10,9%) e os de combustão 838 (-2,3%).
O contraste com os motociclos até 125 cm³ é particularmente evidente. Enquanto estes crescem 23,7% desde janeiro, os ciclomotores perdem mercado, reforçando a deslocação da procura para veículos de maior capacidade e utilização mais abrangente.
Triciclos disparam 154,5%, mas são apenas 28 unidades
Os triciclos apresentam a maior variação percentual entre os veículos de duas e três rodas: +154,5% em setembro.
O número precisa, novamente, de ser colocado em perspetiva. Foram matriculadas somente 28 unidades no mês. No acumulado são 163 veículos, mais 19% do que em 2025.
Dentro deste pequeno mercado, os triciclos elétricos passaram para 20 unidades em setembro, correspondendo a um aumento de 900%. Desde janeiro são 73, mais 121,2%.
Os modelos de combustão apresentam a evolução inversa: oito unidades em setembro (-11,1%) e 90 desde janeiro (-13,5%).
Percentagens de três dígitos neste segmento devem, por isso, ser interpretadas com cautela: pequenas alterações no número absoluto produzem enormes oscilações percentuais.
Quadriciclos crescem mais de 50% no acumulado
Fora das duas e três rodas, o relatório da ACAP revela uma expansão ainda mais forte nos quadriciclos da categoria europeia L.
Setembro terminou com 191 matrículas, mais 41,5% do que no mesmo mês de 2025. Entre janeiro e setembro foram registadas 1548 unidades, correspondendo a um crescimento de 50,4%.
O protagonismo pertence aos minicarros. Foram matriculados 174 em setembro, mais 47,5%, e 1403 desde o início do ano, uma progressão de 55,4%.
Dentro deste segmento, os elétricos representam a maioria: 900 minicarros elétricos entre janeiro e setembro, mais 54,6%. Os modelos de combustão chegaram às 503 unidades e cresceram 56,7%.
Em setembro, foram matriculados 124 minicarros elétricos (+33,3%) e 50 de combustão, exatamente o dobro do volume registado no período homólogo.
Os ATV representam uma realidade bastante menor, com 17 matrículas no mês e 145 desde janeiro.
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