Mercedes-Benz bate recorde de vendas de elétricos, mas queda de 31% na China pressiona resultados globais

A Mercedes-Benz encerrou o terceiro trimestre de 2026 com 491.700 veículos vendidos em todo o mundo, uma queda de 6% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado contrasta com o desempenho dos modelos totalmente elétricos, cujas vendas cresceram 52% no grupo. Na divisão de automóveis, o avanço foi ainda maior, de 61%, estabelecendo um novo recorde trimestral. A retração de 31% no mercado chinês, entretanto, continua a comprometer o desempenho global da fabricante alemã, apesar da recuperação observada na Europa e na América do Norte.
O terceiro trimestre de 2026 expôs duas realidades distintas para a Mercedes-Benz. Enquanto a renovação da linha elétrica começa a produzir resultados comerciais expressivos, a fabricante enfrenta dificuldades para recuperar sua posição na China, mercado que permanece decisivo para as marcas premium europeias.
Entre julho e setembro, a divisão Mercedes-Benz Cars comercializou 407.200 automóveis, volume 8% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Fora da China, as vendas cresceram 1%, sustentadas principalmente pelo desempenho europeu e norte-americano.
O crescimento dos veículos elétricos, por sua vez, ganhou velocidade. A Mercedes-Benz Cars entregou 68.400 unidades totalmente elétricas no trimestre, aumento de 61% na comparação anual e de 29% em relação aos três meses anteriores.
O contraste indica que a eletrificação está avançando dentro do portfólio da marca, mas ainda não consegue compensar integralmente as perdas nos mercados e segmentos tradicionais.
China registra queda de 31% e amplia pressão sobre a Mercedes-Benz
A China foi o principal fator negativo dos resultados trimestrais. As vendas de automóveis Mercedes-Benz no país recuaram 31%, para 86.800 unidades, em um ambiente de concorrência intensa e condições comerciais desfavoráveis.
No conjunto da Ásia, a fabricante comercializou 132.300 veículos, redução de 25% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
A dimensão dessa retração fica mais evidente quando analisamos o acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, as vendas da Mercedes-Benz Cars na China somaram 297 mil unidades, queda de 29%. No mesmo período, o mercado asiático como um todo apresentou redução de 25%.
O desempenho chinês contrasta com a evolução registrada em outras regiões e evidencia a dependência da fabricante em relação a um mercado no qual a competição, especialmente no segmento de veículos eletrificados, tornou-se mais intensa.
A Mercedes-Benz afirma que o GLC e o Classe E continuam apresentando maior resistência à desaceleração. Juntos, os dois modelos responderam por quase dois terços das vendas da marca no país.
A empresa também aposta em lançamentos locais, como o GLC L elétrico, apresentado em julho, e o novo GLE L, introduzido em setembro, para tentar melhorar seu posicionamento.
Entretanto, os números mostram que a renovação da linha ainda não foi suficiente para inverter a trajetória negativa.
Europa cresce 5% e elétricos já representam quase um terço das vendas
Na Europa, a Mercedes-Benz Cars vendeu 168.700 automóveis no terceiro trimestre, crescimento de 5% sobre o mesmo período do ano anterior.
A Alemanha apresentou avanço de 13%, enquanto o Reino Unido registrou alta de 7%. Os dois mercados mantiveram resultados positivos ao longo dos três primeiros trimestres de 2026.
A América do Norte também contribuiu para reduzir o impacto da retração asiática. Foram comercializados 83.200 automóveis na região, aumento de 4%. Nos Estados Unidos, o crescimento trimestral foi de 6%.
A mudança mais significativa, porém, aparece na participação dos modelos elétricos.
Na Europa, as vendas de automóveis totalmente elétricos da Mercedes-Benz aumentaram 78% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 24% na comparação com o segundo trimestre deste ano.
Com esse desempenho, quase um em cada três automóveis Mercedes-Benz vendidos no mercado europeu já é totalmente elétrico.
Globalmente, a participação dos veículos elétricos a bateria, conhecidos pela sigla BEV, chegou a 16,8% das vendas da divisão Cars, um avanço de 7,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Considerando também os híbridos plug-in, os veículos eletrificados responderam por 25% das vendas mundiais de automóveis da marca no trimestre.
GLC elétrico impulsiona recorde e pedidos avançam até 2027
O crescimento dos elétricos está diretamente relacionado à chegada de uma nova geração de produtos.
Segundo a Mercedes-Benz, as vendas do GLC totalmente elétrico mais do que triplicaram em relação ao segundo trimestre, tornando-se um dos principais responsáveis pelo avanço da categoria.
O CLA elétrico também apresentou crescimento, com aumento de 24% sobre o trimestre anterior, beneficiado pela expansão comercial para novos mercados, incluindo Estados Unidos e Japão.
A fabricante informa que os modelos elétricos GLC, CLA, GLB e GLA já têm a produção destinada ao mercado europeu comprometida por encomendas até o final de 2026, com pedidos que avançam para 2027.
Para atender à demanda, as fábricas de Bremen e Rastatt, na Alemanha, e Kecskemét, na Hungria, operam em três turnos.
A carteira de pedidos sugere uma recepção comercial favorável aos lançamentos, embora não permita determinar, isoladamente, a dimensão da procura sem informações sobre volumes de produção e capacidade disponível.
O crescimento também precisa ser analisado à luz da base de comparação: a Mercedes-Benz está ampliando rapidamente a oferta de veículos elétricos em diferentes segmentos, o que favorece taxas expressivas de expansão.
SUVs representam 56% das vendas e reforçam mudança no portfólio
Outro indicador importante é a participação dos utilitários esportivos.
Nos primeiros nove meses de 2026, os SUVs representaram 56% das vendas mundiais da Mercedes-Benz Cars, com o GLC entre os principais responsáveis pelo resultado.
A predominância desse tipo de carroceria acompanha uma transformação mais ampla do mercado premium, no qual sedãs e outros formatos tradicionais perderam espaço relativo para os utilitários esportivos.
No terceiro trimestre, o segmento intermediário da marca, que inclui modelos como Classe C, Classe E, GLC e GLE, respondeu por 234.200 unidades, queda de 6% em relação ao ano anterior.
Os modelos de entrada, entre eles Classe A, CLA, GLA e GLB, somaram 119.200 veículos, redução de 4%. Apesar disso, o segmento cresceu 8% em relação ao segundo trimestre, favorecido pela expansão comercial do novo CLA.
Já a linha de maior valor agregado, que reúne veículos Mercedes-AMG, Mercedes-Maybach, Classe S, Classe G e outros modelos superiores, registrou 53.900 unidades, retração de 21% na comparação anual.
Esse último resultado merece atenção porque a fabricante tem no segmento de luxo uma parcela importante de seu posicionamento e de sua estratégia comercial.
A Mercedes-Benz atribui parte da redução à fraqueza do mercado chinês e à renovação de modelos.

Mercedes-Benz Vans cresce 1% e amplia vendas de comerciais elétricos
Na divisão de veículos comerciais leves, o desempenho foi diferente.
A Mercedes-Benz Vans comercializou 84.400 unidades no terceiro trimestre, crescimento global de 1% em relação ao mesmo período de 2025.
Fora da China, as vendas avançaram 6%, com destaque para a América do Norte, que cresceu 8%, e para os demais mercados agrupados pela fabricante na categoria Resto do Mundo, com expansão de 25%.
Os veículos comerciais elétricos somaram 9.600 unidades, aumento de 12% na comparação anual. Com isso, passaram a representar aproximadamente 11% das vendas globais da divisão, participação que chegou a 15% na Europa.
A linha profissional, que inclui veículos destinados a transporte de cargas e serviços, cresceu 4%, para 73.500 unidades.
Os comerciais de grande porte apresentaram o melhor desempenho desse grupo, com alta de 15%, enquanto os modelos médios recuaram 3%.
Em sentido contrário, a linha destinada ao uso privado, composta por monovolumes e versões de passageiros, registrou queda de 17%, totalizando 10.900 unidades.
A fabricante também apresentou recentemente sua nova arquitetura para veículos comerciais elétricos e o VLE, modelo destinado ao transporte de passageiros.
Os números da Mercedes-Benz no terceiro trimestre de 2026
Indicador | Vendas | Variação anual |
Grupo Mercedes-Benz — Cars e Vans | 491.700 | -6% |
Mercedes-Benz Cars | 407.200 | -8% |
Automóveis totalmente elétricos | 68.400 | +61% |
Mercedes-Benz Vans | 84.400 | +1% |
Vans totalmente elétricas | 9.600 | +12% |
Total de elétricos do grupo | 78.100 | +52% |
Vendas de automóveis por região
Região | Unidades | Variação anual |
Europa | 168.700 | +5% |
Alemanha | 58.300 | +13% |
América do Norte | 83.200 | +4% |
Estados Unidos | 75.300 | +6% |
Ásia | 132.300 | -25% |
China | 86.800 | -31% |
Resto do Mundo | 23.000 | -8% |
Fonte: Mercedes-Benz Group. Dados preliminares referentes ao terceiro trimestre de 2026, sujeitos a ajustes nos relatórios definitivos.
Acumulado de 2026 confirma crescimento elétrico, mas vendas totais continuam em queda
Entre janeiro e setembro, o Grupo Mercedes-Benz comercializou 1.503.200 veículos, queda de 6% em relação ao mesmo período de 2025.
A divisão Cars respondeu por 1.244.400 unidades, retração de 7%, enquanto a Mercedes-Benz Vans somou 258.800 veículos, redução de 1%.
O desempenho dos elétricos seguiu na direção oposta. No acumulado dos nove primeiros meses, o grupo vendeu 191.400 veículos totalmente elétricos, crescimento de 38%.
Desse total, 165.500 unidades corresponderam a automóveis de passageiros, alta de 40%, enquanto os comerciais elétricos chegaram a 25.800 unidades, avanço de 28%.
A diferença entre a evolução dos elétricos e o resultado consolidado mostra que a Mercedes-Benz está conseguindo ampliar a presença dessa tecnologia, mas enfrenta obstáculos que vão além da transição energética.
A recuperação do mercado chinês, o desempenho dos modelos de maior valor agregado e a capacidade de transformar a atual carteira de encomendas em entregas efetivas serão determinantes para os próximos trimestres.
O recorde de vendas de elétricos é um indicador relevante da transformação da Mercedes-Benz. Mas, enquanto a China continuar registrando perdas dessa dimensão, o crescimento dos novos modelos dificilmente será suficiente, por si só, para recolocar o grupo em uma trajetória de expansão global.
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