
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 6 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










A sigla SV regressa à Lamborghini com o Revuelto mais extremo até à data. Limitado a 1963 unidades, o novo Revuelto Super Veloce combina o V12 atmosférico com três motores elétricos para atingir 1065 cv, acelera dos 0 aos 100 km/h em 2,4 segundos e supera os 345 km/h, acrescentando ainda uma aerodinâmica revista para aumentar a carga e melhorar a eficácia em circuito.
A Lamborghini escolheu a Monterey Car Week, nos Estados Unidos, para apresentar mundialmente o Revuelto SV, quinta interpretação da histórica designação Super Veloce. Revelado no The Quail, A Motorsports Gathering, o novo modelo assume-se como uma evolução de desempenho do Revuelto e recupera uma sigla que, desde o Miura SV de 1971, tem sido reservada a versões particularmente extremas dos superdesportivos V12 da marca italiana.
A produção ficará limitada a 1963 exemplares, número que reforça o posicionamento do modelo como uma série especial dentro da gama Revuelto. Mais relevante do ponto de vista técnico é o aumento de potência, acompanhado por alterações aerodinâmicas e por uma afinação destinada a tornar o comportamento mais preciso, sobretudo em utilização em circuito.
A designação Super Veloce, literalmente “super rápido”, surgiu em 1971 no Miura SV. Só voltaria a aparecer mais de duas décadas depois, no Diablo SV de 1995, seguindo-se o Murciélago LP 670-4 Super Veloce em 2009 e o Aventador SV em 2015.
O Revuelto SV torna-se, assim, no quinto Lamborghini a integrar esta linhagem e no primeiro a fazê-lo recorrendo a uma cadeia cinemática eletrificada. É precisamente aqui que existe uma diferença fundamental relativamente aos seus antecessores: o V12 continua a desempenhar o papel central, mas trabalha agora em conjunto com três motores elétricos e uma bateria de alto desempenho.

A potência combinada chega aos 1065 cv, mais 50 cv do que no Revuelto convencional. Segundo a Lamborghini, estes números fazem do SV o modelo de produção mais potente e com aceleração mais rápida alguma vez construído em Sant'Agata Bolognese.
O sistema mantém como elemento principal um V12 atmosférico, associado aos três motores elétricos. A Lamborghini refere igualmente a adoção de uma nova bateria de alto desempenho, embora no comunicado de apresentação não detalhe a sua capacidade nem as alterações técnicas efetuadas relativamente à unidade utilizada no Revuelto.
O resultado traduz-se numa aceleração dos 0 aos 100 km/h em 2,4 segundos, enquanto a velocidade máxima ultrapassa os 345 km/h. São números que colocam o SV ligeiramente acima do Revuelto em desempenho puro, mas a evolução não se resume ao aumento da potência.
A Lamborghini trabalhou também a aerodinâmica para gerar maior carga descendente, procurando aumentar a precisão das reações e melhorar os tempos por volta em circuito. O comunicado não especifica, nesta apresentação, os valores absolutos de downforce nem quantifica a diferença relativamente ao Revuelto, mas aponta para uma evolução centrada na resposta e no envolvimento do condutor.
Esta abordagem é coerente com aquilo que historicamente representou a sigla SV. Mais do que simplesmente acrescentar potência, as versões Super Veloce têm procurado explorar o potencial dinâmico dos modelos que lhes servem de base.

No caso do Revuelto, isso acontece num contexto diferente daquele dos anteriores Miura, Diablo, Murciélago e Aventador: a eletrificação é agora parte integrante da equação de desempenho. O Revuelto SV mostra, portanto, como a Lamborghini pretende transportar uma das suas designações mais tradicionais para a era híbrida.
O Revuelto SV não esteve sozinho no palco de Monterey. A Lamborghini apresentou também o Temerario Tricolore e o Urus SE Performante, numa demonstração de uma gama que passou a recorrer à eletrificação nos seus diferentes segmentos.
O Urus SE Performante foi anunciado com uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 3,3 segundos e velocidade máxima de 312 km/h, enquanto o Temerario Tricolore assume essencialmente uma configuração estética e de personalização inspirada na identidade italiana.
A presença destes três modelos evidencia também uma mudança importante na estratégia da Lamborghini. A eletrificação deixou de estar limitada a um modelo específico e passou a integrar a própria arquitetura da gama, incluindo as versões orientadas para prestações mais elevadas.

A estreia do Revuelto SV foi acompanhada por uma exposição dedicada ao Diablo, com 30 exemplares produzidos entre 1994 e 2001, incluindo várias unidades SV. A escolha não foi casual: o Diablo foi o segundo Lamborghini a utilizar a designação Super Veloce e marcou o regresso da sigla em 1995, 24 anos depois do Miura.
As celebrações prosseguem este domingo, 16 de agosto, no Pebble Beach Concours d'Elegance, onde mais de 40 exemplares do Miura estarão reunidos para assinalar os 60 anos do modelo. A Lamborghini prevê que seja a maior concentração de Miura realizada até hoje.
Nesse contexto será igualmente apresentado o Revuelto Miura 60° Homage, uma edição limitada a 99 exemplares que estabelece outra ligação entre o atual superdesportivo híbrido V12 e aquele que, na década de 1960, ajudou a definir a arquitetura e o conceito do supercarro moderno.

Mais do que os 50 cv adicionais, o Revuelto SV representa uma mudança simbólica na história das versões Super Veloce. Pela primeira vez, as letras SV aparecem num Lamborghini V12 eletrificado, demonstrando que a marca pretende preservar as suas designações históricas mesmo quando a tecnologia utilizada para atingir níveis superiores de desempenho se transforma profundamente.
Com 1065 cv, 0 aos 100 km/h em 2,4 segundos, mais de 345 km/h e produção limitada a 1963 unidades, o Revuelto SV passa a ocupar o topo da atual evolução do superdesportivo V12 de Sant'Agata Bolognese. E, num momento em que a Lamborghini já eletrificou toda a sua gama, talvez o dado mais relevante seja precisamente este: a sigla Super Veloce sobrevive à mudança tecnológica, mas passa agora a definir uma combinação de V12 atmosférico e propulsão elétrica.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Apoie o jornalismo de valor. Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo



























Comentários