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Teste: Volvo EX90 Twin Motor Performance, o luxo elétrico sueco entra numa nova dimensão

  • Foto do escritor: Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
    Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
  • há 2 dias
  • 17 min de leitura
TESTE | Volvo EX90 Twin Motor Performance: o luxo elétrico sueco entra numa nova dimensão

O Volvo EX90 não é apenas o sucessor conceptual do XC90 numa era elétrica. É o modelo através do qual a Volvo procura redefinir aquilo que entende por automóvel familiar de luxo: sete lugares verdadeiramente utilizáveis, mais de cinco metros de comprimento, uma arquitetura elétrica dedicada, tecnologia fortemente orientada para a segurança e, na atual versão Twin Motor Performance, números quase desconcertantes — 680 cv, 870 Nm e 0–100 km/h em 4,2 segundos. Mas depois de testarmos e analisarmos o EX90 em detalhe, aquilo que mais nos convence não é a brutalidade dos números. É precisamente a forma discreta, confortável e profundamente Volvo como este enorme SUV procura lidar com tudo isso.


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Há automóveis cuja ficha técnica praticamente obriga a começar pelo desempenho e há outros em que os números, por extraordinários que sejam, parecem quase secundários perante a filosofia do produto. O Volvo EX90 Twin Motor Performance pertence claramente ao segundo grupo. Estamos perante um SUV elétrico de grandes dimensões, construído para ocupar o topo da hierarquia da Volvo e para transportar até sete pessoas com um nível de conforto, segurança e tecnologia compatível com um verdadeiro flagship, mas é também um automóvel que traduz uma mudança muito mais profunda dentro da marca sueca.


O EX90 foi concebido desde o início em torno da eletrificação e do software, utiliza a arquitetura SPA2 e, no atual ano-modelo, evoluiu tecnicamente de forma substancial com a passagem para um sistema elétrico de 800 volts, bateria de 106 kWh e uma nova geração da motorização Twin Motor Performance que elevou a potência para 500 kW, equivalentes a 680 cv. É importante fazer esta distinção porque existem ainda no mercado unidades EX90 anteriores, de 400 V, nas quais o Twin Motor Performance desenvolvia 517 cv; o modelo atualmente apresentado pela Volvo Portugal já anuncia 680 cv, 870 Nm, até 617 km de autonomia e carregamento de 10 a 80% em 22 minutos.


TESTE | Volvo EX90 Twin Motor Performance: o luxo elétrico sueco entra numa nova dimensão

Design: cinco metros de SUV sem necessidade de gritar

Talvez o maior mérito do design do EX90 esteja precisamente naquilo que ele se recusa a fazer. Num segmento em que dimensão, preço e estatuto são frequentemente traduzidos através de grelhas gigantescas, cromados, entradas de ar falsas e assinaturas visuais cada vez mais agressivas, a Volvo optou pelo caminho contrário. O EX90 é enorme, mas não parece querer intimidar ninguém. A dianteira é limpa, praticamente fechada, e imediatamente identificável através da evolução da assinatura luminosa Thor's Hammer, agora muito mais tecnológica e integrada numa superfície frontal minimalista. O resultado é particularmente interessante porque consegue preservar uma ligação evidente ao XC90 sem parecer simplesmente um XC90 convertido em elétrico.


É também um desenho em que a aerodinâmica condiciona claramente as formas. As superfícies são limpas, os puxadores das portas ficam integrados na carroçaria, a frente evita aberturas desnecessárias e o tejadilho prolonga-se de forma bastante suave até à traseira. Não é um SUV Coupé, felizmente, porque isso comprometeria uma das principais razões de existir deste modelo — o espaço para sete ocupantes —, mas também não tem a verticalidade pesada de muitos SUV desta dimensão. Há uma fluidez visual que disfarça muito bem o tamanho.


E tamanho é precisamente aquilo que não falta. O EX90 mede 5.037 mm de comprimento, 1.964 mm de largura sem retrovisores e 2.113 mm com os espelhos abertos, enquanto a distância entre eixos chega aos 2.985 mm. A altura ronda os 1.744 mm, dependendo da configuração, e o diâmetro de viragem é de aproximadamente 12 metros. São números que o colocam claramente no universo dos grandes SUV premium e que devem ser considerados por quem vive diariamente em centros urbanos ou utiliza parques de estacionamento mais antigos. Não existe tecnologia capaz de fazer desaparecer mais de cinco metros de automóvel quando chegamos a uma garagem apertada.


O perfil permite perceber melhor o aproveitamento dessas dimensões. A distância entre eixos aproxima as rodas das extremidades da carroçaria e liberta espaço para o habitáculo, enquanto a superfície vidrada continua suficientemente generosa para não transformar o interior numa espécie de bunker. É um automóvel imponente, mas visualmente muito mais elegante do que agressivo, e acreditamos que envelhecerá bem precisamente porque a Volvo resistiu à tentação de seguir algumas tendências estilísticas demasiado exuberantes.


Na traseira encontramos outra interpretação moderna de um elemento histórico da marca. As óticas verticais continuam presentes, mas foram fragmentadas e integradas de forma muito mais tecnológica na carroçaria, enquanto a zona inferior permanece limpa. Novamente, não há decoração gratuita. E este talvez seja o melhor resumo do exterior do EX90: é um automóvel que demonstra estatuto através das proporções e não através do ruído visual


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SPA2: uma plataforma criada para uma Volvo elétrica de raiz

Debaixo dessa carroçaria encontramos um dos elementos fundamentais para compreender o EX90. A SPA2 — Scalable Product Architecture 2 — foi desenvolvida como evolução da arquitetura SPA utilizada em modelos como XC90, XC60, S90 e V90, mas adaptada a uma nova geração de automóveis eletrificados e, no caso do EX90, a uma utilização integralmente elétrica. A própria Volvo identifica a SPA2 como a nova plataforma totalmente elétrica utilizada pelo modelo.


Isso permite colocar a bateria no piso, baixar o centro de gravidade e libertar espaço longitudinal no habitáculo, mas também cria a base eletrónica necessária para um automóvel cada vez mais definido pelo software. E este último ponto é fundamental. O EX90 não deve ser entendido apenas como um grande SUV elétrico, mas como uma plataforma computacional sobre rodas, preparada para receber atualizações OTA e para evoluir durante o ciclo de vida.


No atual ano-modelo, essa evolução tornou-se ainda mais evidente com a passagem da arquitetura elétrica de 400 para 800 V. A Volvo associa esta alteração a carregamentos significativamente mais rápidos e a melhorias de eficiência, anunciando a possibilidade de recuperar até 250 km de autonomia em dez minutos em condições adequadas.


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Interior: minimalismo levado muito a sério

Abrimos a porta e encontramos provavelmente a interpretação mais radical até agora da filosofia escandinava aplicada a um Volvo. O habitáculo é extremamente limpo, horizontal e praticamente despido de comandos físicos. Existe uma intenção clara de retirar tudo aquilo que possa criar ruído visual, deixando materiais, iluminação, superfícies e ecrãs assumirem o protagonismo.


A primeira impressão é excelente. Há uma sensação de espaço extraordinária e a ausência de uma consola central convencional pesada ajuda bastante. O tablier parece flutuar, as saídas de ventilação estão discretamente integradas e os materiais procuram transmitir sofisticação através da textura e não do brilho. Dependendo da configuração encontramos revestimentos Nordico, madeira e materiais reciclados, numa interpretação de luxo que se afasta deliberadamente do couro abundante e dos acabamentos ostensivos tradicionalmente associados ao segmento premium.


Gostámos desta abordagem porque existe identidade. Entramos num EX90 e dificilmente confundimos este habitáculo com o de um BMW, Mercedes-Benz ou Audi. O problema é que o minimalismo também tem um preço ergonómico. A Volvo concentrou uma enorme quantidade de funções no ecrã central e, embora a interface seja moderna e graficamente muito bem resolvida, continuamos a defender que determinadas operações utilizadas durante a condução deveriam poder ser executadas através de comandos físicos. Talvez a solução seja voltar atrás em alguns destes comandos.


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Um ecrã de 14,5 polegadas domina praticamente tudo

O centro tecnológico do habitáculo é o grande ecrã vertical de 14,5 polegadas, baseado num ecossistema Google integrado. Google Maps, Google Assistant e aplicações compatíveis fazem parte de uma experiência que se aproxima muito mais da utilização de um dispositivo móvel do que dos antigos sistemas de infotainment automóvel.


A qualidade gráfica é excelente e a integração do Google Maps torna a navegação particularmente eficaz num elétrico, sobretudo porque permite incorporar carregadores e autonomia no planeamento da viagem. Apple CarPlay sem fios, conectividade 5G, atualizações OTA e carregamento sem fios para smartphone completam um ambiente tecnológico extremamente completo. A Volvo também disponibiliza chave digital através de smartphone ou smartwatch compatível. Reafirmamos que, em nossa opinião, o sistema da Volvo é a referência em termos de multimédia, ao ser intuitivo e rápido.


À frente do condutor encontramos um painel digital muito mais pequeno e horizontal. É uma decisão inteligente: em vez de duplicar toda a informação do ecrã central, apresenta aquilo que realmente precisamos durante a condução. A filosofia é semelhante à aplicada pela marca noutros modelos elétricos recentes, mas aqui parece mais sofisticada e adequada ao posicionamento do EX90.


Há, no entanto, uma curva de aprendizagem. Ajustar determinadas configurações através do ecrã exige habituação e quem chega de um automóvel com botões físicos poderá inicialmente considerar algumas soluções desnecessariamente complexas. É talvez a maior contradição do habitáculo: visualmente é um dos interiores mais simples do mercado, funcionalmente nem sempre o é.


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Materiais e acabamento: luxo diferente, mas convincente

A qualidade percebida está ao nível que esperamos de um Volvo que ultrapassa facilmente os 100 mil euros nas versões superiores, embora a interpretação de luxo seja muito própria. Quem procura couro espesso, cromados abundantes ou madeira envernizada poderá não encontrar aqui a teatralidade esperada. O EX90 aposta antes numa sensação mais residencial, quase arquitetónica, com materiais de aspeto natural, superfícies suaves e iluminação ambiente cuidadosamente integrada.


A montagem transmite solidez e os pontos de contacto principais apresentam qualidade elevada. Há também uma preocupação evidente com sustentabilidade e redução da utilização de materiais de origem animal, algo coerente com o discurso ambiental da marca, mas que poderá dividir opiniões num segmento onde muitos compradores continuam a associar luxo a materiais tradicionais.


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Na nossa opinião, funciona precisamente porque não tenta imitar os alemães. O EX90 tem personalidade própria e isso vale muito num segmento onde a excelência técnica tende frequentemente a produzir interiores muito semelhantes na filosofia.


Bancos: continuam a ser uma especialidade Volvo

Há elementos que mudam radicalmente numa nova geração e outros que simplesmente não deveriam mudar. Os bancos pertencem ao segundo grupo. A Volvo construiu durante décadas uma reputação pela ergonomia dos seus assentos e o EX90 mantém essa tradição.


A posição de condução é elevada, naturalmente, mas não excessivamente vertical. Existe uma ampla gama de regulações e o banco oferece um equilíbrio muito competente entre apoio lateral e conforto em viagens longas. Não é necessário criar almofadas exageradamente rígidas para transmitir suporte e, numa utilização familiar, essa filosofia faz muito mais sentido.


A excelente visibilidade frontal e a grande superfície vidrada ajudam a lidar com as dimensões exteriores, enquanto câmaras e sensores tornam as manobras muito menos intimidantes do que os cinco metros de comprimento poderiam sugerir.


Segunda fila: aqui percebe-se verdadeiramente o tamanho do EX90

Se os lugares dianteiros são excelentes, é na segunda fila que começamos a justificar as dimensões exteriores. Com 926 mm de espaço máximo para as pernas e 1.467 mm ao nível dos ombros, dois adultos viajam com enorme conforto e três ocupantes conseguem efetivamente utilizar o banco sem que a viagem se transforme imediatamente numa negociação territorial.


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O piso praticamente plano é outra consequência positiva da arquitetura elétrica e melhora significativamente o conforto do ocupante central. Existem soluções de climatização, carregamento e arrumação adequadas a um automóvel familiar desta categoria, e a grande distância entre eixos permite conciliar espaço na segunda fila com uma terceira fila efetivamente utilizável.


Sete lugares que não existem apenas para preencher a ficha técnica

Este é um ponto fundamental. Muitos SUV anunciam sete lugares, mas os dois últimos parecem ter sido projetados exclusivamente para crianças ou emergências. O EX90 faz melhor.


O acesso exige naturalmente algum movimento da segunda fila, mas, uma vez instalados, os passageiros da terceira fila encontram espaço bastante razoável para a categoria. A configuração atual mantém sete lugares no mercado português e a própria Volvo apresenta o EX90 como um SUV familiar de luxo de sete lugares.


Não significa que dois adultos altos queiram atravessar a Europa na terceira fila, mas significa que podemos transportar sete pessoas sem tratar os últimos passageiros como bagagem adicional. E num mercado onde muitos grandes elétricos continuam limitados a cinco lugares, esta capacidade constitui um dos argumentos comerciais mais fortes do Volvo.


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Bagageira: mesmo com sete lugares ainda sobra espaço

Outro mérito está na forma como o espaço de carga foi preservado. A configuração atual de sete lugares oferece 324 litros com a terceira fila levantada, acompanhados por 72 litros de armazenamento sob o piso. Com as filas traseiras rebatidas, a capacidade pode ultrapassar os dois mil litros dependendo do critério de medição, e existe ainda um frunk dianteiro de 46 litros nas especificações mais recentes.


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Isto transforma o EX90 num dos poucos elétricos premium que consegue conciliar três filas de bancos com capacidade de bagagem genuinamente familiar. Naturalmente, viajar com sete pessoas e respetiva bagagem para férias continuará a exigir alguma disciplina, mas a versatilidade é muito superior à encontrada num SUV elétrico convencional de cinco lugares.


Twin Motor Performance: agora são 680 cv e 870 Nm

Chegamos à componente que mais mudou no EX90 atual e que exige particular atenção para não misturar especificações de diferentes anos-modelo. O Twin Motor Performance atualmente anunciado pela Volvo Portugal, e testado por nós, desenvolve até 500 kW, equivalentes a 680 cv, e 870 Nm, distribuídos através de dois motores elétricos e tração integral. O motor dianteiro é assíncrono e produz até 220 kW, enquanto o traseiro utiliza ímanes permanentes e chega aos 280 kW.


São números absolutamente extraordinários para um SUV familiar de sete lugares. A aceleração dos 0 aos 100 km/h demora apenas 4,2 segundos, enquanto a velocidade máxima permanece eletronicamente limitada aos tradicionais 180 km/h adotados pela Volvo.


E aqui surge uma questão interessante: precisa um automóvel desta natureza de 680 cv? Objetivamente, não. Mas o desempenho serve também para posicionar o EX90 perante concorrentes que há muito transformaram potência elétrica numa espécie de nova moeda do segmento premium.


O importante é que a potência não altera a personalidade essencial do automóvel. O EX90 não precisa de se transformar num pseudo-desportivo apenas porque consegue acelerar como um. Preferimos que continue a utilizar essa enorme reserva de força para ultrapassagens instantâneas, entradas em autoestrada e uma sensação de ausência absoluta de esforço.


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106 kWh, 617 km e arquitetura de 800 V

A bateria das atuais versões Twin Motor tem 106 kWh de capacidade nominal. A autonomia combinada anunciada em Portugal chega aos 617 km WLTP tanto no Twin Motor como no Twin Motor Performance, embora a autonomia real dependa naturalmente de temperatura, velocidade, utilização da climatização, configuração de rodas e estilo de condução. O consumo homologado indicado para o Twin Motor é de 19,5 kWh/100 km; já após mais de 600 km com o automóvel, nossa média terminou em 21,6 KW/h/100 km, lembrando que nosso teste médio inclui 200 km de autoestrada, além de outros tantos em cidade e distancia idêntica em estrada nacional.


Mais importante do que a capacidade absoluta da bateria é a arquitetura de 800 V introduzida no EX90 atualizado. A potência de carregamento DC pode agora tirar partido de postos de 350 kW, permitindo passar de 10 a 80% em aproximadamente 22 minutos nas condições ideais. A Volvo anuncia ainda até 170 km recuperados em dez minutos na informação portuguesa atual.


Esta evolução resolve uma das fragilidades da primeira versão do EX90. Um SUV elétrico pensado para grandes viagens familiares precisa não apenas de uma bateria enorme, mas de minimizar o tempo parado quando finalmente é necessário carregar. E aqui os 800 V fazem muito mais diferença no mundo real do que acrescentar dezenas de cavalos à potência máxima.



Tecnologia e segurança: o verdadeiro território do EX90

Seria impossível falar do EX90 sem abordar aquilo que talvez seja tecnologicamente mais importante do que a própria motorização: o conjunto de sensores dedicado à segurança.


Quando o EX90 foi apresentado, uma das tecnologias mais destacadas pela Volvo era o LiDAR instalado no tejadilho, desenvolvido pela Luminar e pensado para complementar câmaras, radares e sensores ultrassónicos na leitura do ambiente em redor do automóvel.


Algumas das primeiras unidades chegaram efetivamente ao mercado com esse elemento bastante reconhecível acima do para-brisas. A Volvo começou posteriormente a produzir unidades do EX90 sem LiDAR, inicialmente justificando a alteração com limitações no fornecimento do hardware, e a situação evoluiu para o fim da relação com a Luminar e para o abandono dos planos de desenvolvimento das funcionalidades baseadas naquele sistema para o EX90 e o ES90 e EX60, já lançado sem LiDAR.



Isto não significa, porém, que o modelo tenha abandonado a forte aposta na segurança e nos sistemas avançados de assistência à condução. O EX90 continua a recorrer à sua elevada capacidade computacional e a um conjunto abrangente de câmaras, radares e outros sensores para monitorizar aquilo que acontece em redor do veículo, enquanto no habitáculo existem sistemas dedicados à monitorização do condutor. A própria Volvo sustenta que o EX90 mantém os seus padrões de segurança e um elevado nível de assistência à condução com ou sem LiDAR.


No interior, sistemas de monitorização acompanham também o comportamento do condutor. A filosofia é tipicamente Volvo: não basta tentar perceber o que acontece fora do automóvel; é igualmente importante perceber se quem está ao volante continua atento e em condições de reagir.


A grande capacidade computacional do EX90 é fundamental para processar toda essa informação e o modelo atualizado recebeu também melhorias de hardware, com a Volvo a destacar maior capacidade computacional baseada em tecnologia NVIDIA.


Isto coloca o EX90 numa posição curiosa: parte daquilo que estamos a comprar não é imediatamente visível. Não aparece numa aceleração, não aumenta o tamanho do ecrã e não produz um efeito visual espetacular. Está permanentemente a observar, interpretar e preparar o automóvel para situações potencialmente perigosas. Num Volvo, talvez seja precisamente aí que o investimento tecnológico faça mais sentido.



Posicionamento: acima do XC90 e no centro da elite elétrica

Em Portugal, o EX90 começa atualmente nos 86.725 euros PRVP na versão Single Motor. O Twin Motor parte de 92.260 euros, enquanto o Twin Motor Performance começa nos 103.207 euros, antes de equipamento adicional e personalização.


Este posicionamento coloca-o diretamente no território dos grandes SUV elétricos premium. E a partir daqui a discussão deixa de ser apenas racional. Um cliente que ultrapassa os 100 mil euros está a comprar tecnologia e espaço, e no caso da Volvo, segurança, evidentemente, mas também marca, experiência, design e identidade.


Entre os rivais naturais encontramos o BMW iX, tecnicamente sofisticado e muito competente dinamicamente; o Mercedes-Benz EQS SUV, ainda mais orientado para luxo e conforto; o Kia EV9, que oferece três filas de bancos e arquitetura de 800 V com uma relação preço/espaço muito forte; e propostas como o Audi Q8 e-tron, embora a evolução acelerada do mercado elétrico torne as comparações particularmente dependentes do ano-modelo e muito especialmente, da configuração.


O EX90 responde a esses concorrentes de uma forma muito própria. Não tenta vencer o BMW pela desportividade, o Mercedes pela opulência, ou a Audi pelo equilíbrio muito próprio. A sua proposta assenta em segurança, conforto, sete lugares, design escandinavo e discrição, acrescentando agora uma arquitetura elétrica de 800 V que o torna tecnicamente muito mais competitivo.


E acreditamos que é precisamente aí que reside a força do produto. Quem escolhe um EX90 provavelmente não quer que toda a rua saiba quanto custou o automóvel. Quer saber que há espaço para a família, que existe tecnologia suficiente para grandes viagens, que o desempenho nunca será um problema e que a segurança continua a ocupar o centro do projeto.


Um Volvo que prefere conforto à demonstração de força

Mesmo sem transformar esta análise numa avaliação dinâmica completa — que merece um capítulo próprio — há algo que a arquitetura e o posicionamento deixam claro: o EX90 Twin Motor Performance não foi concebido como um SUV desportivo tradicional. A potência serve a facilidade de utilização e não o contrário.


Com uma massa que ronda 2,7 toneladas, não há forma de esconder completamente a física, e seria ingénuo esperar a agilidade de um automóvel mais baixo e leve. O objetivo é outro: estabilidade, silêncio, isolamento, suavidade e uma enorme reserva de desempenho. O facto de conseguir atingir 100 km/h em 4,2 segundos é impressionante, mas aquilo que verdadeiramente interessa num automóvel familiar deste tamanho é a forma como consegue transportar sete pessoas durante centenas de quilómetros.


E é precisamente essa contradição que torna o EX90 fascinante. Temos desempenho de superdesportivo de há poucos anos dentro de um enorme automóvel familiar sueco que parece fazer tudo para que ninguém repare nisso.


Artur Semedo - Editor de veívulos PUBLIRACING
Artur Semedo - Editor de veívulos PUBLIRACING

RESUMO DO EDITOR

O Volvo EX90 Twin Motor Performance é provavelmente uma das demonstrações mais claras de como a eletrificação alterou completamente aquilo que podemos esperar de um grande automóvel familiar. Há alguns anos, imaginar um SUV Volvo de sete lugares com 680 cv, 870 Nm e 0–100 km/h em 4,2 segundos seria quase absurdo. Hoje, esses números existem e, curiosamente, estão longe de ser aquilo que consideramos mais importante neste automóvel.


Gostámos do EX90 precisamente porque a Volvo não deixou que a potência definisse o produto. Este continua a ser, antes de tudo, um Volvo. O design é elegante sem ser ostensivo, o habitáculo transmite serenidade, os bancos continuam excelentes, existe espaço verdadeiro para a família e a terceira fila não parece ter sido incluída apenas para escrever "sete lugares" numa brochura. A qualidade de construção e a escolha de materiais seguem uma interpretação de luxo diferente daquela que encontramos nos rivais alemães, menos exuberante e mais preocupada com ambiente, textura e funcionalidade.


Também há aspetos que nos convencem menos. Com mais de cinco metros de comprimento e cerca de 2,7 toneladas, é inevitavelmente um automóvel enorme para a realidade de muitas cidades europeias. A concentração excessiva de comandos no ecrã central é uma tendência que continuamos a questionar e que, na nossa opinião, nem sempre representa evolução ergonómica. E ultrapassar os 103 mil euros logo no ponto de partida do Twin Motor Performance coloca-o perante concorrentes extraordinariamente competentes.


Mas a atualização técnica mudou significativamente a nossa leitura do EX90. A passagem para 800 V, os carregamentos de 10 a 80% em cerca de 22 minutos, os 106 kWh de bateria, até 617 km WLTP e os novos 680 cv fazem com que a tecnologia de propulsão esteja finalmente à altura da ambição do restante automóvel.


E talvez seja essa a melhor forma de resumir o EX90: não é simplesmente um XC90 elétrico e também não é um exercício para demonstrar aquilo que a Volvo consegue fazer com 680 cv. É a interpretação da marca sueca sobre aquilo que deverá ser o grande automóvel familiar premium da era elétrica. Espaçoso, extremamente tecnológico, rápido quando precisamos, silencioso quando queremos e deliberadamente discreto quase sempre.


Num mercado em que tantos elétricos tentam conquistar-nos através de números cada vez maiores, o EX90 acaba por nos convencer por uma razão muito mais simples: por detrás de toda a tecnologia, continua a existir uma identidade muito clara. E essa identidade continua a ser inequivocamente Volvo.

Artur Semedo

Editor de Veículos | Jornalista Especializado em Produto e Engenharia Automóvel


Com mais de 15 anos de experiência em ensaios a automóveis em Portugal e no Brasil, alia a prática de centenas de testes à formação técnica da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, através de diversos cursos e atualizações em áreas como combustíveis, motores de combustão, baterias, sistemas híbridos e veículos elétricos, proporcionando uma análise aprofundada do comportamento, engenharia e tecnologia de cada automóvel.

Ficha técnica — Volvo EX90 Twin Motor Performance

Característica

Volvo EX90 Twin Motor Performance

Tipo de veículo

SUV premium 100% elétrico

Plataforma

SPA2

Arquitetura elétrica

800 V

Número de lugares

7

Motorização

Dois motores elétricos

Tração

Integral AWD

Transmissão

Automática, relação única

Potência máxima combinada

500 kW / 680 cv

Binário máximo

870 Nm

0–100 km/h

4,2 segundos

Velocidade máxima

180 km/h, limitada eletronicamente

Bateria

Iões de lítio

Capacidade nominal da bateria

106 kWh

Autonomia combinada WLTP

Até 617 km

Autonomia urbana WLTP

Até 781 km

Consumo combinado WLTP

19,4 kWh/100 km

Consumo urbano WLTP

15,6 kWh/100 km

Consumo médio no teste Publiracing

21,6 kWh/100 km

Emissões de CO₂

0 g/km

Carregamento rápido DC

Compatível com carregadores até 350 kW

Carregamento DC 10–80%

22 minutos

Carregamento AC 0–100% (trifásico 16 A)

10 horas

Comprimento

5.037 mm

Largura sem retrovisores

1.964 mm

Largura com retrovisores rebatidos

2.039 mm

Largura com retrovisores abertos

2.113 mm

Altura

1.744 mm

Distância entre eixos

2.985 mm

Via dianteira

1.672 mm

Via traseira

1.666 mm

Diâmetro de viragem

12,0 m

Tara

2.765 kg

Peso bruto

3.340 kg

Capacidade máxima de reboque

2.200 kg

Carga máxima no tejadilho

100 kg

Bagageira com 3.ª fila levantada

324 litros

Bagageira com 3.ª fila rebatida

697 litros

Capacidade máxima com filas rebatidas

2.135 litros

Compartimentos sob o piso

72 litros

Bagageira dianteira (frunk)

46 litros

Largura do piso entre cavas das rodas

1.130 mm

Espaço para pernas dianteiro

1.039 mm

Espaço para pernas na 2.ª fila

926 mm

Espaço para ombros dianteiro

1.475 mm

Espaço para ombros traseiro

1.467 mm

Espaço para cabeça dianteiro, com teto panorâmico

1.075 mm

Espaço para cabeça traseiro, com teto panorâmico

1.056 mm

Preço base Twin Motor Performance em Portugal

Desde 103.207 € PRVP


Preços atuais da gama EX90 em Portugal

Para contextualizar corretamente o posicionamento do Performance, a gama portuguesa começa atualmente nos 86.725 € para o Single Motor, sobe para 92.260 € no Twin Motor AWD e chega aos 103.207 € no Twin Motor Performance AWD. São valores PRVP de entrada indicados pela Volvo Portugal e podem aumentar de forma significativa consoante o nível de equipamento e os opcionais escolhidos. A Volvo Portugal tem também campanhas para empresas com redução substancial destes valores.



Pontos-Chave para Avaliação de Veículos

  1. Motorização e Desempenho

    Potência, binário, aceleração, resposta em diferentes cenários (cidade, estrada, ultrapassagens).

  2. Consumo / Eficiência Energética

    Média de consumo (l/100 km) ou eficiência elétrica (kWh/100 km).

  3. Autonomia

    Fundamental em elétricos e híbridos plug-in, mas também importante em combustão (tamanho do tanque, consumo real).

  4. Conforto e Ergonomia

    Qualidade dos bancos, espaço interno, nível de ruído, suspensão, facilidade de acesso e posição de condução.

  5. Tecnologia e Conectividade

    Infotainment, integração com smartphone, atualizações OTA, assistentes virtuais, personalização digital.

  6. Segurança

    Sistemas ADAS (travagem automática, ACC, manutenção de faixa, monitorização de fadiga), número de airbags, estrutura e testes de colisão.

  7. Travagem e Estabilidade

    Qualidade dos travões, distância de travagem, comportamento em curvas, controle de tração e estabilidade.

  8. Espaço e Funcionalidade

    Porta-malas, espaço para ocupantes, modularidade dos bancos, porta-objetos e usabilidade no dia a dia.

  9. Design e Acabamento

    Estilo exterior, qualidade de materiais no interior, atenção ao detalhe e percepção de valor.

  10. Custo-Benefício

    Preço em relação ao que oferece, garantia, custo de manutenção, valor de revenda.


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