
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
14 de fev.










Grupo automóvel entrega 1,4 milhões de veículos no primeiro trimestre, impulsionado pela Europa e América do Norte, num crescimento sustentado por lançamentos recentes e reposicionamento de gama
A Stellantis iniciou 2026 com um crescimento global de 12% nas suas entregas, totalizando cerca de 1,4 milhões de unidades no primeiro trimestre. Ainda que o resultado represente um arranque sólido, a análise dos dados revela um desempenho fortemente dependente de regiões específicas — sobretudo Europa e América do Norte — e de um conjunto limitado de novos modelos que sustentam o aumento do volume.
Na América do Norte, o crescimento de 17% face ao período homólogo traduz-se em mais 54 mil unidades entregues. Este avanço foi sustentado essencialmente por três modelos: a pick-up Ram 1500 com motor HEMI V8, o renovado Jeep Grand Wagoneer e o novo Jeep Cherokee. Curiosamente, estes modelos foram responsáveis por mais de 100% do crescimento da região, o que significa que outros produtos da gama registaram quebras — como é o caso do Jeep Compass, penalizado pela transição de produção e pelo reposicionamento do Cherokee.
Já na Europa alargada, onde a Stellantis registou um aumento de 12% (mais 69 mil unidades), o crescimento foi impulsionado sobretudo por novos lançamentos assentes na chamada plataforma “Smart Car”. Modelos como o Citroën C3 e C3 Aircross, Opel/Vauxhall Frontera e o Fiat Grande Panda contribuíram com um aumento de 85% nas entregas desta base técnica, evidenciando uma estratégia clara de aposta em veículos mais acessíveis e com maior escala. Ao mesmo tempo, a entrada da marca Leapmotor começa a ganhar tração, com cerca de 27 mil unidades entregues, sinalizando o avanço da Stellantis na eletrificação de entrada de gama — particularmente em mercados como Itália.
Nos restantes mercados, o cenário é mais heterogéneo. No Médio Oriente e África, o crescimento de 11% foi essencialmente impulsionado pela Turquia, enquanto os países do Golfo registaram uma quebra acentuada. Já na América do Sul, o crescimento foi mais moderado (+4%), com o Brasil a compensar parcialmente a queda significativa na Argentina, onde o mercado enfrenta retração e maior pressão de novos concorrentes, nomeadamente marcas chinesas.
Apesar de manter a liderança na América do Sul e de apresentar crescimento global em todas as regiões, a leitura mais aprofundada dos dados evidencia alguns pontos de atenção. A dependência de novos modelos para sustentar volumes, a volatilidade de mercados como a Argentina e a crescente concorrência externa colocam desafios relevantes para a Stellantis ao longo de 2026.
Além disso, o crescimento em volume não reflete necessariamente uma melhoria direta na rentabilidade, uma vez que o conceito de “shipments” inclui veículos entregues a concessionários e não vendas finais ao cliente, podendo indicar acumulação de stock em determinados mercados.
Num contexto global marcado por transição energética, pressão regulatória e mudança nos padrões de consumo, o desempenho da Stellantis no primeiro trimestre confirma capacidade de reação e adaptação, mas também sublinha a necessidade de consistência estrutural para sustentar o crescimento ao longo do ano.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel.
👉 “A Revista Publiracing acredita em jornalismo isento, relevante e de qualidade. Se também valoriza informação independente, considere apoiar o nosso trabalho.”
Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo

































Comentários