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Stellantis fecha 2025 com prejuízo de 22,3 mil milhões de euros após “reset” estratégico

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    Redação Europa
  • há 14 horas
  • 2 min de leitura

Antonio Filosa lidera recuperação da Stellantis
Antonio Filosa lidera recuperação da Stellantis

Receitas caem 2% e grupo suspende dividendo de 2026. Administração assume custo de ter sobrestimado ritmo da transição energética e promete regresso gradual ao crescimento em 2026.


A Stellantis encerrou 2025 com um prejuízo líquido de 22,3 mil milhões de euros, num exercício marcado por 25,4 mil milhões de euros em encargos extraordinários associados a uma profunda revisão estratégica do grupo. As receitas recuaram 2%, para 153,5 mil milhões de euros, pressionadas por efeitos cambiais adversos e por descidas de preços no primeiro semestre, segundo os resultados anuais divulgados a 26 de fevereiro.


O resultado operacional ajustado foi negativo em 842 milhões de euros, com uma margem de -0,5%, enquanto o fluxo de caixa industrial livre ficou igualmente em terreno negativo, em 4,5 mil milhões de euros. Perante este enquadramento, o conselho de administração aprovou a suspensão do dividendo relativo a 2026 e autorizou a emissão de até 5 mil milhões de euros em obrigações híbridas, numa tentativa de preservar a solidez do balanço. No final de 2025, a liquidez industrial disponível ascendia a 45,7 mil milhões de euros.


A empresa justifica o desempenho com o custo de ter “sobrestimado o ritmo da transição energética” e com a necessidade de recentrar a oferta na “liberdade de escolha” dos clientes entre motorizações elétricas, híbridas e de combustão. O chamado “reset” estratégico, anunciado em fevereiro de 2026, implicou imparidades de plataformas (incluindo 5,7 mil milhões de euros na América do Norte), revisão do plano de produto e da cadeia de fornecimento de veículos elétricos, provisões adicionais para garantias e o abandono do programa de hidrogénio.


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Apesar do resultado anual negativo, o segundo semestre revelou sinais de recuperação. As receitas cresceram 10% face ao período homólogo, para 79,2 mil milhões de euros, e os envios consolidados aumentaram 11%, para 2,8 milhões de unidades. O fluxo de caixa industrial livre negativo melhorou 73% face ao segundo semestre de 2024.


Por regiões, a América do Norte registou um agravamento operacional, com resultado ajustado negativo de 1,9 mil milhões de euros no conjunto do ano, afetado por mix desfavorável, maiores incentivos e impacto de tarifas. Na Europa Alargada, o resultado operacional ajustado caiu para -651 milhões de euros, penalizado por pressões de preço, menores volumes e custos industriais acrescidos. Já a América do Sul manteve-se lucrativa, com 1,96 mil milhões de euros de resultado operacional ajustado, apesar de impactos cambiais no Brasil e na Argentina.


Para 2026, a Stellantis antecipa um aumento das receitas na ordem de um dígito médio, margem operacional ajustada de um dígito baixo e melhoria do fluxo de caixa industrial, com evolução progressiva ao longo do ano. O grupo admite, contudo, que o regresso a fluxos de caixa positivos só deverá ocorrer em 2027.


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