
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.










Marca japonesa venceu a 94.ª edição das 24 Horas de Le Mans após um duelo intenso com BMW e Cadillac, numa corrida decidida por apenas 10,913 segundos, a diferença mais curta da história do Campeonato do Mundo de Resistência (FIA WEC).
A Toyota voltou a escrever mais um capítulo da sua história nas 24 Horas de Le Mans, conquistando a vitória na 94.ª edição da clássica francesa depois de uma batalha épica que apenas ficou decidida nos instantes finais. Numa corrida marcada pelo equilíbrio entre os principais fabricantes da categoria Hypercar, a marca japonesa superou BMW e Cadillac e regressou ao lugar mais alto do pódio em La Sarthe pela primeira vez desde 2022, alcançando o seu sexto triunfo absoluto na prova e reforçando a liderança nos campeonatos de Construtores e de Pilotos do FIA WEC.
Perante uma assistência recorde de 350.105 espectadores, a edição de 2026 confirmou o excelente momento vivido pelo Mundial de Resistência. A diferença de apenas 10,913 segundos entre o vencedor e o segundo classificado tornou-se a menor alguma vez registada numa chegada absoluta do FIA WEC, ilustrando o enorme equilíbrio competitivo que marcou as 24 horas de competição.
O sucesso da Toyota começou a desenhar-se logo nos primeiros minutos da corrida, quando a equipa optou por uma estratégia alternativa relativamente aos restantes candidatos, antecipando paragens nas boxes para colocar os seus dois GR010 Hybrid em pista limpa. Partindo apenas da 14.ª e 15.ª posições da grelha, uma situação aparentemente desfavorável, a aposta revelou-se decisiva para colocar ambos os carros na luta pela vitória. Durante grande parte da prova, foi o Toyota nº 8, conduzido por Brendon Hartley, Ryō Hirakawa e Sébastien Buemi, que parecia reunir melhores condições para vencer, recuperando terreno sobre o Cadillac nº 12 e o BMW nº 20.
Contudo, uma entrada do Safety Car durante a manhã de domingo alterou completamente o cenário competitivo. O Toyota nº 7, de Mike Conway, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries, beneficiou da neutralização para recuperar de um furo lento sofrido nas primeiras horas e de um problema num sensor do veio de transmissão que anteriormente o havia afastado da frente da corrida. A partir desse momento, iniciou-se uma intensa luta a quatro entre os dois Toyota, o Cadillac nº 12 e o BMW nº 20.
Nas horas decisivas, a velocidade de Kamui Kobayashi, as ultrapassagens determinadas de Nyck de Vries — incluindo uma manobra sobre Norman Nato na travagem para Mulsanne — e uma gestão favorável de um período de Full Course Yellow acabariam por inclinar a balança para a equipa japonesa. Kobayashi cruzou a meta na primeira posição, oferecendo à Toyota a sua 51.ª vitória no FIA WEC em apenas 102 participações, um impressionante registo de cerca de 50% de triunfos.
A BMW terminou numa meritória segunda posição com o M Hybrid V8 nº 20, pilotado por Robin Frijns, René Rast e Sheldon van der Linde. Apesar de não conseguir acompanhar o ritmo final da Toyota, a formação bávara alcançou o seu primeiro pódio absoluto em Le Mans desde a histórica vitória obtida em 1999. O terceiro lugar ficou para o Toyota nº 8, completando uma corrida de enorme consistência por parte da formação japonesa.
Já a Cadillac esteve muito perto de conquistar um resultado histórico. O V-Series.R nº 12, conduzido por Norman Nato, Will Stevens e Louis Delétraz, terminou na quarta posição depois de uma penalização por infração numa Slow Zone e de duas paragens extraordinárias nas boxes que comprometeram a luta pela vitória. Ainda mais azarado foi o Cadillac nº 38, que perdeu sete voltas devido a problemas na direção assistida e acabaria por abandonar após nova incidência mecânica.
Ao contrário das três edições anteriores, a Ferrari não conseguiu repetir o domínio recente em Le Mans. Os três 499P nunca encontraram o ritmo necessário para disputar a vitória, terminando o melhor exemplar da marca italiana, o nº 51, apenas na quinta posição, enquanto o Ferrari nº 50 foi uma das desistências da categoria Hypercar.

Na categoria LMGT3, a vitória pertenceu ao Corvette da TF Sport, que resistiu à pressão do Lexus da Akkodis ASP Team e do Aston Martin da Heart of Racing Team para conquistar o décimo triunfo da marca norte-americana em Le Mans. Já entre os LMP2, a Inter Europol Competition voltou a confirmar a sua excelente tradição na prova francesa ao assegurar uma expressiva dobradinha, conquistando a categoria pela terceira vez nas últimas quatro edições.
Concluída a mais emblemática corrida do calendário, o Campeonato do Mundo de Resistência prossegue dentro de quatro semanas com as 6 Horas de São Paulo, no Brasil, mas Le Mans de 2026 ficará certamente na memória como uma das edições mais equilibradas e emocionantes da era moderna da competição.
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