Volvo perde 10,7% das vendas globais no terceiro trimestre, mas elétricos crescem 29%

A Volvo Cars encerrou o terceiro trimestre de 2026 com 141.609 automóveis vendidos em todo o mundo, uma quebra de 10,7% face ao mesmo período do ano passado. O forte recuo na China e uma recuperação abaixo das expectativas nas Américas condicionaram o resultado global, mas há um movimento em sentido contrário: os modelos 100% elétricos cresceram quase 29% e já representam 32% das vendas da marca. Na Europa, o avanço dos BEV foi ainda mais expressivo, atingindo 51%.
Os números da Volvo entre julho e setembro mostram uma fabricante a enfrentar realidades bastante diferentes consoante a região. Globalmente, foram vendidos menos 17.006 automóveis do que no terceiro trimestre de 2025, quando tinham sido registadas 158.615 unidades.
A quebra de 10,7% é explicada sobretudo pela deterioração do mercado chinês, onde a Volvo perdeu mais de 40% do volume, e pelas dificuldades nas Américas. Europa e restantes mercados, pelo contrário, conseguiram crescer 2%.
Por trás da redução das vendas totais existe outra transformação relevante. A Volvo comercializou 45.060 automóveis totalmente elétricos no trimestre, contra 35.032 há um ano, uma progressão de 28,6%, arredondada pela fabricante para 29%.
Somando elétricos e híbridos plug-in, foram vendidos 75.649 automóveis eletrificados, equivalentes a 53% das vendas mundiais da Volvo.
China perde mais de 13.800 automóveis num trimestre
A China foi claramente o principal problema da Volvo entre julho e setembro. As entregas caíram de 34.172 para 20.284 unidades, uma redução de 40,6%.
Em termos absolutos, são menos 13.888 automóveis em apenas três meses. Esta diferença representa mais de 80% da redução líquida de 17.006 unidades registada pela Volvo globalmente, embora a evolução das restantes regiões também tenha influenciado o resultado final.
A fabricante atribui a queda à crescente pressão concorrencial e sobre os preços exercida pelas marcas locais, conjugada com um enquadramento macroeconómico desfavorável. Segundo a Volvo, o próprio mercado premium chinês registou uma contração acentuada de dois dígitos.
A composição das vendas chinesas apresenta, contudo, diferenças importantes. Os modelos eletrificados cresceram 25%, passando de 5028 para 6284 unidades.
Esse crescimento não veio dos elétricos puros. Os BEV recuaram 29,9%, para apenas 968 unidades, enquanto os híbridos plug-in aumentaram 45,7%, atingindo 5316.
A maior queda ocorreu nos mild hybrid e modelos exclusivamente de combustão: de 29.144 para 14.000 unidades, menos 52%.
Europa resiste e elétricos crescem 51%
Na Europa e restantes mercados, a situação foi praticamente oposta. As vendas chegaram às 90.548 unidades, 2% acima das 88.807 registadas no terceiro trimestre do ano passado.
É também nesta região que a transição elétrica da Volvo apresenta maior intensidade.
Foram vendidos 40.466 automóveis 100% elétricos, contra 26.829 no período homólogo, correspondendo a um crescimento de 51%.
Os eletrificados, considerando BEV e PHEV, totalizaram 57.983 unidades e cresceram 12%, representando 64% das vendas da Volvo na região.
Europa e restantes mercados | Q3 2026 | Q3 2025 | Variação |
Total | 90.548 | 88.807 | +2% |
Eletrificados | 57.983 | 51.911 | +12% |
100% elétricos | 40.466 | 26.829 | +51% |
Híbridos plug-in | 17.517 | 25.082 | -30% |
Mild hybrid/combustão | 32.565 | 36.896 | -12% |
Há, porém, um dado que merece atenção: enquanto os elétricos puros avançaram fortemente, os PHEV perderam 30% das vendas na região.
A Volvo espera alterar esta tendência com a nova geração de híbridos plug-in de maior autonomia, cuja produção está a preparar, enquanto aumenta também a produção do novo EX60.
Segundo Erik Severinson, Chief Commercial Officer da Volvo Cars, a procura europeia pelos novos produtos continua forte, liderada precisamente pelo EX60 e pelos mais recentes híbridos plug-in de longa autonomia.
Américas recuam 14% e eletrificados perdem terreno
O segundo ponto de pressão encontra-se nas Américas. A Volvo vendeu 30.777 automóveis, menos 14% do que as 35.636 unidades do terceiro trimestre de 2025.
Neste caso, a eletrificação não conseguiu compensar a queda do mercado. Pelo contrário.
Os eletrificados passaram de 15.385 para 11.382 unidades, uma redução de 26%. Os elétricos puros sofreram a contração mais acentuada, de 6823 para 3626 unidades, ou -47%.
Os híbridos plug-in recuaram 9%, para 7756 unidades, enquanto mild hybrid e modelos exclusivamente de combustão diminuíram apenas 4%, para 19.395.
A Volvo aponta para uma combinação de menor confiança dos consumidores, aumento da concorrência no segmento SUV e uma base de comparação particularmente elevada em 2025, quando a procura por modelos eletrificados foi impulsionada antes do fim de incentivos ao consumidor.
A recuperação da procura por BEV e PHEV nos Estados Unidos está também, segundo a fabricante, a decorrer mais lentamente do que antecipado.
Elétricos crescem, PHEV recuam 18%
A fotografia global do trimestre evidencia uma alteração na composição das vendas da Volvo.
Global | Q3 2026 | Q3 2025 | Variação |
Total | 141.609 | 158.615 | -10,7% |
Eletrificados | 75.649 | 72.324 | +4,6% |
100% elétricos | 45.060 | 35.032 | +28,6% |
Híbridos plug-in | 30.589 | 37.292 | -18,0% |
Mild hybrid/combustão | 65.960 | 86.291 | -23,6% |
Enquanto as vendas totais diminuíram, os eletrificados cresceram 4,6%. Esse resultado deve-se exclusivamente ao avanço dos BEV, uma vez que os híbridos plug-in recuaram 18%.
Os mild hybrid e automóveis exclusivamente de combustão registaram uma redução ainda superior, de 23,6%, passando de 86.291 para 65.960 unidades.
Consequentemente, mais de metade dos Volvo vendidos no mundo durante o trimestre já tinha possibilidade de carregamento externo: 53% eram BEV ou PHEV.
Os elétricos puros, isoladamente, alcançaram aproximadamente 32% do volume global.
Europa já responde pela esmagadora maioria dos elétricos da Volvo
Os dados regionais revelam ainda até que ponto o desempenho elétrico da Volvo depende atualmente da Europa e dos restantes mercados agrupados nesta região comercial.
Das 45.060 unidades BEV vendidas mundialmente no trimestre, 40.466 foram registadas na Europa e RoW. As Américas contribuíram com 3626 e a China com apenas 968.
Isso significa que praticamente nove em cada dez elétricos vendidos globalmente pela Volvo no terceiro trimestre pertencem à região Europa e RoW definida pela própria fabricante.
É uma concentração significativa e ajuda a explicar por que razão a companhia considera o desempenho europeu resiliente apesar da quebra global.
Também expõe um desafio: o crescimento dos BEV está a ocorrer de forma muito desigual nos três grandes blocos comerciais.
EX60 ganha importância na estratégia para recuperar volume
É neste contexto que o EX60 assume particular relevância. A Volvo refere uma procura e uma entrada de encomendas fortes na Europa e está agora concentrada em aumentar a produção do modelo.
A estratégia passa igualmente pelo arranque produtivo dos novos PHEV de maior autonomia, numa altura em que esta tecnologia caiu globalmente de 37.292 para 30.589 unidades.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Apoie o jornalismo de valor. Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo







































Comentários