Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.


Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
14 de fev.













Associação europeia dos fabricantes automóveis considera que o Industrial Accelerator Act pode reforçar a indústria europeia, mas avisa que regras demasiado rígidas e custos acrescidos podem comprometer competitividade e acelerar pressão sobre fabricantes europeus
A ACEA – European Automobile Manufacturers’ Association manifestou as suas primeiras reservas relativamente ao futuro Industrial Accelerator Act (IAA), legislação europeia que pretende reforçar a autonomia industrial da União Europeia em áreas estratégicas como baterias, matérias-primas e produção de veículos elétricos. Embora a associação reconheça a importância de reduzir a dependência europeia de países terceiros, especialmente da China, os fabricantes alertam que a proposta atual poderá aumentar significativamente os custos de produção automóvel e agravar a pressão competitiva sobre a indústria europeia.
Segundo a associação, a criação de uma cadeia de valor europeia para baterias é considerada essencial para a soberania tecnológica da União Europeia e os construtores já estão a investir fortemente em capacidade de produção no continente. No entanto, a associação considera que o sucesso do IAA dependerá diretamente da existência de uma estratégia industrial muito mais ampla e agressiva que permita tornar a produção europeia efetivamente competitiva face aos mercados asiáticos e norte-americanos.
Entre os principais problemas apontados pela indústria estão os elevados custos energéticos na Europa, os processos de licenciamento considerados demasiado lentos e a falta de incentivos suficientes para acelerar rapidamente a produção local de componentes e baterias. A ACEA alerta que as metas de conteúdo europeu previstas na proposta assentam em pressupostos demasiado otimistas relativamente à capacidade industrial europeia nos próximos anos.
Outro dos pontos mais sensíveis destacados pelos fabricantes prende-se com o impacto direto no preço final dos veículos elétricos. A associação reconhece que a implementação das novas exigências industriais aumentará inevitavelmente os custos de fabrico, defendendo por isso mecanismos de compensação como supercréditos para veículos elétricos produzidos na União Europeia e apoios financeiros diretos para entidades públicas que adquiram autocarros e camiões “Made in Europe”.
A associação europeia critica igualmente aquilo que considera ser um risco de excesso burocrático associado ao novo regulamento, alertando para a criação de processos administrativos extremamente complexos destinados a rastrear a origem de milhares de componentes provenientes de cadeias globais de fornecimento. Segundo a ACEA, existe o perigo de o Industrial Accelerator Act se transformar num verdadeiro “Industrial Administrative Act”, aumentando significativamente a carga administrativa sobre fabricantes e fornecedores.
Os construtores automóveis alertam ainda para várias indefinições críticas presentes no texto atual da proposta, incluindo a ausência de metodologias claras para definir aço e alumínio de baixo carbono ou mesmo a interpretação jurídica exata do conceito de montagem de veículos dentro da União Europeia. A associação considera que estas definições são essenciais antes da aprovação definitiva da legislação porque terão impacto direto na viabilidade prática das futuras regras de produção.
O setor dos veículos pesados surge também como uma das áreas mais preocupadas com a proposta atual. Segundo a associação, os camiões e autocarros enfrentam realidades industriais muito específicas que não estão devidamente refletidas no texto atual, incluindo tempos de desenvolvimento mais longos, complexidade de produção e forte pressão concorrencial de fabricantes não europeus. A ACEA teme que, quando o IAA entrar plenamente em vigor, algumas áreas do setor europeu dos transportes pesados possam já enfrentar dificuldades difíceis de recuperar sem medidas de apoio específicas e imediatas.
O posicionamento da associação surge numa altura particularmente delicada para a indústria automóvel europeia que tenta simultaneamente acelerar a eletrificação, responder às exigências ambientais europeias e enfrentar a crescente competitividade dos fabricantes chineses. Mais do que uma simples discussão regulatória, o debate em torno do Industrial Accelerator Act começa assim a expor uma preocupação cada vez mais evidente entre os fabricantes europeus: a possibilidade de a transição energética estar a avançar mais rapidamente do que a própria capacidade industrial europeia de a suportar de forma competitiva.
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