
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 5 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










De Alexander Calder a Julie Mehretu, passando por Andy Warhol, Roy Lichtenstein, David Hockney e Jeff Koons, os 20 BMW Art Cars estão juntos pela primeira vez numa única exposição. A mostra, patente no BMW Welt, em Munique, até 31 de agosto, assinala os 50 anos de uma coleção que transformou automóveis de estrada, modelos de competição e protótipos em obras de arte.
Há meio século, um BMW 3.0 CSL pintado por Alexander Calder deu início a uma experiência que acabaria por estabelecer uma ligação singular entre o mundo automóvel e algumas das figuras mais relevantes da arte contemporânea. Em 2026, pela primeira vez desde a criação do projeto, os 20 BMW Art Cars estão reunidos num único espaço, numa exposição de entrada gratuita no BMW Welt, em Munique.
Intitulada “BMW ART CARS – 20 ARTISTAS, 50 ANOS DE INOVAÇÃO. REUNIDOS NO BMW WELT”, a exposição permanece aberta até 31 de agosto e permite observar, lado a lado, cinco décadas de interpretações artísticas sobre diferentes automóveis da marca alemã. Mais do que uma retrospetiva de design, a coleção permite acompanhar simultaneamente transformações na arte, no automóvel e na própria competição.
A origem dos Art Cars remonta a 1975 e está diretamente ligada ao automobilismo. A ideia partiu do piloto e leiloeiro de arte francês Hervé Poulain, em colaboração com Jochen Neerpasch, então responsável pela BMW Motorsport. Poulain convidou Alexander Calder a intervir sobre um BMW 3.0 CSL que participaria nas 24 Horas de Le Mans.


Nascia assim o primeiro Art Car. Um ano depois, Frank Stella utilizaria outro 3.0 CSL e, em 1977, Roy Lichtenstein trabalharia sobre um BMW 320i Turbo. Em 1979 chegaria uma das peças mais reconhecidas de toda a coleção: o BMW M1 pintado por Andy Warhol, também levado à competição em Le Mans.
Ao longo das décadas seguintes, a lista foi crescendo e passou a incluir artistas como Robert Rauschenberg, Esther Mahlangu, David Hockney, Jenny Holzer, Olafur Eliasson, Jeff Koons, Cao Fei, John Baldessari e Julie Mehretu. Os automóveis escolhidos também ajudam a contar diferentes capítulos da história da BMW, do 635 CSi ao Z1, passando pelo M3, 850 CSi e por várias máquinas concebidas para competição.

A organização da exposição optou por inverter a cronologia. O percurso começa com as obras mais recentes e conduz progressivamente o visitante até 1975, permitindo recuar através dos diferentes períodos artísticos e tecnológicos.
Entre os primeiros automóveis apresentados estão o 20.º Art Car, criado por Julie Mehretu sobre o BMW M Hybrid V8, e o 19.º, assinado por John Baldessari a partir do BMW M6 GTLM. A obra de Mehretu, apresentada em 2024, representa também uma evolução do próprio conceito Art Car, ao prolongar o projeto para além do automóvel através de iniciativas ligadas à produção artística e cinematográfica africana.
Uma linha temporal acompanha a exposição e contextualiza cada criação. No final do percurso encontram-se os primeiros exemplares da coleção, com o BMW 3.0 CSL de Alexander Calder colocado no centro da apresentação dedicada às origens do projeto.
A reunião integral da coleção permite também perceber como o conceito de Art Car foi mudando. Se alguns automóveis mantiveram uma relação direta com as pistas, outros utilizaram modelos de estrada como suporte artístico e houve ainda projetos que questionaram a própria forma física do automóvel.

É precisamente neste último grupo que se destaca o BMW H2R Project de Olafur Eliasson, 16.º Art Car da coleção. Baseado num protótipo movido a hidrogénio, encontra-se instalado na zona exterior leste do BMW Welt e esta é apenas a quarta ocasião em que a obra é apresentada publicamente desde a estreia mundial, em 2007.
Eliasson retirou a carroçaria convencional do H2R, substituindo-a por uma estrutura de malha em metal refletor posteriormente coberta por várias camadas de água congelada. Com cerca de duas toneladas de peso e iluminação interior, a instalação utilizou o automóvel como ponto de partida para uma reflexão sobre tecnologia e sustentabilidade.
Nº | Artista | Automóvel | Ano |
1 | Alexander Calder | BMW 3.0 CSL | 1975 |
2 | Frank Stella | BMW 3.0 CSL | 1976 |
3 | Roy Lichtenstein | BMW 320i Turbo | 1977 |
4 | Andy Warhol | BMW M1 | 1979 |
5 | Ernst Fuchs | BMW 635 CSi | 1982 |
6 | Robert Rauschenberg | BMW 635 CSi | 1986 |
7 | Michael Nelson Jagamara | BMW M3 Group A | 1989 |
8 | Ken Done | BMW M3 Group A | 1989 |
9 | Matazo Kayama | BMW 535i | 1990 |
10 | César Manrique | BMW 730i | 1990 |
11 | A.R. Penck | BMW Z1 | 1991 |
12 | Esther Mahlangu | BMW 525i | 1991 |
13 | Sandro Chia | BMW M3 GTR | 1992 |
14 | David Hockney | BMW 850 CSi | 1995 |
15 | Jenny Holzer | BMW V12 LMR | 1999 |
16 | Olafur Eliasson | BMW H2R | 2007 |
17 | Jeff Koons | BMW M3 GT2 | 2010 |
18 | Cao Fei | BMW M6 GT3 | 2017 |
19 | John Baldessari | BMW M6 GTLM | 2016 |
20 | Julie Mehretu | BMW M Hybrid V8 | 2024 |

A exposição de Munique assume particular relevância precisamente por permitir observar toda a coleção num mesmo contexto, algo que nunca tinha acontecido ao longo dos seus 50 anos. Apesar das diferenças entre épocas, artistas e automóveis, permanece uma ideia comum desde o 3.0 CSL de Calder até ao M Hybrid V8 de Mehretu: usar o automóvel não apenas como objeto funcional ou máquina de competição, mas como suporte para interpretar artisticamente o seu próprio tempo.
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