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Volvo leva a condução monitorizada para a Suécia e Noruega e prepara seguros com preços ligados ao comportamento ao volante

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    Redação Europa
  • há 3 horas
  • 4 min de leitura
Volvo leva a condução monitorizada para a Suécia e Noruega e prepara seguros com preços ligados ao comportamento ao volante

Nova aplicação Safety Coach analisa travagens, acelerações e comportamento em curva para atribuir uma pontuação individual ao condutor. A tecnologia estreia-se na Suécia e Noruega e abre caminho a seguros baseados nos dados reais de condução, levantando também questões sobre privacidade e sobre a crescente utilização da telemática no automóvel.


A Volvo Cars vai começar a disponibilizar este mês a Safety Coach, uma nova aplicação destinada a analisar a forma como cada automobilista conduz e a apresentar recomendações em tempo real através do sistema de infoentretenimento e da aplicação móvel da marca. Mais do que uma ferramenta de segurança, o sistema poderá também ter consequências financeiras: os condutores que aceitarem partilhar os seus dados com seguradoras poderão beneficiar de prémios calculados em função do comportamento efetivamente registado ao volante.


A aplicação começa por chegar à Suécia e Noruega, estando prevista posteriormente a expansão para os Estados Unidos e outros mercados europeus. Numa primeira fase, será compatível com grande parte dos Volvo equipados com sistema de infoentretenimento baseado em Android da Google a partir do ano-modelo 2020.


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Travagens, aceleração e curvas passam a contar

O Safety Coach recolhe indicadores relacionados com a condução quotidiana, incluindo travagens, acelerações e comportamento em curva, utilizando essa informação para criar uma pontuação dinâmica e individual.


O objetivo é identificar comportamentos que possam aumentar o risco e incentivar uma condução mais previsível. A Volvo sustenta a abordagem nos dados e conhecimentos de segurança acumulados durante décadas de análise de acidentes e situações reais de circulação.


“A nossa investigação mostra que muitos acidentes envolvem alguma forma de surpresa. O que ajuda a evitá-la é a previsibilidade”, explica Mikael Ljung Aust, especialista em comportamento do condutor na Volvo Cars.


Segundo o responsável, permanecer dentro das velocidades esperadas e evitar manobras abruptas facilita a antecipação das ações por parte dos restantes utilizadores da estrada e pode reduzir o risco de colisão.


Uma pontuação que poderá mexer no preço do seguro

É na ligação entre a aplicação e o setor segurador que o Safety Coach ganha outra dimensão. Na Suécia e Noruega, os clientes poderão optar por partilhar os dados recolhidos com a Volvia, seguradora associada à iniciativa, tornando possível a aplicação de condições de seguro baseadas na utilização e no comportamento do condutor.


Trata-se do conceito normalmente conhecido como usage-based insurance, no qual o risco deixa de ser calculado apenas através de parâmetros tradicionais e passa também a considerar dados telemáticos recolhidos durante a utilização efetiva do automóvel.


Na prática, um comportamento considerado mais seguro poderá traduzir-se em benefícios personalizados no seguro. A Volvo refere que pretende levar propostas semelhantes a outros mercados à medida que o Safety Coach for sendo internacionalizado, embora ainda não tenha indicado quando a aplicação chegará a Portugal nem quais serão as condições aplicáveis em cada país.


Tecnologia desenvolvida com a Cambridge Mobile Telematics

A aplicação resulta de uma colaboração entre a Volvo Cars e a Cambridge Mobile Telematics (CMT), empresa especializada em telemática e inteligência artificial aplicada à mobilidade. É um algoritmo da CMT que serve de base ao cálculo da pontuação atribuída pelo Safety Coach.


William V. Powers, cofundador e CEO da empresa, afirma que os dados obtidos nos seus programas de condução segura mostram reduções significativas na frequência de episódios de excesso de velocidade e travagens bruscas quando os automobilistas participam ativamente neste tipo de sistemas.


A tecnologia insere-se numa tendência mais ampla da indústria: o automóvel conectado permite que o risco individual seja progressivamente medido através da condução real, em vez de depender exclusivamente de fatores estatísticos como idade, localização, histórico de sinistros ou características do veículo.


Partilha dos dados depende da autorização do condutor

A utilização de informação detalhada sobre a condução coloca inevitavelmente a privacidade no centro da discussão. Segundo a Volvo, a adesão ao Safety Coach é opcional e o condutor mantém controlo sobre a utilização dos seus dados.


Existem, além disso, dois níveis distintos de consentimento. Primeiro, o utilizador decide se pretende utilizar o Safety Coach. Depois, terá de autorizar separadamente a partilha das informações com seguradoras associadas caso pretenda beneficiar de um seguro baseado na utilização.


Esta separação será particularmente relevante na expansão europeia do serviço, onde o tratamento e partilha de dados pessoais estão sujeitos a regras específicas. A relação entre telemática, segurança e seguros poderá tornar-se uma das áreas mais sensíveis à medida que os veículos conectados passam a recolher quantidades cada vez maiores de informação sobre os seus utilizadores.


Disponível em grande parte da gama recente da Volvo

A primeira fase abrange automóveis com sistema de infoentretenimento Android da Google a partir do ano-modelo 2020. A lista anunciada inclui XC40, EX40, EC40, S60, V60, XC60, EX60, XC90, V90, EX90 e ES90, embora a disponibilidade possa variar consoante o modelo e o mercado.


O Safety Coach mostra, assim, como o software começa a assumir funções que ultrapassam o próprio funcionamento do automóvel. A mesma informação utilizada para aconselhar o condutor e tentar reduzir comportamentos de risco poderá servir para determinar quanto paga pelo seguro.


É uma evolução com potenciais vantagens para quem conduz de forma consistente e previsível, mas que introduz igualmente uma nova equação no automóvel conectado: até que ponto estará o condutor disposto a trocar dados sobre a forma como conduz por um possível desconto no seguro?


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