
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










A Rampa Internacional de Boticas abre a fase decisiva do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group 2026 com 82 pilotos inscritos e várias contas que podem começar a ficar resolvidas. A três provas do final da temporada, os 5,11 quilómetros do traçado transmontano recebem os quatro candidatos matemáticos ao título absoluto, enquanto categorias como Protótipos B, GT e Super Challenge podem conhecer já os seus campeões. À luta pelos pontos junta-se uma presença internacional capaz de interferir diretamente na classificação da prova, com destaque para o espanhol José López-Fombona e o Audi RS5 DTM.
Boticas chega numa altura em que praticamente todos os resultados começam a ter consequências diretas nas contas do campeonato. A prova organizada pela Demoporto, com o apoio do Município de Boticas, é a primeira das três jornadas que encerram a temporada e volta a colocar pilotos e máquinas perante um dos traçados mais exigentes do calendário: 5,11 km de extensão, 9,2% de inclinação média e 727 metros de desnível. A rampa, que já integrou o Campeonato da Europa de Montanha, combina velocidade, potência e capacidade de adaptação a um percurso onde diferenças relativamente pequenas podem assumir um peso decisivo.
A classificação absoluta concentra naturalmente grande parte das atenções. Os quatro pilotos que permanecem matematicamente na discussão do título estarão em Boticas e a diversidade das máquinas acrescenta interesse a uma batalha que continua aberta.
José Correia, ao volante da Osella PA30 da JC Group Racing Team, surge entre os principais candidatos à vitória. O traçado longo e o desnível podem favorecer o potencial do protótipo de três litros, enquanto uma vitória permitiria ao piloto bracarense aproximar-se daquele que seria o segundo título absoluto da carreira. A tarefa está, contudo, longe de ser simples.
Nuno Caetano chega particularmente motivado depois de ter conquistado na Capital do Móvel a primeira vitória absoluta da carreira. Com a Osella PA2000 EVO2-PA30 da Power House, tentará dar continuidade a esse resultado precisamente quando o campeonato entra na sua fase mais importante. A equação volta também a incluir Hélder Silva. O atual campeão nacional regressa à competição sem a habitual Norma, utilizando desta vez uma Osella PA21/S Evo da Power House, mudança que introduz uma incógnita adicional sobre o seu potencial em Boticas.
Entre os Protótipos A estará igualmente Carlos Gonçalves, com uma Osella PA21/S da JC Group Racing Team. Mas há um nome que, apesar de não interferir diretamente nas contas do campeonato, poderá alterar a classificação absoluta da prova. O espanhol José López-Fombona regressa com o Audi RS5 DTM, máquina com a qual terminou no pódio absoluto em Boticas no ano passado. Como não está inscrito no campeonato, não retira pontos aos concorrentes nacionais, mas pode colocar-se entre eles na classificação da rampa.

A situação mais particular encontra-se nos Protótipos B, porque é precisamente nesta divisão que compete o atual líder absoluto do CPM. Tomás Pinto, no BRC CM05 Evo da Famaconcret Racing Team, chega a Boticas com dois objetivos: continuar a defender a liderança geral e tentar assegurar antecipadamente o título da categoria.
O jovem piloto de Mesão Frio tem conseguido colocar o pequeno protótipo entre máquinas teoricamente mais potentes e integra o grupo dos quatro candidatos matemáticos ao campeonato absoluto. Em Boticas terá como principais adversários Gonçalo Inácio, no BRC B49, Sérgio Nogueira, com o Silver Car S3, Nuno Guimarães, no Silver Car S2, e Martim Magalhães, com o PRM Fun Boost GT.
A combinação entre um traçado exigente em potência e um protótipo de características diferentes dos principais candidatos absolutos será um dos pontos de interesse do fim de semana. Para Pinto, gerir a vantagem no campeonato sem abdicar de atacar a classificação geral poderá tornar-se uma das decisões estratégicas mais importantes da prova.

Também nos GT existe a possibilidade de o campeonato ficar decidido. José Rodrigues, atual campeão nacional da categoria, chega na liderança com o Porsche 992 GT3 Cup da RACAR Motorsport/Repsol e uma vitória poderá ser suficiente para assegurar matematicamente a renovação do título.
A oposição volta a ser formada por dois Porsche 911 GT3 Cup. Beatriz Correia procura continuar a evolução demonstrada ao longo da temporada, enquanto Daniel Vilaça permanece na discussão pelas posições superiores da categoria e pelo vice-campeonato.
Se algumas categorias podem encontrar campeões em Boticas, noutras são as ausências que prometem alterar profundamente o campeonato. Nos Turismos, o líder e campeão em título Pedro Alves não estará presente. É a segunda prova que falha, depois de Murça, num campeonato de oito jornadas em que apenas contam os seis melhores resultados.
Nos Turismo 1 estarão Daniel Pacheco, com o Mitsubishi Lancer Evo X, Parcídio Summavielle, no Škoda Fabia R5, Paulo Silva, com o Ford Fiesta R5, e Luís Silva Jr., no Mitsubishi Lancer Evo IX. Nos Turismo 2, a luta deverá concentrar-se especialmente em Guilherme Silva, no Audi RS3 LMS TCR, e Luís Delgado, que regressa com o Kia Cee'd da LOB Motorsport. Já os Turismo 3 apresentam um dos pelotões mais numerosos da jornada, com André Brás Jr., Nuno Guimarães Jr. e Ruben Campos, todos em Ginetta G40, entre os nomes a acompanhar.
Situação semelhante acontece no Campeonato de Portugal de Montanha 1300, onde o líder Armando Freitas estará ausente. José Carlos Magalhães, Hugo Magalhães, Miguel Ângelo Oliveira, Francisco Macedo e Paulo Oliveira encontram assim uma oportunidade importante para recuperar terreno, enquanto Diogo Marques, vencedor pela primeira vez na Capital do Móvel, volta a apresentar o Toyota Starlet como candidato ao triunfo.

Nos Super Challenge, Luís Nunes chega a Boticas numa situação muito diferente. Invicto esta temporada com o Škoda Fabia R5, o piloto está próximo de confirmar aquele que será o oitavo título nacional de categoria da carreira. A matemática ainda precisa de ser cumprida, mas os resultados obtidos até agora colocam-no numa posição particularmente confortável.
Nas restantes divisões dos Super Challenge também existem decisões importantes em perspetiva. Pedro Cardoso está próximo de resolver a discussão dos SC-B com o SEAT Leon Cupra, enquanto Bruno Carvalho chega como referência nos SC-C ao volante do Citroën Saxo S1600. Nos SC-D, Bruno Gomes pode renovar o título conquistado em 2025 com o Fiat Punto 85 Sport.
Entre os Clássicos, Rui Costa, Ricardo Pereira e Pedro Silva apresentam-se como os três principais candidatos à vitória, enquanto nos Legends a ausência do líder João Pires deixa o cenário mais aberto, colocando os BMW E36 M3 de Joaquim Soares e António Barros entre as principais referências.
Também nas competições de formação poderá haver uma decisão. Simão Nunes chega invicto ao FPAK Júnior Team Montanha e muito próximo de transformar uma temporada até agora perfeita no título, tendo novamente António Lopes e Rafael Jorge como adversários, todos ao volante de Peugeot 108. Nos Kartcross, Márcio Araújo lidera o trio que inclui Jesús Otero e António Alves, enquanto o espanhol Gabriel Gutiérrez Siegrist acrescenta à lista um Tatuus FR2.0 na Taça de Portugal de Monolugares de Montanha.



O programa competitivo estará concentrado no sábado e domingo. No sábado, a partir das 10h00, realizam-se duas Subidas de Treinos Oficiais, seguidas da primeira Subida de Prova. No domingo, também a partir das 10h00, disputa-se a terceira e última subida de treinos antes da segunda e terceira Subidas de Prova, que definirão os resultados finais.
Com 82 pilotos, quatro candidatos ainda matematicamente envolvidos na luta absoluta e vários títulos em condições de serem decididos, Boticas deixa de ser apenas mais uma jornada do calendário. A partir daqui, cada ponto perdido torna-se mais difícil de recuperar. Entre candidatos ao campeonato, regressos, ausências importantes e máquinas capazes de interferir na luta pela vitória sem entrar nas contas dos títulos, a Rampa Internacional de Boticas abre uma reta final em que a margem para o erro começa definitivamente a desaparecer.


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