top of page

Porsche 909 Bergspyder: a esfera de titânio que eliminou a bomba de combustível para poupar sete quilos

  • Foto do escritor: Redação Europa
    Redação Europa
  • há 2 horas
  • 6 min de leitura
Porsche 909 Bergspyder: a esfera de titânio que eliminou a bomba de combustível para poupar sete quilos


Em 1968, quando cada grama podia representar uma fração de segundo numa subida de montanha, a Porsche levou a obsessão pela redução de peso a um dos seus extremos mais fascinantes. O 909 Bergspyder pesava apenas cerca de 400 kg, tinha 275 CV e acelerava dos 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos. Entre as soluções utilizadas estava um depósito esférico de combustível em titânio, pressurizado com azoto, que permitia eliminar a bomba de alimentação e poupar até sete quilos. A experiência teve uma carreira curta, mas o pequeno 909 acabaria por deixar uma herança técnica importante nos protótipos de competição da marca.


Posicione a sua Marca com exclusividade aqui
Posicione a sua Marca com exclusividade aqui

O Porsche 909 Bergspyder nasceu num contexto em que as provas de montanha funcionavam como um verdadeiro laboratório para os engenheiros de Estugarda. Em setembro de 1968, quando chegou à subida de Gaisberg, perto de Salzburgo, a Porsche já tinha praticamente garantido o Campeonato Europeu de Montanha depois de cinco vitórias em cinco participações com o 910/8 Bergspyder. Ainda assim, o departamento de competição continuava a desenvolver soluções destinadas a reduzir peso e melhorar o comportamento dinâmico, conhecimentos que poderiam depois ser transportados para as provas de resistência. Foi dessa procura quase obsessiva por eficiência que nasceu o 909, um protótipo com apenas 3,48 metros de comprimento, 1,80 metros de largura e 75 centímetros de altura, cujo peso rondava os extraordinários 400 kg, mantendo-se como o automóvel de competição mais leve alguma vez desenvolvido pela Porsche.


Uma luta contra cada grama

Para chegar a esse número, praticamente todos os componentes foram analisados sob a perspetiva da redução de massa. O 909 aproveitou algumas soluções do 910/8, utilizando titânio nos cubos das rodas, molas da suspensão e pinças dos travões, enquanto o chassis recorria a uma estrutura tubular em alumínio. No motor surgiam componentes em titânio e magnésio, os discos de travão eram fabricados em berílio e toda a carroçaria em fibra de vidro pesava apenas cerca de dez quilos. Era uma abordagem em que materiais caros e pouco convencionais eram justificados por ganhos que, individualmente, podiam parecer mínimos, mas que somados permitiram construir um protótipo de competição excecionalmente leve.


Porsche 909 Bergspyder: a esfera de titânio que eliminou a bomba de combustível para poupar sete quilos

Foi precisamente neste ambiente que apareceu uma das soluções mais invulgares do 909. Junto ao motor encontrava-se uma esfera com aproximadamente o dobro do tamanho de uma bola de futebol, presa à estrutura através de três correias. Não era um reservatório auxiliar nem um componente do sistema de suspensão: era o depósito de combustível. A estrutura exterior era fabricada em titânio com apenas 0,8 milímetros de espessura e continha uma bolsa flexível de borracha no seu interior. Antes da corrida, essa bolsa era abastecida com gasolina e o espaço entre ela e a parede de titânio era pressurizado com azoto a aproximadamente 15 bar. A pressão exercida sobre a bolsa empurrava o combustível através de um tubo diretamente para a bomba mecânica de injeção do motor, tornando desnecessária uma bomba convencional de alimentação.


A solução permitia poupar até sete quilos, um número particularmente significativo num automóvel com apenas 400 kg. Em termos proporcionais, significava eliminar aproximadamente 1,75% de toda a massa do veículo através da reformulação de um único sistema. Era também um bom exemplo da filosofia de desenvolvimento daquele departamento de competição: se existisse uma possibilidade de retirar peso, por mais invulgar que fosse, valia a pena experimentá-la.


275 CV, 400 kg e os 100 km/h em 2,5 segundos

A leveza extrema ganhava outra dimensão quando combinada com o motor. O 909 utilizava um oito cilindros boxer de dois litros, com distribuição através de eixo vertical, capaz de desenvolver 275 CV, associado a uma caixa manual de cinco velocidades. A relação peso/potência ficava em aproximadamente 1,4 kg/CV, muito próxima dos valores encontrados nos monolugares de Fórmula 1 daquela época. Com tão pouca massa para movimentar, o Bergspyder conseguia acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 2,5 segundos e, dependendo da relação de transmissão utilizada para cada prova, podia atingir cerca de 250 km/h.


Mas a Porsche não procurava apenas potência e baixo peso. O 909 serviu igualmente para experimentar uma distribuição de massas muito particular, pensada para proporcionar a máxima agilidade nas estradas estreitas e sinuosas das provas de montanha. O diferencial autoblocante foi colocado na zona mais traseira, enquanto o motor e a caixa de cinco velocidades avançaram na estrutura. O próprio piloto foi deslocado para uma posição extremamente dianteira, ao ponto de os seus pés ficarem à frente do eixo dianteiro, protegidos essencialmente pela delicada estrutura tubular de alumínio e pela carroçaria de fibra de vidro. Vista à luz dos atuais padrões de segurança, era uma configuração difícil de imaginar, mas naquela altura o objetivo estava concentrado no desempenho e na distribuição ideal das massas.


Porsche 909 Bergspyder: a esfera de titânio que eliminou a bomba de combustível para poupar sete quilos

Porsche 909 Bergspyder

Dados

Ano

1968

Unidades produzidas

2

Peso

cerca de 400 kg

Motor

Boxer, 8 cilindros, 2,0 litros

Potência

275 CV

Caixa

Manual de 5 velocidades

0–100 km/h

2,5 s

Velocidade máxima

até 250 km/h

Relação peso/potência

cerca de 1,4 kg/CV

Comprimento

3,48 m

Largura

1,80 m

Altura

0,75 m

Depósito

Esférico, em titânio

Pressurização

Azoto, cerca de 15 bar

Poupança de peso

até 7 kg

Uma ideia engenhosa que não funcionou como esperado

A teoria, contudo, nem sempre sobrevive às condições reais da competição. O 909 estreou-se a 8 de setembro de 1968, na subida de Gaisberg, mas o sistema de alimentação não teve o comportamento esperado. O motor começou a engasgar e a apresentar falhas devido a uma mistura demasiado rica, deixando Rolf Stommelen no terceiro lugar. Na prova seguinte, a final do campeonato no Mont Ventoux, em França, a Porsche optou por combinar o depósito esférico com uma bomba de combustível convencional, anulando na prática uma parte da vantagem que justificava aquela solução. Stommelen terminou em segundo e a experiência não teve continuidade.


A carreira do 909 terminaria praticamente aí. Foram construídos apenas dois exemplares, porque a Porsche decidiu abandonar o Campeonato Europeu de Montanha e concentrar os seus recursos no Mundial de Marcas e na conquista das grandes provas de resistência, particularmente Le Mans. O depósito esférico de titânio ficou pelo caminho, mas o conhecimento adquirido durante o desenvolvimento do automóvel não foi desperdiçado.


Porsche 909 Bergspyder: a esfera de titânio que eliminou a bomba de combustível para poupar sete quilos

Do 909 ao Porsche 908/3

A distribuição de massas experimentada no pequeno Bergspyder revelou-se particularmente importante. Quando o Porsche 908/3 apareceu em 1970, concebido para provas muito sinuosas como Nürburgring e a Targa Florio, parte da filosofia desenvolvida no 909 foi recuperada. O resultado foi um protótipo extremamente compacto e ágil, particularmente difícil de bater em percursos onde a capacidade de mudar rapidamente de direção era tão importante quanto a potência.


É precisamente essa herança que dá ao 909 uma importância muito superior àquela que os seus resultados em competição poderiam sugerir. Não venceu as grandes corridas, não teve uma longa carreira e o seu revolucionário depósito de combustível acabou por não passar da fase experimental. Mas cumpriu a função para a qual tinha sido criado: testar os limites da engenharia num ambiente em que uma ideia podia ser abandonada depois de duas corridas e, ainda assim, deixar conhecimentos capazes de melhorar o automóvel seguinte.


Quase seis décadas depois, a pequena esfera de titânio continua a ser uma das melhores imagens dessa mentalidade. Num Porsche com 275 CV que pesava apenas 400 kg, os engenheiros ainda procuraram uma forma de eliminar mais sete. O sistema não se tornou o futuro da alimentação de combustível, mas mostrou até onde a Porsche estava disposta a ir quando cada grama contava.


Conteúdo com base no artigo publicado na Revista dos Clientes Porsche Christophorus nº 419


Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel

👉 ​Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.


​É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.


​Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.


​Apoie o jornalismo de valor. Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo




Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

Testes Revista Publiracing

O Mercado automóvel mudou: China pressiona preços e muda as regras do mercado

Publiracing Portal de Notícias
O Mercado automóvel mudou: China pressiona preços e muda as regras do mercado
O Mercado automóvel mudou: China pressiona preços e muda as regras do mercado

O Mercado automóvel mudou: China pressiona preços e muda as regras do mercado

02:57
Alfa Romeo Tonale Intensa: Quando um SUV carrega mais de 115 Anos de paixão italiana

Alfa Romeo Tonale Intensa: Quando um SUV carrega mais de 115 Anos de paixão italiana

02:36
Volvo EX90 Ultra por dentro: Muito conforto e tecnologia, mas falta luxo?

Volvo EX90 Ultra por dentro: Muito conforto e tecnologia, mas falta luxo?

02:59
Volvo EX90 Twin Motor Performance: Testámos o gigante elétrico de 680 CV

Volvo EX90 Twin Motor Performance: Testámos o gigante elétrico de 680 CV

02:38

Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

Estatuto Editorial

© 2026 AJLS Comunicação / Revista Publiracing   

bottom of page