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Fórmula 2 apresenta carro para 2027 com nova aerodinâmica, 620 cv e arranque a bordo

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    Redação Europa
  • há 1 dia
  • 6 min de leitura

Fórmula 2 apresenta carro para 2027 com nova aerodinâmica, 620 cv e arranque a bordo

A FIA Formula 2 revelou em Monza o monolugar que será utilizado entre 2027 e 2029, numa evolução que mantém a base técnica atual para controlar custos, mas introduz novas asas dianteira e traseira para facilitar as ultrapassagens e permitir aos pilotos seguir mais de perto o carro da frente. O motor Mecachrome V6 turbo de 3,4 litros e 620 cv permanece, assim como as jantes de 18 polegadas e os pneus Pirelli, enquanto uma das novidades práticas mais importantes será a introdução de um sistema de arranque a bordo.


A Fórmula 2 não vai começar do zero em 2027. Ao contrário de anteriores mudanças de geração, a categoria optou por preservar o chassis Dallara utilizado em 2026 e concentrar a evolução nas áreas capazes de melhorar as corridas, aproximar o monolugar da atual linguagem técnica e visual da Fórmula 1 e, ao mesmo tempo, evitar uma escalada dos custos para as equipas.


Apresentado no paddock da Fórmula 1 no Autodromo Nazionale Monza, o novo carro competirá durante as temporadas de 2027, 2028 e 2029. A filosofia continua a ser a de uma categoria monomarca, na qual todos os pilotos dispõem essencialmente do mesmo pacote técnico e onde afinação, estratégia e desempenho do piloto assumem um peso determinante.


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Nova aerodinâmica para reduzir o efeito do ar turbulento

A principal alteração visual e funcional encontra-se nas asas. A dianteira e a traseira foram redesenhadas pela Dallara, com o objetivo declarado de melhorar o comportamento aerodinâmico quando um piloto circula próximo de outro monolugar.


É um ponto particularmente importante numa categoria de formação. Quanto maior for a perda de carga aerodinâmica provocada pelo ar turbulento do carro da frente, mais difícil se torna permanecer suficientemente próximo nas curvas para preparar uma ultrapassagem. A F2 pretende reduzir esse problema com o novo pacote, embora apenas a competição permita perceber até que ponto a alteração se traduzirá efetivamente em corridas mais próximas.


A reformulação também aproxima visualmente o carro da filosofia dos monolugares contemporâneos da Fórmula 1. Ainda assim, estruturalmente mantém-se a base conhecida: monocoque Dallara com célula de sobrevivência em estrutura sandwich de carbono e honeycomb de alumínio, complementada por painéis anti-intrusão em Zylon. As asas utilizam estruturas em carbono e a carroçaria combina carbono e Kevlar.


O novo F2 mede 5.284 mm de comprimento, 1.900 mm de largura e 1.097 mm de altura, incluindo a câmara instalada no roll hoop, enquanto a distância entre eixos é de 3.135 mm.


V6 Mecachrome mantém 620 cv e combustível sustentável

Também não há revolução na motorização. A Fórmula 2 mantém o conhecido Mecachrome V6 de 3,4 litros com um único turbocompressor, capaz de desenvolver 620 cv às 8.750 rpm e 570 Nm às 6.000 rpm. O acelerador é eletrónico e está previsto um intervalo de reconstrução do motor a cada 8.000 quilómetros.


O propulsor continuará a funcionar com o combustível sustentável avançado fornecido pela Aramco, introduzido na categoria em 2025. O depósito ATL FT5 tem capacidade para 125 litros e cumpre as especificações da FIA.


A transmissão é uma caixa sequencial longitudinal Hewland de seis velocidades, comandada eletro-hidraulicamente através das patilhas no volante, associada a uma embraiagem ZF Sachs em carbono. O diferencial mantém regulação externa e funcionamento por rampas não hidráulicas.


É precisamente nesta área que surge uma das alterações mais relevantes para 2027. A Hewland desenvolveu uma evolução da transmissão que permite integrar um motor de arranque a bordo.


Até agora, uma paragem do motor em determinadas situações podia deixar o piloto dependente de assistência externa e, em alguns casos, determinar o abandono. A partir de 2027, o próprio piloto poderá voltar a colocar o motor em funcionamento depois de um pião ou de deixar o carro ir abaixo, desde que o monolugar permaneça em condições de continuar. Além de simplificar a operação das equipas, a solução poderá evitar neutralizações desnecessárias e reduzir o número de abandonos provocados apenas pela impossibilidade de voltar a ligar o motor.


Suspensão mantém configuração tradicional e direção continua sem assistência

A F2 preserva deliberadamente características que exigem fisicamente dos pilotos e ajudam na preparação para categorias superiores. A direção continua a utilizar um sistema de cremalheira e pinhão sem assistência, segundo a especificação FIA de 2024.


Na suspensão são utilizados triângulos sobrepostos em aço e acionamento por pushrod. À frente existem dois amortecedores e barras de torção, enquanto atrás são utilizadas molas. Altura ao solo, camber e convergência podem ser ajustados, assim como as barras estabilizadoras dianteira e traseira.


Os amortecedores Koni possuem regulação de duas vias no eixo dianteiro e quatro vias no traseiro, proporcionando às equipas margem para trabalhar a afinação de acordo com as características de cada circuito.


O sistema de travagem mantém componentes de elevada especificação, com pinças monobloco Brembo de seis pistões e discos e pastilhas carbono-carbono da Carbone Industrie.


F2 2027 — principais dados técnicos

Característica

Especificação

Chassis

Dallara

Comprimento

5.284 mm

Largura

1.900 mm

Altura

1.097 mm

Distância entre eixos

3.135 mm

Motor

Mecachrome V6 3.4 turbo

Potência

620 cv às 8.750 rpm

Binário máximo

570 Nm às 6.000 rpm

Caixa

Hewland sequencial de 6 velocidades

Embraiagem

ZF Sachs em carbono

Diferencial

Rampas não hidráulicas, regulação externa

Arranque

Novo sistema a bordo

Direção

Cremalheira, sem assistência

Travões

Brembo 6 pistões

Discos/pastilhas

Carbono-carbono Carbone Industrie

Jantes dianteiras

O.Z. Racing 18 x 12"

Jantes traseiras

O.Z. Racing 18 x 13,7"

Pneus

Pirelli específicos F2, slick e chuva

Combustível

Aramco sustentável avançado

Depósito

125 litros

DRS

Acionamento hidráulico

Halo

Titânio, especificação F1

Ciclo competitivo

2027–2029

Segurança segue normas FIA F1 de 2024

Outro ponto que permanece praticamente inalterado é a segurança. O monolugar cumpre as normas FIA F1 de 2024, incluindo Halo em titânio com especificação de Fórmula 1 e painéis de Zylon destinados a aumentar a resistência da célula de sobrevivência à intrusão.


As especificações de 2024 relativas à capacidade de travagem, esforço de direção e ergonomia do cockpit também são mantidas. A intenção é conservar um automóvel fisicamente exigente, mas suficientemente adaptável a pilotos com diferentes características físicas.


O sistema de extinção de incêndio passa a utilizar uma nova solução FEV acionada eletricamente e desenvolvida de acordo com as mais recentes normas da FIA.


A eletrónica inclui uma nova unidade Marelli Marvel VCU 480 ECU/GCU, com sistema de aquisição e registo de dados, acompanhada pela unidade de gestão de alimentação Marelli FOX 442. Mantêm-se ainda sistemas do tipo utilizado na F1 para Virtual Safety Car e marshalling.


O volante XAP integra painel, comandos da caixa, embraiagem e DRS, assim como informação relativa ao VSC e às indicações da direção de corrida.


Pirelli mantém pneus de 18 polegadas

A Pirelli, fornecedora exclusiva da categoria desde 2017, continuará responsável pelos pneus específicos da Fórmula 2. As jantes O.Z. Racing são fabricadas em magnésio e mantêm 18 polegadas, com largura de 12 polegadas à frente e 13,7 atrás.


O carro dispõe igualmente de TPMS Texense, permitindo monitorizar a pressão dos pneus, uma variável particularmente relevante numa competição onde a gestão térmica e a degradação desempenham frequentemente um papel decisivo na estratégia.


O DRS permanece e continua a utilizar acionamento hidráulico. A categoria não anunciou, portanto, uma mudança fundamental na filosofia do dispositivo de redução de resistência aerodinâmica, concentrando a intervenção de 2027 sobretudo na capacidade natural do carro para seguir outro monolugar.


Já foi testado em Barcelona e chega às equipas no final do ano

Apesar de só agora ter sido apresentado publicamente, o F2 2027 já iniciou o desenvolvimento em pista. O primeiro teste decorreu em junho no Circuit de Barcelona-Catalunya e, desde então, o programa conduzido em conjunto com a Dallara incluiu trabalho aerodinâmico e ensaios em túnel de vento.


As equipas receberão o material de forma faseada: um primeiro kit será entregue em dezembro de 2026 e o segundo em janeiro de 2027, permitindo preparar os carros antes do arranque da nova temporada.


Mais do que uma nova geração completamente distinta, o monolugar de 2027 representa, assim, uma evolução calculada da atual Fórmula 2. A categoria preserva o chassis, o V6 Mecachrome, a filosofia de suspensão e grande parte dos sistemas existentes, reduzindo o impacto financeiro da mudança, mas intervém precisamente em duas áreas que podem ter consequências diretas nas corridas: a aerodinâmica para facilitar a perseguição entre carros e o arranque a bordo para permitir que um piloto retome a prova sem assistência depois de deixar o motor ir abaixo.


A grande incógnita ficará para a pista. Se as novas asas conseguirem efetivamente reduzir a perda de desempenho aerodinâmico no tráfego sem tornar o carro menos exigente, a F2 poderá conseguir aquilo que procura para 2027: manter um monolugar rápido e tecnicamente relevante para a formação de futuros pilotos de Fórmula 1, mas capaz de favorecer ainda mais as disputas diretas que fazem da categoria uma das etapas mais importantes antes da chegada à F1.


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