
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










A FIA Formula 2 revelou em Monza o monolugar que será utilizado entre 2027 e 2029, numa evolução que mantém a base técnica atual para controlar custos, mas introduz novas asas dianteira e traseira para facilitar as ultrapassagens e permitir aos pilotos seguir mais de perto o carro da frente. O motor Mecachrome V6 turbo de 3,4 litros e 620 cv permanece, assim como as jantes de 18 polegadas e os pneus Pirelli, enquanto uma das novidades práticas mais importantes será a introdução de um sistema de arranque a bordo.
A Fórmula 2 não vai começar do zero em 2027. Ao contrário de anteriores mudanças de geração, a categoria optou por preservar o chassis Dallara utilizado em 2026 e concentrar a evolução nas áreas capazes de melhorar as corridas, aproximar o monolugar da atual linguagem técnica e visual da Fórmula 1 e, ao mesmo tempo, evitar uma escalada dos custos para as equipas.
Apresentado no paddock da Fórmula 1 no Autodromo Nazionale Monza, o novo carro competirá durante as temporadas de 2027, 2028 e 2029. A filosofia continua a ser a de uma categoria monomarca, na qual todos os pilotos dispõem essencialmente do mesmo pacote técnico e onde afinação, estratégia e desempenho do piloto assumem um peso determinante.
A principal alteração visual e funcional encontra-se nas asas. A dianteira e a traseira foram redesenhadas pela Dallara, com o objetivo declarado de melhorar o comportamento aerodinâmico quando um piloto circula próximo de outro monolugar.
É um ponto particularmente importante numa categoria de formação. Quanto maior for a perda de carga aerodinâmica provocada pelo ar turbulento do carro da frente, mais difícil se torna permanecer suficientemente próximo nas curvas para preparar uma ultrapassagem. A F2 pretende reduzir esse problema com o novo pacote, embora apenas a competição permita perceber até que ponto a alteração se traduzirá efetivamente em corridas mais próximas.
A reformulação também aproxima visualmente o carro da filosofia dos monolugares contemporâneos da Fórmula 1. Ainda assim, estruturalmente mantém-se a base conhecida: monocoque Dallara com célula de sobrevivência em estrutura sandwich de carbono e honeycomb de alumínio, complementada por painéis anti-intrusão em Zylon. As asas utilizam estruturas em carbono e a carroçaria combina carbono e Kevlar.
O novo F2 mede 5.284 mm de comprimento, 1.900 mm de largura e 1.097 mm de altura, incluindo a câmara instalada no roll hoop, enquanto a distância entre eixos é de 3.135 mm.
Também não há revolução na motorização. A Fórmula 2 mantém o conhecido Mecachrome V6 de 3,4 litros com um único turbocompressor, capaz de desenvolver 620 cv às 8.750 rpm e 570 Nm às 6.000 rpm. O acelerador é eletrónico e está previsto um intervalo de reconstrução do motor a cada 8.000 quilómetros.
O propulsor continuará a funcionar com o combustível sustentável avançado fornecido pela Aramco, introduzido na categoria em 2025. O depósito ATL FT5 tem capacidade para 125 litros e cumpre as especificações da FIA.
A transmissão é uma caixa sequencial longitudinal Hewland de seis velocidades, comandada eletro-hidraulicamente através das patilhas no volante, associada a uma embraiagem ZF Sachs em carbono. O diferencial mantém regulação externa e funcionamento por rampas não hidráulicas.
É precisamente nesta área que surge uma das alterações mais relevantes para 2027. A Hewland desenvolveu uma evolução da transmissão que permite integrar um motor de arranque a bordo.
Até agora, uma paragem do motor em determinadas situações podia deixar o piloto dependente de assistência externa e, em alguns casos, determinar o abandono. A partir de 2027, o próprio piloto poderá voltar a colocar o motor em funcionamento depois de um pião ou de deixar o carro ir abaixo, desde que o monolugar permaneça em condições de continuar. Além de simplificar a operação das equipas, a solução poderá evitar neutralizações desnecessárias e reduzir o número de abandonos provocados apenas pela impossibilidade de voltar a ligar o motor.
A F2 preserva deliberadamente características que exigem fisicamente dos pilotos e ajudam na preparação para categorias superiores. A direção continua a utilizar um sistema de cremalheira e pinhão sem assistência, segundo a especificação FIA de 2024.
Na suspensão são utilizados triângulos sobrepostos em aço e acionamento por pushrod. À frente existem dois amortecedores e barras de torção, enquanto atrás são utilizadas molas. Altura ao solo, camber e convergência podem ser ajustados, assim como as barras estabilizadoras dianteira e traseira.
Os amortecedores Koni possuem regulação de duas vias no eixo dianteiro e quatro vias no traseiro, proporcionando às equipas margem para trabalhar a afinação de acordo com as características de cada circuito.
O sistema de travagem mantém componentes de elevada especificação, com pinças monobloco Brembo de seis pistões e discos e pastilhas carbono-carbono da Carbone Industrie.
Característica | Especificação |
Chassis | Dallara |
Comprimento | 5.284 mm |
Largura | 1.900 mm |
Altura | 1.097 mm |
Distância entre eixos | 3.135 mm |
Motor | Mecachrome V6 3.4 turbo |
Potência | 620 cv às 8.750 rpm |
Binário máximo | 570 Nm às 6.000 rpm |
Caixa | Hewland sequencial de 6 velocidades |
Embraiagem | ZF Sachs em carbono |
Diferencial | Rampas não hidráulicas, regulação externa |
Arranque | Novo sistema a bordo |
Direção | Cremalheira, sem assistência |
Travões | Brembo 6 pistões |
Discos/pastilhas | Carbono-carbono Carbone Industrie |
Jantes dianteiras | O.Z. Racing 18 x 12" |
Jantes traseiras | O.Z. Racing 18 x 13,7" |
Pneus | Pirelli específicos F2, slick e chuva |
Combustível | Aramco sustentável avançado |
Depósito | 125 litros |
DRS | Acionamento hidráulico |
Halo | Titânio, especificação F1 |
Ciclo competitivo | 2027–2029 |
Outro ponto que permanece praticamente inalterado é a segurança. O monolugar cumpre as normas FIA F1 de 2024, incluindo Halo em titânio com especificação de Fórmula 1 e painéis de Zylon destinados a aumentar a resistência da célula de sobrevivência à intrusão.
As especificações de 2024 relativas à capacidade de travagem, esforço de direção e ergonomia do cockpit também são mantidas. A intenção é conservar um automóvel fisicamente exigente, mas suficientemente adaptável a pilotos com diferentes características físicas.
O sistema de extinção de incêndio passa a utilizar uma nova solução FEV acionada eletricamente e desenvolvida de acordo com as mais recentes normas da FIA.
A eletrónica inclui uma nova unidade Marelli Marvel VCU 480 ECU/GCU, com sistema de aquisição e registo de dados, acompanhada pela unidade de gestão de alimentação Marelli FOX 442. Mantêm-se ainda sistemas do tipo utilizado na F1 para Virtual Safety Car e marshalling.
O volante XAP integra painel, comandos da caixa, embraiagem e DRS, assim como informação relativa ao VSC e às indicações da direção de corrida.
A Pirelli, fornecedora exclusiva da categoria desde 2017, continuará responsável pelos pneus específicos da Fórmula 2. As jantes O.Z. Racing são fabricadas em magnésio e mantêm 18 polegadas, com largura de 12 polegadas à frente e 13,7 atrás.
O carro dispõe igualmente de TPMS Texense, permitindo monitorizar a pressão dos pneus, uma variável particularmente relevante numa competição onde a gestão térmica e a degradação desempenham frequentemente um papel decisivo na estratégia.
O DRS permanece e continua a utilizar acionamento hidráulico. A categoria não anunciou, portanto, uma mudança fundamental na filosofia do dispositivo de redução de resistência aerodinâmica, concentrando a intervenção de 2027 sobretudo na capacidade natural do carro para seguir outro monolugar.
Apesar de só agora ter sido apresentado publicamente, o F2 2027 já iniciou o desenvolvimento em pista. O primeiro teste decorreu em junho no Circuit de Barcelona-Catalunya e, desde então, o programa conduzido em conjunto com a Dallara incluiu trabalho aerodinâmico e ensaios em túnel de vento.
As equipas receberão o material de forma faseada: um primeiro kit será entregue em dezembro de 2026 e o segundo em janeiro de 2027, permitindo preparar os carros antes do arranque da nova temporada.
Mais do que uma nova geração completamente distinta, o monolugar de 2027 representa, assim, uma evolução calculada da atual Fórmula 2. A categoria preserva o chassis, o V6 Mecachrome, a filosofia de suspensão e grande parte dos sistemas existentes, reduzindo o impacto financeiro da mudança, mas intervém precisamente em duas áreas que podem ter consequências diretas nas corridas: a aerodinâmica para facilitar a perseguição entre carros e o arranque a bordo para permitir que um piloto retome a prova sem assistência depois de deixar o motor ir abaixo.
A grande incógnita ficará para a pista. Se as novas asas conseguirem efetivamente reduzir a perda de desempenho aerodinâmico no tráfego sem tornar o carro menos exigente, a F2 poderá conseguir aquilo que procura para 2027: manter um monolugar rápido e tecnicamente relevante para a formação de futuros pilotos de Fórmula 1, mas capaz de favorecer ainda mais as disputas diretas que fazem da categoria uma das etapas mais importantes antes da chegada à F1.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Apoie o jornalismo de valor. Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo


























Comentários