
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










A Geely Auto vendeu 270.194 veículos em agosto de 2026, crescendo 8% tanto face ao mesmo mês do ano passado como em relação a julho. Mais relevante para perceber a transformação do grupo é o peso crescente da eletrificação e dos mercados externos: os veículos de novas energias já representaram 65% das vendas mensais, enquanto as entregas fora da China ultrapassaram 110 mil unidades pelo terceiro mês consecutivo. Perante este ritmo de expansão, a empresa aumentou de 640 mil para 920 mil veículos o objetivo de vendas internacionais para este ano.
A Geely Auto mantém em 2026 uma trajetória de crescimento que começa a depender cada vez menos exclusivamente do mercado chinês. Agosto terminou com 270.194 veículos vendidos, mais 8% em termos homólogos e igualmente 8% acima do resultado de julho, representando o sexto mês consecutivo em que a empresa cresce simultaneamente nas duas comparações.
Dentro desse volume, a marca Geely respondeu por 216.186 veículos, registando um crescimento mensal de 10%. Isto significa que cerca de oito em cada dez automóveis comercializados pelo grupo durante agosto pertenceram à sua marca principal.
Mas é na composição das vendas que surge uma das mudanças mais importantes. Os chamados veículos de novas energias — categoria que no mercado chinês reúne essencialmente elétricos a bateria e modelos eletrificados com carregamento externo — alcançaram 175.877 unidades, mais 19% do que em agosto de 2025.
Com este resultado, os eletrificados representaram 65% de todos os automóveis vendidos pela Geely Auto durante o mês, deixando as motorizações convencionais claramente em minoria no volume global.
A evolução fora da China foi ainda mais expressiva. A Geely Auto contabilizou 110.094 veículos vendidos nos mercados internacionais em agosto, um crescimento homólogo de 205%.
O resultado corresponde ao oitavo mês consecutivo de crescimento simultâneo em termos mensais e homólogos nos mercados externos e, sobretudo, ao terceiro mês consecutivo acima das 100 mil unidades.
A dimensão alcançada pelas operações internacionais já é significativa quando comparada com o volume global: as 110.094 unidades representam aproximadamente 41% das 270.194 vendas totais registadas em agosto. Embora os números de um único mês não permitam estabelecer uma tendência estrutural definitiva, mostram o peso que a internacionalização está a adquirir na estratégia da empresa.
A eletrificação também está a assumir uma posição dominante nesta expansão. As exportações de veículos de novas energias atingiram 70.629 unidades, crescendo 446% em relação ao mesmo período do ano anterior e correspondendo a aproximadamente 64% das vendas internacionais realizadas durante agosto.
A expansão internacional está a ser acompanhada pelo crescimento de modelos desenvolvidos para competir em diferentes regiões. O Geely E2, elétrico compacto que está progressivamente a chegar a novos mercados, ocupou em julho a primeira posição entre os veículos elétricos na Tailândia e entre os elétricos a bateria na Jordânia. No México, terminou o mês na segunda posição entre os BEV.
O Starray EM-i, com sistema híbrido plug-in, também tem assumido um papel relevante na estratégia internacional. O modelo liderou em julho os PHEV do segmento C na Polónia e, em Espanha, ficou na primeira posição entre os SUV do segmento C. No México, liderou o segmento dos SUV PHEV.
São resultados particularmente importantes para a estratégia da Geely porque mostram uma expansão que já não depende apenas da exportação de automóveis elétricos. A empresa está a utilizar diferentes tecnologias de eletrificação para responder às características de cada mercado, colocando BEV e híbridos plug-in em segmentos de elevado volume.

O ritmo de crescimento levou a Geely Auto a rever substancialmente as previsões para 2026. A empresa aumentou o objetivo anual de vendas fora da China de 640 mil para 920 mil veículos, uma revisão em alta de 280 mil unidades, ou 43,8%.
A nova meta aproxima o grupo da fasquia de um milhão de veículos vendidos anualmente nos mercados internacionais, objetivo que a Geely pretende alcançar na continuação da sua expansão global.
A revisão é particularmente significativa porque acontece já numa fase avançada de 2026 e exige que o crescimento internacional se mantenha durante os próximos meses. Os mais de 100 mil veículos mensais registados durante três meses consecutivos mostram, contudo, uma escala comercial muito diferente daquela que a Geely apresentava há poucos anos fora do seu mercado doméstico.
Os resultados de agosto mostram duas transformações a decorrer em paralelo. A primeira está na própria gama: com 175.877 veículos de novas energias, quase dois em cada três automóveis vendidos pela Geely Auto durante o mês já pertencem às tecnologias eletrificadas consideradas nesta categoria.
A segunda está na distribuição geográfica. Com 110.094 unidades fora da China, os mercados internacionais representaram cerca de 41% das vendas mensais, enquanto os eletrificados corresponderam a quase dois terços desse volume externo.
A combinação destes dois movimentos coloca a Geely perante uma nova fase da sua expansão. O grupo continua fortemente dependente da escala industrial e comercial construída na China, mas os números de agosto mostram que o crescimento está a deslocar-se rapidamente para fora do mercado doméstico e que essa internacionalização está a ser feita sobretudo através de modelos eletrificados.
Se conseguir cumprir as 920 mil unidades previstas para 2026, a Geely dará um passo importante em direção ao objetivo de atingir um milhão de vendas anuais fora da China, aumentando simultaneamente a pressão competitiva sobre fabricantes europeus, japoneses, sul-coreanos e outros grupos chineses nos principais mercados internacionais.
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