McLaren investe 500 milhões de libras no Reino Unido, confirma SUV e prepara motores próprios

A McLaren Automotive vai investir 500 milhões de libras no Reino Unido para aumentar a capacidade industrial e preparar uma gama que deixará de estar concentrada exclusivamente nos superdesportivos. O programa inclui uma nova unidade de montagem, o desenvolvimento e produção interna de motores e transmissões pela primeira vez na história da empresa e confirma uma das maiores mudanças na estratégia de produto da marca britânica: a entrada no segmento dos SUV de altas prestações.
O investimento, anunciado pela McLaren Automotive a 16 de setembro, integra um compromisso financeiro mais amplo do acionista L’IMAD, investidor soberano do Governo de Abu Dhabi. O objetivo passa por concentrar no Reino Unido uma operação que cubra praticamente todo o ciclo de desenvolvimento dos futuros automóveis, desde o design e engenharia até aos testes, produção de estruturas em fibra de carbono, fabrico de grupos motopropulsores e montagem final.
A decisão representa uma alteração significativa na estrutura industrial da McLaren. Embora a empresa produza os seus automóveis em Woking e mantenha no Reino Unido competências importantes de engenharia e materiais compósitos, os motores utilizados nos seus modelos têm historicamente dependido de parceiros externos para o fabrico. O novo plano pretende alterar esse modelo.
McLaren vai fabricar motores pela primeira vez
A McLaren confirma que os futuros grupos motopropulsores serão concebidos e produzidos internamente, começando por dois novos motores e respetivas transmissões. As especificações técnicas ainda não foram divulgadas, mas a empresa indica que estas unidades farão parte da próxima fase da sua estratégia híbrida.
A eletrificação não é propriamente nova na McLaren. O P1, apresentado em 2013, combinava um V8 biturbo com um motor elétrico, enquanto modelos mais recentes aprofundaram a utilização desta tecnologia. O investimento agora anunciado, contudo, transfere para dentro da empresa uma parcela maior do desenvolvimento e produção dos sistemas de propulsão.
Para suportar o aumento da produção, está igualmente prevista uma nova fábrica de montagem de automóveis no Reino Unido. A localização e a capacidade anual desta unidade não foram ainda reveladas.
Paralelamente, serão ampliadas as operações no McLaren Production Centre, em Woking, e no McLaren Composites Technology Centre, em South Yorkshire, dedicado à investigação e produção relacionada com estruturas em fibra de carbono.

SUV confirmado: McLaren prepara entrada num novo segmento
A maior alteração ao nível do produto é, contudo, a confirmação de que a McLaren está a desenvolver um SUV de altas prestações.
Não foram ainda revelados nome, dimensões, plataforma, motorização, potência ou data de lançamento. A empresa limita-se, nesta fase, a confirmar que o modelo fará parte da expansão da gama para novas categorias.
A decisão aproxima a McLaren de uma estratégia já seguida por várias marcas de automóveis desportivos e de luxo. O SUV passará a integrar um portefólio construído em torno dos superdesportivos, mas com produtos destinados a diferentes segmentos.
É uma mudança importante para uma fabricante cuja identidade automóvel esteve, desde o McLaren F1, associada quase exclusivamente a veículos de dois lugares ou desportivos de arquitetura muito específica. O novo modelo obrigará, inevitavelmente, a conciliar essa herança com características como maior espaço interior, versatilidade e uma utilização quotidiana diferente da proporcionada pelos atuais superdesportivos.
Do design à produção numa estrutura britânica integrada
A McLaren está também a reorganizar geograficamente as suas atividades. Além das instalações já existentes em Woking e South Yorkshire, foram recentemente inaugurados dois novos centros no Reino Unido.
Em Bicester, o McLaren Creation Centre concentra atividades de design e inovação, enquanto uma nova instalação nas Midlands está dedicada a testes e desenvolvimento de veículos.
Com estes centros, a empresa pretende estabelecer uma cadeia britânica que passe pelo design, desenvolvimento, testes, materiais compósitos e produção final.
O investimento procura ainda reforçar internamente competências consideradas críticas, nomeadamente construção leve, fibra de carbono e produção avançada, reduzindo simultaneamente a dependência externa em áreas como os grupos motopropulsores.
Mil novos postos de trabalho até 2032
O programa deverá criar pelo menos 1.000 novos postos de trabalho diretos e indiretos nas operações britânicas da McLaren até 2032, além de preservar os atuais empregos.
A empresa prevê duplicar a sua força de trabalho ligada à produção no Reino Unido e criar novos programas de aprendizagem e formação profissional.
Segundo as estimativas apresentadas pela McLaren, a expansão poderá ainda contribuir para a criação de até 3.000 empregos adicionais na cadeia de fornecedores britânica, embora este valor seja uma projeção associada ao impacto indireto do programa e não corresponda a contratações diretas pela fabricante.

Uma McLaren diferente começa a ganhar forma
Os 500 milhões de libras representam, assim, mais do que uma expansão das atuais instalações. O investimento revela parte da arquitetura industrial e de produto que deverá definir a McLaren Automotive nos próximos anos.
A empresa continuará a colocar os superdesportivos no centro da gama, mas prepara uma estrutura mais diversificada. O SUV de altas prestações é a primeira confirmação concreta dessa mudança, enquanto os dois novos motores e transmissões desenvolvidos internamente indicam uma tentativa de controlar uma parcela maior da tecnologia dos futuros modelos.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de novos sistemas híbridos mostra que a McLaren não está a estruturar esta fase exclusivamente em torno do automóvel elétrico. Pelo contrário, a empresa aponta para a continuidade da eletrificação associada a motores de combustão de altas prestações, embora ainda não tenha revelado detalhes técnicos ou calendário para os novos grupos propulsores.
Depois de mais de uma década em que a gama moderna da McLaren Automotive foi construída essencialmente em torno de diferentes interpretações do superdesportivo, o investimento de 500 milhões de libras assinala uma mudança de escala: mais capacidade industrial, motores próprios e, pela primeira vez, um SUV confirmado no futuro da marca.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Apoie o jornalismo de valor. Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo







































Comentários