
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 3 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















Al Henakiyah — A 11.ª etapa do Dakar nas motos ficou marcada por um momento histórico para os Estados Unidos e por uma jogada tática de alto risco no seio da Honda. Skyler Howes conquistou finalmente a sua primeira vitória em especiais ao fim de oito participações, enquanto Ricky Brabec optou por abdicar propositadamente da liderança da geral para preparar o assalto decisivo ao título frente a Luciano Benavides.
Howes foi o grande protagonista do dia na ligação até Al Henakiyah. Conhecido tanto pelo estilo irreverente — bigode enrolado e chapéu de cowboy — como pela regularidade nas provas norte-americanas como a Vegas to Reno ou a Sonora Rally, o californiano impôs-se num terreno que lhe é familiar e tornou-se o nono piloto norte-americano a vencer uma etapa no Dakar. Apesar do triunfo, a prestação não lhe permitirá melhorar o seu melhor resultado absoluto, o terceiro lugar alcançado em 2023, estando agora praticamente assegurado que terminará a prova à porta do pódio.
Mas o verdadeiro enredo da etapa escreveu-se nos bastidores da luta pelo título. A estrutura da Honda montou uma estratégia calculada para tentar oferecer a Ricky Brabec a sua terceira vitória no Dakar — começando, paradoxalmente, por lhe retirar a liderança. Adrien Van Beveren, a abrir a etapa, esperou deliberadamente pelo seu colega norte-americano após a zona de reabastecimento, de forma a partilhar com ele os preciosos bónus de abertura de pista.
A manobra foi apenas o início. Já na fase final do especial, Brabec foi ainda mais longe e reduziu propositadamente o ritmo, aceitando perder a liderança para garantir uma posição de partida mais favorável para a decisiva etapa de amanhã, logo atrás de Luciano Benavides, o seu principal rival. Uma jogada de póquer puro, típica do estilo americano, que mantém o suspense ao rubro.
Do lado da KTM, Benavides vê-se agora a braços com uma liderança frágil: apenas 23 segundos de vantagem separam o argentino de Brabec, sabendo que amanhã partirá seis minutos antes do piloto da Honda, o que poderá ser um fardo num dia de decisão.
A equipa austríaca também não poderá contar com o apoio efetivo de Daniel Sanders. O australiano, que ontem lesionou o ombro numa queda, conseguiu terminar a etapa, mas apenas com o 13.º tempo, ficando fora da luta e incapaz de proteger o seu colega de equipa na fase final do rali. Essa tarefa poderá recair sobre Edgar Canet, terceiro classificado da etapa, que irá partir três minutos à frente de Benavides na derradeira especial.
A 11.ª etapa deixou claro que, no Dakar, a vitória não se decide apenas no acelerador, mas também na leitura estratégica da corrida — e amanhã, qualquer erro pode custar um Tuareg de ouro.
Foto: ASO Press
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