
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










A Dacia revelou a segunda geração do Spring, que deverá chegar ao mercado português ainda no primeiro semestre de 2027 e conserva apenas o nome do modelo lançado em 2021. Construído sobre a nova plataforma elétrica RG-EV do Grupo Renault e agora produzido na Europa, o pequeno elétrico cresce em dimensões, recebe uma bateria LFP de 27,5 kWh, motor de 80 cv e anuncia até 250 quilómetros de autonomia WLTP. A gama portuguesa terá dois níveis de equipamento e ficará integralmente abaixo dos 20 mil euros, com preços a partir de 17.900 euros.
O Spring tornou-se uma peça importante na estratégia elétrica da Dacia desde o lançamento da primeira geração. A marca contabiliza mais de 210 mil unidades vendidas desde 2021 em mais de 40 países, num percurso construído sobretudo em torno de um elétrico pequeno, simples e de preço relativamente baixo. A segunda geração altera profundamente essa fórmula do ponto de vista técnico, mantendo o posicionamento no segmento A, mas passando para uma arquitetura diferente e, sobretudo, para produção europeia.
O novo Spring será fabricado em Novo Mesto, na Eslovénia, e é o primeiro Dacia desenvolvido através dos novos processos do Grupo Renault destinados a reduzir o ciclo de conceção para menos de dois anos. A nova plataforma RG-EV serve de base a um automóvel que cresce 15 centímetros em comprimento e 18 centímetros em largura relativamente ao antecessor, numa mudança que procura corrigir algumas das limitações de espaço, proporções e comportamento associadas ao primeiro Spring.

O crescimento leva o novo Spring aos 3,85 metros de comprimento e 1,74 metros de largura, sem contar com os espelhos, mantendo-o claramente dentro das dimensões de um citadino. As novas proporções são acompanhadas por um desenho mais vertical e geométrico, com capô curto e elevado, cavas das rodas pronunciadas e proteções de maiores dimensões nos para-choques.
A frente e a traseira adotam faixas negras que unem os grupos óticos e acentuam visualmente a largura da carroçaria. A assinatura luminosa inspira-se no Dacia Link e o tejadilho é visualmente separado da restante carroçaria através de outra faixa escura. A paleta inicial será composta por quatro cores: Agave, Schist Grey, Diamond Black e Glacier White.
Mais importante do que a alteração estética é o impacto das novas dimensões no habitáculo. A bagageira passa a oferecer 337 litros, podendo chegar aos 1.283 litros com os bancos traseiros rebatidos. Estes têm divisão 50/50 e o piso da bagageira pode ser repartido em duas secções. Continua também disponível, como opção, um pequeno compartimento dianteiro — o denominado frunk — com mais 18 litros, particularmente útil para transportar os cabos de carregamento.
A Dacia optou por manter uma bateria relativamente pequena em vez de procurar aumentar a autonomia através de mais capacidade e, consequentemente, mais peso. O novo Spring utiliza uma bateria LFP com 27,5 kWh de capacidade útil, associada a um único motor elétrico com 60 kW, equivalentes a 80 cv, e 175 Nm de binário.
A aceleração dos 0 aos 100 km/h é cumprida em 12,1 segundos e a velocidade máxima fica limitada a 130 km/h. A autonomia homologada pode chegar aos 250 quilómetros no ciclo combinado WLTP, um valor coerente com a utilização predominantemente urbana a que o modelo se destina.
A própria utilização registada nos Spring da primeira geração ajuda a explicar esta opção. Segundo dados de conectividade da Dacia, os proprietários percorrem, em média, apenas 34 quilómetros por dia, também a uma velocidade média de 34 km/h, e 75% dos carregamentos são realizados em casa.
O baixo peso é outro elemento central. O novo Spring começa nos 1.212 kg e anuncia um consumo combinado de apenas 12,7 kWh/100 km WLTP. Em vez de procurar números elevados de potência ou grandes baterias, a arquitetura privilegia a relação entre massa, consumo e autonomia, uma solução particularmente importante num automóvel elétrico deste tamanho e preço.
Característica | Dados |
Motor | Elétrico |
Potência | 60 kW / 80 cv |
Binário | 175 Nm |
Bateria | LFP |
Capacidade útil | 27,5 kWh |
Autonomia WLTP | Até 250 km |
Consumo WLTP | 12,7 kWh/100 km |
0–100 km/h | 12,1 s |
Velocidade máxima | 130 km/h |
Peso | Desde 1.212 kg |
Comprimento | 3,85 m |
Largura | 1,74 m |
Bagageira | 337 litros |
Bagageira máxima | 1.283 litros |
Frunk | 18 litros, opcional |
Carregamento AC de série | 6,6 kW |
AC opcional | 11 kW |
DC opcional | 50 kW |
DC 15–80% | 28 minutos |

De série, o Spring utiliza um carregador de bordo AC de 6,6 kW. Numa wallbox de 7 kW, a Dacia indica 2h55 para passar dos 15 aos 80% da bateria. Numa tomada doméstica, a mesma operação pode demorar nove horas.
Para quem necessitar de maior flexibilidade existe um pacote de carregamento rápido, que acrescenta AC a 11 kW e DC até 50 kW. Neste caso, os 15 aos 80% podem ser realizados em 1h55 numa wallbox trifásica de 11 kW ou em 28 minutos num posto rápido em corrente contínua. A potência DC não impressiona face a elétricos de segmentos superiores, mas deve ser analisada em função dos apenas 27,5 kWh da bateria.
Este pacote acrescenta ainda V2L (Vehicle-to-Load), permitindo utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar pequenos equipamentos elétricos, incluindo iluminação, máquinas de café ou baterias de bicicletas elétricas.

A transformação prossegue no habitáculo. Todas as versões passam a utilizar um painel de instrumentos digital de 7 polegadas, enquanto o equipamento multimédia depende do nível escolhido. O Expression recorre ao Media Control, que utiliza o smartphone do proprietário como extensão do sistema do automóvel, enquanto o Journey recebe o Media Nav Live com ecrã tátil de 10,1 polegadas, Apple CarPlay e Android Auto sem fios, navegação conectada e serviços online.
A Dacia mantém também a aposta em soluções de arrumação simples. O Spring pode ter até três pontos de fixação YouClip de série, aos quais podem ser ligados diferentes acessórios, existindo ainda organizadores e divisórias para a consola central.
A posição de condução recebe igualmente melhorias importantes para um automóvel essencialmente urbano. O banco do condutor passa a permitir regulação longitudinal e em altura, enquanto o volante é ajustável tanto em altura como em profundidade. O raio de viragem é de apenas 4,95 metros e todas as versões incluem travão de estacionamento elétrico e sensores traseiros; a câmara de marcha-atrás é de série no Journey.

O novo Spring integra a função My Safety, que permite ao condutor configurar determinados sistemas de assistência e recuperar rapidamente essa configuração no arranque. A documentação disponibilizada confirma ainda a presença de diferentes ADAS, mas não especifica o número total de airbags nem apresenta uma classificação Euro NCAP para esta segunda geração. Esses dois dados serão particularmente importantes para avaliar a evolução do modelo em segurança passiva.
Este é um ponto especialmente relevante porque o primeiro Spring ficou longe das referências do mercado em matéria de segurança independente. A nova plataforma, as maiores dimensões e a renovação estrutural tornam, por isso, os futuros resultados Euro NCAP um dos aspetos a acompanhar quando o novo modelo chegar efetivamente às estradas.
A gama portuguesa será particularmente simples. Haverá apenas Expression e Journey, ambas com o mesmo motor de 80 cv, bateria LFP de 27,5 kWh e carregador AC de 6,6 kW. Toda a gama ficará abaixo dos 20 mil euros: o Spring Expression começa nos 17.900 euros e o Journey nos 19.400 euros.
O Expression inclui, entre outros elementos, ar condicionado manual, jantes de 15 polegadas, faróis automáticos, sensores traseiros, travão de estacionamento elétrico, Media Control, USB-C, banco traseiro 50/50 e painel digital. O Journey acrescenta jantes de 16 polegadas, cartão mãos-livres, câmara traseira, Media Nav Live de 10,1 polegadas, navegação, serviços conectados e duas portas USB-C.
É precisamente o preço que volta a colocar o Spring numa posição pouco habitual no mercado elétrico europeu. A segunda geração cresce, muda de plataforma, ganha potência, espaço e equipamento, mas a Dacia mantém a barreira dos 20 mil euros como elemento central do posicionamento.
O resultado é um automóvel bastante diferente daquele que chegou ao mercado em 2021. O novo Spring deixa de ser apenas uma atualização profunda do elétrico de entrada da Dacia: é uma segunda geração efetivamente nova, desenvolvida sobre outra plataforma, fabricado na Europa e com uma proposta técnica construída em torno de três números essenciais — 1.212 kg, 12,7 kWh/100 km e 17.900 euros.
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