
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










O nome A2 regressa à Audi com uma interpretação totalmente elétrica e uma prioridade clara: gastar menos energia em vez de compensar a eficiência com baterias cada vez maiores. O novo Audi A2 e-tron terá quatro níveis de potência entre 125 e 240 kW, três baterias de 52, 61 e 84 kWh, tração traseira e até 646 quilómetros de autonomia WLTP. Na configuração de 140 kW equipada com o pacote de eficiência, anuncia apenas 12,8 kWh/100 km, o consumo homologado mais baixo de qualquer Audi de produção em série até hoje.
Há alguma lógica histórica no regresso da designação A2. O modelo original, produzido no início deste século, destacou-se precisamente pela procura de baixo peso, aerodinâmica e eficiência num formato compacto pouco convencional. O novo A2 e-tron recupera o nome num contexto completamente diferente, mas volta a colocar o consumo e a utilização racional do espaço no centro do projeto.
Desenvolvido na Alemanha e produzido em Ingolstadt, o novo elétrico posiciona-se como modelo de entrada na gama elétrica da Audi. E há um segundo objetivo por trás do automóvel: reduzir também os custos e os tempos industriais. A Audi afirma ter conseguido colocá-lo no mercado 21 meses mais cedo do que modelos antecessores comparáveis, reutilizando na fábrica mais de 1.200 componentes de produção e cerca de 250 robôs anteriormente dedicados a outros modelos.
Haverá versões de 125, 140, 170 e 240 kW, correspondentes aproximadamente a 170, 190, 231 e 326 cv, todas com motor síncrono de ímanes permanentes e tração traseira. O binário é de 350 Nm nas três primeiras variantes e sobe para 545 Nm na mais potente.
As baterias têm 52, 61 ou 84 kWh de capacidade bruta. As duas mais pequenas utilizam células LFP — fosfato de ferro-lítio — numa arquitetura cell-to-pack, enquanto a unidade de 84 kWh recorre à química NMC e fica reservada às versões de 170 e 240 kW.
A relação entre potência, bateria e autonomia produz resultados interessantes. O A2 e-tron de entrada, com 125 kW e bateria de 52 kWh, anuncia até 423 km. O de 140 kW chega aos 515 km com 61 kWh. A versão de 170 kW, equipada com a bateria de 84 kWh, é a campeã de autonomia, com até 646 km WLTP, enquanto o modelo de 240 kW chega aos 630 km.

Versão | 125 kW | 140 kW | 170 kW | 240 kW |
Potência | 170 cv* | 190 cv* | 231 cv* | 326 cv* |
Binário | 350 Nm | 350 Nm | 350 Nm | 545 Nm |
Bateria bruta | 52 kWh | 61 kWh | 84 kWh | 84 kWh |
Autonomia máxima WLTP | 423 km | 515 km | 646 km | 630 km |
Consumo mínimo WLTP | 13,7 | 12,8 | 13,9 | 14,2 kWh/100 km |
0–100 km/h | 8,8 s | 7,9 s | 7,0 s | 5,7 s |
Velocidade máxima | 160 km/h | 160 km/h | 160 km/h | 200 km/h |
Carregamento DC | 100 kW | 105 kW | 183 kW | 183 kW |
10–80% | 24 min | 26 min | 29 min | 29 min |
*Conversão aproximada de kW para cv. Dados de homologação e desempenho divulgados pela Audi.
O dado que melhor explica a filosofia deste A2 encontra-se na versão intermédia de 140 kW. Com o pacote de eficiência opcional, o consumo homologado pode descer aos 12,8 kWh/100 km WLTP, tornando esta configuração, segundo a Audi, no seu automóvel de produção em série mais eficiente até hoje.
Não é apenas o sistema elétrico que permite chegar a este número. O A2 e-tron apresenta um Cx de 0,24, auxiliado por fundo da carroçaria amplamente fechado, entrada de refrigeração dianteira ativa, jantes aerodinâmicas e soluções específicas em torno das cavas das rodas destinadas a controlar a turbulência.
A eletrónica de potência utiliza semicondutores de carboneto de silício (SiC) e os motores são unidades APP350 ou APP550, consoante a versão. A transmissão também recebeu rolamentos de menor atrito, engrenagens polidas e lubrificantes de baixa viscosidade. Existem quatro níveis de regeneração, incluindo condução com um só pedal através da posição B do seletor.

O A2 e-tron não entra na corrida dos elétricos de 800 V com carregamentos acima dos 250 ou 300 kW. As versões com bateria de 84 kWh atingem 183 kW em corrente contínua, necessitando de 29 minutos para passar de 10% a 80%. A bateria de 52 kWh aceita até 100 kW e realiza a mesma operação em 24 minutos, enquanto a de 61 kWh chega aos 105 kW e demora 26 minutos.
Em contrapartida, a Audi introduz carregamento bidirecional. A função Vehicle-to-Load (V2L) permite utilizar a bateria para alimentar equipamentos externos, enquanto o Vehicle-to-Home (V2H) possibilita utilizar o automóvel como armazenamento energético doméstico através de uma wallbox DC compatível. Esta última funcionalidade está inicialmente indicada para Alemanha, Áustria e Suíça, pelo que não está confirmada a sua disponibilidade em Portugal.

O desenho segue uma lógica claramente funcional. Balanços curtos e uma distância entre eixos de 2,77 metros procuram maximizar o espaço da cabine, enquanto a linha descendente do tejadilho e o trabalho aerodinâmico da traseira contribuem para o Cx de 0,24.
Na dianteira, os sensores dos sistemas de assistência e os faróis principais ficam integrados num painel preto, com luzes diurnas estreitas colocadas acima. Os puxadores das portas são elétricos e utilizam sensores hápticos, embora exista armazenamento de energia integrado nas portas para permitir a sua abertura mesmo perante uma falha do sistema elétrico de bordo.
Haverá uma configuração exterior convencional e uma S line, diferenciada por para-choques, saias laterais, elementos em preto brilhante, difusor e entradas de ar específicas. Faróis Matrix LED estarão disponíveis em opção, tal como diferentes assinaturas luminosas digitais.

A bagageira oferece 396 litros, aumentando para 1.336 litros com os bancos traseiros rebatidos. Nas versões de 170 e 240 kW existe ainda um pequeno compartimento dianteiro de 13 litros.
No habitáculo, a Audi deslocou o seletor da transmissão para a coluna de direção, libertando a consola central. Esta passa a integrar carregamento sem fios Qi 2.2 para dois smartphones, com refrigeração ativa e potência de até 25 W. Outra novidade é o sistema modular Fidlock, que combina ímanes e bloqueio mecânico para fixar acessórios na consola e, opcionalmente, na bagageira.
O painel reúne de série o Audi virtual cockpit plus de 11,9 polegadas e um ecrã tátil MMI curvo de 12,8 polegadas. Um head-up display com realidade aumentada fica entre os opcionais. O sistema multimédia integra o planeador de rotas e-tron e o Audi assistant com funções baseadas em inteligência artificial.
Há ainda uma abordagem pouco habitual à conectividade profissional. O Audi connected work pode integrar Microsoft Outlook e Teams, permitindo através de comandos de voz consultar agenda, redigir mensagens ou participar em chamadas, dependendo dos serviços contratados.
A dotação de segurança inclui de série assistente de travagem de emergência, assistente de manobra evasiva, monitorização da atenção do condutor, cruise control adaptativo (ACC), sistema de estacionamento plus e câmara traseira.

Talvez a parte mais interessante do novo A2 e-tron seja a estratégia adotada. Num mercado onde a autonomia continua frequentemente a ser aumentada através de baterias maiores — com consequências no peso, custo e consumo — a Audi procura demonstrar que há margem para trabalhar primeiro a eficiência global.
Um consumo mínimo anunciado de 12,8 kWh/100 km, um Cx de 0,24 e uma autonomia que pode chegar aos 646 km mostram essa prioridade. Ao mesmo tempo, a existência de três capacidades de bateria permite evitar que todos os clientes tenham de transportar permanentemente a massa e pagar o custo de uma bateria de 84 kWh.
O novo A2 e-tron recupera, assim, mais do que uma designação histórica. Recupera parcialmente a ideia que tornou o primeiro A2 diferente: fazer mais utilizando menos. Desta vez, porém, essa filosofia é aplicada a um automóvel totalmente elétrico, digitalizado e concebido para ocupar a porta de entrada da gama elétrica da Audi.
A Audi ainda não indica preços nem calendário comercial específico para Portugal, elementos decisivos para perceber onde o A2 e-tron ficará posicionado face aos restantes compactos elétricos premium.
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