
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










Desenvolvido especificamente para sistemas eletrificados, o motor 1.5 TGDI que equipa a tecnologia SHS da Omoda & Jaecoo combina ciclo Deep Miller, injeção direta a 350 bar e uma elevada taxa de compressão de 14,5:1. Com 143 cv e 215 Nm, o quatro cilindros procura eficiência mais do que potência e anuncia um rendimento térmico de 44,5%, mostrando como o motor de combustão continua a ter um papel determinante na eficiência dos híbridos.
Quando se analisam automóveis híbridos e híbridos plug-in, baterias, motores elétricos e autonomia tendem a concentrar grande parte das atenções. No entanto, a eficiência global continua a depender significativamente do motor de combustão, sobretudo quando este é utilizado para gerar eletricidade ou participar diretamente na propulsão. É precisamente neste ponto que a Omoda & Jaecoo procura diferenciar a sua tecnologia SHS (Super Hybrid System), através de um motor térmico desenvolvido desde o início para funcionar integrado num sistema híbrido.
Internamente identificado como H4J15, o 1.5 TGDI DHE (Dedicated Hybrid Engine) pertence à quinta geração de motores do grupo Chery e não resulta simplesmente da adaptação de uma mecânica convencional. O bloco foi concebido para trabalhar em conjunto com motores elétricos, bateria e uma transmissão híbrida dedicada DHT, permitindo diferentes estratégias de funcionamento em série ou paralelo.

O H4J15 é um quatro cilindros turbo a gasolina com 1498 cm³, injeção direta e sobrealimentação. Desenvolve 105 kW (143 cv) às 5200 rpm e 215 Nm às 2500 rpm, atingindo uma potência específica de 70 kW por litro.
A utilização de uma liga de alumínio e o trabalho realizado na redução de peso permitem limitar a massa do conjunto a 106 kg. O objetivo, contudo, não passa por obter valores elevados de potência específica, mas por maximizar a eficiência nos regimes em que o motor será utilizado pelo sistema híbrido.
É uma diferença importante relativamente à lógica de muitos motores turbo convencionais. Num híbrido, a gestão eletrónica pode determinar quando e em que condições o motor térmico entra em funcionamento, permitindo mantê-lo durante mais tempo próximo das zonas de maior rendimento.
O dado que mais se destaca na ficha técnica é a eficiência térmica anunciada de 44,5%. Em termos simples, este valor representa a percentagem da energia química existente no combustível que o motor consegue transformar em trabalho útil. A energia restante perde-se sobretudo através do calor, gases de escape e atritos mecânicos.
Motores de combustão convencionais desperdiçam uma parcela significativa da energia disponível no combustível, razão pela qual conseguir aumentar alguns pontos percentuais na eficiência térmica representa um desafio relevante de engenharia.
Para chegar aos 44,5% anunciados, o H4J15 combina várias soluções, começando por uma elevada taxa de compressão de 14,5:1. Mas essa relação, isoladamente, não explica o resultado. O motor utiliza ainda ciclo Deep Miller, elevada pressão de injeção, recirculação de gases de escape e sistemas específicos para reduzir perdas térmicas e mecânicas.

Uma das bases desta arquitetura é o denominado ciclo Deep Miller, evolução do princípio Miller aplicada com o objetivo de aumentar a expansão dos gases no interior dos cilindros e reduzir parte do trabalho necessário durante a compressão.
Na prática, procura-se retirar maior quantidade de trabalho útil da energia libertada durante a combustão, ao mesmo tempo que se controlam as temperaturas. A solução exige, contudo, uma gestão muito precisa do enchimento dos cilindros e da sobrealimentação para evitar perdas excessivas de desempenho.
É por isso que o H4J15 associa o ciclo Deep Miller a um turbocompressor e à distribuição variável DVVT na admissão e no escape, permitindo alterar o funcionamento das válvulas de acordo com as condições de carga e regime.
Outro dos elementos utilizados é o sistema de combustão i-HEC, que combina injeção direta de gasolina com pressões que podem chegar aos 350 bar e um sistema de ignição de alta energia de 120 mJ.
A pressão elevada permite uma pulverização mais fina do combustível, procurando criar uma mistura mais homogénea e favorecer uma combustão rápida e estável. Esta característica assume particular importância num híbrido, onde o motor térmico pode ligar e desligar repetidamente ou passar rapidamente entre diferentes condições de carga.
O conjunto utiliza ainda a tecnologia HiDS, apoiada por recirculação de gases de escape refrigerados de baixa pressão. Parte dos gases é reintroduzida na admissão, contribuindo para controlar as temperaturas da combustão e reduzir determinadas perdas energéticas.

Chegar a níveis elevados de eficiência implica igualmente reduzir energia consumida por sistemas auxiliares. Para isso, o motor utiliza o sistema i-HTM, responsável pela gestão térmica inteligente.
O objetivo é fazer com que o bloco atinja rapidamente a temperatura ideal e evitar uma refrigeração superior à necessária. Esta gestão torna-se particularmente relevante em percursos curtos e durante arranques a frio, períodos em que os motores de combustão tendem a operar longe das condições de maior eficiência.
Há ainda um sistema inteligente de lubrificação i-LS, que adapta o fornecimento de óleo às necessidades do motor. A estratégia procura assegurar a lubrificação dos componentes enquanto reduz a energia consumida pela circulação do próprio óleo.
Um intercooler refrigerado a água, o coletor de escape integrado na cabeça do motor e diferentes soluções destinadas à redução dos atritos internos completam o conjunto.
A forma como o H4J15 é utilizado é tão importante quanto a sua construção. Dentro do sistema SHS, a eletrónica decide quando deve utilizar o motor de combustão e em que condições deve fazê-lo.
Em circulação urbana ou a velocidades reduzidas, a propulsão elétrica pode assumir uma maior parte do trabalho. Quando entra em funcionamento, o motor a gasolina pode, consoante a arquitetura e as necessidades do veículo, gerar eletricidade, trabalhar em conjunto com a componente elétrica ou transmitir potência diretamente às rodas.
Esta flexibilidade permite evitar algumas das situações menos eficientes de um motor térmico tradicional. Em vez de acompanhar permanentemente as solicitações do acelerador, pode funcionar durante mais tempo em regimes e cargas previamente definidos como favoráveis à eficiência.
É também neste contexto que os 143 cv e 215 Nm devem ser interpretados: os valores do motor isoladamente não representam a potência final dos diferentes modelos, uma vez que esta depende da configuração elétrica e da transmissão utilizada em cada aplicação.
O mesmo motor será utilizado em diferentes configurações da gama SHS. Com a transmissão híbrida 1DHT de uma relação, está previsto para os OMODA 5 SHS híbrido, OMODA 7 SHS híbrido plug-in, JAECOO 5 SHS híbrido, JAECOO 7 SHS híbrido e JAECOO 7 SHS híbrido plug-in.
Nos modelos de posicionamento superior, a arquitetura passa para uma 3DHT de três relações. É a solução prevista para o OMODA 9 SHS híbrido plug-in e JAECOO 8 SHS híbrido plug-in.
Esta diferenciação mostra também que o H4J15 funciona como um elemento comum de uma arquitetura modular, podendo ser combinado com diferentes transmissões e componentes elétricos em função das necessidades de cada veículo.
O desenvolvimento deste motor tem por base a experiência acumulada pela ACTECO, empresa especializada em sistemas de propulsão pertencente ao grupo Chery Auto. Embora constituída como empresa independente em 2019, a sua origem está na divisão responsável pelo desenvolvimento e produção das mecânicas da Chery.
O percurso remonta a 1999, quando foi produzido o primeiro motor desenvolvido pela fabricante chinesa. Desde então, a atividade alargou-se dos motores de combustão tradicionais para transmissões híbridas, sistemas elétricos e soluções destinadas a combustíveis alternativos.
É um contexto relevante numa altura em que os fabricantes chineses procuram demonstrar que a sua evolução tecnológica não está concentrada exclusivamente nas baterias e nos motores elétricos.
Característica | Dados |
Arquitetura | 4 cilindros, turbo, injeção direta |
Cilindrada | 1498 cm³ |
Diâmetro × curso | 72 × 92 mm |
Taxa de compressão | 14,5:1 |
Potência máxima | 105 kW (143 cv) às 5200 rpm |
Binário máximo | 215 Nm às 2500 rpm |
Potência específica | 70 kW/l |
Eficiência térmica anunciada | 44,5% |
Pressão máxima de injeção | 350 bar |
Dimensões | 567 × 607 × 671 mm |
Peso | 106 kg |
Ciclo de funcionamento | Deep Miller |
Aplicação | Sistemas híbridos e híbridos plug-in SHS |
A evolução do H4J15 ajuda a perceber uma realidade por vezes esquecida no atual processo de eletrificação: um híbrido eficiente não depende apenas de ter uma boa bateria e motores elétricos eficientes. Quando existe um motor de combustão, a forma como este transforma a energia do combustível e como é integrado na estratégia energética do veículo continua a ter impacto direto nos consumos e emissões.
Os 44,5% de eficiência térmica anunciados pela Omoda & Jaecoo são, por isso, o dado tecnicamente mais interessante deste 1.5 TGDI. Mas a verdadeira avaliação da solução terá de ser feita no automóvel completo, onde entram variáveis como massa, capacidade da bateria, eficiência dos motores elétricos, transmissão, aerodinâmica e, sobretudo, a estratégia de gestão entre todas estes componentes.
É precisamente aí que se perceberá se a elevada eficiência anunciada para o motor isoladamente se traduz, na utilização real, em consumos igualmente competitivos para o sistema SHS como um todo.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Apoie o jornalismo de valor. Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo



























Comentários