
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
14 de fev.



















O mercado automóvel português continua em crescimento em 2026, mas os números de abril mostram uma transformação cada vez mais evidente entre vencedores e perdedores. Enquanto Peugeot reforça a liderança e marcas chinesas disparam nas matrículas, vários construtores tradicionais enfrentam quebras significativas num mercado cada vez mais competitivo e eletrificado.
O mercado automóvel português voltou a crescer em abril de 2026, consolidando uma recuperação sustentada ao longo dos primeiros quatro meses do ano. No total, foram matriculados mais de 21 mil veículos ligeiros de passageiros durante o mês, contribuindo para um crescimento acumulado superior a 10% face ao mesmo período de 2025.
Mas os dados revelam muito mais do que uma simples subida do mercado. Abril confirma que o setor automóvel em Portugal atravessa uma profunda reorganização competitiva, com novas marcas a ganhar terreno rapidamente enquanto alguns construtores históricos enfrentam perdas cada vez mais visíveis.
A Peugeot voltou a afirmar-se como a principal força do mercado nacional. A marca francesa liderou as matrículas de ligeiros de passageiros em abril, ultrapassando as 2.300 unidades e reforçando também a liderança no acumulado anual. O crescimento da Peugeot continua a ser sustentado pela forte procura dos SUV compactos e pela diversificação da oferta entre motores térmicos, híbridos e elétricos.
A Mercedes-Benz manteve igualmente uma posição muito sólida entre as marcas premium mais vendidas, confirmando a estabilidade da procura no segmento de maior valor acrescentado e sendo mesmo uma das marcas mais vendidas no país. Também BMW e Audi continuam competitivas, embora com ritmos de crescimento menos expressivos do que algumas rivais mais recentes.
Entre as maiores subidas do mercado, a MG volta a ser um dos fenómenos mais relevantes do ano. A marca, agora chinesa, praticamente duplicou as matrículas em abril e apresenta um crescimento acumulado superior a 150% em 2026. O sucesso da MG reflete a forte aceitação dos seus modelos elétricos e híbridos plug-in, sobretudo junto de consumidores que procuram preços mais competitivos sem abdicar de equipamento tecnológico.
Também a BYD mantém uma expansão impressionante em Portugal. A marca chinesa continua a crescer a dois dígitos tanto no mês como no acumulado anual, reforçando a sua posição como um dos protagonistas da nova vaga elétrica no mercado europeu. A estratégia agressiva de preços e a rápida expansão da rede comercial começam claramente a produzir resultados.
Outra das grandes protagonistas do mês foi a Skoda. A marca checa registou um dos crescimentos mais expressivos entre os construtores generalistas, aproximando-se dos 90% de subida em abril e ultrapassando os 60% no acumulado anual. A forte procura pelos modelos SUV e familiares eletrificados do grupo Volkswagen está a permitir à Skoda ganhar relevância num mercado cada vez mais orientado para a racionalidade de utilização.
Também Cupra, Hyundai, Mini e Jeep apresentaram crescimentos muito sólidos, demonstrando que o consumidor português continua particularmente recetivo a propostas com imagem mais emocional, design diferenciador e forte componente tecnológica.
No lado oposto do mercado, abril trouxe sinais de preocupação para várias marcas tradicionais. A Renault continua entre os casos mais relevantes, acumulando uma quebra superior a 24% em 2026. Apesar da importância histórica da marca em Portugal, a atual transição tecnológica e a crescente pressão dos construtores asiáticos parecem estar a afetar diretamente o seu desempenho comercial.
A Dacia, habitualmente muito forte no canal particular, também registou uma descida significativa superior a 17% no acumulado anual. O crescimento da concorrência chinesa nos segmentos mais acessíveis começa a retirar espaço às marcas tradicionalmente associadas ao conceito de baixo custo.
A Nissan enfrenta igualmente um momento particularmente delicado. As matrículas da marca japonesa caíram mais de 30% em abril, refletindo dificuldades na renovação da gama e alguma perda de competitividade face à nova geração de modelos híbridos e elétricos disponíveis no mercado europeu.
Ainda mais expressiva é a quebra da Mitsubishi, que perdeu mais de 70% das matrículas em abril e quase 60% no acumulado anual. A marca continua a sentir o impacto da reduzida oferta europeia e da menor presença comercial em vários mercados, uma marca que sempre teve muito prestigio e presença entre os veículos comerciais através das suas pickups.
Mesmo a Tesla, apesar de continuar relevante no segmento elétrico, mostra sinais de maior pressão competitiva. A marca norte-americana caiu mais de 32% em abril, embora continue positiva no acumulado anual. O crescimento acelerado das marcas chinesas e a maior oferta elétrica europeia começam a reduzir o domínio absoluto que a Tesla manteve nos últimos anos.
Os números de abril deixam uma conclusão clara: o mercado automóvel português está a entrar numa nova fase de equilíbrio competitivo. As marcas chinesas aceleram rapidamente, os construtores tradicionais enfrentam maior pressão e a eletrificação deixou definitivamente de ser uma tendência futura para passar a assumir um papel central nas escolhas do consumidor português.
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