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Proteção traseira dos camiões continua a falhar e poderá estar associada a cerca de 400 mortes por ano na Europa

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    Redação Europa
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura


Um novo estudo do Euro NCAP conclui que as atuais proteções traseiras instaladas em camiões e reboques na Europa apresentam falhas estruturais que podem transformar colisões em acidentes fatais. A investigação revela ainda que alguns sistemas de travagem automática dos automóveis não conseguem identificar corretamente determinados tipos de reboques, aumentando o risco de acidentes graves.


Uma investigação internacional coordenada pelo Euro NCAP concluiu que as atuais normas europeias para as barras de proteção traseira dos camiões e reboques necessitam de uma revisão urgente. Segundo o organismo independente de avaliação da segurança automóvel, este tipo de acidente poderá estar associado a cerca de 400 mortes por ano na União Europeia e no Reino Unido.


O estudo foi desenvolvido em colaboração com a associação alemã ADAC, a Administração Sueca dos Transportes (Trafikverket), o Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), dos Estados Unidos, e contou ainda com o apoio da National Highways britânica. Os ensaios incluíram testes laboratoriais de colisão e avaliações em condições reais de circulação, realizados no Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.


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Dois problemas distintos, um mesmo resultado

Os investigadores identificaram duas vulnerabilidades que, quando ocorrem em simultâneo, aumentam significativamente a gravidade das colisões.


A primeira está relacionada com alguns sistemas mais antigos de assistência à condução (ADAS), nomeadamente a travagem autónoma de emergência (AEB). Embora estes sistemas consigam detetar corretamente os veículos-alvo utilizados nos testes de homologação, demonstraram dificuldades em reconhecer determinados tipos de reboques reais, como semirreboques de lona, plataformas esqueléticas para contentores ou veículos de proteção utilizados em obras rodoviárias.


Segundo o Euro NCAP, esta limitação reduz a eficácia da travagem automática precisamente em situações onde o veículo pesado se encontra imobilizado ou circula a velocidade reduzida.


Apesar das gerações mais recentes destes sistemas apresentarem melhorias significativas, a idade média do parque automóvel europeu faz prever que serão necessários mais de 15 anos até que a maioria dos automóveis disponha desta capacidade de deteção mais avançada.


As barras de proteção também falharam

Quando a colisão não consegue ser evitada, entra em ação a segunda linha de defesa: a barra de proteção traseira dos reboques, conhecida tecnicamente como Rear Underrun Protection System (RUPS).


Foi precisamente nesta fase que os testes revelaram as maiores preocupações.

O Euro NCAP utilizou um automóvel com classificação máxima de cinco estrelas nos seus testes de segurança e realizou impactos contra diferentes tipos de reboques equipados com sistemas de proteção conformes com a atual regulamentação europeia UN ECE R58.03, obrigatória desde 2022.


Num dos ensaios, realizado a 56 km/h com uma colisão frontal parcialmente descentrada, a estrutura de proteção instalada num reboque permitiu que a plataforma do semirreboque penetrasse diretamente no habitáculo do automóvel, destruindo a zona destinada à proteção dos ocupantes e provocando lesões consideradas fatais ao manequim de ensaio.


Num segundo teste, utilizando outro fabricante de reboques e o mesmo tipo de impacto, a barra de proteção traseira cedeu estruturalmente, permitindo novamente que o automóvel deslizasse sob o reboque e comprometesse completamente a integridade do habitáculo.


Segundo os especialistas, estes resultados demonstram que mesmo automóveis modernos, equipados com estruturas altamente resistentes e sistemas avançados de segurança passiva, deixam de conseguir proteger eficazmente os ocupantes quando a estrutura do reboque não oferece resistência suficiente ao impacto.


Os Estados Unidos já utilizam uma solução mais eficaz

Para efeitos de comparação, o Euro NCAP repetiu o mesmo ensaio utilizando um reboque equipado com a proteção TOUGHGUARD, desenvolvida pelo Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) nos Estados Unidos.


Neste caso, a barra traseira manteve a integridade estrutural durante a colisão, permitindo que a zona de deformação programada do automóvel absorvesse corretamente a energia do impacto, preservando o espaço de sobrevivência dos ocupantes.

Desde 2017, cerca de 70% dos novos reboques norte-americanos já utilizam este sistema reforçado.

Segundo o Euro NCAP, a adaptação dos reboques europeus exigiria apenas o reforço estrutural das atuais barras traseiras, uma intervenção tecnicamente simples e já validada pelos resultados obtidos nos Estados Unidos.


Euro NCAP pede revisão urgente da legislação

Face às conclusões da investigação, o Euro NCAP solicita à União Europeia e ao Reino Unido que atualizem a regulamentação UN ECE R58.03, aproximando-a dos requisitos técnicos do padrão norte-americano TOUGHGUARD.


O organismo recomenda igualmente que os fabricantes introduzam voluntariamente soluções reforçadas nos novos reboques e desenvolvam kits de adaptação para as centenas de milhares de veículos já em circulação.


Também os operadores de frotas são incentivados a exigir estas melhorias aos fabricantes, reduzindo o risco associado a este tipo de acidentes.


Para Matthew Avery, diretor de Desenvolvimento Estratégico do Euro NCAP, as conclusões do estudo demonstram que décadas de evolução na segurança dos automóveis podem ser anuladas por uma proteção traseira inadequada instalada nos veículos pesados.


Segundo o responsável, a atualização da legislação poderá representar um passo importante para reduzir um tipo de acidente que continua a provocar centenas de vítimas mortais todos os anos nas estradas europeias.


O estudo conclui que melhorar simultaneamente a capacidade dos sistemas de assistência à condução para detetar reboques e reforçar estruturalmente as barras de proteção traseira poderá reduzir significativamente a gravidade deste tipo de colisões e salvar centenas de vidas todos os anos.


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