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Teste: Fiat Grande Panda Hybrid La Prima, o regresso de um ícone que percebeu que evoluir não significa perder a identidade

  • Foto do escritor: Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
    Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
  • há 4 minutos
  • 14 min de leitura
Teste: Fiat Grande Panda Hybrid La Prima, o regresso de um ícone que percebeu que evoluir não significa perder a identidade

Há automóveis que chegam ao mercado para seguir tendências e há outros que procuram criar o seu próprio caminho. O novo Fiat Grande Panda Hybrid La Prima pertence claramente ao segundo grupo. Cresceu, tornou-se mais tecnológico, abraçou a eletrificação e passou a disputar um dos segmentos mais competitivos da Europa, mas fê-lo sem abdicar da filosofia que transformou o Panda num dos automóveis mais importantes da história da Fiat. Depois de vários dias de utilização em cidade, estrada nacional e autoestrada, percebemos que este não é apenas um sucessor do Panda. É uma interpretação moderna daquilo que um automóvel compacto deveria continuar a ser.


Existem poucos nomes na indústria automóvel capazes de despertar tanta empatia como Panda. Durante décadas foi sinónimo de mobilidade acessível, simplicidade mecânica, criatividade e inteligência na forma como aproveitava cada centímetro da carroçaria. Era um automóvel desenhado para resolver problemas do quotidiano e não para alimentar estatísticas de potência ou listas intermináveis de equipamento.


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Recuperar esse nome numa época em que os automóveis são inevitavelmente mais complexos representava um enorme desafio para a Fiat, porque bastava um pequeno erro para transformar um ícone numa mera operação de marketing. Felizmente, isso não aconteceu. O Grande Panda não vive agarrado ao passado, mas também nunca esquece de onde vem. É precisamente essa capacidade de respeitar a sua história enquanto responde às exigências atuais do mercado que torna este projeto particularmente interessante.


A primeira surpresa surge logo quando nos aproximamos do automóvel. O nome continua a ser Panda, mas as proporções mudaram profundamente. Com praticamente quatro metros de comprimento, o Grande Panda abandona definitivamente o papel de pequeno citadino para entrar num dos segmentos mais importantes do mercado europeu, onde enfrenta modelos como o Renault Clio, Peugeot 208, Citroën C3, Opel Corsa, Hyundai i20, Toyota Yaris ou até alguns pequenos SUV que conquistaram uma enorme popularidade nos últimos anos.


A estratégia da Fiat faz todo o sentido. O mercado mudou, as famílias mudaram e aquilo que hoje se espera de um automóvel compacto é muito diferente da realidade de há trinta anos. Era impossível manter o Panda original sem o adaptar a esta nova realidade, mas a marca italiana teve a inteligência de perceber que crescer não significa obrigatoriamente perder personalidade.


Essa personalidade é, aliás, um dos aspetos que mais rapidamente conquistam quem observa o Grande Panda pela primeira vez. Vivemos numa época em que demasiados automóveis parecem desenhados para não correr riscos, seguindo tendências muito semelhantes entre marcas, com frentes agressivas, linhas excessivamente musculadas e uma preocupação quase obsessiva em parecerem premium.


O Fiat segue precisamente o caminho oposto. Não tenta parecer um automóvel de categoria superior, nem procura esconder a sua natureza prática atrás de elementos decorativos exagerados. Assume sem qualquer complexo uma imagem divertida, irreverente e imediatamente reconhecível, recuperando de forma extremamente inteligente alguns dos elementos que fizeram do Panda original um verdadeiro ícone do design automóvel europeu.


A dianteira é, provavelmente, o melhor exemplo desse trabalho. A assinatura luminosa em LED inspirada em píxeis não existe apenas para chamar a atenção. Existe uma história por trás dessa solução gráfica, uma vez que a própria Fiat assumiu que a inspiração nasceu das janelas do histórico edifício Lingotto, em Turim, antiga fábrica da marca e um dos locais mais emblemáticos da indústria automóvel italiana.


O resultado é uma frente que dificilmente se confunde com qualquer outro modelo atualmente disponível no mercado. É moderna, mas não cai na tentação de exagerar. É tecnológica, mas continua a transmitir simpatia. Mais importante ainda, consegue criar uma identidade própria num segmento onde muitos automóveis acabam por parecer variações do mesmo tema.


Ao longo da carroçaria encontramos inúmeros detalhes que revelam o cuidado colocado no desenvolvimento deste projeto. As superfícies praticamente verticais recordam discretamente as linhas do Panda original, enquanto as formas geométricas dominam praticamente todos os elementos da carroçaria. As proteções inferiores, os guarda-lamas de formato quadrado, as barras de tejadilho e até a palavra PANDA, moldada diretamente nas portas, demonstram que existiu uma preocupação clara em construir um automóvel com identidade própria e não apenas mais um crossover compacto.


Durante os dias em que convivemos com esta versão La Prima tornou-se evidente que este é um daqueles automóveis que desperta curiosidade. Foram várias as pessoas que olharam duas vezes para perceber exatamente que modelo era aquele. Isso pode parecer um detalhe irrelevante, mas num mercado onde muitos automóveis passam completamente despercebidos, conseguir captar a atenção sem recorrer a excessos estéticos é uma enorme qualidade.


Também a traseira mantém essa coerência estilística. Os grupos óticos voltam a explorar a linguagem pixelizada, enquanto as formas simples e praticamente verticais privilegiam claramente a funcionalidade. Não existem barras luminosas contínuas apenas porque a moda assim o dita, nem falsas saídas de escape ou elementos puramente decorativos. Existe uma honestidade muito interessante neste desenho. A Fiat parece ter desenhado o automóvel para durar visualmente muitos anos, evitando soluções que rapidamente envelhecem. É uma abordagem que faz lembrar aquilo que sempre caracterizou os melhores modelos italianos: criatividade suficiente para marcar uma época, mas sem cair na extravagância gratuita.



Interior prático, tecnológico e divertido

Se o exterior consegue conquistar pela personalidade, o interior revela uma das maiores virtudes deste Grande Panda: foi claramente pensado para pessoas que utilizam automóveis todos os dias. Atualmente existe uma tendência crescente para substituir praticamente todos os comandos físicos por ecrãs táteis, obrigando o condutor a navegar por sucessivos menus para executar tarefas tão simples como regular a temperatura da climatização ou alterar a intensidade da ventilação.


Felizmente, a Fiat resistiu a essa tentação. O Grande Panda apresenta um painel de bordo moderno, bem organizado e visualmente agradável, mas preserva comandos físicos exatamente onde eles fazem mais sentido. Esta decisão melhora significativamente a ergonomia e permite que o condutor mantenha a atenção na estrada em vez de procurar funções escondidas em menus digitais.


A versão La Prima representa naturalmente o topo da gama e isso reflete-se na qualidade da apresentação. O painel de instrumentos digital apresenta excelente legibilidade, enquanto o sistema multimédia responde rapidamente aos comandos e oferece compatibilidade sem fios com Apple CarPlay e Android Auto. A qualidade gráfica é boa, os menus são intuitivos e a curva de aprendizagem praticamente inexistente.


Mais importante ainda, todo o conjunto transmite uma sensação de utilização natural, sem obrigar o condutor a reaprender tarefas que durante décadas foram simples. Parece uma crítica subtil ao excesso de digitalização que algumas marcas têm vindo a adotar, mas é precisamente isso que o Grande Panda acaba por demonstrar: nem toda a inovação melhora efetivamente a experiência de utilização.


Outro dos aspetos que merece destaque é a forma como a Fiat aproveitou o espaço disponível. Apesar das dimensões relativamente compactas, o habitáculo transmite imediatamente uma sensação de amplitude superior à esperada. A posição de condução é elevada, facilitando bastante a entrada e saída do automóvel, enquanto a grande superfície vidrada melhora significativamente a visibilidade em todas as direções. Em ambiente urbano, esta característica revela-se particularmente importante, tornando as manobras muito mais fáceis e reduzindo a sensação de conduzir um automóvel maior do que realmente é.



A criatividade continua igualmente presente no interior através de soluções inteligentes de arrumação, uma tradição que sempre acompanhou a história do Panda. O design do painel inspirado na pista oval do Lingotto é simultaneamente atraente e um detalehe de rara personalidade. Um elemento decorativo e extremamente atraente que harmoniza com o irreverente porta-luvas do tablier, conhecido como "Bambox", e que foi buscar a sua inspiração principal ao Panda clássico da década de 80.


Os designers da marca italiana recuperaram o conceito original daquele modelo icónico: uma prateleira aberta e um compartimento embutido que maximiza o espaço e transmite uma sensação de amplitude. Além disso, o seu revestimento em tecido com fibras de bambu presta homenagem aos materiais naturais e sustentáveis


Existem igualmente diversos espaços distribuídos ao longo da consola, portas e apoio central, demonstrando que este automóvel foi pensado para ser utilizado diariamente e não apenas admirado em fotografias de catálogo.



A qualidade dos materiais segue exatamente a mesma filosofia. É evidente que não estamos perante um automóvel premium, nem pretende sê-lo. Encontramos plásticos rígidos em diversas zonas do habitáculo, mas apresentam uma montagem cuidada, boas texturas e uma robustez que inspira confiança para muitos anos de utilização. A Fiat teve igualmente a preocupação de integrar materiais reciclados em vários elementos do interior, assumindo essa opção como parte integrante da identidade do modelo e não como um simples argumento comercial. Essa honestidade acaba por ser refrescante numa indústria onde demasiadas vezes a sustentabilidade surge mais como ferramenta de marketing do que como verdadeira decisão de engenharia.


Também a habitabilidade merece uma referência muito positiva. Os lugares dianteiros oferecem espaço de sobra para dois adultos, enquanto atrás dois passageiros viajam confortavelmente, beneficiando de uma boa altura disponível para a cabeça e espaço para as pernas acima da média do segmento. Mesmo um terceiro ocupante consegue acomodar-se em percursos mais curtos sem o desconforto normalmente associado aos utilitários compactos.


A bagageira acompanha esta evolução e apresenta capacidade suficiente para responder às necessidades de uma família durante o dia a dia ou mesmo numa viagem de férias, confirmando que o crescimento das dimensões exteriores trouxe vantagens reais e não apenas uma aparência mais robusta. Na versão híbrida (Mild Hybrid), o porta-malas do Fiat Grande Panda tem capacidade para 412 litros, sendo um dos maiores da sua categoria.



Eficiente, prático e sem medo de encarar a estrada

É, contudo, quando começamos finalmente a conduzir o Grande Panda Hybrid La Prima que percebemos verdadeiramente onde a Fiat concentrou grande parte do seu trabalho. A estética conquista pela diferença e o habitáculo convence pela inteligência das soluções, mas é na estrada que este automóvel revela a maturidade do projeto.


A marca italiana optou pela já conhecida motorização de três cilindros 1.2 Turbo associada ao sistema híbrido ligeiro de 48 volts e à caixa automática eletrificada de dupla embraiagem e seis velocidades (eDCT), um conjunto que já conhecemos de outros modelos do Grupo Stellantis, mas que aqui parece particularmente bem adaptado à filosofia do Grande Panda.


Com uma potência combinada de 110 cv, ninguém deverá aproximar-se deste modelo à procura de prestações desportivas. Não foi para isso que nasceu e seria profundamente injusto avaliá-lo por esse critério. O objetivo é outro: proporcionar uma condução fácil, suave, económica e suficientemente disponível para responder às exigências do dia a dia. E, nesse aspeto, dificilmente podemos apontar-lhe falhas relevantes.


Em ambiente urbano, o sistema híbrido de 48 volts demonstra toda a sua utilidade. As partidas são extremamente suaves, a assistência elétrica reduz claramente o esforço do pequeno motor turbo nas acelerações iniciais e, em muitas situações de baixa velocidade ou durante as manobras, o automóvel consegue deslocar-se apenas com energia elétrica, tornando toda a experiência de condução mais refinada do que seria expectável num híbrido ligeiro.



Não estamos perante um híbrido convencional capaz de percorrer vários quilómetros em modo elétrico, mas sim perante um sistema concebido para aumentar a eficiência sem complicar a utilização. E talvez seja precisamente essa simplicidade que mais impressiona. O condutor praticamente esquece que existe um sistema híbrido a funcionar. Tudo acontece de forma completamente natural.


A caixa automática de dupla embraiagem merece igualmente uma nota muito positiva. As passagens de relação são rápidas, suaves e bem sincronizadas com o funcionamento do motor elétrico, evitando aqueles momentos de hesitação que ainda encontramos em algumas transmissões automatizadas deste segmento.


Em utilização descontraída privilegia claramente os baixos regimes de rotação, contribuindo para reduzir consumos e melhorar o conforto acústico, enquanto nas acelerações mais decididas responde de forma suficientemente rápida para transmitir confiança nas ultrapassagens ou entradas em vias rápidas. Não pretende oferecer a rapidez de uma caixa desportiva, mas também nunca transmite a sensação de estar perdida ou indecisa.


À medida que deixamos a cidade para trás e começamos a percorrer estradas nacionais, torna-se evidente que o Grande Panda foi afinado para privilegiar o conforto. A suspensão absorve muito bem irregularidades, lombas e pisos degradados, oferecendo uma qualidade de rolamento acima da média do segmento. Mesmo equipado com jantes de 17 polegadas nesta versão La Prima, o automóvel consegue filtrar grande parte das imperfeições do piso, evitando impactos secos no habitáculo e proporcionando uma condução descontraída durante muitos quilómetros.


Existe naturalmente uma ligeira inclinação da carroçaria nas mudanças de direção mais rápidas, consequência direta de uma afinação claramente orientada para o conforto, mas nunca ao ponto de comprometer a confiança do condutor. Pelo contrário, o chassis transmite sempre previsibilidade, estabilidade e uma sensação de equilíbrio muito agradável.



Também a direção segue essa filosofia. É leve nas manobras urbanas, tornando extremamente fácil estacionar ou circular em ruas estreitas, mas ganha progressivamente peso à medida que aumenta a velocidade, oferecendo um compromisso interessante entre facilidade de utilização e precisão. Não comunica tanto como algumas propostas mais desportivas do segmento, mas também nunca transmite artificialidade. Faz exatamente aquilo que se espera de um automóvel concebido para utilização familiar: inspira confiança sem exigir esforço.


Em autoestrada o Grande Panda continua a surpreender positivamente. A estabilidade direcional é boa, o isolamento acústico encontra-se num nível perfeitamente aceitável para o segmento e o motor mantém velocidades de cruzeiro sem dificuldade. Naturalmente, quando se exige uma aceleração mais intensa para recuperar velocidade em subidas ou ultrapassagens, o pequeno três cilindros faz-se ouvir de forma mais evidente, mas nunca se torna desagradável. É um comportamento perfeitamente normal para uma mecânica desta cilindrada e potência e, honestamente, dificilmente os clientes deste modelo irão considerar esse aspeto um problema.


Os consumos constituem outro dos argumentos mais fortes desta motorização. Durante o nosso ensaio, combinando cidade, estrada nacional e autoestrada, foi possível obter valores muito próximos dos cinco litros por cada cem quilómetros, demonstrando que a eletrificação de 48 volts não existe apenas para cumprir regulamentações ambientais.



Traduz-se efetivamente numa redução dos consumos e das emissões, especialmente em ambiente urbano, onde o sistema híbrido trabalha durante mais tempo. Não será difícil para um condutor atento aproximar-se dos valores oficialmente anunciados pela marca, o que reforça a sensação de estarmos perante um automóvel pensado para reduzir verdadeiramente os custos de utilização. Em nosso teste, em que percorremos 500 km com o modelo, a nossa média final foi de 5,4L /100 km um valor que consideremos muito positivo para o percurso habitualmente exigente de nosso teste.


Naturalmente, nenhum automóvel é perfeito e o Grande Panda também apresenta alguns aspetos que poderiam ser melhorados. Apesar da boa qualidade geral do habitáculo, alguns plásticos continuam demasiado rígidos em zonas onde seria desejável um acabamento mais cuidado, sobretudo tendo em conta que a versão La Prima representa o topo da gama.


Também gostaríamos que os bancos dianteiros oferecessem um apoio lateral ligeiramente superior em condução mais dinâmica, embora compreendamos que o conforto tenha sido claramente a prioridade durante o desenvolvimento deste modelo e até da escolha deste componente. Finalmente, quem procura um automóvel particularmente rápido ou envolvente poderá sentir falta de alguma vivacidade nas acelerações mais exigentes, mas essa eventual crítica acaba por revelar mais uma inadequação de expectativas do que propriamente uma limitação do projeto, já que consideramos este conjunto mecânico muito interessante e versátil, sendo utilizado em diversos produtos das marcas Stellantis, até de modelos de segmentos superiores.


Chegados ao momento de falar do preço, importa enquadrar corretamente esta versão. O Fiat Grande Panda Hybrid La Prima posiciona-se em Portugal em torno dos 24 mil euros, valor que o coloca entre algumas propostas muito bem equipadas do segmento B. À primeira vista poderá parecer um posicionamento ambicioso, sobretudo quando existem concorrentes com preços semelhantes.


No entanto, basta analisar a dotação de série desta versão para perceber que a Fiat procurou oferecer praticamente tudo aquilo que um cliente poderá desejar, reduzindo significativamente a necessidade de recorrer a opcionais. Ainda assim, para quem privilegia sobretudo a racionalidade económica, a versão Icon poderá representar um compromisso particularmente interessante entre equipamento e preço, mantendo praticamente todas as qualidades fundamentais do Grande Panda.


O mercado onde este Fiat entra é provavelmente um dos mais difíceis da Europa, mas curiosamente o Grande Panda não tenta vencer os concorrentes através da potência, da tecnologia ou da imagem mais sofisticada. O seu argumento é muito mais inteligente. Enquanto muitos fabricantes parecem determinados em transformar os automóveis compactos em pequenos SUV e progressivamente mais caros, a Fiat recorda-nos que continua a existir espaço para um automóvel desenhado a pensar nas pessoas, na facilidade de utilização, nos consumos, na funcionalidade e na personalidade.


No final deste ensaio, fica uma ideia muito clara. O Grande Panda não procura reinventar o automóvel compacto. Procura antes recuperar aquilo que muitos fabricantes parecem ter esquecido ao longo dos últimos anos: um automóvel deve facilitar a vida de quem o utiliza antes de tentar impressionar quem apenas o observa. E talvez seja precisamente por isso que este Fiat nos tenha deixado uma impressão tão positiva. Não é o mais potente, não é o mais tecnológico, não é o mais luxuoso e provavelmente também não será o mais rápido do segmento. Mas é, muito provavelmente, um dos automóveis mais honestos que conduzimos nos últimos tempos.



Conclusão do Editor

A indústria automóvel vive um momento curioso. Nunca existiram tantos sistemas eletrónicos, tantos ecrãs, tantas funcionalidades e tanta tecnologia embarcada, mas também nunca foi tão difícil encontrar automóveis que transmitam personalidade e que pareçam verdadeiramente concebidos para facilitar a vida dos seus proprietários, e de sua carteira. O Fiat Grande Panda Hybrid La Prima recorda-nos precisamente isso. Demonstra que ainda é possível criar um automóvel moderno sem perder a racionalidade, oferecer tecnologia sem complicar a utilização e respeitar uma herança histórica sem cair numa nostalgia artificial. Ao longo deste ensaio, foi impossível não reconhecer que existe inteligência em praticamente todas as decisões tomadas pelos engenheiros e designers da Fiat.


Desde a forma como reinterpretaram um ícone até ao comportamento equilibrado em estrada, passando pelo excelente aproveitamento do espaço, pela eficiência da motorização híbrida de 48 volts e por um design que consegue destacar-se sem recorrer a exageros, tudo parece obedecer a uma lógica muito clara. Num mercado onde demasiados automóveis procuram ser aquilo que não são, o Grande Panda conquista precisamente porque nunca tenta esconder a sua verdadeira natureza. É um automóvel honesto, funcional, agradável de conduzir e surpreendentemente completo e divertido. E, por vezes, isso continua a ser a maior qualidade que um automóvel pode oferecer.


Artur Semedo

Editor de Veículos | Jornalista Especializado em Produto e Engenharia Automóvel


Com mais de 15 anos de experiência em ensaios automóveis em Portugal e no Brasil, alia a prática de centenas de testes à formação técnica da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, em combustíveis, motores de combustão, sistemas híbridos e veículos elétricos, proporcionando uma análise aprofundada do comportamento, engenharia e tecnologia de cada automóvel.


Ficha Técnica | Fiat Grande Panda Hybrid La Prima

Característica

Especificação

Modelo

Fiat Grande Panda Hybrid La Prima

Segmento

B (Utilitário/Crossover Compacto)

Motorização

T-Gen3 1.2 Turbo Hybrid 48V

Arquitetura

3 cilindros em linha, turbo, gasolina

Cilindrada

1.199 cm³

Potência combinada

110 cv (81 kW)

Potência do motor térmico

100 cv

Motor elétrico

Integrado na transmissão eDCT (21 kW de pico)

Binário máximo

205 Nm

Sistema híbrido

Mild Hybrid 48V

Bateria híbrida

Iões de lítio 48V

Caixa de velocidades

Automática eDCT de dupla embraiagem

Número de velocidades

6

Tração

Dianteira

Norma de emissões

Euro 6e-bis

0-100 km/h

10,0 s

Velocidade máxima

160 km/h

Consumo combinado WLTP

5,1 l/100 km

Emissões CO₂ (WLTP)

117 g/km

Capacidade do depósito

44 litros

Comprimento

3.999 mm

Largura (com espelhos)

2.017 mm

Largura (sem espelhos)

1.763 mm

Altura

1.585 mm

Distância entre eixos

2.537 mm

Capacidade da bagageira

412 litros

Lugares

5

Peso em ordem de marcha

1.280 kg

Suspensão dianteira

McPherson

Suspensão traseira

Eixo de torção

Travões dianteiros

Discos ventilados

Travões traseiros

Tambor

Jantes (La Prima)

Liga leve de 17"

Pneus

205/55 R17

Faróis

Pixel LED

Painel de instrumentos

Digital de 10"

Sistema multimédia

Ecrã tátil de 10,25"

Conectividade

Apple CarPlay e Android Auto sem fios

Climatização

Automática

Carregamento smartphone

Wireless

Sensores de estacionamento

Dianteiros e traseiros

Câmara traseira

Sim

Assistentes à condução

Travagem autónoma de emergência, Assistente de manutenção na faixa, Reconhecimento de sinais de trânsito, Alerta de fadiga, Cruise Control, Sensores de estacionamento, Câmara traseira

Preço em Portugal (La Prima)

Desde cerca de 24.450 € (pode variar consoante campanhas comerciais)


Pontos-Chave para Avaliação de Veículos

  1. Motorização e Desempenho

    Potência, binário, aceleração, resposta em diferentes cenários (cidade, estrada, ultrapassagens).

  2. Consumo / Eficiência Energética

    Média de consumo (l/100 km) ou eficiência elétrica (kWh/100 km).

  3. Autonomia

    Fundamental em elétricos e híbridos plug-in, mas também importante em combustão (tamanho do tanque, consumo real).

  4. Conforto e Ergonomia

    Qualidade dos bancos, espaço interno, nível de ruído, suspensão, facilidade de acesso e posição de condução.

  5. Tecnologia e Conectividade

    Infotainment, integração com smartphone, atualizações OTA, assistentes virtuais, personalização digital.

  6. Segurança

    Sistemas ADAS (travagem automática, ACC, manutenção de faixa, monitorização de fadiga), número de airbags, estrutura e testes de colisão.

  7. Travagem e Estabilidade

    Qualidade dos travões, distância de travagem, comportamento em curvas, controle de tração e estabilidade.

  8. Espaço e Funcionalidade

    Porta-malas, espaço para ocupantes, modularidade dos bancos, porta-objetos e usabilidade no dia a dia.

  9. Design e Acabamento

    Estilo exterior, qualidade de materiais no interior, atenção ao detalhe e percepção de valor.

  10. Custo-Benefício

    Preço em relação ao que oferece, garantia, custo de manutenção, valor de revenda.


Veja também os nossos vídeos exclusivos com o Fiat Grande Panda LaPrima Hybrid


  • Apresentação

  • Design & Exterior

  • Interior & Tecnologia

  • Teste Dinâmico

  • Resumo e Avaliação Final



Vídeos do teste realizado

(Artur Semedo, editor de Veículos, com participação de Keller Carvalho, editora de Branding PUBLIRACING)



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