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Citroën BX GTi celebra 40 anos: a berlina que juntou 125 cv, baixo peso e suspensão hidropneumática

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    Redação Europa
  • há 1 hora
  • 6 min de leitura
Citroën BX GTi celebra 40 anos: a berlina que juntou 125 cv, baixo peso e suspensão hidropneumática

Lançado em julho de 1986, o Citroën BX GTi procurou uma fórmula pouco habitual entre as berlinas desportivas da época: combinar prestações próximas dos 200 km/h e uma relação peso/potência competitiva com o conforto proporcionado pela suspensão hidropneumática. Quatro décadas depois, o modelo permanece como uma das derivações mais marcantes do BX, uma história que evoluiu para os 160 cv do GTi 16 Válvulas e chegou mesmo a incluir uma versão com tração integral. 


Há automóveis cuja relevância histórica não resulta apenas dos números de potência ou das prestações, mas da forma como combinaram características aparentemente contraditórias. O Citroën BX GTi, que em 2026 assinala 40 anos desde o lançamento, pertence a esse grupo. Surgiu numa altura em que as versões de carácter desportivo assumiam um peso crescente no mercado europeu e em que nomes como GTI começavam a ter um significado muito particular para uma geração de condutores.


O ponto de partida era o próprio BX, apresentado em 1982 e desenhado pelo estúdio italiano Bertone sob orientação de Marcello Gandini. O modelo viria a tornar-se num dos automóveis de maior volume da história da Citroën, ultrapassando 2,3 milhões de unidades produzidas até 1994. Foi durante a renovação da gama, em julho de 1986, que surgiu o BX GTi, procurando associar maior desempenho às características de conforto e versatilidade que definiam o familiar francês.


Citroën BX GTi celebra 40 anos: a berlina que juntou 125 cv, baixo peso e suspensão hidropneumática

Um GTi que não quis abdicar de ser uma berlina

O BX GTi veio substituir o BX 19 GT e o BX Sport, assumindo uma abordagem que não passava simplesmente por transformar o familiar num automóvel mais duro e radical. O desenvolvimento, liderado pelo designer Carl Olsen, procurou preservar a utilização quotidiana enquanto elevava as capacidades dinâmicas.


Visualmente, a atualização trouxe guarda-lamas mais largos, para-choques envolventes pintados na cor da carroçaria e piscas brancos alinhados com os faróis. A carroçaria recebeu também tratamento de galvanização para melhorar a proteção contra a corrosão.


Com 4,24 metros de comprimento, o GTi distinguia-se ainda pelo spoiler traseiro, faróis de nevoeiro dianteiros provenientes do BX Sport, jantes e pneus específicos e discretas inscrições GTI nos painéis laterais traseiros e na tampa da bagageira.  


Não eram alterações particularmente exuberantes. E essa discrição acabaria por se tornar parte da identidade do modelo: exteriormente continuava a ser facilmente reconhecido como um BX, reservando as diferenças mais importantes para aquilo que acontecia debaixo da carroçaria.


Citroën BX GTi celebra 40 anos: a berlina que juntou 125 cv, baixo peso e suspensão hidropneumática

125 cv para apenas 1025 kg

O primeiro BX GTi utilizava um motor de quatro cilindros, oito válvulas e injeção eletrónica, capaz de desenvolver 125 cv e 175 Nm às 4500 rpm. Hoje são valores modestos para uma berlina de carácter desportivo, mas é necessário enquadrá-los no peso do automóvel e, naturalmente, na realidade de meados dos anos 80.


O BX GTi pesava apenas 1025 kg, o que resultava numa relação peso/potência de 8,2 kg/cv. A velocidade máxima aproximava-se dos 200 km/h e os 1000 metros com partida parada eram cumpridos em 30,5 segundos.


É precisamente o peso que ajuda a compreender estes números. Quatro décadas de evolução em segurança, dimensões, equipamento, insonorização e eletrificação fizeram aumentar significativamente a massa dos automóveis modernos. No BX GTi, pouco mais de uma tonelada permitia aos 125 cv proporcionar prestações que, à época, o colocavam efetivamente no universo das berlinas desportivas.


Mas a proposta da Citroën tinha outra particularidade: não procurava obter esse comportamento através da eliminação do conforto que caracterizava o BX.


Suspensão hidropneumática também num GTi

A suspensão hidropneumática continuava presente, embora com uma afinação mais firme do que nas restantes versões. Era provavelmente uma das características que mais diferenciava o BX GTi de outros familiares desportivos contemporâneos.


Em vez de procurar uma configuração deliberadamente rígida, a Citroën tentou encontrar um compromisso entre controlo dos movimentos da carroçaria, aderência e capacidade para absorver irregularidades do piso.


O conjunto incluía ainda quatro travões de disco e direção assistida, enquanto o ABS estava disponível como opção. Esta combinação permitia ao BX conservar uma parte importante do carácter da Citroën sem ignorar as exigências adicionais resultantes das prestações superiores.


Citroën BX GTi celebra 40 anos: a berlina que juntou 125 cv, baixo peso e suspensão hidropneumática

Equipamento pouco habitual para meados dos anos 80

A ideia de conciliar desempenho e utilização quotidiana prolongava-se ao habitáculo. O equipamento incluía bancos em veludo reguláveis em altura, retrovisor elétrico do lado do passageiro, fecho centralizado e um painel de instrumentos específico com seis mostradores.


Havia ainda aviso de portas mal fechadas e pré-instalação de rádio. Entre os opcionais encontravam-se bancos em pele, teto de abrir elétrico, computador de bordo, jantes de liga leve, ar condicionado e sistema Hi-Fi, equipamentos que ajudam a contextualizar o posicionamento relativamente sofisticado do modelo para a época.


O salto para os 160 cv do BX GTi 16 Válvulas

A evolução mais importante chegaria pouco depois. No model year de 1988, o BX GTi 16 Válvulas recebeu o motor XU9J4 de 1905 cm³, capaz de desenvolver 160 cv às 6500 rpm.


O aumento de potência alterou substancialmente as prestações: a velocidade máxima passou para 218 km/h e a aceleração dos 0 aos 100 km/h era realizada em 7,9 segundos. O ABS tornou-se equipamento de série. Segundo a documentação da Citroën, tornou-se também o primeiro automóvel francês produzido em série equipado com um motor multiválvulas.


O aumento das prestações foi acompanhado por alterações na suspensão, enquanto exteriormente surgiram para-choques na cor da carroçaria com elementos decorativos pretos, saias laterais e jantes de liga leve com pneus Michelin de alto desempenho. No habitáculo, o ambiente passou a ser integralmente preto, com bancos de maior apoio lateral e volante desportivo de três braços.


Com esta versão, o GTi de oito válvulas deixou de ocupar o topo da hierarquia da gama.


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Houve também um BX GTi 4x4

Menos recordada, mas tecnicamente interessante, foi a chegada do BX GTi 4X4 em 1989. Baseada no motor de oito válvulas, a versão introduziu um sistema de tração integral permanente.


A arquitetura utilizava uma caixa de transferência dianteira e um diferencial de deslizamento limitado no eixo traseiro, distribuindo o binário numa proporção de 53% à frente e 47% atrás. Existia ainda um comando elétrico através do qual o condutor podia bloquear o diferencial central para melhorar a capacidade de progressão em condições de baixa aderência.


Era uma solução que ampliava a versatilidade da família GTi e mostrava até que ponto a plataforma BX permitiu à Citroën experimentar diferentes configurações mecânicas.


A evolução continuou até 1993

A carreira do BX GTi acompanhou também as alterações regulamentares e tecnológicas do início da década de 1990. A partir desse ano, a adaptação da gama à gasolina sem chumbo levou a potência do oito válvulas para 123 cv, sem alterações anunciadas ao desempenho ou consumo.


Em julho de 1991, as jantes de liga leve e o volante desportivo provenientes do 16 Válvulas passaram a ser equipamento de série e a direção assistida foi generalizada à gama, juntamente com melhorias no isolamento acústico.


Um ano depois, o ar condicionado tornou-se igualmente equipamento de série, acompanhado por estofos pretos e um depósito de combustível de 66 litros. Finalmente, em julho de 1993, com a introdução generalizada do catalisador, o BX GTi deixou o catálogo.


Citroën BX GTi: principais números

Característica

BX GTi 8V

BX GTi 16 Válvulas

Motor

4 cilindros, 8 válvulas

4 cilindros, 16 válvulas

Cilindrada

1905 cm³

Potência

125 cv

160 cv

Binário

175 Nm às 4500 rpm

Peso

1025 kg

Relação peso/potência

8,2 kg/cv

Velocidade máxima

quase 200 km/h

218 km/h

0–100 km/h

7,9 s

0–1000 m

30,5 s

Suspensão

Hidropneumática

Hidropneumática com afinação revista

Travões

Quatro discos

Quatro discos, ABS de série



Quarenta anos depois, uma fórmula difícil de repetir

O interesse histórico do Citroën BX GTi talvez esteja precisamente no facto de não ter seguido integralmente a fórmula dos seus contemporâneos. Em vez de transformar a berlina numa máquina deliberadamente rígida e comprometedora, a Citroën tentou fazer com que maior desempenho coexistisse com a suspensão hidropneumática, espaço para utilização familiar e níveis de equipamento elevados para a época.


O resultado foi um automóvel de apenas 1025 kg que, inicialmente com 125 cv e posteriormente com 160 cv no 16 Válvulas, conseguia oferecer prestações sérias sem abandonar algumas das características técnicas que distinguiam a Citroën.


Quarenta anos depois do aparecimento do GTi e mais de três décadas depois do final da sua produção, essa combinação de baixo peso, suspensão hidropneumática, motor atmosférico e caráter de berlina familiar ajuda a explicar por que razão o BX GTi continua a ocupar um lugar particular entre os desportivos franceses dos anos 80 e início dos anos 90.


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