
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










A Omoda & Jaecoo alarga a utilização da tecnologia Super Hybrid System no mercado português, onde o Omoda 5 SHS-H passa a ser acompanhado pelo novo Jaecoo 5 SHS-H. Os dois SUV partilham uma arquitetura híbrida com motor 1.5 TGDI, componente elétrica de até 150 kW e 224 cv de potência combinada, anunciando 5,3 l/100 km em ciclo WLTP. A tecnologia é semelhante, mas os dois modelos procuram responder a perfis distintos dentro de um dos segmentos mais concorridos do mercado.
A estratégia de eletrificação da Omoda & Jaecoo em Portugal ganha maior expressão com a utilização da tecnologia SHS (Super Hybrid System) em dois SUV compactos. Depois do Omoda 5 SHS-H, é a vez do Jaecoo 5 SHS-H chegar ao mercado nacional com a mesma base mecânica, numa solução híbrida convencional que dispensa carregamentos externos e procura utilizar a componente elétrica durante uma parte significativa da condução.
Os dois modelos partilham números praticamente idênticos no sistema de propulsão: 224 cv de potência máxima combinada, 295 Nm de binário, aceleração dos 0 aos 100 km/h em 7,9 segundos e velocidade máxima de 175 km/h. Também coincidem nos valores homologados de consumo e emissões, respetivamente 5,3 l/100 km e 120 g/km de CO₂ segundo o ciclo WLTP.
Mais do que as prestações, porém, é a arquitetura do sistema que merece atenção. Num momento em que as marcas chinesas começam a diversificar a oferta para além dos elétricos e híbridos plug-in, o SHS permite à marca atacar o mercado dos híbridos convencionais, onde a facilidade de utilização e a ausência da necessidade de carregamento podem continuar a pesar na decisão de muitos consumidores.
No centro do SHS encontra-se um motor 1.5 TGDI a gasolina com 105 kW, equivalentes a 143 cv, concebido especificamente para aplicações eletrificadas. O construtor anuncia uma eficiência térmica de 44,5%, um valor elevado para um motor de combustão e que resulta de soluções como ciclo Deep Miller, taxa de compressão de 14,5:1 e injeção direta a 350 bar.
É precisamente este motor que analisámos recentemente do ponto de vista técnico: ao contrário de uma unidade convencional posteriormente adaptada à eletrificação, foi desenvolvido para trabalhar integrado com a transmissão híbrida DHT, bateria e motor elétrico.

A componente elétrica pode disponibilizar até 150 kW (204 cv), enquanto a transmissão atinge, segundo o fabricante, uma eficiência máxima de 98,5% em funcionamento elétrico. Isto não significa, naturalmente, somar diretamente os 143 cv do motor térmico aos 204 cv do elétrico. A gestão eletrónica limita a potência máxima combinada do sistema aos referidos 165 kW, ou 224 cv.
A bateria utilizada nos dois modelos é uma unidade NCM de 1,83 kWh. Trata-se, portanto, de uma capacidade típica de um híbrido convencional e muito distante daquela encontrada num híbrido plug-in. A energia é recuperada durante a desaceleração e travagem ou produzida através do próprio sistema híbrido, sem necessidade de ligação à rede elétrica.
A estratégia de funcionamento procura privilegiar a propulsão elétrica nos momentos em que esta é mais eficiente, sobretudo no arranque e a velocidades baixas e intermédias. O motor de combustão entra em funcionamento de acordo com a velocidade, solicitação de potência, carga da bateria e condições de circulação.
Dependendo dessas circunstâncias, o 1.5 TGDI pode funcionar como fonte de energia para o sistema elétrico ou participar na propulsão. Esta gestão permite também mantê-lo durante mais tempo nas faixas de funcionamento onde consegue atingir maior eficiência.
O resultado deverá traduzir-se numa experiência diferente daquela de um automóvel exclusivamente térmico, sobretudo em ambiente urbano, onde a maior frequência de funcionamento elétrico pode reduzir ruído, vibrações e utilização do motor a gasolina.
Naturalmente, os 5,3 l/100 km homologados são uma referência obtida em ciclo WLTP. Só a utilização real permitirá perceber até que ponto a elevada eficiência térmica anunciada para o motor e a estratégia híbrida se traduzem em consumos igualmente competitivos em diferentes tipos de percurso.

Embora partilhe a mecânica com o JAECOO, o Omoda 5 SHS-H assume uma abordagem mais orientada para o SUV urbano. Os 224 cv e 295 Nm colocam-no num nível de prestações relativamente elevado para um híbrido deste segmento, com os 7,9 segundos necessários para chegar aos 100 km/h.
A transmissão automática envia a potência exclusivamente às rodas dianteiras e a bateria de 1,83 kWh permite ao sistema recorrer frequentemente ao motor elétrico sem transformar o OMODA 5 num veículo que dependa de carregamento externo.
A gama divide-se entre os níveis Comfort e Premium. Entre o equipamento disponível encontram-se dois ecrãs de 12,3 polegadas, Apple CarPlay e Android Auto e diferentes sistemas de assistência à condução.
Na versão Premium acrescentam-se, entre outros elementos, câmaras panorâmicas de 360 graus, bancos dianteiros aquecidos e ventilados, teto de abrir elétrico e sistema de áudio Sony com oito altifalantes.
O recém-chegado Jaecoo 5 SHS-H utiliza exatamente os mesmos números essenciais do sistema híbrido, mas procura distinguir-se através de uma apresentação mais próxima da imagem tradicional de um SUV.
Também aqui encontramos 224 cv, 295 Nm, tração dianteira e bateria NCM de 1,83 kWh, juntamente com os mesmos 7,9 segundos dos 0 aos 100 km/h, 175 km/h de velocidade máxima, 5,3 l/100 km de consumo WLTP e 120 g/km de emissões de CO₂.
Uma diferença importante nos dados divulgados está na autonomia total anunciada. A marca aponta para 925 quilómetros em ciclo WLTP, combinando a capacidade do depósito de combustível com a gestão do sistema híbrido.
No habitáculo, o JAECOO utiliza um painel de instrumentos digital de 8,88 polegadas e um ecrã central vertical de 13,2 polegadas, acompanhado por Apple CarPlay e Android Auto sem fios.
Na versão Exclusive surgem câmaras panorâmicas de 540 graus, teto panorâmico, bancos dianteiros aquecidos e ventilados, carregamento sem fios para smartphone até 50 W e sistema de áudio Sony com nove altifalantes.
A gama portuguesa do Jaecoo 5 SHS-H é composta por duas versões. O Pure apresenta um preço recomendado de 30 900 euros, enquanto o Exclusive sobe para 33 690 euros.
Versão | Potência | Consumo WLTP | Preço |
Jaecoo 5 SHS-H Pure | 224 cv | 5,3 l/100 km | 30 900 € |
Jaecoo 5 SHS-H Exclusive | 224 cv | 5,3 l/100 km | 33 690 € |
A coexistência do Omoda 5 e do Jaecoo 5 com a mesma arquitetura permite ao grupo explorar uma estratégia já utilizada por outros fabricantes: partilhar tecnologia e cadeia cinemática, diferenciando os produtos sobretudo através do desenho, posicionamento e equipamento.
É também um sinal de que a ofensiva das novas marcas chinesas na Europa está a tornar-se tecnologicamente mais diversificada. Depois de uma primeira fase fortemente associada aos automóveis elétricos e, posteriormente, aos híbridos plug-in de grande autonomia, os híbridos convencionais passam a assumir maior relevância.
No caso destes dois modelos, os números são suficientemente claros: 224 cv, 295 Nm, 5,3 l/100 km e 120 g/km de CO₂, sem necessidade de ligar o automóvel à tomada. O Jaecoo acrescenta ainda uma autonomia combinada anunciada de 925 km.
Resta perceber, na utilização real, até que ponto a elevada eficiência técnica anunciada para o SHS consegue reproduzir os consumos homologados e, sobretudo, se a combinação entre preço, equipamento, eficiência e desempenho será suficiente para diferenciar Omoda e Jaecoo num segmento SUV onde a oferta híbrida é hoje particularmente extensa.
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