
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.










Criminalidade associada aos metais preciosos aumentou quase 19% no primeiro semestre de 2026. Setúbal, Porto e Lisboa concentram o maior número de ocorrências, mas o fenómeno já se estende ao interior do país.
O furto de catalisadores e de outros componentes automóveis continua a ganhar expressão em Portugal. Dados divulgados pela Guarda Nacional Republicana (GNR) revelam que, durante o primeiro semestre de 2026, foram registados 685 furtos de acessórios ou peças de veículos motorizados, um aumento de 18,7% face às 577 ocorrências contabilizadas no mesmo período de 2025. Em média, são registados quase quatro crimes por dia, numa tendência que as autoridades associam à crescente valorização internacional dos metais preciosos presentes no interior dos catalisadores.
Ao contrário do que muitos proprietários poderão pensar, os criminosos não procuram o catalisador enquanto peça automóvel. O objetivo é extrair rapidamente os metais do grupo da platina — ródio, platina e paládio — utilizados no interior destes dispositivos para reduzir as emissões poluentes. A elevada cotação destes metais nos mercados internacionais, impulsionada pela escassez da produção mineira e pela procura industrial, tornou este tipo de crime particularmente lucrativo para redes organizadas.
Segundo a GNR, os furtos são normalmente executados com recurso a rebarbadoras portáteis alimentadas por bateria, capazes de remover um catalisador em menos de um minuto. Depois de retiradas, as peças seguem para circuitos ilegais de reciclagem ou exportação, onde os metais são recuperados e comercializados. A rapidez da operação faz com que muitos furtos ocorram em parques de estacionamento durante a noite ou mesmo durante o dia, em locais pouco movimentados.
Dos 685 crimes registados, 178 correspondem especificamente ao furto de catalisadores. Em termos geográficos, Setúbal lidera as ocorrências, com 135 casos, seguindo-se Porto (113), Lisboa (93) e Aveiro (59). A GNR destaca ainda o crescimento expressivo em distritos tradicionalmente menos afetados, como Portalegre (+200%), Viseu (+150%) e Leiria (+71%), indicadores que apontam para uma crescente mobilidade das redes criminosas entre o litoral e o interior do país.
Embora o número de detenções permaneça reduzido, as autoridades intensificaram o combate a este fenómeno. No primeiro semestre de 2026 foram efetuadas seis detenções relacionadas com furtos de acessórios ou peças automóveis, após oito detenções registadas durante todo o ano de 2025. Paralelamente, a GNR reforçou as ações de fiscalização dirigidas a oficinas, sucateiras e operadores de gestão de resíduos, procurando controlar a proveniência dos metais destinados à reciclagem e desmantelar os circuitos ilegais de comercialização.
As autoridades recordam ainda que a compra ou venda de componentes automóveis sem documentação comprovativa da sua origem pode configurar o crime de recetação. Para reduzir o risco de furto, a GNR recomenda que os proprietários privilegiem o estacionamento em locais iluminados ou vigiados, recorram, sempre que possível, a garagens fechadas e ponderem a instalação de proteções metálicas ou alarmes específicos para o catalisador.
Outro dos alertas prende-se com os sinais de atuação dos criminosos. O corte de um catalisador produz um ruído metálico intenso e facilmente identificável durante cerca de um minuto. Sempre que sejam detetados sons desta natureza ou movimentos suspeitos junto de veículos estacionados, a GNR aconselha o contacto imediato com o 112 ou com o posto policial mais próximo.
Indicador | Valor |
Crimes registados | 685 |
Variação face a 2025 | +18,7% |
Furtos específicos de catalisadores | 178 |
Média diária de ocorrências | Quase 4 |
Detenções em 2026 (1.º semestre) | 6 |
Distrito | Casos |
Setúbal | 135 |
Porto | 113 |
Lisboa | 93 |
Aveiro | 59 |
Distrito | Evolução |
Portalegre | +200% |
Viseu | +150% |
Leiria | +71% |
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu telemóvel
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Apoie o jornalismo de valor. Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo



























Comentários