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Hennessey Blackbird aposta no prazer de condução e desafia a tendência da eletrificação entre os hipercarros

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    Redação Europa
  • há 46 minutos
  • 4 min de leitura

Hennessey Blackbird aposta no prazer de condução e desafia a tendência da eletrificação entre os hipercarros

A fabricante norte-americana revelou o Blackbird, um novo hipercarro que segue uma filosofia oposta à de grande parte dos modelos mais recentes do segmento. Em vez da eletrificação e da digitalização, aposta num motor V8 atmosférico, caixa manual de seis velocidades e um habitáculo praticamente livre de ecrãs. 


Enquanto a maioria dos construtores de hipercarros acelera rumo à eletrificação, à hibridização e à digitalização da experiência de condução, a norte-americana Hennessey Special Vehicles decidiu seguir um caminho diferente. O novo Blackbird, terceiro hipercarro desenvolvido pela empresa depois do Venom GT e do Venom F5, foi concebido para privilegiar a ligação entre o condutor e a máquina, colocando o envolvimento emocional acima da procura pelos números absolutos de desempenho.


Inspirado no lendário avião de reconhecimento Lockheed SR-71 Blackbird, o modelo combina referências aeronáuticas com uma abordagem clássica à condução. O nome, as proporções da carroçaria, as linhas exteriores e até os estabilizadores verticais ativos remetem para a icónica aeronave norte-americana, criando uma identidade visual distinta no universo dos hipercarros.


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Motor V8 atmosférico e caixa manual

No centro do projeto está um novo motor V8 atmosférico de 6,2 litros, desenvolvido em parceria com a Ilmor Engineering.


A Hennessey estima uma potência entre 800 e 850 cv, associada a um regime superior às 9.000 rpm, tornando-o potencialmente um dos motores V8 atmosféricos de produção com maior capacidade de rotação já desenvolvidos.


Ao contrário da tendência atual, não existem turbocompressores nem qualquer sistema híbrido de assistência elétrica. Toda a potência é enviada às rodas traseiras através de uma caixa manual de seis velocidades com grelha metálica exposta, uma solução cada vez mais rara neste segmento.


Segundo os objetivos definidos pela marca, o Blackbird deverá acelerar dos 0 aos 96 km/h (60 mph) em cerca de 2,5 segundos e atingir uma velocidade máxima de aproximadamente 354 km/h (220 mph).


Habitáculo rejeita a digitalização

Um dos aspetos mais invulgares do Blackbird encontra-se no interior.

Ao contrário da maioria dos hipercarros modernos, o habitáculo não possui ecrãs de infotainment nem instrumentos digitais visíveis. Em vez disso, a Hennessey optou por comandos físicos, chave tradicional, um grande conta-rotações analógico colocado no centro do painel e uma filosofia minimalista centrada exclusivamente na condução.


As funcionalidades de conectividade continuam presentes, mas ficam discretamente integradas através do smartphone do utilizador, compatível com Apple CarPlay e Android Auto, evitando que a tecnologia domine visualmente o interior.


Concebido para viajar

Apesar das prestações de superdesportivo, o Blackbird foi desenvolvido com uma forte componente de utilização em estrada.


A Hennessey afirma que o modelo foi concebido para percorrer mais de 1.280 quilómetros num único dia, privilegiando o conforto em viagens longas sem abdicar do desempenho.

Para isso, incorpora suspensão adaptativa, melhor isolamento acústico relativamente ao Venom F5, maior área envidraçada, portas tipo asa-de-gaivota e um espaço de bagagem pouco habitual entre hipercarros, capaz de transportar duas malas de cabine, além de compartimentos adicionais no habitáculo.


Hennessey Blackbird aposta no prazer de condução e desafia a tendência da eletrificação entre os hipercarros

Estrutura integral em fibra de carbono

Toda a estrutura do Blackbird assenta numa nova célula central em fibra de carbono, igualmente utilizada na carroçaria.


A Hennessey pretende manter o peso abaixo dos 1.360 quilogramas, recorrendo também a suspensão "inboard", pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 e dois desenhos exclusivos de jantes.


Os estabilizadores verticais traseiros constituem um dos elementos mais distintivos do projeto. Além da função aerodinâmica, são uma homenagem direta ao SR-71 Blackbird, sendo ativados automaticamente aos 71 mph (114 km/h) e posicionando-se até 71 graus, numa referência simbólica ao nome do avião.


Produção extremamente limitada

O Blackbird será produzido em apenas 71 unidades, todas construídas no Texas.

Segundo a Hennessey, mais de dois terços da produção já se encontram reservados, apesar da apresentação pública estar agendada apenas para 14 de agosto, durante o evento The Quail, na Califórnia.


O preço base começa nos 2,5 milhões de dólares, antes de impostos, estando o início da produção previsto para 2029, prolongando-se até 2030.


Uma alternativa à tendência dominante

O lançamento do Blackbird surge numa altura em que o segmento dos hipercarros vive uma profunda transformação, marcada pela eletrificação e pela crescente digitalização.


A proposta da Hennessey segue precisamente na direção oposta: um automóvel onde o motor atmosférico, a caixa manual, a tração traseira e os comandos físicos assumem um papel central, procurando responder a um nicho de clientes que continua a valorizar a experiência de condução acima da procura pelos maiores números de potência ou velocidade.


Hennessey Blackbird – Principais especificações

Característica

Dados

Motor

V8 atmosférico 6.2 litros

Potência prevista

800 a 850 cv

Regime máximo

Mais de 9.000 rpm

Transmissão

Manual de 6 velocidades

Tração

Traseira

Estrutura

Monocoque integral em fibra de carbono

Peso-alvo

Inferior a 1.360 kg

0-96 km/h

2,5 segundos

Velocidade máxima

354 km/h

Produção

71 unidades

Preço base

2,5 milhões de dólares

Início da produção

2029


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